Bonequinha de Luxo

38 Perdão (Bônus)


Notas iniciais
Eita nós! Tô devendo este capítulo desde quarta feira, mas é que eu tive um problema pesado. Eu simplesmente apaguei o capítulo todo pronto. Foi sem querer, óbvio, mas pense numa pessoa que ficou puta?! Tive que reescrever tudinho. Eu espero realmente que vocês gostem. Ele retrata o mesmo dia do capítulo anterior e para na mesma parte tbm. Porém, ele vai mostrar o pov do Edward. Ele é um bônus da história, um capítulo que pode ser muito bem removido sem alterar o curso das coisas. Porque eu digo isso? Porque a história é narrada pela Bella. Eu só fiz este segundo pov de Edward porque acho mais emocionante contar o encontro dele com o pai assim, do que ele narrando para a família depois. Apesar de que teremos isso no início do capítulo que vem. Bom, chega de conversa. Caso vcs se sintam meio perdidos sobre o Edrian, voltem ao capítulo 11. O flashback diz respeito àquela semana que Bella saiu da casa dele porque ele ainda estava confuso e tal. Boa leitura!

Quando o sábado amanhece, eu não consigo evitar o sorriso. Eu terei um filho com Bella.

Além de ter me dado o Theo, ela agora vai me dar mais outro filho ou filha!

Eu olho para a linda mulher ao meu lado. Bella se tornou o maior e melhor presente da minha vida. Como eu pude viver tanto tempo sem a sua presença e o seu amor? Ela é a mulher mais incrível que eu poderia ter ao meu lado. Eu olho o anel em sua mão. E ela ainda me aceitou, mesmo sendo tão pequeno diante dela.

Eu a admiro tanto! Ela é uma força da natureza, tudo nela me atrai. Ela é decidida, sincera, amorosa e tão forte! Só de pensar em tudo que ela já sofreu nesta vida e ainda consegue sorrir de forma segura. Céus, como eu sou sortudo!

Eu me aproximo dela lentamente e cheiro o seu pescoço. Sou louco no cheiro feminino dela.

— Bom dia dorminhoca! — Eu digo espalhando beijos em seu pescoço. Estamos deitados de conchinha na cama e o dia está amanhecendo.

— Senti falta deste carinho pela manhã — Ela diz dengosa. — Quatro dias é muito tempo. — Suspira.

— Eu sei... eu estou começando a detestar essas viagens. — Eu digo reclamando – Prometo pensar num modo de diminuir este tempo quando eu precisar viajar. — Eu digo já pensando no que eu poderia fazer para por essa ideia em prática.

— Jura? — Ela se vira para mim e exclama.

— Sim, meu amor. Antes isso não me afetava, mas agora... — Eu digo e roubo um selinho, depois desço um pouco para beijar o seu ventre com carinho. Meu filho. — Eu tenho vocês três e é uma tortura ficar longe.

— Oh Edward! — Seus olhos marejam. Hormônios!

— Eu amo vocês, Bella, e eu juro que, apesar de estar assustado, eu estou feliz e vou tentar ser o melhor para vocês. — Eu digo alisando seu rosto. De fato, saber que em breve teremos outra criança em nossos braços me assusta, eu quero ser o melhor pai que eu puder. Uma lágrima cai do olho de Bella.

— Você não tem que tentar nada Edward, você já é o melhor que eu e meus filhos poderiam ter. — Ela diz emocionada e eu sorrio torto com o coração aquecido. Bella confia em mim e eu não vou desapontá-la.

— Eu te amo Bella! — Digo firme.

— Eu te amo Edward!

Eu a beijo com doçura e carinho. É um beijo que demonstra tudo o que estamos sentindo. Apesar do pouco tempo que temos juntos, a nossa conexão é intensa e os nossos sentimentos são arrebatadores. Até hoje eu me surpreendo com a forma com a qual nos envolvemos.

