Notas iniciais
As fanfics de fallout nesse site parecem estar abandonadas, não sei se alguêm ainda as lê, caso esteja acompanhando a minha por favor comente, isso motivo bastante a continuar escrevendo.

— Boone! Boone! — Uma voz familiar clamava, solitária e com medo, pedindo incessantemente por ajuda. Um rosto familiar porém tão diferente se formava a frente, esse repetia o nome com dor em sua voz. Um rosto gentil, inocente, infantil, sua boca era desprovida de dentes e seus olhos eram escuros e sem vida, com uma profundidade infinita e sem fim, era uma criança, um bebê, e esse clamava pelo nome de Boone como um filho chama pelo nome de seu pai, e Boone tentava responder, suas mãos abertas a frente com os dedos tensionados como se tivesse tentando agarrar este ser porém quando chegava perto, tão perto de segurá-lo um som fino cortava o ar e então o som da carne sendo atingida era ouvido e o rosto em sua frente explodia em vários pedaços. O medo dava lugar a surpresa quando Boone acordava tentando dar um grito, esse que saia silencioso não satisfazendo sua necessidade de se expressar.

Boone havia acordado, escapado daquele pesadelo, seu corpo se sentia pesado e suas mãos estavam extremamente suadas, pingando o suor quente como sangue que acabava de ser derramado. Ele já deveria ter se acostumado, os pesadelos eram frequentes mas sempre o pegavam de surpresa, talvez porque pensava toda noite que talvez aquele seria o dia onde iria conseguir dormir bem mas essa esperança nunca se concretizava, toda noite era igual.

Para sair daquela ilusão o homem olhou para o lado direito e sua visão fora ocupada com a presença do deserto do Mojave, agora que havia acordado daquele pesadelo tudo começava a fazer mais sentido e suas memórias retornavam ao normal.

Há três dias atrás Boone havia atacado o acampamento de Cottonwood Cove e então teria se colocado a andar na direção do Posto de Rangers do Mojave, local esse que dava diretamente na saída do deserto e abria caminho em direção às terras da NCR ao oeste, mas na noite anterior, quando quase chegando ao seu destino, Boone se viu cansado da viagem e o frio do deserto entorpecia seus sentidos, foi então que decidiu descansar e passar a noite em um outdoor adjacente.

Boone apoiou suas mãos sobre o corrimão do outdoor e olhando para o sol nascente pegou seu cantil que havia passado a noite ao relento e tomou um gole da água gelada que junto com o ronco faminto de seu estômago era o suficiente para lhe acordar de vez.

Boone arruma seu acampamento improvisado e tira uma lata de Pork N' Beans de sua mochila, a comida era velha mas graças a quantidade enorme de conservantes químicos ainda continuava palatável, com uma colherada relutante seguida de outra e outra em rápida sucessão Boone engolia toda a comida e se colocava de volta a sua missão principal.

Quando virava de frente à imagem do outdoor para descer as escadas sua atenção era capturada por uma imagem gigante, uma mulher loura e com uma roupa apertada e reluzente segurava um prato e as palavras Rita's Cafe preenchiam o espaço ao seu lado. Por não ter percebido a imagem no dia anterior, Boone achou a situação estranha por motivos que nem ele conseguia explicar, como se aquilo fosse de alguma forma um sinal para algo que ele ainda não sabia.

Descendo as escadas Boone se pusera de volta em seu caminho caminhando pelo asfalto velho na direção do posto, a fileira de carros velhos lhe guiavam e a alguns quilômetros conseguia ver as duas estátuas de metal gigantes de dois Rangers apertando as mãos, uma forma da NCR de se mostrar para todo o deserto.

Era até irônico, Boone pensou, depois de terem perdido a batalha de Hoover Dam aquela estátua parecia não se sentir mais bem vinda ali e quanto mais Boone se aproximava mais isso se mostrava ser verdade, uma multidão de corpos estavam pendurados no monumento, todos com cordas em seus pescoços como se tivessem sido executados. Claro que foram, aquela teoria já se comprovava verdade na mente de Boone, a legião já havia chegado lá e seria difícil passar por ela sem ser notado.

Uma lembrança veio a mente do tal, quando estava ali com o mensageiro ambos conheceram uma garota chamada Cass que havia mencionado de forma figurativa o monumento como banhado a sangue e naquele momento esse breve comentário deixava de ser uma metáfora e se tornava uma realidade, o vento trazia o cheiro ferroso do sangue que cobria o monumento e Boone se sentiu mal do estômago.

Mas não temeu, Boone sempre foi quieto, seja para seu benefício ou desconforto de outros a sua volta, nunca foi de falar e se não fosse por sua boina vermelha, óculos escuros e rifle enorme passaria batido pela maioria das pessoas, mas é claro que aquelas não eram pessoas, não para ele pelo menos, aqueles eram legionários, longe de serem pessoas e bem piores que animais.

Boone conseguia ver um legionário no telhado do bar onde normalmente ficava uma sniper branca como um fantasma, esse legionário utilizava de um binóculos para vigiar quem chegava perto ao posto e Boone por ser uma figurinha carimbada no livro dos legionários já sabia que o acampamento entraria em alerta caso fosse detectado.

