Bonded By The Soul
1 I - Calmly Traveling
Notas iniciais
Cidade Enluarada – Moonlit City Roar
jóia central – core jewel
Mundo Subterrâneo – Underworld
Academia de Magia – Magic Academy
Árvore de Mana – Tree of Mana
Grutas de Gato – Gato Grottoes
Aimitis e Granaadid corriam em direção ao complexo de prédios negros repletos em luzes, destoados do resto da região. Seguraram seus mantos, sob os quais se escondiam suas jóias centrais: a essência de suas próprias vidas. Haviam-se passado vinte anos desde o fim do período da Grande Ladra Sandra, segundo diziam os livros. Entretanto, ainda havia ladrões aqui e ali que se atreviam a tentar (e, às vezes, de fato conseguiam) roubar as preciosas jóias dos Jumis. Já dentro de Lumina, corriam agora em direção à área próxima à loja de lâmpadas.
-Hey! Tome cuidado aí! – disse um pequenino Lilipea, ao levar um leve esbarrão de um desatento Granaadid.
-Desculpe-me! Sinto muito, é que eu estou apressado, muito apressado, apressado de tão ansioso estou!
-E para onde vai com tanta pressa assim? – sorriu ele, dançando ao redor do jovem.
-Minha irmã e eu estamos indo à Loja de Lâmpadas Gilbert! O senhor Niccolo disse que tem uma grande nova e interessantíssima oferta para nós!
-Senhor Niccolo? – disse um jovem de curtos cabelos negros que estava próximo ao Lilipea e, na verdade, Granaadid nem ao menos havia reparado que existia – Não é o tal Niccolo, famoso por suas vendas inescrupulosas?
-Não, não! Ele não é inescrupuloso, apenas tende a supervalorizar seus preciosos bens! De mais a mais, também temos de ir rápido! Niccolo disse que tem de atender a um cliente em Gato amanhã logo cedo, então, devemos ser rápidos! Adeus, senhor-Pessoa, adeus, senhor-Lilipea! – disse, sorrindo, ao passo que ele e a irmã preparam-se para saírem correndo novamente.
-Não, espere! – disse o jovem de antes – Pensando bem, é melhor que eu vá também. Tinha assuntos que precisava resolver a alguns tempos, e talvez o famoso Niccolo seja a pessoa certa.
-Ótimo, então! – disse Aimitis, puxando-o pelo braço – Assim, nós todos poderemos conversar com Niccolo e, se um precisar ir embora para tomar um chá, será melhor, pois terá a companhia de alguém mesmo assim!
Os dois seguiram-nos, sem perguntar ou dizer mais. Em cerca de três minutos, chegaram ao tal local. O jovem apenas observava, espantado. Haviam passado por uma viela ao lado do Café Dudbear, que se estendia entre casas não tão graciosas. Ao final, chegaram a uma pequena praça situada entre dois prédios, com alguns bancos na mesma. À sua frente estava apenas o que todos considerariam fora do alcance de Lumina: as montanhas da região, com toda a riqueza de suas plantinhas, brilhando em ressonância com a Lua. Ele viu que um dos prédios, oval e com uma escadaria visível que se seguia em direção a um possível subsolo, tinha penduradas em sua marquise duas lindas luminárias em estilos muito diferentes, com diversas cores e brilhos, parecendo quererem brincar com quem for que por ali passasse.
-É aqui! Sim, é aqui! A parte mais legal da Cidade Enluarada, a loja de Gilbert! – sorriu Granaadid, adiantando-se sobre a escadaria. Desceram a tal, na qual um túnel formava-se ao seu redor, preenchido em cores, lâmpadas, formas e protuberâncias. Tudo mudava a todo tempo, nada permanecia. Ao final, havia um portal, com traços arredondados em alto relevo, violáceos, em contraste ao tom natural de mogno do resto.