Logo escutamos o choro do Theo. Nós rimos entre o beijo e Bella suspira. Eu sei que este é o horário que ela mais sofre com tonturas e cansaço.

— Fique aqui, eu vou vê-lo. — Eu digo e ela sorri agradecida.

Sei que este é um período conturbado para as mulheres, o famoso primeiro trimestre. Ele é o mais preocupante também, quando tudo pode acontecer. Tenho pesquisado bastante e tenho diversas dúvidas para quando formos à primeira consulta, que será na terça feira. Sim, confesso que estou muito ansioso com tudo o que diz respeito à gestação. Quero que tudo seja tranquilo para Bella, já que a gestação do Theo foi tão difícil.

Eu carrego o Theo, tirando-o do berço com destreza. Sorrio ao lembrar de como me senti inseguro e perdido quando o segurei pela primeira vez.

— Oi campeão do papai, você dormiu bem? — Eu pergunto colocando-o sobre o trocador. Theo sorri para mim e eu fico todo bobo.

— Papá, papá — Ele diz e meu sorriso aumenta. Acho que nunca sorri tanto na minha vida como tenho sorrido desde que Theo me chamou de pai.

— Sim, meu filho – Eu digo e começo a retirar o seu pijaminha.

Sua fralda está bem pesadinha e ele sorri quando eu a retiro, colocando outra rapidamente. É, eu aprendi, finalmente. Eu passo uma fina camada de pomada e fecho a fralda. Theo faz um barulhinho de reclamação

— Eu já sei carinha, já vou te levar para sua mamãe. — Eu digo enquanto o visto novamente.

— Mamá!

Eu termino de vesti-lo e o levo para Bella.

— Pronto, ele já está limpinho e é todo seu. — Eu digo entregando o menino que logo se agarra à camisola dela.

— Mamá... — Ele diz e Bella oferece o peito para ele. E eu fico que nem bobo admirando a cena, como sempre desde a primeira vez que eu vi.

— Vou preparar o nosso café da manhã. — Eu digo e vou para a cozinha.

Num timing perfeito, Bella desce para a cozinha com o Theo ao mesmo tempo que eu termino o nosso café. Nós comemos enquanto conversamos sobre a festa de Theo que é no próximo sabado à tarde.

— Amor, você não vai ao trabalho hoje? — Ela pergunta enquanto estou brincando com o Theo no colo.

— Hoje não, estou a quatro dias longe de vocês. Pensei em passearmos pelo parque. Theo vai adorar andar no triciclo. — Eu digo sorrindo e ela retribue. Todo que eu quero hoje é ficar bem agarrado a eles o dia inteiro. Porém, percebo Bella vacilar em seguida. — O que foi Bella, está sentindo algo? — Eu me aproximo.

— Não, eu estou bem. — Ela diz e me olha mordendo o lábio inferior em hesitação. — É que eu lembrei... — e suspira – Mike vem ver o Theo hoje, eu esqueci de te contar. — Meu corpo contrai.

— Como é? — Eu exclamo irritado sem conseguir me controlar. Ela se aproxima de mim, tocando meu ombro. — Ele tem mais de um mês que não vem.

— Eu sei... — Ela suaviza minha expressão. — Mas você sabe que eu não posso negar... Ele disse que não vem para a festa de aniversário, porque semana que vem tem que estar em Forks, mas que vinha hoje trazer o presente e ver o filho. — Ela diz e eu reviro os olhos. Pelo menos não terei que suportá-lo num dia tão importante — Ele disse, também, que quer conversar comigo.

— Como assim? — Pergunto desconfiado. O que ele pretende?

— Ele disse que quer falar algo comigo, deve ser sobre a tal herança. Eu vou pedir ao Emm para me ajudar com isso. Eu sinceramente não quero nada dos Newton, mas é um direito do Theo afinal. — Bella fala e dá de ombros.

