Notas iniciais
Oieeee! Quinze dias longe de vcs e meu coração já estava morto de saudades! Como muitas devem ter deduzido, para eu ficar tanto tempo longe assim... é pq o meu baby nasceu! Sim, João Lucas nasceu lindo, saudável e perfeito! Foram 11h de trabalho de parto, desta vez eu sofri muito pois meu corpo estava mais fraco. Mas sei que as boas energias e as orações de vcs me alcançaram. Muito obrigada pela torcida de cada uma, até mesmo daquelas que nunca sequer me disseram nada, mas sei que ficaram torcendo por nós! Ele nasceu no dia 5 de março às 11h14. Para demonstrar a minha felicidade sem tamanho, nada melhor do que escrever um pouco. Confesso que a rotina está pesada, é um recém nascido e um guri de 2 anos que tá aprendendo que não é mais filho único. Mas entre mamadas e trocas de fraldas a gente acha um tempinho para escrever. Para as leitoras que não lembravam muito do Charlie, voltem no capítulo 2. Lá tem informações sobre ele e seu relacionamento com Bella. Aqui conheceremos um pouco mais dele e isso ajudará a vcs criarem muitas teorias... Sem mais delongas... boa leitura!

Eu, como todo mundo, tenho lembranças boas e ruins da minha infância e adolescência.

Minha mãe está sempre no centro das coisas boas. Meu pai, nas ruins. Isso porque meu pai sempre foi um homem difícil.

Minha mãe engravidou muito cedo de Charlie Swan, o garoto exemplo da pacata Forks. Numa época em que os garotos de 20 anos eram hippies drogados, rockeiros violentos ou badboys irresponsáveis, minha mãe se apaixonou pelo garoto que por não ter como ir para a faculdade entrou para a academia de Polícia. Ela, ao sair do colegial sem ter como continuar seus estudos, foi trabalhar ao lado da delegacia, numa clínica pediátrica.

Entre trocas de turnos e olhares sugestivos, Renée e Charlie se envolveram e logo engravidaram. O primeiro filho do casal, Ryan, nasceu morto no final duma gestação difícil. Ambos ficaram arrasados, mas superaram. Pelo menos, foi o que pareceu.

Após 3 anos, uma menina nasceu. Renée sofreu muito e quase morreu, mas conseguiu me trazer ao mundo. Foi o grande feito da vida dela, ela costumava dizer. O casamento parecia ter voltado aos eixos e a casa era alegria pura. Pelo menos, ela fazia ser assim.

Charlie sempre foi um rapaz ambicioso. Por ser pobre, sabia que teria de ralar muito para alcançar o padrão de vida que desejava. E assim se tornou um homem ganancioso. Quando perdeu o pequeno Ryan, teve que gastar muito dinheiro com tratamentos e internamentos para Renée se recuperar. Ele então passou a tomar empréstimos e financiamentos. E para pagar tudo isso, passou a se meter em negócios ilícitos. Porém, ninguém sabia. Renée, inclusive, morreu sem saber.

Eu nunca tive uma memória bonita do meu pai. Ele sempre me tratou friamente. Certa vez, já adolescente, ouvi ele dizer para minha mãe numa discussão que a culpa era dela. E eu entendi. Renée não conseguiu dar o menino que ele queria, mas conseguiu salvar a menina que para ele era nada. Minha mãe ficou estéril depois do meu nascimento. E ele ficou ainda mais revoltado.

Com a morte de Renée, eu não encontrei consolo em Charlie. Pelo contrário, ele ficou muito pior. Sem ter onde me segurar, minha vida desandou por completo e Mike piorou tudo. Foi aí que tomei as piores decisões e cometi os maiores erros. E apesar de eu saber a minha responsabilidade em tudo que fiz, eu sei que grande parte disso é culpa dele. Charlie Swan, meu pai.

Eu respiro fundo olhando nos olhos castanhos escuros dele e engulo um choro raivoso.

Seja forte, Bella, não fraqueje!

Sinto a mão de Edward em minha cintura dar uma leve pressão no lugar. Eu o olho e ali encontro a segurança que meu coração precisa. Eu volto a olhar para Charlie.

— Eu acho que o seu tempo de fazer isso já passou, Delegado Swan. – Eu digo numa voz sóbria e séria. Ele se espanta levemente. Coisa bem rápida. E dá um sorriso amarelo.

— Bella, eu sei que temos nossas diferenças. Mas assim que eu soube tudo o que está acontecendo com você e o meu neto, eu vim ajudar no que eu puder. – Ele diz num teatro bem convincente. Porém, não para mim. Eu o conheço.

