Bonequinha de Luxo
40 Epílogo
Notas iniciais
“Something old, something new
Something borrowed, something blue
And a silver sixpence in her/him shoe.”
(algo antigo, algo novo, algo roubado, algo azul, e uma moeda de 6 pences em seu sapato.)
Eu encaro a pequena moeda de 6 pences e o cartão em minha mão. O lindo buquê de lírios perfuma todo o ambiente e eu sorrio. Edward é, de fato, um homem incrível e eu nem acredito que em poucas horas ele será para sempre meu. Dentro de 5 horas me tornarei uma Cullen!
Eu deixo o cartão e a moeda sobre a mesa e vou em busca de água para os lírios. Assim que chego na porta, Esme aparece com um vaso com água. Eu sorrio.
— Obrigada Esme! — Eu digo e ela sorri.
— De nada. Agora mocinha, sente-se! Não quero te ver andando para lá e para cá, guarde a sua energia para o casamento, sim?! — Ela diz me conduzindo para a poltrona. Ela coloca minhas flores no vaso e se vira para mim. — Eu sei que é chato ficar aí parada sem fazer nada, mas acredite. Você vai me agradecer à noite. Com essa barriga enorme deste jeito, todo tempo para descansar é lucro.
— Eu sei que você está certa, mas é que eu sempre fui muito ativa. Principalmente com o Theo, não quero que ele ache que eu o estou deixando de lado. — Eu digo emotiva. Malditos hormônios!
— O Theo tem quem o distraia. Neste momento, aposto que nem se lembra de você — Ela diz e ri – Brincadeira, mas escute quem tem experiência nisso. Esses pais de coração são mais intensos que os de verdade. Eles roubam os nossos filhos de nós! Ele sempre foi um grude com Carl.
Eu me emociono.
— Obrigada Esme, por ter trazido este homem maravilhoso ao mundo para me fazer feliz! — Eu digo e a abraço. — E por estar comigo neste momento tão especial.
— Eu sei que a sua mãe iria adorar está vivendo tudo isso com você. E eu quero que você seja feliz tanto quanto ela sempre quis, Bella. — Esme diz afagando o meu rosto – Eu lembro que quando conversamos pela primeira vez, quando você me contou sobre o Theo e sua dificuldade em chegar no horário para as aulas, eu me senti olhando para um espelho. — Ela diz e eu sorrio – E naquele dia eu desejei muito que você encontrasse a mesma sorte que eu encontrei. E veja só onde chegamos!
— Obrigada. Por tudo! — Eu digo
— Sou eu quem agradeço, filha! — ela diz e nos abraçamos mais uma vez.
— Ah gente! Vamos parar com este chororô! Eu quero a Bella deslumbrante hoje! — Alice entra no quarto sem pedir licença junto com Rose. Ambas trazem um monte de coisas e as depositam sobre a cama e cômoda. — Ainda não acredito que não estamos num spa! — Alice protesta.
— Alice, o casamento é da Bella! — Rose diz – Mas realmente, você podia ter preferido se arrumar em outro lugar. — Ela diz e coloca a mão na cintura.
— Vou descer para verificar as coisas, sim? — Esme diz – E vocês, peguem leve com a Bella. Olhem o estado dela.
Esme sai do quarto e eu suspiro olhando para os dois filhotes de capeta em minha frente.
— O casamento é aqui no jardim, por que eu me arrumaria em outro lugar? — Eu digo enfática — E este lugar é especial para a nossa história.
Ambas erguem as mãos em rendição e eu dou um sorriso vitorioso.
Nós estamos no quarto de Edward na casa de seus pais. Eu quis me arrumar aqui porque eu acredito que foi entre estas paredes que eu me vi parte da família. Naquele jantar, escondidos num contrato, nós já nos amávamos e pertencíamos um ao outro. Uma vibração e um pequeno chute me tiram de minhas lembranças. Eu afago a lateral direita da minha barriga enorme e sorrio.
— Calma princesa! — Eu digo fazendo um carinho ali.
— Cara, eu estaria louca se estivesse no seu lugar. Você está linda, mas só de pensar neste peso todo... — Alice diz e dá uma tremidinha o final simulando medo. Eu e Rose rimos.
— Em breve você saberá amiga! — Eu digo e Rose gargalha.
Alice descobriu semana passada que está grávida. A família ficou em êxtase. Esme não cabe em si com tantos netos, inclusive está pensando em se aposentar das salas de aula e ficar somente escrevendo os livros em casa.
— Ei, não ri não tá. Breve você casa e aí quando o seu bebê chegar nós é que vamos gargalhar de você! — Alice diz arrumando o cabide com o meu vestido, pendurando-o na parede.
