Boneca Falsa

6 O Novo Namorado da Minha Irmã


– O que aconteceu? — Pergunta Alice preocupada com Mellani.

A ruiva sentada em frente a mesa de café da manhã mal mexera nas torradas preparadas por Aliss. Estava inerte e aturdida em seus pensamentos, a voz de Felipe ecoava em sua mente e pairava no ar a sua volta.

– Então ele realmente a conhece, e mesmo assim namora com ela? — Pergunta para si mesma.

– Desculpe? — Alice confusa continua a arrumar o armário com as compras de domingo.

Mellani não se importava com a dúvida da primeira, já que estava completando um quebra cabeça em sua mente.

"Vocês estão juntos à quanto tempo?" pergunta Mellani para Felipe.

"Há uns três meses, penso" Felipe respondeu dando de ombros.

"Entendi... Mas você a conhece à quanto tempo?" Perguntara Mellani curiosa, já que Spencer nunca falara de Felipe.

"Porque a pergunta? Acha que eu cai de paraquedas na vida dela? Está achando que eu te devo alguma resposta? Pensa que estou escondendo algo?" Explodiu o menino irritado.

"Depois desta explosão? Sim!"

"Mas eu não estou! Então, trate de cuidar da sua vida!"

–Este garoto é louco! — Diz Mellani confundindo ainda mais a loira que ainda estava arrumando o armário ao lado dela. Ao ver que Aliss virou o rosto em sua direção esperando uma explicação da parte da primeira, Mellani completa: — Felipe, ele é realmente louco.

– Sério que ele falou isso? — Pergunta Alice após Mellani narrar o diálogo da noite anterior — Eu acho que ele está escondendo alguma coisa. — Diz colocando os dedos ao redor do queixo, em uma pose pensante.

– Sério Watson¹? — Ironiza Mellani pegando uma torrada e lambusando de creme de avelã com cacau. — Torrada delícia!

Alice ri observando a ruiva degustar a torrada, até que um grito a faz cair de seu banquinho e bater com a cabeça na mesa atrás de si.

– Bom dia suas lindas! — Camille aparece na porta e ri com o tombo de Aliss que agora estava reposicionando o seu banquinho de costas para a porta. — Como estão vocês? Quer dizer menos a Alice que deve ter batido alguma coisa aí. — Entra saltitante e senta-se na cadeira de frente para Mellani. — O dia está maravilhoso não?

– Porque a alegria toda? — Pergunta Mellani.

– Porque agora eu tenho um namorado! Bom, quase, ele falou que iria vir aqui e pedir para mamãe e papai, e depois nós iriamos namorar. Ele não é romantico? — Pergunta apoiando o rosto com as duas mãos e com os cotovelos na mesa. A menina nunca colocara os cotovelos na mesa, mas hoje não importava, porque Arthur, o seu semi-principe encantado iria vir e pedir a mão dela. Está bem, não iria ser tão romântico assim, mas nunca se sabe, certo?

– Que horas que ele vem? — Pergunta Aliss finalmente fechando o armário e se sentando para tomar o seu café da manhã.

– Três horas da tarde, fiquem apresentáveis e não mostre que essa família é complicada, e principalmente, não se esqueçam de manter a história de Aliss, porque não sei se ele conhece alguém da escola e se alguém souber da verdade... Vocês duas estão fritas! — Diz ela calmamente como se fosse uma delegada ou algo do gênero. Camille pegou uma pêra, uma banana e um yogourte, e saiu da cozinha de costas encarando as suas, enfatizando a sua fala.

***

Ouve-se um batido na porta e Camille logo corre para atender. Seu futuro namorado estava parado com um sorriso bobo no rosto, Arthur é alto, com um metro e oitenta, seu cabelo preto brilhava por causa da luz, ele tinha a pele branca e suas características afirmavam a sua descendência asiática.

– Oi. — Diz Camille sorrindo como boba — Entre! — A ruiva dá espaço e o moreno entra acanhado estalando os nós dos dedos.

– Oi. — Ele se inclina para dar um beijo na menina, porém ela vira o rosto com medo de seus pais escolherem justo aquele momento para entrar na sala.

– Espere! — Diz em resposta a tentativa de romance da parte do menino. — Mãe, pai, venham aqui. — Chama-os mais alto. — Sou só eu que estou nervosa? — Pergunta entrelaçando os dedos na mão de Arthur. — Ok, você está tremendo, e eu acho que não é a alegria de me ver. — Camille dá um sorriso amarelo tentando acalmar Arthur.

