Boneca De Porcelana
1 Pequena Boneca
Notas iniciais
Mais uma vez estava lá. Parada. Olhando para o grande portão de ferro que dava passagem a uma escola enorme. Era a quinta vez que se mudava de escola. Comportamento ruim por parte do “irmão” dela. Resmungou alguma coisa e começou a lembrar-se de como tudo havia começado.
11 anos antes...
Chovia muito aquele dia. Estava tarde e a pequena Hyuuga desenhava alguma coisa em um papel branco, sentada em frente a uma mesa na cozinha. Estava sorrindo, mas esse sorriso fora retirado de seu rosto assim que ouviu um vaso se quebrar. Olhou em direção à sala de estar e ouviu um grito feminino. Parecia com a voz de sua mãe. Correu para ver o que estava acontecendo. Seus pais estavam a brigar de novo, tentou falar algo, mas sua visão fora tampada por uma mão grande, retirou calmamente a mão de seu rosto pálido e olhou para trás. Era seu primo mais velho, Neji. Provavelmente, o mais velho não queria que a pequena visse o que estava por vir.
Com certeza, essa seria a maior briga que todas. O motivo? Hiashi Hyuuga, um dos mais influentes empresários de toda Tóquio, havia, mais uma vez, traído a esposa.Hyuuga Shinma, mãe de Hinata, esposa fiel a Hiashi, não aguentava mais ser traída. Hinata só conseguiu ver as bolsas de grife da mãe na porta antes dela partir. Sem se despedir, sem dar explicações. Hinata conseguiria ficar naquele inferno? Não. Jamais. Sua mãe era sua única esperança. A pequena não conseguiu se controlar. Foi correndo em direção ao pai, ignorando todos os chamados de seu primo. Começou a chorar intensamente. Com suas pequenas e pálidas mãos, batia com toda sua força na altura do joelho do pai, que agora olhava de modo irritadiço para a pequena garota abaixo de si. Num movimento rápido, golpeou o rosto da garota, lançando-a para um lado qualquer. Hinata sentiu lágrimas quentes escorrerem por seu rosto antes de subir correndo as escadas da grande mansão Hyuuga. Num movimento desesperado, foi para a varanda de seu quarto, que ficava no primeiro andar e saltou. Sem medo de se machucar. Conseguiu escapar facilmente dos seguranças do local, sempre foi uma menina ágil e esperta.
Correu o máximo que conseguiu, até parar em frente uma padaria. Só então parou e lembrou-se que não havia comido nada desde a hora do almoço. Sentou-se na beira da calçada à espera que alguém fosse busca-la. Coisa que não aconteceu. Sentiu uma mão quente tocar-lhe o ombro desnudo, era uma mulher que aparentava ter por volta de vinte e cinco anos. Seus cabelos pretos estavam presos um rabo de cavalo na altura da nuca, tinha os olhos vermelhos sangue e sorria de modo gentil. A senhora convidou a pequena para entrar e comer alguma coisa. Hinata não pensou duas vezes e rapidamente se levantou. Caminharam para dentro da padaria e ao sentir o cheiro de pão feito na hora, Hinata ouviu seu estômago roncar, ficou um pouco corada e a mulher riu. Sentaram-se em banco estofados com couro sintético. A padaria tinha um ar meio caseiro, o que fez com que Hinata se sentisse confortável.
Em poucos minutos, um homem que aparentava ter a mesma idade da mulher que acolheu temporariamente Hinata, trouxe uma bandeja que continha algumas torradas, pães, geleia de uva, alguns doces e outras iguarias que podemos encontrar numa padaria. Após comer, as perguntas começaram a ser feitas.
- Qual seu nome, filha? – a senhora perguntou com um olhar preocupado.
- Hinata Hyuuga.
- Hyuuga? Filha do grande empresário de Tóquio, Hiashi Hyuuga? – o homem mais velho entrou na conversa. Só agora, a pequena Hyuuga conseguiu prestar mais atenção no homem. Era lindo, tinha seus cabelos num tom grisalho, apesar de aparentar ter somente trinta anos.
- S-Sim. – a menor respondeu um pouco corada.
- Kakashi, que susto! – a morena respondeu se ajeitando melhor no banco.