— Não, Bella. Theo é meu filho e será o meu herdeiro. Ele nunca vai precisar do pai que não o quis. — Não escondo a minha chateação. Não vejo a hora de casar com Bella e dar meu nome para Theo. Sou eu que vou criá-lo.

— Eu sei, meu amor – Ela diz gentil, dando um beijo em meu ombro. — Mas eu não sei como faremos para nos livrar desse problema. Bom, de qualquer forma, vou ver o que o Mike vai me dizer hoje e depois vemos o que vamos fazer, está bem? — Ela diz. Eu bufo irritado. Droga, lá se vão os meus planos com eles hoje.

— Detesto ter que deixar você e os meus filhos perto dele. — Eu reclamo e a puxo pela cintura para mais perto. Theo brinca com o cabelo dela e eu me acalmo. Preciso controlar minha emoç~es para não deixa-la nervosa.

— Eu também não gosto, mas não há o que fazer. E vocês dois juntos no mesmo ambiente está fora de cogitação. — Ela diz e eu sou obrigado a concordar. Odeio o Newton e sou capaz de dar uma surra nele se o ver em minha frente novamente.

— Promete que vai se cuidar? — Eu pergunto derrotado.

— Prometo, meu bem. — Ela diz e me beija levemente. O meu celular toca neste momento.

Eu entrego Theo para Bella, que sobe para trocá-lo enquanto eu vou atender a ligação. Meu celular está na sala e eu percebo ser um número desconhecido. Resolvo atender.

— Alô? — Eu digo e uma voz feminina e ansiosa responde do outro lado.

— Senhor Edward Cullen? — Ela diz – Sou Marylin Huston.

— Pois não? — Eu pergunto. Não conheço ninguém com este nome. — O que deseja comigo? — e como conseguiu meu número? Eu pergunto internamente.

— Me desculpe, mas este foi o único contato que encontrei no telefone. Sou vizinha de um senhor chamado Edrian Masen, o senhor é algum parente ou amigo? — A mulher fala rápido e eu congelo no lugar. Claro que sou o único contato daquele telefone, fui eu quem o comprou e o deu para ele. Eu engulo seco.

— Aconteceu algo, senhora? — Eu pergunto ignorando sua pergunta.

— Bom, ele passou muito mal no corredor do prédio e eu e o porteiro estamos procurando por familiares...

— Onde ele está agora? — Eu pergunto nervoso ao saber da notícia.

— Ele está na UTI do Hospital Municipal, teve um infarto. O senhor é realmente parente dele? — A mulher pergunta agoniada. Eu sinto tudo rodar na sala. UTI, infarto, céus!

— Sim... sou filho. — Eu digo incerto e ouço a mulher arfar.

— Sinto muito, o caso dele é grave segundo os médicos... — Ela hesita – Tememos o pior.

— Estarei aí em cerca de 3 horas. Obrigada! — Eu digo e nem espero a mulher responder.

Eu subo direto para o meu quarto e pego a primeira roupa que meus braços alcançam. Eu me sinto estranho, meio anestesiado. Na verdade, eu não sei o que sentir. Eu me encaro no espelho.

Por que eu me importo, afinal?

Ele é o seu pai, mesmo que não mereça sê-lo, uma voz grita em minha cabeça. Não posso deixar que ele morra sozinho, ninguém merece isso. Nem mesmo ele.

Quando termino de me vestir ouço a voz doce de Bella brincando com o Theo. Como vou explicar para ela, ainda mais grávida? Não, não posso. Bella nem ao menos sabe que eu tive um contato recente com Edrian, ainda não tive coragem de contar o que fiz. Engulo em seco. Desta vez, terei que mentir.

— O que aconteceu? — Ela pergunta surpresa quando me vê vestido na porta do quarto de Theo. Eu desvio de seu olhar, senão não conseguirei mentir.

— Eu vou precisar sair, aconteceu um problema na empresa. — Eu digo rápido.

— Está tudo bem? — Ela se aproxima de mim e sua voz é preocupada. Foco Edward!