Rapidamente se abaixava atrás da carcaça de um carro velho para não ser percebido e quando o guarda virava seu binóculos para olhar em outra área ele corria para outro carro e se escondia. Foi assim que de carro em carro se aproximou da grade do posto, logo abaixo do vigia, de forma que não conseguia mais ser visto.

Se movimentando agarrado à parede e agachado Boone se esgueirava até a entrada do posto e olhando para dentro conseguia ver que o local não estava muito ocupado, o chão estava coberto de sangue e as jaulas onde permaneciam as Brahmin estavam agora lotadas de cadáveres, de soldados da NCR e legionários, todos aglomerados juntos, parecia que a legião tinha sofrido bastante casualidades no ataque ao posto mas no final acabaram ganhando.

Como eram poucos guardas Boone conseguia entrar no acampamento passando por um buraco na cerca e se arrastando deitado pelo chão, a areia era suficiente para lhe esconder em seu avanço e observando atentamente os guardas ele avançava passando pelo bar e através dos arbustos secos chegando na central do posto, as janelas estavam quebradas e a porta fechada, o som de conversa era constante dentro.

Boone continua se arrastando até chegar perto do grande portão de metal à frente.

Agarrando a grade solta na base ele a puxa para conseguir passar quando ouve uma mulher gritando de forma raivosa atrás. — Me larguem seus fudidos — Boone se vira ainda abaixado e vê dois legionários arrastando uma garota loira que usa as cores pastéis da NCR do meio dos corpos no cercado das Brahmin, a jovem grita com fervor e utiliza de todas as palavras mais grossas possíveis quando um dos legionários lhe golpeia no rosto com seu punho — Cale a boca, vadia, se não vou te dar algo para colocar nessa sua boca suja — O homem diz segurando o rosto da jovem com suas mãos, um sorriso perverso se forma em seu rosto — Quer saber? Talvez eu faça isso de uma vez — Ele complementa, seu amigo agarra a garota por trás prendendo seus braços a imobilizando. O legionário a sua frente leva a mão até seu kilt preto quando um som alto quebra o ar do local, uma bala de rifle lhe acerta na testa e sua cabeça estoura, seus olhos voam para todos os cantos e sua massa cerebral cobre o chão.

Ambos o outro legionário e a garota são surpreendidos com a cena. Boone que tinha acabado de atirar com seu rifle puxa o ferrolho para trás e quando o outro legionário solta a garota e se vira para a origem do tiro Boone lhe acerta com uma bala no peito acertando seu coração, o poder do golpe faz com que o homem cuspa sangue e caia para trás.

Em sequência Boone corre avançando na direção da garota, sua mão agarra o braço da tal e a jovem assustada se prepara para tentar escapar do homem quando olha em seu rosto e vê sua boina vermelha de 1º reconhecimento, a elite de snipers da NCR, descansando em sua cabeça, os olhos do homem são frios, seu rosto coberto de marcas, o stress em sua face quase palpável. Boone olha o rosto da jovem brevemente, seus cabelos loiros estavam cobertos de sangue e seus olhos marrons estavam arregalados, com medo, seu lábio inferior apresentava uma cicatriz recente e sua pele estava pálida — Levanta! Vamos sair daqui! — Boone grita para a garota, o som da conversa dos legionários adjacentes para e é substituída por ordens, os soldados começam a se organizar para atacar o sniper que acabava de ser detectado.

A garota era puxada e se levantava correndo com Boone na direção do portão — Vai, passa — Boone falava enquanto puxava a cerca de metal para dar uma chance à garota de atravessar — Não posso — A garota rebate relutantemente — O que? — Boone diz incredulosamente enquanto olha nos olhos da mesma e então a garota lhe responde — Eu não posso sair, mus amigos ainda estão aqui.

O breve diálogo é interrompido quando uma lança voa passando ao lado dos dois e acertando o chão. Boone se tocou de que seria impossível convencer a garota naquele momento e então fez como ela disse, correndo na direção da janela da central o tal a quebrou com a parte de trás de sua arma. O interior do local era ocupado por quatro legionários que se movimentavam em direção à porta, mas motivados pelo som da janela quebrando olharam para trás vendo Boone a garota entrando no local — Lá, peguem eles — Um dos legionários gritou apontando para os dois.

Boone seguido pela garota corria para trás de um balcão e rapidamente usava sua arma para atirar contra um dos soldados. Os três remanescente avançavam sem medo dando chance a Boone de atirar contra eles novamente acertando a cabeça de um outro e o matando, seu sangue jorrava e molhava o rosto de seus companheiros mas isso não os desmotivou, os selvagens sacaram seus facões e pularam sobre o balcão mas Boone e a garota se direcionaram a saída do local, passando pela porta dupla os dois correram atravessando o posto avançado e indo até a saída se esquivando dos golpes de lanças e facões contra ambos.

Os dois haviam escapado por pouco e agora se direcionaram à cidade próxima de Nipton, o local que antes era um cemitério agora serviria como um refúgio para os fugitivos.

Notas finais
Estou tendo um problema com escrever apenas no passado ou no presente, acabo me embaralhando e sem querer fico trocando entre os dois mas venho praticando. Quero perguntar também se querem que eu escreva detalhando mais os sentimentos dos personagens ou simplesmente descrever as ações já é o suficiente.