Bonheur
4 Mauvais souvenirs
Notas iniciais

"Como um Estalão negro ao lado duma árvore de carvalho
Carismático, jeans magnífico
Um trevo-de-quatro-folhas debaixo dos pés dum cavalo de galope
Esse homem pica, sua força equestre"
Quando eu era pequeno, certo dia perguntei para minha mãe o motivo de eu ter um nome tão feio. Sinceramente, nunca gostei e provavelmente nunca gostarei desse nome, mas a explicação dela nunca saiu da minha cabeça.
"Ora, Félix... Há uns anos, achei um gato preto muito fofo na rua. Ele ainda era um bebê, e estava ao lado de sua mãe, que estava morta... Então eu o peguei e cuidei dele."— ela disse.
"Ah é? E aí ele cresceu e foi embora?"— eu perguntei.
"Não... O meu gatinho, que eu nomeei de Félix, morreu em pouco tempo. Logo depois, engravidei de você, e achei que combinaria muito."
Eu sempre achei que minha mãe tinha o sorriso mais lindo do mundo inteiro. Não apenas o sorriso, mas também os cabelos, as bochechas, os olhos azuis... Tudo nela era perfeito, e eu me sentia extremamente grato por minha aparência ser igual a dela.
Só que depois dela ter morrido, a minha aparência se tornou um peso. Não podia sequer me olhar no espelho, que logo me lembrava dela.
Comecei a desejar ser mais parecido com meu pai. Não seria ruim ter cabelos negros, pele morena e olhos verdes...
— Félix?
A voz de minha noiva — noiva, ah, como era bom vê-la dessa forma — me tirou de meus devaneios, enquanto olhava para sua barriga.
Estávamos na sala de estar, bebendo o chá que ela havia feito. Provavelmente enquanto ela comentava sobre coisas sem importância, me peguei pensando sobre o passado, e acabei a ignorando.
— Desculpe, o que dizia? — perguntei colocando a xícara de volta ao pratinho.
— Eu perguntava quando seu pai virá aqui. — ela perguntou inocentemente.
Suspirei. Ainda não havia contado a ela.
Eu sempre considerei o avô dela um desafio, nunca vi homem mais teimoso e cabeça dura — talvez, apenas eu mesmo. — Seu pai, Sr. Agreste, é uma pessoa super legal e brincalhona, com ele é fácil de se relacionar.
Agora, meu pai...
— Ele é uma pessoa ocupada. — respondi como sempre, sério. — não sei se conseguirá vir antes do menino nascer.
Meu pai não tem nada a ver comigo. Tanto em aparência, quanto em personalidade. Ele é moreno, tem cabelos pretos e olhos verdes, isso porque ele não é francês. Ele é o filho mais novo da família real de um país distante, ou seja, um príncipe. Apesar disso, ele se afastou de tudo isso, fundou uma empresa de perfumes e cosméticos, que deu muito certo e hoje em dia tem muito dinheiro.
Sempre foi um homem muito calmo e sorridente. Entretanto, ele não se considera feliz desde a morte da minha mãe. Por isso, desde o acontecido, ele não consegue olhar na minha cara, porque...
Infelizmente, eu sou muito parecido com ela.
— "Menino"? — Bridgette me peguntou, com um sorriso divertido. — eu tenho certeza de que será uma menina!
— E o que te faz ter certeza disso?
— Porque é assim há gerações na família Dupain-Cheng. O primeiro filho é sempre uma menina! Se bem que no meu caso e da Emma, foram duas... Ah, mas ainda vale! — ela sorri. Estava bem animada pra uma gestante de nove meses. — seria ótimo uma menininha de cabelos loiros e olhos azuis iguais aos seus...
— Brid. — me levantei, interrompendo sua fala. Virei-me de costas. — eu estou cansado. Vou dormir um pouco. — e saí da sala, deixando-a sozinha.
— Tá... — a ouvi murmurar, como se estivesse confusa. — Não se esqueça de que mais tarde iremos ao shopping, certo?
— Certo. — falei um pouco mais alto, para que ela me ouvisse.
(...)