— Está... é só que... — Eu digo perdido e me olha nos olhos. Sinto a emoção tomar conta de mim. Estou me sentindo horrível por mentir para ela e por não saber o que fazer com Edrian.

— Céus, Edward, você está chorando?! — Ela exclama assustada e me abraça. — O que aconteceu? — Merda, isso tá ficando pior do que imaginei.

— Bella, eu tenho que ir... — Eu digo saindo de seus braços.

— Edward?... — Ela me chama e me encara. Ela está angustiada e por minha culpa. Eu me viro e saio do quarto em direção a escada. Sei que ela está confusa e querendo as respostas que nem eu tenho.

— Eu volto logo, prometo! Se cuide e cuide de nossos filhos. — Eu grito já da porta, com a voz mais recuperada.

Eu disparo com o volvo para o aeroporto. No caminho, eu reservo a passagem pelo telefone. Por sorte, a companhia que eu sempre viajo tinha um vôo dentro de 25 minutos. Perfeito. Logo, eu estou embarcando rumo a Seattle. Durante a viagem eu me recordo da última vez em que eu encontrei com Edrian e em como, num impulso, eu deixei meu número com ele. Parecia que eu pressentia que ele fosse precisar de mim.

Flashback on:

Bella havia me deixado depois que eu não consegui te contar toda a minha história. Como eu podia contar para ela o sobre a minha origem cruel? Como eu poderia deixar ela conhecer toda a obscuridade que foi a minha concepção e minha infância? Tudo o que minha mãe sofreu por minha causa? Como contaria para ela que sou filho de um ser asqueroso?

A culpa era toda dele. Edrian Masen.

Apesar de todo o esforço e distância, a sombra deste homem desprezível sempre me perseguiu. Por mais que eu tentasse ser como Carlisle, era Edrian que minha mãe vê quando olha para mim. A imagem de toda dor e violência que ela sofreu está estampada em mim. Kate sempre teve razão, eu sou reflexo do meu pai.

Tinha acabado de afastar a mulher que mais amo no mundo porque não sei amar direito. Sou um covarde, um fraco e um perdedor. E estava perdendo Bella por isso. Se não houvesse este passado, se não houvesse ele... tudo seria diferente. Minha mente estala.

Eu tinha que acabar com isso. Se eu quisesse ter a Bella de volta, eu precisava enterrar o meu passado. Então eu organizei tudo e viajei para Seattle, a procura de Edrian Masen.

Levei um dia inteiro na cidade encontrá-lo. Eu o segui por mais um dia. Ele estava num bar, bebendo como se não houvesse amanhã. Parecia que aquilo era comum pois o garçom já o atendia sabendo seus pedidos e ninguém se espantava muito com o estado que ele ficou. Ele cambaleou bastante até sair do bar e sentou na calçada encostado no hidrante.

Eu não estava esperando uma cena tão decadente.

Edrian envelheceu muito mal. Ele está muito descuidado, magro, pálido e com expressão cansada. Longe de ser o homem forte e viril das fotos que minha mãe tem do casamento deles e a do meu nascimento. Seus cabelos, antes loiros escuros, agora estão quase completamente grisalhos. Suas roupas estão mais simples e chegam a estar meio surradas. O que aconteceu com ele?

Sem que eu mesmo perceba, eu me aproximo dele. Ele está de olhos fechados e respirando pesado. Eu fico ali em pé encarando-o por um instante. De repente, ele começa a vomitar o mundo. Eu dou um passo para trás pelo susto, mas depois sou atraído como um imã até ele. Quando ele termina, ele se vira para me encarar. Seus olhos claros escurecem pela a surpresa.

— Edward! — Ele sussurra e seus olhos se fecham novamente. Ele desfalece em meus braços. Eu o sacudo e ele resmunga. Ufa, é somente a bebedeira mesmo.

