Boo! Um Fantasma Em Minha Vida
12 Capítulo 12
Notas iniciais
_ Então, como vocês se conheceram? — Elizabeth disse se recuperando do choro recente. Olhei para Edward em busca de ajuda.
_ Na escola. Nos corredores e começamos a conversar. — ele disse.
_ Nos conhecemos na escola. Não estudamos juntos, quer dizer estudamos no mesmo colégio e acabamos nos conhecendo pelos corredores.
_ Sim, e o pedido de namoro. Edward nunca tinha nos apresentado uma namorada.
_ Inventa. Sei lá, me ajuda também. Diz que foi alguns dias antes do acidente dos seus pais.
_ Ficamos conversando nos intervalos e com alguns dias ele apareceu com uma rosa vermelha, fez todo um discurso e me pediu em namoro. Foi alguns dias antes da morte dos meus pais. Estávamos esperando eles voltarem para contar para todo mundo.
_ E como foi esse acidente querida? — ela perguntou. _ Claro, se quiser contar.
_ Tudo bem. — respirei fundo. Falar nesse assunto ainda não era nem um pouco fácil. _ Eles estavam em uma segunda lua de mel. Viajando pela Europa. Acabou que quando eles estavam na Itália, a penúltima parada antes de voltarem, sofreram um acidente de carro. Estava nevando por lá, e provavelmente derraparam na pista. Foram achados no fundo de um penhasco, não tinha mais nada que pudesse ser feito.
_ Entendo. Por isso você não soube do nosso acidente? — ela quis saber.
Durante toda nossa conversa Edward tentava, eu acho, voltar para seu corpo. Ficava subindo em cima da cama e tentava entrar no próprio corpo, mas parecia que não estava tendo muito sucesso.
_ Sim. Não consegui raciocinar naqueles dias. Quando eu soube da morte deles entrei em estado de choque. Alguns dias depois os corpos chegaram para serem enterrados, e acho que foi pior ainda. — não consegui me segurar, eu já chorava novamente. _ Ver, e ter a certeza que eles nunca mais estariam ali comigo foi a pior sensação que senti na vida. Passei muitos dias após o enterro ainda chorando. E só essa semana voltei para a escola. Mas as pessoas não falam de tragédias perto de mim. E ninguém sabia que eu e Edward eramos amigos, muito menos namorados. Então só soube hoje, quando vi muita gente querendo visitar o hospital. Perguntei sobre quem era e quase tive um ataque quando soube que era Edward.
_ Diz que estranhou que eu não fui te ver. — Edward disse. Ele já tinha cansado de tentar entrar em seu corpo e estava apenas sentado na cama.
_ Fiquei com raiva por que ele não foi me ver, me apoiar e quando voltei a escola não o encontrei e fiquei com mais raiva ainda.
_ Entendo. Mas o bom é que você agora o encontrou. Pena que ele está nessa situação. Eu não entendo. Ele clinicamente não tem mais nada que o impeça de acordar, mas ele não acorda.
_ Tenha fé. Eu sei que ele de alguma maneira vai voltar.
_ Deus te ouça. — ela disse com um quase sorriso.
Bateram na porta.
_ Com licença senhora Masen. Viemos buscar o Edward para os exames que já estavam agendados. — dois homens de branco entraram no quarto carregando uma maca com rodinhas.
_ Sim, claro. Vai demorar muito?
_ Não muito. Uma hora mais ou menos. — ela apenas assentiu. Os dois homens retiraram Edward das maquinas e o religaram em outra acoplada a maca de rodinhas. Depois passaram seu corpo para a maca ao lado e o levaram.
_ Bom, eu acho que vou indo então. — comecei a me despedir.
_ Claro Isabella. — ela disse se levantando. _ Eu te acompanho até o elevador.
Andamos lado a lado até as portas do elevador daquele andar. Apertei o botão e ficamos esperando.
_ Muito obrigada pela sua visita. Espero que o Edward melhore com você por perto.
_ Eu também espero. Qualquer dia desses eu volto, tudo bem? — perguntei incerta. Não pela resposta dela, mas sim a dele.
_ Vou te esperar. — ela me deu um rápido abraço e eu entrei no elevador.
Respirei um pouco mais aliviada por ter conseguido ser convincente e mais ainda por não precisar mentir mais.
_ Ela acreditou. Minha mãe é uma romântica incorrigível. — Edward disse aparecendo ao meu lado.
_ Não gostei de ter mentido para ela.
_ Era a unica maneira.
_ Mas você poderia ter subido sozinho. Eu não precisava ficar mentindo.
Ele não disse nada.
_ Bom. Eu acho que isso vai ser uma despedida, não é? — perguntei.
_ É claro que não. Você é minha namorada esqueceu — ele riu. _ Vai ter que vir me visitar vez ou outra.
_ Sim, claro. Mas não vamos mais nos ver. Você vai deixar de me assombrar agora que achou sua família e seu corpo e lembrou-se de tudo.
_ Pois é. As lembranças começaram a voltar com força total. E é muito bom poder lembrar das pessoas que eu tanto amo.
_ Então acho que vai um até logo Edward. — eu disse assim que as portas do elevador se abriram no térreo. Saí e olhei para trás apenas para ver Edward parado me olhando de uma maneira estranha Fiz apenas um pequeno aceno com a mão e me despedi. _ Até logo.
_ Obrigada por tudo. Te vejo por aí. — ele piscou e as portas se fecharam.
Não tinha ninguém na recepção que pudesse ter presenciado essa cena de uma garota falando com as portas de um elevador.
Segui até a rua em frente ao hospital, onde peguei um táxi para casa.
Sentiria falta desse garoto. Ri com a lembrança. Ele odeia ser chamado de garoto.
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