Bridgette P.O.V
Eu estava me sentindo um pouco cansada, mas não deixaria de ir eu mesma escolher as coisas do meu bebê. Ainda precisávamos comprar alguns ursinhos para a decoração, algumas mamadeiras, chupetas e uma cadeira de descanso.
Félix estava me preocupando. Ultimamente, ele tem andando muito pra baixo, e não consigo descobrir o porquê. Se fosse qualquer outra pessoa, não perceberia que ela está se sentindo assim, — afinal, esse meu marido é sempre sério e frio. — mas eu consigo sentir isso. E não é por causa do bebê.
Depois de chegarmos ao shopping, percebi que esqueci meu casaco no carro, e Félix voltara para pegar, pedindo para eu ir e encontrá-lo na "Enfant heureux". — nome da loja. -
Lá estava um pouco vazio, o que era bom, já que assim eu poderia olhar o que eu quisesse com calma. Entretanto, depois de olhar algumas opções de cadeira de descanso, fiquei intrigada, e logo chamei o atendente mais próximo.
— Com licença?
— Em que posso ajudar?
Ele parecia estar tendo um dia horrível, julgando pela voz e pela cara de poucos amigos, mas mesmo assim eu tinha que perguntar.
— Não acho nada que me agrade... Quero dizer, — procurei as palavras certas. — todos as cadeiras de descanso que vi são, ou muito masculinas, ou femininas demais.
O atendente suspirou. Provavelmente ele estava com preguiça, mas foi ao setor de cadeiras de descanso, e eu o segui.
— O bebê da senhorita é menino ou menina?
— Ah, eu não sei.
— Como assim não sabe? — ele me olhou como se eu fosse idiota. Comecei a me irritar.
— Eu e o meu marido decidimos que seria melhor esperar pra ter a surpresa. — ele pareceu meio surpreso ao ouvir a palavra "marido", afinal, eu tenho cara de ter quinze anos.
— Sinto muito, mas não posso fazer nada se não souber se é menino ou menina.
— Não tem nenhum mais simples? Que seja verde, por exemplo? — eu não estava acreditando. Como assim não tinha nada unissex?
— Por acaso a senhorita é surda? Eu já disse qu-
— Como é?
Ouvi uma voz masculina atrás de mim, e rapidamente reconheci. Virei a cabeça, para olhar, e vi Félix com uma expressão calma, mas que eu sabia muito bem que ele estava contendo a raiva.
— Quem você pensa que é pra falar assim com a minha mulher?
— Eu sou o sub gerente daqui. — o homem encheu a boca para falar.
— Ah, é? — Fê deu uma leve risada, olhando para ele com ironia. — e eu sou
Félix Bellucci, e esta... — apontou pra mim — é Bridgette, filha mais velha de Adrien Agreste. — o homem arregalou os olhos — e queremos falar com o gerente.
— ... — o sub gerente não disse nada, apenas arregalou os olhos, e saiu.
(...)
— Félix, não faça essa cara, todos estão olhando pra nós. — reclamei, enquanto beliscava sua bochecha. O mal-humor do Félix estava chamando atenção, e eu não estava gostando daquilo.
— Detesto esperar. — ele afastou minha mão de seu rosto. Revirei os olhos. Estávamos esperando há apenas alguns minutos.
Ah, esse era o meu Félix...
— Desculpem a demora, mas estava resolvendo uns assuntos. — uma mulher muito elegante apareceu na nossa frente. Olhei seu crachá, e vi que era a gerente da loja.
Ela tinha cabelos lisos e longos, de cor roxa, presos num rabo de cavalo. Uma mexa cobria seu olho esquerdo, que tinha uma coloração castanha clara. Vestia um terninho, tinha um corpo bonito e parecia ter por volta de 38 anos.
— Oh. — ela deu um passo para trás, olhando para Félix. Não entendi nada no momento, mas ao olhar a expressão de Félix percebi que eles se conheciam.
— Tia Juleka? — ele perguntou, parecendo pasmo.
— Fê! — a mulher logo saiu de sua pose séria, e adotou uma mais singela.
Ela parecia bem feliz em ver Félix, e até o abraçou. Pensei que Félix não iria retribuir, afinal, ele odeia que o abracem, mas para minha surpresa, ele envolveu os braços em volta dela.
