_ Como assim tudo? — ele perguntou confuso.

_ Tudo. Você não está morto. Pensando bem, eu jurava que só pessoas mortas viravam fantasmas.

_ Isabella, sem querer ser rude, mas deixe pra divagar outra hora e conta tudo que você sabe de uma vez.

_ Ah, você sofreu um acidente, tá no hospital. Nossa é tão estranho falar de você assim. Bem, seu corpo. Seus pais estão bem, mas você não. Você está em coma a quase vinte dias e eu só não sabia que você tinha sofrido um acidente porque foi na mesma semana dos meus pais, e naquela semana o mundo poderia ter acabado e eu mal teria percebido. E ninguém lá em casa comentou isso, então fiquei sem saber. Acho que eles não queriam falar de tragedias perto de mim.

_ Ok, então vamos para o hospital agora.

_ Agora eu não posso. Tenho aula daqui a pouco. Não posso simplesmente sair e dizer "É que eu vou no hospital visitar um corpo que eu não conheço, ah, o fantasma deles vem me assombrando a alguns dias. Posso ir?"

_ Tá, então depois da aula sem falta. Enquanto isso vou tentar procurar mais informações, como em que hospital eu estou, por que isso a senhorita não descobriu. E em Seattle há vários. Nos vemos na saída.

_ Tudo bem.

Não consegui prestar atenção em mais nada naquela escola, a não ser claro o relógio do meu celular a cada cinco minutos. Quando o sinal tocou nos liberando daquela tortura corri até a saída da escola e lá já encontrei Edward. Obviamente não corri em sua direção. Ficar falando com um muro (onde ele estava encostado) não seria bem visto. Apenas dei aquele olhar tipo "me segue" e fui para a parada de ônibus.

_ Memorial. O nome do hospital é memorial. Tem 10 minutos que umas garotas estranhas passaram com um buque enorme de flores dizendo ao taxista que as levasse para o hospital Memorial. Acho que as flores eram pra mim.

Ele disse todo se gabando.

_ Pena que eu detesto lírios. Me dá espirros. — o olhei com aquela cara de "como você sabe disso?" _ O que foi?

_ Como você sabe que não gosta de lírios?

_ Sabendo. Dá pra ir agora, ou vai me esperar morrer de verdade?

_ Grosso! — falei entrando no primeiro táxi que vi. _ Que foi? — o taxista me olhava de um jeito estranho. _ Por favor, para o Hospital Memorial.

O taxista que ainda me olhava estranho começou a dirigir e eu tentava sibilar algum tipo de conversa para Edward.

O hospital era grande e parecia ser caro.

Paguei ao taxista e desci do carro. Fui até a recepção e uma senhora de meia idade me atendeu.

_ Bom dia, eu gostaria de visitar um paciente.

_ Qual o nome, por favor. — ela disse sem olhar para mim necessariamente.

_ Edward Masen.

_ Hum. Visitas só estão sendo permitidas para familiares. Você é da familia? — não, mas conta se ele estiver, pelo menos em espirito, hospedado na minha casa?

_ Diz que é minha namorada. — Edward falou impaciente. Eu o olhei com uma carranca, mas sabia que era uma alternativa.

_ Eu, bem, eu era namorada dele.

_ Hum, entendo. Só um segundo. — ela discou um numero qualquer e repetiu o que eu havia dito para alguém do outro lado da linha. Seguidos de muitos "sei", "entendo", "ok".

_ Você poderia se dirigir para o terceiro andar por gentileza?

_ Sim?!

_ Tudo bem, a senhora Masen estará lá te aguardando.

Tremi. Ok, você pode fazer isso. Eu acho...