- Desculpe! É que eu conheço seu pai. – ele sorriu se ajeitando ao lado da jovem moça.
- Prazer, Yūhi Kurenai. E esse é Hatake Kakashi. – o mais velho sorriu de forma agradável.
- Hinata, o que você faz fora de casa?
Hinata então contou o que havia acontecido, detalhe por detalhe. Contou que eles nem sempre foram uma família muito feliz nem unida. Contou que a única luz que ela tinha ali era sua mãe. Que havia ido embora. Contou que o primo mais velho sempre brincava com ela e que era uma espécie de irmão. E em meio aos soluços que dava por culpa do choro armazenado durante anos, contou da briga que teve com o pai. Nem Kurenai, nem Kakashi aguentaram aquilo e só então vieram com uma proposta absurda. Adotar Hinata até ela ter maior idade. Hinata, ainda criança, não pensava direito. Não negou. Aceitou na hora. Não pensou no que poderia acontecer de aceitar a proposta de dois estranhos que tinha acabado de conhecer.
- Bom... Então... Você tem de conhecer os meninos! – a moça falou em tom confiante.
- M-Meninos? – Hinata começou a suar frio, não que ela tivesse medo de garotos, mas as únicas presenças masculinas em sua vida eram seu pai e seu primo, Neji. Claro que ela tinha amizade com alguns garotos, mas nada de se falar “Esse é meu melhor amigo”. Os únicos amigos que teve foram Uzumaki Naruto, um garoto muito belo e alegre, de olhos em tom azul safira. Sabaku no Gaara, um ruivo de olhos cor azul piscina, muito gentil, apesar de sorrir poucas vezes. E Nara Shikamaru, um garoto preguiçoso, mas muito inteligente. Fora outras três garotas que tinha conhecido em seu antigo colégio. Sakura Haruno, cabelos incrivelmente rosa e olhos esmeraldinos. Ino Yamanaka tinha os cabelos loiros e olhos azuis. E por fim, Sabaku no Temari, irmã de Gaara, loira sempre usando um penteado fofo de quatro maria-chiquinhas. Sempre foram muito unidos.
A Hyuuga afirmou positivamente com a cabeça e foi levada pela mão a um lugar que achou impossível de se ter em uma padaria. Era uma espécie de casa muito luxuosa. As paredes eram devidamente decoradas com muitos quadros e pinturas abstratas. Havia também, vários vasos com flores coloridas. As paredes eram de cores claras, dando assim, um espírito mais acolhedor. No centro da sala, havia uma lareira com um apoio na parte de cima, Hinata percebeu que eram várias fotos, algumas com dois garotos, um que parecia ser o mais velho, sorria docilmente já o outro, que parecia ser o mais novo, fazia uma cara emburrada que Hinata achou um tanto... Fofinha.
Ainda sendo “arrastada” pela dama à sua frente, Hinata acabou por parar dentro de um quarto e se deparou com os dois meninos da foto dormindo de forma fofa. Ouviu Kakashi soltar uma risada maligna para se dirigir em direção aos meninos e em seguida “virar” a cama, fazendo os dois caírem no chão. O mais velho riu, enquanto o menor resmungava alguns xingamentos. Hinata apertou a mão de Kurenai que logo tratou de apresentar ela aos meninos.
- Sasuke-kun, Itachi-kun, venham aqui... – ela fez um “venham” com a mão, abanando a mesma para baixo. Os meninos se levantaram meio cambaleantes e foram em direção à Hinata que começou a tremer levemente – Essa é Hinata Hyuuga, ela irá morar conosco a partir de hoje.
- Hinata... Huy... Hyuu... Hyuuga! Prazer. Sou Uchiha Sasuke. – o menor era um pouco mais alto que Hinata e falava de jeito meio embolado. A mesma corou com a aproximação do outro, mas mesmo assim correspondeu ao aperto de mão do outro.
- E eu sou Uchiha Itachi, prazer Hina-chan! – o mais velho foi mais ousado, partiu para cima da pequena Hyuuga dando um abraço apertado. A pequena ficou em um tom escarlate. O mais velho percebendo isso, soltou uma risada baixa.