— Ainda acho desnecessário. Como pode ver , o investigador Black já está no caso. — Eu digo apontando o investigador atrás da mesa. — Acho que Forks precisa de seu delegado.

— Bom, na verdade, eu não trabalho mais na delegacia. Sou comandante agora. Estou na corregedoria da Polícia. – Ele disse inflado de ego. Hum, como ele conseguiu subir tanto e tão rápido assim?

— Que seja!

Edward pigarreia ao meu lado e estende a mão para Charlie.

— Sr Swan, sinto conhecê-lo nas atuais circunstâncias. Sou Edward Cullen, atual namorado da Bella.

Charlie e Edward se encaram por um breve instante. Hostilidade pura!

— Ah claro, Sr Cullen! – Eles se cumprimentam e se afastam.

— Edward, o Com Swan pediu para entrar garantindo ser o pai da srta Swan e que queria ajudar na investigação. Por isso estávamos a espera de vocês . — O investigador fala para nós.

— Como eu disse, acho desnecessário. – Eu digo num rompante. – Até porque, inclusive pode ter sido ele mesmo o autor daquilo. — ao ouvirem as minhas palavras, cada um tem a sua reação própria. Edward sorri de lado me apoiando. Jacob se espanta. Charlie dá um sorriso sarcástico e depois se mascara.

— Bella! Como pode pensar isso de seu próprio pai?!

— Pai?? Sério, Charlie? – Eu o fuzilo com os olhos. – Onde estava todo este teatro quando eu anunciei a minha gravidez? Ou quando o Théo nasceu? Ou quando eu mudei de cidade e estado sozinha com um recém nascido?? – Eu grito para ele com fúria. Edward mantém sua mão na minha cintura e me acalma. – Ah, já sei. Estava no Conselho Tutelar me acusando de ser incapaz de criar o meu filho. — Seguramos um olhar de pura raiva por alguns instantes.

— Acho que podemos concluir que sua presença, no momento, não será adequada. Queira se retirar, por favor, Comandante Swan! – Jacob diz apaziguador.

Charlie nós dá um olhar carregado de ódio e sai da sala.

— Desculpe investigador! – Eu digo envergonhada.

— Não se preocupe, eu que peço desculpas. Não imaginei essa situação, ele se mostrou tão prestativo e preocupado.

— Tudo bem, não tinha como o senhor saber. — Eu digo e sorrio par a ele que retribui.

— Bom, sentem -se! Preciso informá-los sobre o que já temos em andamento. – Ele começa a falar para mim e Edward.

Levamos cerca de uma hora ali conversando com ele. Ele informa que nada foi roubado em minha casa, porém será necessário que eu verifique isso pessoalmente. Depois ele conta que uma câmera de segurança que há na minha rua registrou um grupo de 3 jovens suspeitos indo para a minha casa. Provavelmente contratados por alguém. Ele diz que já foi feito um trabalho de reconhecimento das imagens para localizar o bando. Só assim será possível chegar ao mandante. Por fim, ele me questionou sobre minhas suspeitas e eu contei sobre o processo de guarda, sobre Mike estar me seguindo e até sobre o que meu pai me acusou a um tempo atrás.

— Mais alguma suspeita??

— Eu também acho que possa ser alguém querendo me atingir. – Edward diz sério. – Não sei, não tenho inimigos declarados, mas tenho uma posição importante, então tudo é possível.

— Sim, eu já pensei nesta possibilidade – responde Jacob — Até pelo que foi estrito nas pichações. Basicamente, eu trabalho com a hipótese de ser algo passional. Tanto de um lado como do outro. Edward, há alguma ex sua que poderia fazer algo assim? Que se sentiria ameaçada por Bella e o relacionamento de vocês?

Eu e Edward nos entreolhamos. Ele engole seco e baixa o olhar. Eu lembro de Victória.

— Teve uma ex dele que me importunou durante a festa de Esme. – Eu digo e Edward volta a me encarar espantado. — Victória Addams. Ela fez insinuações sobre o nosso relacionamento ser passageiro e coisas assim. Só não a conheço o suficiente para saber se ela faria algo assim. — Eu dou de ombros.

Edward permanece me fitando.

— Bom, nunca sabemos o que uma mulher magoada é capaz de fazer e...

— Victória pode ser capaz de coisas assim, mas não faz muito o seu perfil. Ela não seria tão baixa pra isso. – Edward diz seco – Mas acredito que uma outra pessoa sim, seria esperta e corajosa o suficiente. — Ele retira o olhar do meu e encara Jacob – Katherine Denali.