-Então, esse é o mercador lendário, Niccolo. – suspirou o jovem, observando o recinto. O local era pequeno, circular (não aparentando utilizar todo o tamanho da construção, entretanto), e, ao contrário da entrada, não era um espetáculo de cores. Suas paredes, beges, eram repletas em estantes cheias de luminárias, enquanto outras estavam penduradas por fios ao teto, todas apagadas. Havia um balcão de madeira e, detrás dele, um centauro, de belos e longos cabelos loiros, chapéu verde e pequenos óculos de aros pretos. À frente dele estava um grande (e um tanto gordo) coelho humanóide, de pelagem castanha e um grande rabo envolto em si mesmo, parecido com o de um esquilo. Carregava em suas costas um grande saco cinza, e trajava uma bela e longa camisa verde, além de chinelos também verdes.
-Sim, sou eu! – disse, rindo sinceramente – Niccolo, o mercador! Meu maior prazer é trazer alegria a meus clientes com minhas mercadorias! Então, — disse, olhando para os dois irmãos – são vocês os dois que a Princesa Pearl falou? Ao menos o menino não tem jóia central, e o Lilipea é um... Lilipea.
-Sim, somos nós! – disse Aimitis, adiantando-se. Ela e o irmão, então, tiraram seus mantos, revelando aquilo que era tão importante aos Jumis. Anne vestia um longo vestido rosa bebê, sem alças. Pouco acima dele jazia uma pedra também rosa, embora um pouco violácea, que saía diretamente do início de seu peito. Era grande, pouco maior que o tamanho de um punho cerrado. Granaadid, por outro lado, trajava uma grande camisa amarela, com detalhes oliva, indo até seus joelhos, e em sua cintura havia um cinto também oliva. Vestia também uma longa calça alaranjada, e sua camisa tinha um grande corte quadricular, indo até seu peito, dentro do qual corte também havia uma pedra, esta dourada.
-Wow! – gritou o jovem, espantado – Já havia visto Jumis uma ou outra vez, mas nunca tinha visto as jóias tão de perto. Não sabia que eram tão impressionantes!
-Sim, as jóias centrais realmente são impressionantes! – sorriu Granaadid – E isso é porque ainda não viu a Jumi de Diamante! Não sei por que a maioria das pessoas tem tanto preconceito só por causa delas...
-Bem, bem. – disse Niccolo, tossindo a fim de interromper o assunto – Vamos aos negócios agora, certo? Princesa Pearl apenas me disse que havia dois Jumis precisando de um bom negociante, mas não sabia precisar qual era o caso. O que precisam, afinal?
-O fato, senhor Niccolo, — disse Granaadid, começando a abaixar seu tom de voz, apesar de não haver ninguém além dos seis no local – é que precisamos saber mais sobre Mavolia, e sua localização. Mapas, pessoas, livros, talvez!
-Mavolia! – respondeu, rindo – Isso não existe! Entretanto... Pelo preço certo, sempre podemos procurar o tal mundo dos sonhos, não é?
Os irmãos sorriram juntos pela possibilidade, enquanto o jovem e o Sproutling se adiantaram.
-E nós, disse, dando um curto suspiro – precisamos de um meio de irmos e voltarmos do Mundo Subterrâneo.
-Praticamente impossível. – disse, respondendo com a cabeça de um modo sério e divertido – Vocês quatro têm pedidos bem difíceis. Precisarei de um certo tempo, talvez tempo demais. Entretanto, podemos fazer um acordo. Vocês me ajudam em meus negócios e eu os ajudo em seus dois planos. Certo?
-Por mim, tudo bem... – disse o jovem – Mas, para o Lid, isso será impossível. Ele deve retornar a Domina ainda hoje.
-Certo! Vamos nós quatro, sem o Lilipea, então. Partiremos a Gato amanhã logo cedo. Um de vocês poderá me ajudar com as mercadorias, enquanto os outros dois podem procurar informações por lá mesmo. Podem descansar até a hora da saída, então! Gilbert?