- Vamos comer? E depois, Hinata, nós vamos te explicar tudo por aqui e você vai ir dormir depois, ok? – o mais velho ali presente finalmente se pronunciou e a menor apenas afirmou com a cabeça. Assim foi dito e assim foi feito. Depois de explicar tudo daquela casa, Hinata foi tomar um banho relaxante, foi ir dormir. Mas acabou tendo de ficar no mesmo quarto que os garotos. Na mesma cama que o mais novo dos Uchiha. Ficou um bom tempo acordada, se remexendo. Não conseguia dormir. Em algum momento, o mais velho abraçou a Hyuuga por trás e sussurrou em seu ouvido.
-“Tente dormir” – a Hyuuga estremeceu com aquele toque, por mais que tivesse apenas cinco anos, já sabia muito bem das coisas. Culpa das aulas de ciências. Ficou um bom tempo traumatizada depois daquela aula, quase vomitou na aula. Coisa de criança. E assim o tempo foi passando rapidamente. A cada dia que se passava, os três iriam ficando mais unidos. Em todos os momentos. Itachi sempre foi o mais protetor. Sasuke o mais briguento e emburrado. E Hinata sempre a mais graciosa e alegre, apesar de sua timidez com outras pessoas, na companhia de Sasuke e Itachi, ela se tornava outra Hinata. Ficava mais feliz, e sorria muito mais que em público. Assim, rapidamente os anos foram se passando...
11 anos depois...
- S-A-S-U-K-E! – a morena gritava zangada – VEM AQUI QUE EU VOU TE CAPAR!
- Desculpe Hina! Foi um acidente! – o mais velho tentava se explica, em vão.
- ACIDENTE PORRA NENHUMA! JÁ É A QUINTA VEZ! QUINTA! – a mais nova saiu correndo em direção ao quarto do mais velho, onde o mesmo estava escondido – QUANDO A MAMÃE SOUBER VOCÊ ‘TÁ FRITO! – foi abaixando o tom de voz – O que você fez dessa vez? – ela finalmente conseguiu entrar no quarto do “irmão” que agora estava cabisbaixo agarrado aos joelhos – Hn? Diga-me Sasuke. – a morena sentou-se ao lado do menino e recostou sua cabeça no ombro do maior.
- A culpa não foi minha. A diretora que era uma puta! – ele tentou se explicar novamente – eu só tentei fazer le parkour e caí em cima dela. Não foi muita coisa. Mas não. Aquela vadia teve de me expulsar.
- Mas Sasuke... – a morena ia falar algo, quando o barulho da porta foi ouvido. A pequena se levantou e estendeu a mão para Sasuke, que aceitou de bom grado – Vamos? Eu te ajudo a contar para a mamãe.
- Tá... – e assim foram falar para Kurenai o que havia acontecido, Sasuke contou que foi desafiado por seus amigos a fazer le parkour, e que quando foi tentar fazer a diretora “entrou” na frente dele. Kurenai apenas castigou o menino com uma semana sem computador e Sasuke, como sempre fora dramático, fez um “showzinho” falando que não iria sobreviver e que o computador era sua vida. Um pouco problemático.
E agora, mais uma vez ela teria de se encaixar nos padrões de mais uma escola. A pequena olhou de soslaio para seu “irmão” que fazia uma cara de despreocupado, teve vontade de esmurrar ele, mas não o fez. Do outro lado, Itachi já estava conversando com umas vadi... Quer dizer, meninas. Hinata de fato, não entendia como ele podia se tornar tão popular em poucos minutos. Fechou os olhos por cinco minutos e sentiu alguém a derrubar no chão, sentiu suas costas doerem e fechou os olhos, depois de um tempo resolveu abri-los e se deparou com uma menina ruiva abraçando o “irmão”. Tratou de levantar e foi tirar satisfações com a menina. Hinata não era do tipo que levava desaforo para a casa, num baque, virou a menina com toda sua força, fazendo ela se desequilibrar e cair no chão. Hinata foi rápida ao conseguir colocar um pé em cima da barriga da vadia.
- Só uma coisinha, se você encostar essas patas imundas em mim de novo... – Hinata pressionou ainda mais o pé contra a barriga da menina– Você vai se arrepender, sua puta desgraçada.