— Você está tão tão alto! — ela disse sorrindo. — e tão bonito também... Com quantos anos está? 17?
— Fiz 18... — murmurou, ainda olhando-a nos olhos. — a senhora não mudou quase nada, tia Juleka.
— Não diga isso... — ela ficou meio sem graça, e colocou uma mecha atrás da orelha. — eu já estou com quase 40, sou uma coroa. Enquanto você está aí, um rapaz tão bonito.
Continuei encarando-os, esperando que notassem minha presença. A tal tia do Fê se virou para mim, olhando-me de cima a baixo.
— Você é a Emma, certo?
Uma veia saltou em minha testa.
— Bridgette Agreste. — tentei me controlar para ser o mais educada possível ao me apresentar.
— É a minha noiva. — Félix finalmente falou, depois de se acalmar. Sra. Juleka olhou-o surpresa, provavelmente pelas nossas idades, pela palavra "noiva" e por causa da "melancia" que eu carregava. — Brid, esta é a minha tia, Juleka Couffaine.
Ela sorriu para mim.
— Adrien e Marinette realmente tiveram filhos lindos. — ela comentou meio baixo, o que me causou certa confusão. Por acaso ela era fã dos trabalhos de minha mãe e meu pai? Provavelmente, já que ela era bem estilosa. — enfim, qual é o problema?
— Problema? — perguntei.
— Ué. — ela estranhou. — me chamaram porque vocês tiveram um problema com George, não foi? Relacionado às cadeiras de descanso.
Naquela hora, já haviam se passado tantas coisas em minha mente, que até me esqueci disso.
(...)
N/A P.O.V
— ...Mas por que você quis tanto que eu falasse com ela, filha?— Marinette perguntou pelo telefone à Bridgette. — Juleka até estranhou, não a vejo há um tempo.
— Mamãe, eu quero saber mais sobre o Fê. E se ele não me conta, o jeito será perguntar para quem sabe. — retrucou a mais nova, sentada no sofá da sala. — em todo caso, você disse que ela chegaria às 7, não é? — a Agreste mais nova olhou no relógio na parede. — já são quase 8.
— Foi o que ela me disse, mas como ela é... Ai!
— O que foi?
— Nada, só me espetei com a agulha sem querer. Enfim, como ela é gerente ela deve ser ocupada, além de que eu acho que ela tem um-
Bridgette ouviu o som da campainha. Era ela.
— Mãe, te ligo depois! — Brid desligou o celular antes mesmo da mãe dizer tchau.
Ansiosa, foi o mais rápido que pôde atender a porta.
Bridgette P.O.V
Não sabia o porquê, afinal, eu já a havia visto, mas eu estava muito nervosa. Será que a Srta. Couffaine estava me achando uma esquisitona por pedir pra minha mãe convidá-la?
— Boa noite, desculpe o atraso, tive uns contratempos, e não consegui vir mais cedo. — ela apertou minha mão, sorrindo. — que calor, né? O verão esse ano veio com tudo. Tá até meio abafado o clima...
— Sim... — fiquei meio sem jeito. Não esperava que ela fosse ser tão falante assim comigo, já que mal trocamos algumas palavras na loja. — entre! — dei passagem para ela. — gostaria de algo gelado? Um refrigerante? Suco?
— Hm... Acho que vou aceitar o refrigerante. — ela disse entrando. — gosto de coisas com gás.
Dei uma leve risada, e pedi para a Justine — nossa empregada. — providenciar um copo.
— Não vai beber também? — Srta. Couffaine me perguntou depois de beber alguns goles.
— Oh, não, eu adoro, mas eu sigo uma dieta rígida, e se eu quebrar o Félix me mata. — brinquei, e ela riu.
— Félix sempre levou as coisas a sério demais... — comentou depois de terminar de rir. — mas gostaria de saber, por que me pediu que viesse aqui?
— Bem, é que... — fiquei em dúvida. Contava para ela o que se passava ou inventava alguma desculpa esfarrapada? — o Félix anda meio chateado, e eu acho que tem algo a ver com o pai, ou a mãe dele...
