Bookierland
1 Capitulo 1
Notas iniciais
Normalmente, quando somos crianças e ralamos o joelho, nós choramos. Quando perdemos alguém importante, nós choramos. Eu tinha sete anos e havia caído da bicicleta. A roda passou por cima do meu braço e eu gritei. Meus pais correram em minha direção e tudo que fiz foi morder meus lábios fortemente,
Eu não derramei uma lágrima.
Nessa altura do campeonato, eu passava um lenço discretamente no meu lábio pois ele sangrava. Estava sim há duas horas e eu desconfiava que uma grande ferida se formaria.
Começa a oração. Uma pontada em meu estomago e eu juro, eu queria ter levado um tiro. Um tiro doeria menos. As cores do local, eu, essas dor e toda a situação não cooperava com o fato de que eu não choro. Nada me faria chorar. Eu queria gritar. Ouço os soluços de minha tia, debaixo de seu véu escuro. Sei que deveria acalma-la ou então, ser consolada. Eu deveria demonstrar meus sentimentos. Mas isso me faria sentir vulnerável.
Após receber a noticia que meus pais morreram, eu gritei. Gritei, joguei copos na parede e mordi meus braços até sangrar. Mas não derramei uma sequer lágrima. Não. Parece idiotice mas é assim que eu me protejo. De mim mesma. Da minha dor, prefiro acreditar que ela não existe. Sempre foi fácil, porém, agora sei que ela andará comigo, lado a lado, de mãos dadas com a minha sombra, por muito tempo. Talvez para sempre. A oração acabou e meu coração acelera. Esse é o momento que irei me despedir e sair correndo antes que decidam que eu vou viver com a minha avó. Ando apressadamente até o caixão. Ele está fechado, pois, os corpos estão destruídos.
Sinto o gosto de bile em minha boca.
O caixão de mamãe é preto e menor que o de papai; ela era baixinha e meu pai muito alto. Não sei o que fazer, apenas olhar para essas caixas. Eles não estão aqui. Mantenho isso em mente, apensar de ser inútil o pensamento. Tenho que correr. Atravesso o cemitério, ciente que estão me chamando. A chuva cai feito neve: Delicada, fria e lentamente. Se ela caísse mais rápido, talvez eu não associasse a sua lentidão à minha dor. Lenta e torturante. Consumindo cada parte de mim e sei que devo libera-la. Eu não o farei. O taxi está a minha espera na rua seguinte, apenas tenho que correr. Os prédios de Nova Iorque tornam-se um borrão, a medida que corro e meu cabelo se solta, tornando-se um véu loiro sobre os meus olhos. Entro no carro.
– Senhorita Jackson, pronta para a viagem? — Eric, o motorista e meu amigo pergunta. Não sei para onde estou indo, só sei que estou indo a algum lugar. Talvez isso seja o suficiente.
– As malas estão aí? — Pergunto, arrumando meu vestido e olhando pela janela. Preciso ter certeza que ninguém irá me seguir.
– Está tudo certo. É uma pequena cidade, você vai gostar. Sossegada e cheia de mistério. — Me pergunto o que ele quer dizer com isso. Eu poderia perguntar-lo mas estou cansada demais. O sono me consome e a unica coisa que vejo, é o brilho da lua sob um arranha-céu.
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