Bon Appetite
17 Capítulo 17
Notas iniciais
~Um mês depois:
Hoje iríamos para o clube, a mãe de Isabelly havia convidado, Samuel, eu e Amanda para um churrasco.
Sete horas da manhã, o carro do pai de Samuel estava parado na frente da minha casa, a minha espera.
– Bom dia.
Eu disse entrando.
– Bom dia.
O pai dele respondeu.
– Trouxe o dinheiro para pagar o exame médico?
– Sim.
Mostrei minha carteira e a coloquei de volta no bolso.
Muita coisa havia mudado em apenas um mês, sim, um mês, coisas como por exemplo: Milena e Gabriel namorando, Isabelly e Samuel ficando tão sério quanto eu e Amanda, meu irmão ter levado mais um fora de uma mulher (Sim, Agatha deu um fora nele), e também o fato de ele estar saindo com Jô há duas semanas.
Enquanto eu...Eu não havia nem dito para Amanda que amava ela, por que? Não sei, talvez fosse só o fato de travar ao ouvir um “Eu te...” saindo da boca de qualquer menina se referindo a mim, talvez eu não estivesse pronto. Eu queria um relacionamento sério, duradouro e com todo aquele mimimi, não queria uma coisa para ficar terminando e voltando toda hora, eu não sou assim, eu não quero alguém assim.
Chegamos e encontramos as meninas, então fomos rodar pelo clube, toda uma coisa romântica envolvida e tudo mais, depois fomos almoçar.
Digamos que foi uma coisa romântica, porém pobre, Amanda roubava um pedaço de carne do meu prato as vezes, mas sempre que eu pedia levantava e colocava mais coca para mim, e também me devolvia uns na boca. Pobre, bem ridículo, mas era isso que marcava a vida, esses momentos, só eu e ela, uma coisa nossa, não importava o quanto fosse ridículo.
Depois disso fomos andar de novo, como Amanda era a pessoa mais incrivelmente esquisita do mundo, resolveu que seria uma ótima idade correr pelo campo de futebol até cansar e então me fazer deitar na grama molhada.
Ficamos conversando até chegar em uma parte que eu não sabia mais o que dizer, então paramos e ficamos nos olhando, ela passando a mão no meu cabelo e eu olhando para ela.
Naquele dia eu estava meio confuso quanto a hora certa de posicionar minha língua, fazer vibrar minhas cordas vocais e dizer eu te amo.
São três pequenas palavras capazes de mudar muita coisa. Ainda que consideradas um pouco fora de moda pela nossa sociedade que se diz tão moderninha, muitas pessoas não abrem mão de dizê-las quando querem se declarar a alguém. Entretanto, existe aquele receio de acabar dizendo isso na hora errada e levar por água abaixo o que seria um baita de um relacionamento, levar por água a baixo o meu relacionamento com Amanda.
É que está tudo tão... Sufocante, preciso tirar isso de mim, porque não há mais espaço eu preciso verbalizar este sentimento, é pouco espaço para uma só pessoa! Mas mesmo que eu dissesse isso, seria insignificantemente pouco considerado ao que eu realmente sentia.
Eu precisava dizer, mas eu estava emudecido olhando para ela, deitado no seu colo, naquele dia quente.
– Que tal...Irmos para a piscina?
Ela tirou a mão de meu cabelo e deu um sorriso meio chateado, ela também esperava que eu dissesse que a amava naquela hora, mas vamos lá, mesmo que eu sentisse isso, de verdade, não acham que era um pouco cedo para isso? Eu ainda estava a conhecendo, conhecendo seu corpo, conhecendo ela, e se isso tudo fosse apenas meu ego falando mais alto a procura de alguém para controlar?
Ah, eu não estava crendo no que tinha sugerido enquanto seguíamos andando para o exame médico lá perto da entrada do clube.
No caminho esbarramos com Isabelly e Samuel, felizes e se beijando.
– Ei Amanda!
Belly gritou.
– Oi amiga!
Segui Amanda até chegarmos nos dois.
– Estou namorando!
Gritou sorridente, olhou para Samuel e o beijou.
Amanda sorriu para ela e em seguida olhou para mim com muita raiva, pelo que me deu para perceber.
Fomos para a churrasqueira pegar nosso dinheiro para fazer o exame.
– Amanda, o que você tem?
– Nada.
– Amanda fala sério.
– Eu nunca estive mais séria.
Sua voz foi enfraquecendo.
– Manda...Fala pra mim.
– Fala você...O que você tem? Todo esquisitão, desligadão, nunca fala nada, nem nunca vai falar, certo?
Ela estava se referindo ao *eu te amo".
Belly apareceu logo atrás com Samuel e foi arrastada para o banheiro.
Olhei para todos na churrasqueira, que estavam me analisando, provavelmente pensando que eu era lerdo de mais.
Samuel se aproximou de mim.
– Quer conversar cara?
– Não.
– Ela só quer ser amada.
– Eu já entendi isso, ok?Chega...
– Vamos fazer o exame médico? Quero ir pra piscina — Peguei o dinheiro e andei com ele até a sala de exame, paguei e esperei minha vez — Sem falar que estou louco para ver a Isa de biquíni, que cena hein?
Eu não respondi. O médico me chamou logo em seguida, então respondi as perguntas dele e mostrei que estava tudo em ordem comigo.
Depois esperei Samuel e voltamos para a churrasqueira, esbarrando com as meninas indo fazer o exame.
Peguei minha toalha e tudo mais, depois fui para a piscina.
Amanda já estava lá, só não vi Belly.
Mas fui surpreendido com água voando para todos os lados quando ela saiu do tobogã.
– Muito bem amor!
Samuel gritou e pulou na água, em seguida eu.
– Manda...
Ela revirou os olhos e sentou na borda da piscina.
– O que?
– Me desculpa.
– Pelo quê?
– Por estar te enrolando há dois meses, uma semana e quatro dias.
Ela sorriu, depois voltou a sua expressão de garota brava.
– Eu não vou esperar para sempre.
– Eu sei.
Coloquei as mãos na cintura dela e a puxei de volta para a água.
– E não vai fazer nada?
Olhei para baixo, bem nos olhos dela. Estávamos colados.
– Eu coração você.
Ela sorriu.
– Eu...Coração você também.
A beijei.
– Não fica brava, não sei como reagir a pessoas decepcionadas comigo.
Ela me beijou.
– Não fico.
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