— E o que te levou a chegar nessa conclusão?
— Bem, Sra. Couffaine...
— Me chame de Juleka, por favor. Ou tia Juleka, se preferir.
— Tudo bem. — sorri. — então, tia Juleka, toda vez que eu toco no assunto "pai" ele fica mais sério do que já é, sai de perto de mim, muda de assunto... A única coisa que sei é que o pai dele é muito rico, dono da empresa "Senteurs de roses" e que é estrangeiro. Tentei pesquisar na internet sobre, mas não achei mais do que isso. — expliquei, contando no dedos os fatos que eu sabia. — como a senhora é a única que eu vi até agora que conhece o Félix desde criança, imaginei que sabia de alguma coisa.
— Onde ele está agora? — ela ficou mais séria.
— Fê?
— Sim.
— Ele disse que tinha uns assuntos pra resolver no escritório... Deve chegar lá pelas dez. Mas geralmente ele avisa. — expliquei meio em dúvida. Por que ela queria saber aquilo?
Ela olhou para nada, enquanto pegava o copo com refrigerante e dava uma golada.
— Eu conheci a mãe do Félix há anos. Antes mesmo de conhecer sua mãe e seu pai, quando viramos colegas de classe. — ela pareceu animada ao lembrar de algo. — Ah! Não sei se sabe, mas também era colega de classe da mãe de sua amiga Louise Bourgeois, e do primo de Alya, Rone Césaire. Ambos são seus amigos, certo?
— Sim. — ri levemente. — já sabia disso.
— Ah, mas aposto que não sabia que o pai da Srta. Natsuki Kutzberg, Nathaniel Kutzberg, também foi nosso colega de classe!
Arregalei os olhos. Aquilo eu não tinha imaginado. Se bem que, se parar para pensar, fazia sentido, levando em consideração que esse Nathaniel Kutzberg era amigo da mãe de Félix, que era amiga de Juleka.
Ah, mas esse não era o momento de falar de curiosidades! Como se lesse minha mente, ela pigarreou, e disse:
— Mas podemos conversar sobre isso depois, se quiser. — comentou. — enfim, a Rose era minha melhor amiga desde sempre. Éramos o oposto: ela era pequena, fofa, reluzente, graciosa...
Ela olhava para o nada enquanto descrevia a mulher.
— Eu sempre fui muito quieta e tímida, além de bem fechada. Até hoje não entendo como nos demos tão bem. — riu, olhando nos meus olhos. — em todo caso, ela era uma pessoa extremamente caridosa... Por isso se tornou uma grande fã do príncipe Ali. Na época, as meninas suspiravam só de vê-lo passar... A Rose não era diferente. Mas, diferentemente das outras, ela admirava o seu coração. — colocou a mão no peito enquanto sorria.
Era estranho. Juleka parecia como uma adolescente falando da pessoa que amava.
— Ali também era parecido com ela. Tinham gostos em comum, eram animados e adoravam se divertir... Eu também gostava muito do Ali. Ele fez a Rose muito feliz. Por muitos anos, senti inveja dele.
— Inveja? — ecoei, estranhando. Logo percebi. — você quer dizer que...
— Sim. — ela não esperou eu terminar a frase, e nem havia um porquê, já que ambas sabíamos o que eu diria. — eu gostava da Rose, sempre gostei. Nesse sentido.
Sinceramente, não fiquei surpresa. Hoje em dia, coisas desse tipo já eram totalmente normal, além de que, ela falava da amiga com tanto carinho quanto um viúvo que foi casado durante décadas com a esposa — ou até com mais amor que isso.
— Pouquíssimo tempo depois de entrar na faculdade, mais ou menos com... — pareceu pensar bem, até que se virou para mim. — quantos anos tem mesmo?
— Eu?
— Isso.
— Dezoito.
— Então estou certa, quando ela tinha vinte anos, o Félix nasceu.
Ela havia calculado, provavelmente, pelo fato de eu e o Fê termos a mesma idade, e nossas mãe terem engravidado com a mesma idade.