— Calma, ainda nem casei. E não pretendo ter um filho logo. Eu e Emm precisamos nos curtir um pouco. Ficamos muito tempo só nos olhando até termos coragem de ficar juntos. Não estamos prontos para ficar mais devagar... se vocês me entendem. — Rose diz arrumando o material de maquiagem sobre a cômoda. Eu reviro os olhos.
Emmett surpreendeu a todos quando pediu a mão de Rose em casamento na ceia de Natal. Foi emocionante e deixou a todos muito felizes. Eles pretendem se casar no verão, para aproveitarem bem a lua de mel no Caribe.
— Acredite... não fica nada devagar. Talvez mais cuidadoso, mas nada devagar! — Eu digo e ambas arregalam os olhos.
— Com essa barriga enorme? Corajosa você. — Alice diz.
— Você e Jasper vão conseguir encontrar formas de funcionar. Eu e Edward mantemos o nosso ritmo. Claro que as vezes o cansaço fala mais alto, mas nada muito preocupante.
Eu afago e sorrio para as minhas madrinhas. Nesta hora, outras duas mulheres importantes para mim aparecem, as minhas demoiseilles, Leah e Ang.
— Olá! — Ambas dizem. — Como está a noiva mais importantes desta cidade? — Ang pergunta.
— E a mais sortuda também, né? — Leah diz
— Ah meninas! Só estava faltando vocês aqui comigo!
— Você acha que eu perderia a sessão de transformação da Bonequinha de Luxo? — Leah exclama – Nunca na galáxia!
Todas nós rimos. Depois do ano novo, quando eu e Edward marcamos a data do casamento, nós contamos para nossos amigos e família toda a verdade sobre nossa relação. Que tudo começou com um contrato para a audiência do Theo e que depois nos vemos apaixonados.
Todos ficaram chocados no primeiro momento. Esme quase colocou Edward no colo e lhe deu uma surra. Carlisle também não gostou nada. Rose ficou chateada com Emm por ele ter ajudado e até redigido o contrato, que no fim nunca assinamos. Depois todos entenderam que o importante é que tudo isso serviu para que nós nos apaixonássemos. Mas Leah é Leah, né? Ela tinha que resgatar este apelido tosco.
— Engraçadinha você! — Eu digo e afago a outra lateral da minha barriga. Acho que não sou a única ansiosa. — Trouxeram o que eu pedi? — Todas assentem e se aproximam sorrindo. Leah revira os olhos.
— Sabe que isso é uma tradição boba né? — Ela diz e Rose dá uma risadinha. Aff, nunca vi parecer tanto essas duas.
— O casamento é meu e eu gosto de tradições! — Eu digo e ela dá de ombros.
Eu lembro que quando eu era pequena, nós fomo a um casamento de uma amiga dela onde ela foi madrinha. Quando a noiva se arrumava, minha mãe ajeitava os objetos da tradição para a amiga. Foi a primeira vez que eu ouvi falar naquilo e lembro que fiquei encantada. A tradição diz que quem cumprir todo o poema terá um casamento feliz e pleno. E era isso o que eu mais desejava. Nossa total e verdadeira felicidade.
— Bom, que seja. Aqui está, algo antigo. — Leah diz e me entrega um cordão com um relicário dourado. Meus olhos lacrimejam. — Minha mãe disse que era da sua mãe e que Renée deixou com ela para te entregar quando este dia chegasse já que ela se foi antes. — Leah diz e eu me levanto para pegar o cordão e dar um abraço em minha grande amiga.
Dentro do relicário há uma foto minha e de minha mãe. Do dia em que eu nasci. Uma lágrima cai.
— Obrigada Leah! — Eu digo.
— Bom, eu te trouxe algo azul! — Ang diz e me entrega uma fita de cetim azul. — Vai ficar perfeito em seu vestido. — Ela diz animada.
— Obrigada amiga! — Eu digo e a abraço.
— Eu trouxe algo roubado! — Rose diz empolgada e eu reviro os olhos.
— É emprestado, Rose. — Eu digo. — Sem que a pessoa saiba, mas é emprestado.
— Tá, que seja! — ela diz e me entrega uma caixinha com um par de brincos dourados. — Dona Esme nem sonha que eu tirei isso da caixinha dela. Foi o brinco que ela usou nas bodas de prata.
— Tomara que ela não brigue por isso! — Eu digo e eu lhe dou um abraço. — Obrigada cunhada!
— Por fim, eu te trouxe algo novo. — Alice se pronuncia e me entrega um par de scarpins branco com pedras brilhantes. — Edward vai me matar por colocar a noiva grávida dele nestes saltos, mas eu aceito o risco.
— Obrigada Alice! — Eu digo e lhe abraço.
— E você conseguiu encontra a moeda naquele site? — Ang pergunta e eu nego, mas sorrio. — E agora?
Eu ando até a mesinha onde eu deixei o cartão e a moeda mais cedo.