Tirou o pé de cima dela e pegou um papel no bolso da jaqueta de couro indicando sua sala e a sala de Sasuke, puxou o moreno pela mão e ouviu assovios e aplausos, ignorou todos e continuou a andar.
- H-Hina... – o mais velho lhe chamou – O que foi aquilo? – ela virou-se para trás e se deparou com o olhar de Sasuke preocupado.
- Aquela vadia estava dando em cima de você, eu não vou deixar que ninguém faça isso contigo, você é só meu. – ao perceber o que disse, Hinata corou violentamente, tentou se explicar, mas felizmente o sinal tocou. Saiu correndo com o coração a mil deixando certo Uchiha confuso. Sim, era a maior verdade que Hinata sempre o amou em segredo, mas nunca se declarou com medo de perder a amizade dele. Sentou-se no único lugar disponível, que era no fundo da sala, e esperou o professor entrar, mas não bem isso que aconteceu. Pela porta dupla de madeira, passou um Sasuke irritado, tirando alguns suspiros de garotas que se sentavam perto da Hyuuga. Hinata olhou-as com nojo, e começou a se perguntar como elas poderiam ser tão oferecidas, mas logo foi tirada de seus devaneios por certo moreno puxando-a pela cintura e levando-a para o corredor.
- Venha comigo. Agora! – ele disse enfurecido.
- T-Tá... – olhou para os lados e constatou que não tinha lugar para fugir ou se esconder. Era agora. Ela tinha de falar a verdade. Tinha de se declarar. Não conhecia bem o lugar, só foi lá uma vez para ver como é a estrutura do colégio. Eles estavam andando por mais ou menos quinze minutos, Hinata tentou falar alguma coisa, mas recebeu um tranco mais forte no braço para continuar a andar. Depois de um tempo, finalmente chegaram a um lugar.
-“Que lugar lindo!” – a pequena de olhos perolados pensou.
- O que você quis dizer com aquilo? – o Uchiha olhava para um ponto qualquer, Hinata tentou pensar em alguma desculpa, mas certamente não colaria.
- V-Você entendeu... — ela desviou o olhar para baixo.
- HINATA! – o mais velho assustou a pequena – Fale direito! – oh, de fato, Sasuke odiava quando Hinata gaguejava, mas isso a deixava muito mais fofa.
- Não grita comigo! – ela gritou.
- Não fala assim comigo! – ele retrucou.
- ESQUECE SASUKE! VOCÊ É UM IDIOTA! NÃO SEI COMO EU FUI ME APAIXONAR POR VOCÊ E... – ela teve a fala interrompida por um beijo. No começo, ficou sem reação, era inexperiente nesse assunto. O mais velho pediu passagem com a língua, que a mesma concedeu hesitante, ficaram ali por um bom tempo, a Hyuuga sempre tentava imitar os movimentos que Sasuke fazia com a língua, tal ação retirou um riso de Sasuke.
- Ei, eu te amo. – ele sussurrou ao pé do ouvido da menina.
- Sasuke-kun... – seus olhos brilharam e ela o abraçou fortemente, como se fosse dizer o quanto o amava. Desde quando Hinata se apaixonou? Ela sempre amou Uchiha Sasuke. Desde quando ela era tão amada? Desde que conheceu o dono daquele belo par de olhos ônix. Hinata sempre teve a lembrança de seu tio abusando de sua inocência, sempre estava bêbado ou drogado, um dia, Hinata achou uma cartela inteira de maconha, seu tio, quando descobriu isso, acabou por descontar nela. Estuprando-a. Traumatizando-a. Machucando-a. Torturando-a. Fazendo a pequena Hyuuga desejar mais que tudo o fim daquelas noites horrendas. Mas isso nunca mais voltaria a acontecer. Pois agora, ela estava com quem realmente amava.
- Venha cá, minha pequena criança. Minha boneca de porcelana. – ele pegou-a no colo e foram embora, sem se importar se teria a droga da aula ou não, só queriam se amar. Para todo o sempre. Pois é isso que os casais apaixonados fazem, não é mesmo? Conseguem demonstrar o quanto eles se amam por meio de ações. E é isso que essa autora baka aqui mais gosta nos casais. Então, vivam suas vidas. Não tenham medo de se declarar para aqueles que você mais ama. Viva sem ter medo de nada
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