— Apesar de tudo, Rose ficou muito feliz, mesmo que muitos a tenham acusado de dar o golpe do baú. — Juleka revirou os olhos só de lembrar. — Ah! o Ali havia uma empresa de perfumes, e deu o nome de "Senteurs de roses", em homenagem a ela. Mas enfim, o Félix não tinha absolutamente nada a ver com o pai. — ela dizia enquanto remexia em sua bolsa, procurando algo. De lá, tirou um tablet, e virou para mim, me mostrando a foto de um rapaz. — esse é o Ali, o pai do Félix, com uns 16 anos.
Observei bem por uns segundos.
— Por mais que diga isso... — comecei, me referindo ao fato dela ter dito que Félix e Sr. Bellucci não tem nada em comum de aparências. — o formato do rosto deles é igual, e o olhar também... É idêntico.
Juleka sorriu.
— Você conhece bem o Félix.
Assenti orgulhosa, esperando-a continuar.
— Quando o Félix tinha cinco para seis anos, a Rose... — ela pareceu engolir um bolo que se formou em sua garganta. — a Rose morreu no meio do parto do seu segundo filho.
Segundo filho? Félix tinha um irmão? Como nunca me falou sobre algo assim?
— O parto de Félix foi cesariana, mas ela insistiu que queria ter o segundo naturalmente, e... — a morena abaixou a cabeça, como se quisesse que a franja cobrisse seus olhos. — ela morreu durante o parto, devido à complicações.
— E-E o bebê? — perguntei pondo a mão em minha barriga.
— O bebê era uma menina, ela nasceu morta.
Ficamos quietas por alguns minutos. Eu, pensando como seria doloroso estar na situação de Rose, de Juleka, do Sr. Bellucci, ou...
Principalmente, do Félix.
— Depois da perda, o Ali se transformou num homem triste... Entrou em depressão... Foi uma época difícil. Ele não queria ver Félix, pois iria lembrar dela, provavelmente. Então, até uns dez anos, o Félix morava comigo. Por isso somos tão próximos. — explicou, tentando sorrir. — ele só voltou a morar na casa do pai porque eu tive que ir morar nos Estados Unidos por um tempo. Pelo jeito, eles quase não se viam, de qualquer modo.
Félix não me contara nada daquilo. Tenho quase certeza de que ele me contaria se eu não estivesse grávida. Se eu mesma estivesse em seu lugar, não contaria para minha namorada grávida que minha mãe morreu durante o parto.
Eu não podia comentar nada daquilo com ele. Provável que ele iria se irritar por eu perguntar para outra pessoa, e não esperar que ele mesmo dissesse. Mas já estava feito, não tinha como voltar atrás.
E também, não me sentia arrependida.
— Já decidiu o nome? — Juleka indagou, dando um largo sorriso. Segui seu olhar, e percebi que falava do bebê em minha barriga.
— Sim. — sorri tristemente, ainda abalada pelo o que dissera antes. — Félix não gostou muito, mas...
— Deixa, saberei depois. — disse enquanto organizava-se. — tenho que ir. Tem uma coisinha lá em casa me esperando.
— Coisinha? — perguntei sem entender. Ela riu e abriu seu tablet novamente, procurando algo.
Ela o virou para mim, e me mostrou a foto de um bebê dormido. Era pequeno, parecia ter no máximo um mês.
— O nome dela é Rosemary. — comentou. — é minha filha.
— Não sabia que era casada. — comentei sem pensar. Ela riu levemente.
— E não sou. Sou mãe solteira. Contratei uma barriga de aluguel. — ela explicou rapidamente, enquanto ia até porta e calçava os sapatos.
Juleka era realmente uma mulher muito bonita, moderna, e gentil. Não me surpreendo que Félix a veja com tanto carinho.
— Até mais. — ela acenou, sorrindo.
— Até. — cumprimentei de volta.
(...)
Depois daquilo, eu deitei no sofá e dormi. Estava me sentindo cansada.
Mas quando acordei, estava me sentindo estranha. Não sabia quanto tempo havia estado ali, mas sabia que pelo menos fora mais de uma hora.
Desconcertada, me sentei, mas logo parei de me mover ao sentir uma pontada.
Olhei para o sofá, e senti meu corpo tremer...
...Ao ver sangue saindo de mim.
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