— Edward me enviou agora a pouco. Seis pences britânicos de 1967! O meu marido é o cara! — Eu digo orgulhosa e todas reviram os olhos.
— Então vamos colocá-la logo no sapato. — Alice diz e pega a moeda de minhas mãos.
Alguém bate na porta.
— Com licença menina, mas tem um pequeno querendo a mamãe... como Edward não podia vir, eu o trouxe. — Heidi diz trazendo o meu menino. Theo está andando segurando na mão da ‘vó idi’ como ele mesmo chama.
— Mamae, mamae... — ele exclama e vem para mim.
Eu o coloco no meu colo e lhe dou um beijo estalado. Ele me devolve o beijo. Depois abraça minha barriga imensa entre nós.
— imã, imã...
— Sim, filho. As suas irmãs estão aqui. — Eu respondo – Agora vai com a vó Heidi que a mamãe vai tomar banho viu? — Eu digo e ele assente.
— Ba banho?! — Ele diz e eu sorrio.
— Isso pequeno.
Eu o entrego para Heidi e eles se vão.
— Agora moça, chega de conversa e vamos deixar você a noiva mais linda desse mundo! — Rose diz e todas as minhas amigas começam a trabalhar em mim.
Enquanto eu sou cuidada com carinho por elas, eu admiro a minha barriga de cinco meses, que parece oito, onde minhas duas meninas estão mexendo sem parar. Duas lindas princesinhas! Uma risada me escapa. Lembro do dia em que descobrimos que seriam dois bebês, foi na consulta de janeiro e tomamos um belo susto pois a médica pediu um minuto para verificar algo e nós já ficamos nervosos pensando em algo ruim. Ela nos explicou que no primeiro ultrassom não deu para ver logo porque o outro embrião estava meio escondido atrás do outro.
Foi uma grande festa quando contamos para a família. Todos nos parabenizaram e ficaram muito felizes por nós. O Theo não entende muito, mas estamos ensinando-o aos poucos que ele terá duas irmãs em breve. Vai ser um grande trabalho, serão três crianças pequenas em casa, mas a felicidade é enorme e eu tenho Edward. Ele tem sido um pai fantástico e melhora a cada dia que passa. Se é que isso é possível.
Depois da festa do Théo e todo aquele desentendimento com Mike, nós nos reunimos com Emm e Carlisle para decidir o que fazer. Tanto eu como Edward queríamos uma forma legal de afastar Mike de nossas vidas e nos livrar desta herança deixada pelo sr Newton. Emm utilizou a denúncia de agressão e a medida protetiva para abrir um processo contra Mike, em contra partida Edward entrou com um pedido de reconhecimento de paternidade do Theo. Foi uma avalanche, mas no final conseguimos tudo o que queríamos.
Convencemos Mike a fazer um acordo. Eu dei a ele a sua fortuna de volta em troca dele abrir mão judicialmente da paternidade do Theo. O canalha aceitou de primeira. Como eu odeio o fato de um dia ter me envolvido com aquele ser! Isso só prova o quanto eu estava louca naquela época.
Edward não gostou muito, queria deixar o Mike na sarjeta, mas foi melhor nos livrarmos dele. Fora que não queríamos nenhum centavo daquela família então não fazia sentido brigar por isso. Ver Theo Swan se tornar Theo Anthony Cullen foi muito mais prazeroso do que destruir Mike, até porque ele tratou de fazer isso sozinho. Com 3 meses administrando a empresa do pai, Mike conseguiu fazer um rombo tão grande a ponto de precisar vender ações e tomar empréstimos para não falir. Hoje a mãe dele é a socia majoritária e o demitiu da presidência. Nem a própria mãe confia naquele desgraçado.
Uma de minhas filhas se mexe e eu sinto o movimento bem em minhas costelas me fazendo arfar. Minhas amigas me olham preocupadas, mas eu dou um sorriso fraco e digo que está tudo bem. E está mesmo. O fato é que minhas meninas estão cada vez maiores e pesadas e minha barriga é um espaço pequeno para elas.
Logo eu estou de banho tomado, cabelo hidratado e escovado e unhas feitas. Minhas amigas começam a se arrumar enquanto eu faço um lanche reforçado e descanso.
Minha maquiagem é leve, visto que o casamento é ao ar livre e no fim da tarde. Meu penteado é simples, duas porções saindo das têmporas se entrelaçando no fundo da cabeça e ondas definidas tomando as minhas costas. Uma coroa de flores pequenas e brancas seguram a parte superior do cabelo que está muito comprido, chegando á base das costas.
O vestido é leve e esvoaçante, de renda fina num modelo clássico. Decote quadrado, mangas em renda e curtas, busto marcado e comprimento na altura. Abaixo dos seios a fita azul dada por Ang substitui a branca, dando uma moldura bonita à gravidez.