Não me pergunte como, só sei que logo estamos dentro de seu pequeno apartamento. Eu o arrasto para o chuveiro e o coloco sentado no chão. A água fria o desperta aos poucos e quando eu o vejo mais alerto, eu o deixo terminar seu banho. Aí seria demais para mim, principalmente porque ainda não entendi o que eu acabei de fazer.

Eu devia odiá-lo mais do que tudo, e se assim fosse eu deveria ter deixado ele lá na rua. Mas, ao contrário, eu o carreguei e o trouxe para a segurança de sua casa. O que há comigo? Bella, eu penso. Ela me mudou sem que eu percebesse. Eu jamais agi com tanta bondade.

Eu dou uma avaliada no ambiente. É um apartamento pequeno e simples, mas bonito. Há poucos móveis e os cômodos estão bem bagunçados. A cozinha está uma zona, cheio de pacotes de delivery. Ouço alguns barulhos vindos do quarto, mas não me mexo. Ele deve saber se virar. Uns 10 minutos depois ele aparece na sala.

— Eu achei que tinha delirado, mas é você mesmo. — Ele fala meio arrastado, porem já aparenta estar mais lúcido. — E você ainda está aqui. Por quê?

— Estou me perguntando a mesma coisa. — Eu respondo. Minha voz não transmite emoção alguma, ou transmite tantas emoções diferentes que nada sobressai.

— Sabe, Edward. Nunca imaginei que um dia você viria até mim. Sempre pensei que me odiasse. — Edrian diz se jogando no sofá bagunçado.

— Eu o odiei a minha vida toda. Eu deveria continuar te odiando, mas parece que algo mudou. — Eu digo e ele me encara. — Eu precisava te encontrar, dizer algumas coisas e ir embora.

— A primeira coisa já foi. Diga o que tem a dizer, então.

— Você destruiu a minha vida! — Eu rosno para ele que me olha profundamente.

— Você não me parece destruído. Muito pelo contrário. — Ele diz me olhando de cima a baixo.

— Você só vê a capa do livro. A história dentro dele não é bonita. — Eu rebato.

— Será que não é? Um garoto prodígio, com uma família perfeita, sucesso, poder e dinheiro. Da última vez que verifiquei, tinha até uma linda namorada.

— Isso tudo...

— Não apaga o pai asqueroso que você teve? — Ele me corta — Sério, que você desperdiça seu tempo achando isso? — Ele exclama – Edward, eu não sou nada. Pare de me dar a importância que eu não tenho!

Eu o olho chocado. Como ele pode saber tanto sobre mim, são quase 30 anos sem nos vernos.

— Sua mãe me disse o quanto eu ainda estava na sua mente. — Ele responde a minha pergunta silenciosa. — Nós nos encontramos cerca de 2 anos atrás. Eu pedi para ela não falar nada sobre mim.

— A sombra da sua existência sempre arruinou tudo para mim. — Eu grito com ele. Me sinto frustrado e cansado.

— Posso ter feito muita coisa ruim, Edward, mas você tá me dando uma culpa que não é minha. — Ele diz simplesmente. Eu percebo que ele já está bem melhor.

— Mas a culpa é sua! — Eu grito novamente.

— Não é não. Sou culpado pelo sofrimento da sua infância. Mas o que você sofre hoje, é culpa sua. Você tem dado um valor a mim que eu não mereço. — Ele desvia o olhar para a janela, lá fora começa a chover. — Eu deveria ser inexistente em sua vida, você não devia nem lembrar do meu nome.

— Mas eu não consigo!

— Claro que não. Você está fazendo o mesmo que eu. Só que tenho que fazer isso, você não. — Ele respira fundo – O culpado sou eu Edward, não você. Então pare de se culpar pelo que eu, e somente eu fiz. Eu já estou recebendo o meu castigo, então acho que está tudo no seu lugar.

Eu o encaro. Ele está falando sério. Agora ao vê-lo junto com todo o ambiente, eu percebo que ele está se afundando. E por incrível que pareça, isso não me deixa feliz como eu pensei que deixaria.