O centauro fez um sinal positivo com a cabeça:
-Você me ajudou muito com suas mercadorias, Niccolo, nós bem sabemos. Podem os três ficarem aqui durante a noite, certamente.
E assim passou-se a noite, com os três recém-companheiros dormindo em um quarto rubro, de apenas uma janela. Aimitis e Granaadid trajavam longas vestes de seda branca, semelhantes a camisolas, furadas ao redor de suas jóias em belos bordados das mesmas cores das tais jóias centrais. O jovem, por outro lado, vestia um pijama marrom, sem mais detalhes. Dormiram durante seis horas, acordando às cinco horas do dia seguinte. “Ainda bem que hoje é um dia de Undine”, pensou Granaadid “Se não o fosse, seria difícil aturar a parte árida das Grutas de Gato. Se fosse um dia de Salamander, então, seria praticamente impossível!”. Levantaram-se e, após tomarem banho e se arrumarem, partiram para a praça central de Lumina, agora mais clara e sem seus tons e brilhos habituais, onde os esperava Niccolo. Logo ele puxou Aimits, conversando com ela durante todo o caminho.
-Será que ainda falta muito? – perguntou Granaadid, cansado – Da última vez que fui a Gato, foi graças a um Bunyu da Academia de Magia de Geo. Não sabia que era tão longe assim!
-Ora, ora! – disse Niccolo, rindo – Você se cansa muito facilmente, Jumi! Já andei milhares de vezes mais do que isso com estes mesmos chinelos quando fazia comércios com a Hana!
-Hana? – perguntaram Aimitis e Granaadid, curiosos.
-Sim, Hana, uma antiga amiga minha! Entretanto, fico imaginando o que ocorreu com ela depois de tudo... Nunca mais ouvi falar. Era tão bom quando me ajudava a conseguir coisas para meus clientes! Foi a época na qual mais lucrei, acreditem!
-Falando em nome... – começou a dizer Granaadid, lembrando-se finalmente de algo que queria perguntar – Qual seu nome, senhor-Pessoa?
-Senhor-Pessoa? – perguntou, em um sorriso irônico – Sou Arashi, Den Arashi. Sou um Sprite... Digamos assim. Mas, afinal, que querem ter com Mavolia?
-O fato é que somos poucos Jumis, depois da época da Ladra Sandra. Todos os Jumis da antiga cidade acabaram se extinguindo, e só sobraram aqueles remanescentes de outros grupos, que se uniram mais uma vez na cidade. Mas agora todos estão se dispersando também, e nenhum deles parece se lembrar das tarefas... Apesar da restauração da Árvore de Mana, parece que todos, Sprites e Fadas, Jumis e pingüins também, estão se esquecendo dela! Acho que só Mavolia poderia nos ajudar!
-Você é bonzinho. – disse Den, dando uma tapinha na cabeça do outro – Espero que consiga isso que está buscando.
-Obrigado! E você? O que está buscando?
-Unh... Preciso falar com alguém que jaz no Mundo Subterrâneo agora, antes de prosseguir minha missão. Mas o meu caso não é nada bonito como o de vocês.
-E o Lilipea?
-Lid? Conheci-o há cerca de dois anos. Ele me ajudou em uma tarefa e acabamos nos tornando amigos... Mas, vamos. Estamos quase chegando.
Continuaram andando, em meio à terra repleta de pedras que separava Domina de Gato. Em dado ponto, perceberam que as formações rochosas tornavam-se mais freqüentes e maiores. Então, surgiu um riacho na estrada e, sobre ele, uma ponte natural, de pedras vermelhas e terra. Do outro lado, a areia vermelha e as paredes naturais juntavam-se, pouco a pouco, a instalações e estradas que avançavam em direção ao céu. Tinham certeza agora: Haviam chegado a Gato.
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