Um silêncio toma a sala por alguns segundos. Jacob o olha confuso.

— Merda, a noiva do senador Brown? – Jacob pergunta espantado. Edward assente.

— Sim. Tivemos um relacionamento que não teve um final saudável. Ficamos anos sem nos ver, porém ano passado nos encontramos num evento e ela andou me perseguindo por um tempo. Eu ameacei contar ao senador Brown e ela recusou um pouco. Faz algum tempo que não tenho contato com ela. – Edward fala e eu não consigo desviar os olhar de seu rosto. Há algo forte ali. Seja lá o que está tal Denali tenha feito, tenho certeza que o atingiu total e profundamente.

— Bom, posso investigar isso também. – Jacob diz e anota algumas coisas. – Acho que é só isso. Peço que vá até a sua casa. Há uma equipe lá terminando a perícia. Depois que eles terminarem você poderá retornar tranquilamente.

Eu assinto e nos despedimos. Dali em diante um silêncio perturbador se instala entre mim e Edward. Parece que entramos num modo automático. Sei que precisamos conversar sério e abertamente, mas tenho receio do que posso ouvir.

Ele me leva até a minha casa. Lá eu faço duas malas para mim e duas para Theo. Dou uma conferida e constato que nada foi levado realmente. O intuito foi somente me assustar e destruir a fachada da casa. Edward me ajuda com tudo e me leva de volta para a sua casa.

Heidi está com o Théo no quarto dele. E para minha surpresa, Theo está super ambientado ali. Fico feliz de todas essa confusão não estar atingindo o meu filho. Eu deixo as malas dele ali e Heidi se prontifica a arrumar tudo. Eu vou então ao quarto de Edward, aonde sei que ele levou as minhas malas. Deus, que avanço rápido!

Edward não está no quarto, mas as malas estão na porta do closet dele. Eu olho dentro e vejo um grande espaço vazio ali, provavelmente reservado para mim. Sinto meu coração se aquecer, ele realmente está me aceitando em sua vida. E me garantiu que não tem a ver com o acordo. Deus, então o que isto significa?

Eu deixo tudo ali e vou à procura dele. Porém não o encontro em lugar algum. Será que ele saiu sem se despedir de mim? Na sala eu ouço sua voz ao longe, como se conversasse com alguém. Sigo na direção da voz e o encontro sentado numa cadeira em seu escritório falando ao telefone. Parecia sério. Então eu me recordo que hoje é segunda feira. Merda, ele devia estar trabalhando e não aqui cuidando dos meus problemas. Ao me ver, ele sorri e finaliza a ligação.

Nós nos olhamos por um tempo em silêncio.

— Vem, entra! – Ele diz para mim que ainda estou agarrada à porta. Eu ando em direção a mesa e sento à sua frente.

— Edward... acho que precisamos conversar.

— Sim. Eu também acho... mas não sei como falar.

— Ei, você pode falar qualquer coisa comigo. Claro, somente o que você se sentir confortável para falar. — Ele me olha angustiado.

— Eu confio em você, Bella. É só que é muito difícil... está tudo tão guardado aqui que sinto que vou ficar completamente vulnerável se falar. – Ele diz pensativo.

— Tudo bem Edward. Mas saiba que eu estou aqui. — Eu engulo seco – Mas preciso falar com você sobre Charlie, para que você entenda porque o tratei daquela forma. Eu não fui injusta.

— Bella, eu te conheço bem o suficiente para saber que se você agiu da aquela forma é porque tem motivos. Fico feliz de você querer dividir isso comigo. – Ele diz sincero.

— Obrigada por isso. Sua opinião conta muito para mim. – Eu respondo e suspiro — Bom, meu relacionamento com Charlie nunca foi dos melhores. Meus pais perderam um filho antes de eu nascer, Ryan, e meu pai nunca se conformou de ter perdido o seu filho homem. Minha mãe não podia mais ter filhos depois de mim e com isso ele ficou amargurado. Ele nunca me olhou com ternura. Acho que se ele pudesse me trocaria pelo Ryan.

— Bella, isso é horrível! – Edward diz triste.