– Eu estou muito nervoso, mas mesmo assim, eu ainda quero fazer isso, você vale a pena o nervosismo. — Diz ele verdadeiramente, o garoto tímido nunca gostara tanto de uma garota quando à Camille. Sendo ela sua melhor amiga à três anos, ele decide que já estava na hora de se confessar, e quando o fez, a garota surpreendentemente disse que sentia a mesma coisa.

– Seu fofo! — Diz ela se inclinando para beija-lo, porém neste momento seu pai aparece descendo a escada e imediatamente para de gostar do garoto que agora estava dando um selinho em sua filha caçula. Para parar o que quer que os dois estavam querendo continuar, Sr. Montesquiel pigarreia alto, o que atrai a atenção dos dois.

Arthur congela e espera paralizado até Sr. Montesquiel descer a escada, que percebendo o medo do garoto, começa a andar mais devagar e pisar a cada degrau mais forte, ecoando o som pela sala.

– Ah pai, desça logo, por favor. — Pede Camille com uma voz doce que só tinha quando o pai estava na conversa.

– Está bem. — Diz acelerando o passo até chegar no meio da sala e se sentar em sua poltrona favorita, que fica na diagonal com a televisão. — Sente-se rapaz. E dia o motivo de sua vinda.

– O-Obrigado.- Diz Arthur se sentando. — Eu vim... Eu quero pedir permissão para o senhor para namorar com a sua filha. — Diz devagar para caso de seu futuro sogro não entender o pedido.

– Qual o seu nome garoto?

– Arthur.

– O seu nome completo.

– Arthur Bernardo Camargo

– ABC? Sério? -Pergunta com um sorriso. — Devem fazer várias brincadeiras com o seu nome não é mesmo?

– Na verdade não, Senhor — Responde educado.

– Está bem... Quantos anos tem?

– Dezessete anos.

– Minha filha tem quinze, você sabia? Ela é muito nova para namorar, não acha?

– Na verdade, Senhor, na minha opinião idade não importa realmente.

– Porque você acha isso? — Pergunta coçando a barba à fazer.

– Porque antigamente, as pessoas casavam quando tinham doze anos, e nós vamos apenas namorar, por enquanto. — Ao terminar a frase, automaticamente ele varreu seus olhos na sala até encontrar os de Camille, que lhe deu um sorriso amável.

– Boa resposta! Mas uma pergunta, você realmente quer algo sério com essa menina? — Montesquiel pergunta fazendo uma expressão, que na mente do menino, era quase como incredulidade. — Ela acorda tarde, irrita as pessoas, quase não faz lição, nem na escola quanto as lições de casa, não tem vontade nenhuma de ir ao mercado para comprar alguma coisa quando pedimos, você realmente tem certeza? — Pergunta novamente com a mesma expressão.

– Pai! — Protesta Camille sentada na poltrona de frente ao pai

– Mas é a pura verdade! Eu não acho que você deve arruinar desse jeito a vida do rapaz, ele parece ser um menino bom, educado e eu realmente achei ele uma boa pessoa.

– Não se preocupe Senhor Montesquiel, eu e Camille somos amigos à três anos, e eu a conheço bem, realmente gosto dela desta maneira. — Disse sorrindo e logo virou o rosto para Camille para ver se a mesma tinha capitado a mensagem.

– Então... — Disse Montesquiel se levantando — Boa sorte.

Arthur levantou-se também e respondeu ao aperto de mão de seu novo sogro, que após voltou a subir a escada em direção ao segundo andar e ao seu quarto. Finalmente Camille está com alguém educado e que veio primeiramente conversar comigo para pedir-le a mão. Pensara Montesquiel.

– Sabe Arthur? — Pergunta Camille se levantando e indo até o garoto que ainda estava de pé. — Eu acho que ele gostou de você!

Os dois, finalmente a sós começam um beijo, porém antes de realmente começarem, Alice a Mellani aparecem com uma tigela de sorvete nas mãos.

– Arthur. — Diz Alice derrubando o seu sorvete no chão, encarando-o.

– Aliss... O que você faz aqui? — Pergunta também encarando-a.

– Eu, er... Minha mãe trabalha aqui e, ele é o seu namorado? — Pergunta para Camille.

– Sim, achei que não iriamos falar a verdade sobre você hoje. — Diz Camille confusa.

– Bom, a verdade hoje funciona, porque... Ele é o meu primo. — Diz ela indo até ele e verificando se é ele mesmo. — Como?

Notas finais
¹Watson: Dr. John H. Watson é um personagem de ficção, biógrafo e companheiro dos casos de Sherlock Holmes, o famoso detetive do século XIX criado pelo escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.