As madrinhas, Alice e Rose, vestem vestidos marsala de um ombro só. Alice tem seu cabelo curto solto com aplicações de flores do lado direito. Já Rose, tem seu cabelo loiro médio numa trança lateral com aplicações de flores sobre o ombro esquerdo. Ang e Leah usam vestidos tomara que caia num tom rosé. Ambas com cabelos semi presos e aplicações de flores. Esme e Heidi, que fará as vezes de mãe da noiva, usarão vertidos num tom dourado. Como o traste do meu pai não serve para nada, que irá comigo para o altar será o meu amado filho, que estará num look idêntico ao de Edward.
Após calçar os sapatos, eu coloco as minhas jóias: meu anel de noivado, os brincos de Esme e o relicário de minha mãe. Com a moeda presa no sapato novo e a fita azul na cintura, eu me sentia completamente pronta para enlaçar de vez a minha vida à de Edward. Alice me entrega o meu buquê cheio de flores do campo brancas, violetas, rosas e azuis. Uma bagunça ordenada de cores.
— Céus, você está perfeita! — Esme exclama ao entrar no quarto. — As revistas nem vão precisar editar as fotos de vocês. Você e Edward são o casal mais lindo que já vi!
— Valeu sogrinha! — Alice exclama e todas rimos.
— Alice! Desculpe, mas você tem que concordar comigo vai! — Esme diz e Alice cede.
— Tá, eu aceito. Realmente eles são o casal mais perfeito que já vi.
— Ah parem vocês todas! Assim eu vou chorar! — Eu digo e elas riem de mim.
— Está tudo pronto Bella, Edward já está a sua espera e Theo está lá embaixo com a Heidi te esperando. — Esme diz e todas vão saindo aos poucos ficando somente Rose e Alice.
— Gente, eu... só preciso de um minuto. — Eu digo e me vir para a janela, olhando para o céu. Depois eu fecho os olhos e elevo uma prece.
Hoje é 21 da abril, quatro anos que minha mãe morreu. Edward concordou em casarmos nesta data por um pedido meu. Seria como tê-la comigo. Um dia de dor se tornando um dia de alegria. O amor renova todas as coisas, afinal. Eu sei que de onde quer que ela esteja ela está feliz por eu ter encontrado o meu caminho e a minha felicidade.
Ao final de minha pequena prece de agradecimento, eu desço acompanhada de minhas madrinhas. Emm e Jazz já as aguardam, me cumprimentam e os dois casais saem para o jardim. Depois Esme, Carlisle e Heidi seguem para lá. Eu confirmo para Leah e Ang, segurando na mão do meu pequeno homem, que aos tropecinhos, segue ao meu lado.
A caminhada é curta, pois o mini altar foi improvisado bem após a saída da casa. O quarteto de cordas inicia Somewhere Over the Rainbow com graciosidade enquanto eu e Theo nos movemos devagar. Eu olho para frente e lá está a versão adulta do meu pequeno. Ambos de camisa branca, gravata azul, calça, colete e suspensórios grafite. Perfeitamente iguais, tal pai, tal filho.
A emoção é imensa quando Edward se abaixa e carrega um Theo animado em seus braços. Ele rodopia com o menino e lhe beija a face com carinho. Depois se inclina para o meu ventre e deposita um beijo em cada lateral, para cada um de nossas meninas. Autunm e Summer.
Eu faço aniversário no outono, em setembro. Edward faz aniversário no primeiro dia de verão, em junho. Foi no outono, em novembro, que nós as concebemos e será no verão que nossas princesas irão nascer. Com uma mãe escritora e um pai editor e escritor, nada mais justo do que ter nomes significativos.
Edward entrega Theo à Heidi e eu entrego meu buquê para Leah.
— Você está absolutamente perfeita! — Edward sussurra ao meu ouvido e eu me arrepio inteira. Não importa quanto tempo passe, ele ainda me arrepia com uma palavra.
— Céus! Você está incrível! — Eu digo e nos ajeitamos de frente para o reverendo Walsh.
Entre todos os discursos sobre o amor e a cumplicidade do reverendo e os detalhes da decoração boho intimista da festa, o que vai ficar marcado em minha mente é cada olhar decidido e apaixonado que Edward me direciona, como se eu fosse o centro do seu universo. Jamais pensei que o amor que eu tanto lia nos livros poderia se vivido tão intensamente.
Depois de promessas, beijos e lágrimas, a nossa vida a dois foi selada para sempre. Agora, aqui em seus braços, no balanço da valsa Beauty and the Beast, eu só consigo sentir o quão feliz e plena eu sou. Edward me olha e eu o olho. Amor, puro e simples.
— Eu te amo Bella!
— Eu te amo Edward!
Para sempre e sempre.
FIM
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