Borboleta Esmeralda

1 A ganância humana não tem limites.


Por trás das muralhas de um imenso castelo,

Vive um rei cansado de tudo o que é disforme,

E seu coração ganancioso anseia por algo belo.

Roga a Deus por um milagre, mesmo cheio de conforto,

Enquanto os plebeus dormem ao relento,

Sem um alento sequer para terem um sono pacífico.

Esquecidos nos desejos mais insanos do rei,

Esperam por uma luz tão distante, um reconhecimento inexistente,

Assim como um sorriso sincero dos lábios do tirano rei.

Até que um belo dia, trajando suas roupas feitas de seda,

O rei resolve manchar o solo com os passos do egoísmo,

Fez um pacto com o anjo caído em troca de mais riqueza.

As vozes insaciáveis da nobreza gritavam- Estás correto, majestade,

Tens de recobrir de beleza a tudo o que tocas,

Para mostrares a esses vermes insignificantes o real sentido da palavra realeza!

A burocracia infante bateu no peito e brandiram seus floretes,

No aguardo de uma resposta requintada, repleta de frases pomposas

E um discurso invejável, digno de um aristocrata.

Para a desgraça de sua inocente esposa, o rei por fim, disse – Assim está feito, darei a Cesar o que é de Cesar. Se isto os fará felizes, tudo o que tocar virará ouro.

Tolo e ingênuo rei assinou sua própria sentença de infelicidade.

O anjo caído concedeu-lhe o desejo do toque de Midas,

Tudo o que tocava virava peça de ouro, desde cômodos até pessoas,

Até que uma bela noite, ao ter com sua dama,

Ela virou uma belíssima estátua de ouro.

Em prantos, o rei caído rogou ao céu por um milagre,

Lhe foi dado silêncio por alguns minutos,

Até uma voz poderosa se fazer presente,

Tal qual um trovão no prelúdio da chuva – Tu assinaste tua própria desgraça, agora ficarás a admirar o que a ignorância de teus atos te levou a fazer e viverás mergulhado em um poço profundo de tristeza por teres jogado fora tua verdadeira felicidade. Bem sabes que dinheiro nunca foi tudo, no final acaba e a única coisa que fica é o sentimento.

O rei derramou seu pranto sobre os lençóis de cetim vermelho de sua cama,

Desejando que isso não tivesse acontecido, estava pagando um preço bem alto por sua insolência,

Bem como sua maneira tresloucada de trocar uma vida por uma noite

De luxo, vivendo amaldiçoado até seu último dia de vida,

Ante o ato inconsequente de sua persistência.

Ao cair da noite, o jardim nada havia mudado,

Congelados no tempo,

Até as borboletas adquiriram asas de esmeralda,

No entanto não puderam levantar voo,

Pois suas asas eram joias preciosas, não fibras de linho,

Como a doce e longínqua liberdade.

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