— Minha mãe sempre me amou o suficiente para a indiferença de Charlie me atingir o menos possível. Porém quando minha mãe morreu... Ah Edward, eu perdi o chão! Eu tinha 18 anos e me senti sozinha no mundo. É uma sensação horrível. E eu só queria fugir dela. – Eu respiro fundo. – Foi aí que conheci Mike e depois veio o Theo. O Theo me mostrou que eu não estava mais sozinha, eu tinha alguém novamente. Por ele, eu criei forças para me reerguer. Charlie me expulsou de casa Quando eu engravidei, Edward. Eu estava sem família, sem casa, sem namorado, sem dinheiro. Meu próprio pai me virou as costas no momento mais difícil. Isso não tem perdão! – Eu digo e um soluço me escapa. Edward se levanta, vem até mim e me abraça.

Ficamos ali alguns minutos.

— Bella, você nunca pensou em tirar o Théo... digo, nem por um segundo? – Ele me pergunta apreensivo – Eu prometo que não te julgarei.

— Sim. – Eu digo com a voz embargada — no dia seguinte à expulsão de casa. Eu dormi na casa da Leah, que fica próxima à praia de La Push, então fui dá uma volta no amanhecer. Ali eu pensei que se eu tirasse o bebê tudo voltaria a ser como antes. – Eu engulo seco – porém eu fiquei olhando o mar batendo na areia da praia. — Mais lágrimas descem pelo meu rosto.

— Bella, não precisa continuar...

— Tá tudo bem. Bom, ali eu percebi que a areia sempre sai modificada depois do contato com a água. Mesmo que a onda volte a bater no mesmo lugar diversas vezes, os grãos nunca ficarão como estavam antes. E eu entendi que o que eu queria jamais iria acontecer. Para eu ser feliz de novo eu teria que ter a minha mãe de volta, e isso jamais acontecerá. Então não ia adiantar eu sacrificar um pequeno ser em nome de algo que na verdade eu nunca ia alcançar. Ali eu decidi que eu teria o bebê e que faria por ele tudo o que minha mãe fez por mim.

— Nossa, Bella! Que reflexão profunda! – Edward me olha admirado. Depois uma pequena sombra toma seu olhar. – E pensar que por muito menos, muitas mulheres sacrificam seus bebês...

— Sim, é realmente muito triste isso. — Eu digo e ele me olha com dor. Meu coração se aperta e eu o beijo.

Edward sela nosso beijo e me olha perdido. Eu afago o seu rosto.

— Kate foi a primeira mulher que me conquistou. — Ele diz seco e direto – Eu me apaixonei perdidamente por ela e ela me destruiu inteiro, Bella. Nunca mais fui o mesmo depois do que ela fez comigo. Acho que nunca mais serei.

Eu o encaro absorvendo suas palavras. A jornalista que li uma vez na internet que foi a única namorada que ele teve publicamente. Pelo semblante de Edward dá pra ver que ela o magoou profundamente.

— O que aconteceu? Quer me contar? — Eu pergunto suave. O vejo hesitar.

— Eu até quero, Bella. Mas não tenho coragem. Sou covarde.

— Edward, se tem uma coisa que você não é, é covarde! — eu digo fuzilando-o.

Edward respira fundo e me encara sério.

— Kate e eu íamos nos casar. Mas ela me deu um golpe na empresa. — Ele pausa – E na minha vida também. Eu a engravidei.

Eu não evito o olhar chocado e levo minha mão à boca.

— Você tem um filho com ela? E nunca me contou! — Eu digo espantada e enojada, me afastando dele. Como assim ele nunca me disse que teve um filho? E onde está essa criança agora?

— Não tive, Bella. — Edward exclama angustiado e eu fixo meu olhar em sua dor.

Oh meu Deus!!!

— Ela... você... o que você fez, Edward? — Eu digo com uma voz chocada. Eu não posso acreditar que ele tenha tido a coragem de ter feito isso.

— Eu? NADA! — Edward exclama alucinado de dor – Este foi o problema, Bella! Aquela mulher me negou o maior presente do mundo. Ela me negou o meu próprio filho! — Ele grita. — Ela abortou o meu filho antes mesmo de eu saber que ele existia!

Oh meu Deus!

Notas finais
Gostaram? Valeu a pena esperar? Bom, estamos entrando numa fase importante da história. Percebam que o nosso casal evoluiu tanto que já começaram a dividir segredos. Não vai demorar a perceberem que se amam de verdade... mas algumas coisas vão acontecer. E antes que perguntem... sim, tanto Mike como a Kate vão aparecer e deixar udo mais dramático ainda... fora que Edwrad ainda tem um segredo que a Bella ainda não sabe... Já sabem né?! Me façam felizes! Vou ver se eu consigo colocar a foto do Baby no meu perfil para vcs verem viu! Quem ta no grupo já viu o quanto ele é muito fofo! Prometo não demorar muto dessa vez. Beijinhos!