Notas iniciais
Eu não sei de quem é a imagem da capa. Simplesmente peguei no Google Imagens. Seja lá de quem for, créditos ao autor(a).

Comecei a escrever nessa madrugada. Me veio uma inspiração repentina. Não revisei. Qualquer erro vocês podem me avisar! Provavelmente saiu algo estranho por eu estar meio grogue de sono.

A fanfic é uma espécie de crítica, eu quero que vocês comentem o que entenderam.

Leiam!

Triiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiim! – Acorda! Acorda! – gritava o despertador.

Assustado, ele abriu os olhos. Tão rápido. Não aparentava ter dormido cinco horas. Fechou os olhos e em cinco minutos o despertador tocou – era o que parecia.

Cansado e com preguiça, virou-se na cama para abraçar sua patroa. Um beijo-de-bom-dia e jogar conversa fora animariam sua manhã antes do trabalho. Porém – ah! – ela não estava na cama. Bom, ela sempre acordava cedo demais.

Desligou o despertador e saiu do quarto. O frio lhe abraçava e acariciava os seus pés. Entrou no banheiro e tomou um banho. Gelado. Escovou os dentes. Gelado. Urinou e lavou as mãos. Gelado. Seus dentes se batiam. A manhã era fria, sabia disso, mas não tinha tempo para esquentar água no fogão. Não, não havia tempo. Naquele horário iria pegar trânsito. Tinha que sair cedo para chegar cedo.

Voltou para o quarto e colocou sua farda azul escuro. Secou o cabelo e caminhou apressado até a cozinha.

"Nana?"

Todos os pratos estavam limpos, exatamente como ele havia deixado na noite anterior. Aparentemente, a patroa não fez o café da manhã. Nem para ela mesma.

"Nana!?"

Ela não estava em casa – outra vez. Mal a via. Há três dias ele só a encontrava quando ela deitava ao seu lado, no meio da noite, para dormir. Só tinham diálogos curtos. Talvez ela já estivesse enjoada, talvez tenha encontrado outro homem para compartilhar sua vida. Estão juntos há nove anos, é tempo o suficiente para enjoarem um do outro.

Olhando a sala e a cozinha, ele se sentiu... triste? Ah, não tinha tempo para pensar nisso. Em dez minutos o ônibus iria chegar. Rápido – rápido! – calçou seu sapato social e saiu de casa.

"Minha pasta!" – quase esquecera.

"Bom dia, moço." – a filha de sua vizinha sorriu. Uma garotinha com... Não importa, não há tempo para respondê-la. O ponto de ônibus é um pouco distante para ir a pé.

Rápido, rápido!— ele pensava enquanto corria.

Oh, havia um filhote de cachorro brincando na calçada. Que gracin... Ali está o ônibus!

"Bom dia."

"Bom dia!"

Estava cheio, lotado. E era tão cedo! Não havia muito espaço, então teve que ficar onde havia raios solares. Era quente. Muito quente. Suas pálpebras se juntavam e sua cabeça doía. O trânsito fazia esse tempo prolong- ah! Uma senhora deixou uma cadeira livre ao seu lado. Bom, bom, apesar do Sol.

Abriu sua pasta. Pegou o papel que estava em cima de todos os outros. Havia diversas palavras escritas à caneta. Uma redação. Não conseguiu corrigir todas na noite anterior, cansou-se. Mesmo o Sol fazendo seus olhos e cabeça doerem, leu as cinco que faltavam. Decepcionado com os erros gramaticais, avaliou-as.

Caramba, olha a hora! O trânsito está parado! Motorista, dá pra ir mais rápido? Não percebe que o tempo está passando? Oh, houve de um acidente? Uma moto e um... ah, não importa, não há tempo. Isso, saia desse ônibus! Corra! Há outro ali! Não para de frente ao seu local de trabalho, mas é próximo.

Rápido, corra! Há tempo! Sim, sim, o colégio é bem ali!

Fechado?

Como? Por que estava fechado? Houve uma folga repentina? Não lhe avisaram nada!

"Madrugou?" – era o porteiro.

"Fechado?"

"Cinco..."

"E cinquenta."

"Abre seis."

Dez minutos de descanso.

“Café.”

"Rápido."

Foi para a vendinha de frente para o colégio. Bebeu café, comeu bolo de milho. Entrou no colégio às seis horas em ponto.

Rapidamente, foi para a sala dos professores. Anotou o que iria fazer com os alunos naquele dia. Tinha que inovar. Precisava ensiná-los de uma forma que eles entendessem rápido.

"Bom dia, Jamerson!” – a professora de Biologia entrou na sala.

"Bom dia.”

Ela ria e conversava. Estranha. Ninguém lhe ouvia, não havia tempo.

"Olhem, olhem! Um beija-flor na janela! O que acham de colocar um daqueles bebedouros para eles?" – ela apontava.

"Hora?"

"Quinze."

Era tempo de entrar em sala.

Trinta alunos. Ensinava-os há oito meses, porém só sabia o nome de cinco. Bom, seus nomes não importam. Logo, logo, eles sairiam do colégio e nem lembrariam mais de si.

"Atividade?"

"Professor, eu posso recolher as atividades?"

"Rápido!"

Sempre há aqueles alunos “engraçadinhos” que querem chamar atenção e atrasar. Aquele dia não foi diferente. Um dos garotos (o mais velho da turma por ter reprovado duas vezes) não respondeu as questões. Entregou-lhe a ficha de perguntas recortada. Cinco bonecos de papel – de mãos dadas, uma corrente.

"Venha."

"O quê?"

"Rápido."

"O que foi, professor?" – sorria.

"Isso?"

"Ah, profe, você não percebeu a poesia por trás disso? Eu sou um artista!"

"Diretora."

"Olha, só! São bonecos de papel, todos iguais. E são feitos de uma atividade escolar! Perceba! Quer dizer que somos todos iguais, todos controlados pelo sistema! Somos de papel, frágeis."

"Diretora!"

"Mas..."

"Rápido."

Verificou as outras atividades. Todas feitas. Ótimo, ótimo. Agora é hora de dar aula, já se passou tempo demais.

"Até que João foi criativo." – uma aluna, Mariana.

"Hm?"

"O senhor ouviu o que ele disse sobre os bonecos de papel? Foi criativo."

"Não."

"Não ouviu? Ah, ele..."

"Aula."

Sem interrupções, a aula se seguiu. A aula, as aulas. O intervalo. O almoço. A tarde. O jornal na televisão da sala de estar. O tempo é veloz.

"Nana?" – ouviu o barulho da chave girando na fechadura.

Lá estava ela. Com seus cabelos curtos, cacheados, a pele morena. Como sempre.

"Onde?"

"Hospital."

"Quê?"

"Barriga."

"?"

"..."

"...?"

"..."

"!"

Triste, ela se aproximou.

"Tive medo." – lhe entregou um papel, o resultado do exame.

"Gravidez?"

"Desculpe."

Oh, algo diferente naquele dia. Desarmado, ele ficou surpreso.

"Quantos meses?"

"Dois meses. Comecei a suspeitar há pouco tempo."

"Por isso esteve tão afastada de mim?"

"Sim... Uma criança... vai mudar tudo."

Tocou-lhe a barriga levemente avantajada – não, não era por causa da gravidez.

"Certamente uma criança vai mudar tudo."

"O que você acha?"

"Eu acho que já está na hora de mudar."

Sorrindo, ela lhe abraçou. Já passou da hora de mudar.

Notas finais
Qual o sentido da vida?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!