— Vá embora, Edward. Eu não mereço você aqui. Não é justo – Ele diz depois de um minuto – Eu não mereço perdão. Mas você precisa se perdoar.

Com isso ele levanta, me encara por um minuto mais e depois se arrasta para seu quarto. Eu me viro para sair, mas hesito um instante. Eu tiro o telefone que uso para ligações internacionais e o formato. Coloco meu número de telefone ali e só então eu vou embora.

Passei aquela noite pesando em tudo o que ele me disse e reavaliando as minhas decisões. Eu lutei tanto para não ser igual a ele, mas estava fazendo as mesmas coisas. Eu tinha que consertar tudo. Só não sabia como. No dia seguinte, um sábado eu voltei para Chicago. Daria um tempo para Bella e depois lhe contaria toda a verdade sobre mim.

Flashback off

Naquele dia mesmo, foi a Bella quem me procurou e nós decidimos ficar juntos. Bella me mostrou naquele dia e tem me mostrado ao longo do tempo que eu sou muito melhor do que eu penso sobre mim. Eu suspiro. Logo avisam que vamos aterrissar e eu me ajeito na poltrona.

Tudo o que acontece entre o momento que eu desço do avião e minha chegada ao hospital é um simples borrão em minha mente. A sra Huston me cumprimenta e me coloca a par da situação. Basicamente, Edrian está fraco devida a uma forte anemia e teve um infarto grave. Ele está num respirador mecânico pois seus pulmões foram afetados. Um médico vem e me explica que o estilo de vida dele está associado ao quadro já que ele tem uma péssima alimentação, bebe, fuma, não tem cuidado com a saúde e etc. Ele me permite entrar por 15 minutos.

— Edward... — Edrian sussurra ao me ver. Ele está ainda mais magro e pálido do que no mês passado. Eu me arrepio ao pensar que ele já parece um cadáver. — Achei que eu nunca mais fosse vê-lo.

— Eu acho que eu também pensei. — Eu digo e percebo minha voz muito suave e serena.

— Fez o que eu te disse? — Ele pergunta com dificuldade.

— Não se esforce.

— Edward, eu sei que eu vou morrer logo. — Ele diz bem devagar. — E quero que saiba que eu me odiei muito por todo o mal que causei a você e a Esme. — Ele para de falar e tosse um pouco. Eu observo um pouco de sangue ali.

— Deixa essa conversa para depois. — Eu digo agoniado com o estado dele.

— Eu não mereço ser perdoado. É injusto pedir isso a você. Mas saiba que quero que sejas... feliz. — Ele diz bem fraco.

Ele começa a tossir forte e os aparelhos apitam. Duas enfermeiras se aproximam e falam coisas que eu não entendo. Enquanto elas trabalham agoniadas, eu me aproximo de Edrian. Nosso olhar se encontra.

— Eu te perdoo... — eu digo e ele sorri fraco. Sua última ação. — Pai.

Não me pergunte o que aconteceu depois disso. O que sei é que durante aquela tarde mesmo Edrian foi enterrado e eu voltei para Chicago. O vôo atrasou um pouco e quando aterrissei já era noite. Eu pego o meu celular pela primeira vez desde que saí e vejo a merda que eu fiz. Minha família inteira está preocupada comigo. Principalmente Bella.

Já está sendo um péssimo pai, Edward!

Quando chego na casa dos meus pais, encontro todos ali reunidos. Meu olhar encontra o de Bella e eu não seguro as lágrimas. Eu olho para minha mãe enquanto Bella pega em minha mão.

— Ele... Edrian... Ele está morto! — Um silêncio paira e Bella me abraça amorosamente.

Notas finais
Pesado né? Me contem, gostaram de saber como tudo aconteceu? Galerinha não deixem de passar no meu perfil e conferir as histórias novas. Beijinhos!