Bon Appetite
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Fiquei conversando com Samuel, falando da escola e jogando o papo fora, só pra poder passar o tempo com alguém, e era melhor do que nada.
– Sabe, é meio broxante ver todos estes casais aqui, na nossa frente, sabendo que a Danielle deve estar curtindo a noite dela e tudo mais...
– Como se resolveram?
– Como assim?
– Vocês terminaram?
– Meio que sim, sei lá...Ela tirou do Facebook dela, acho que é um término sim.
– Hun, não se preocupa, vai achar meninas legais por aí...Tenho umas pra apresentar..
É eu sei, não tinha meninas para apresentar, só conhecia duas solteiras legais e interessadas por homens, Jô (Que era apaixonada pelo meu irmão) e Belly ( Que não curtia relacionamentos).
– Valeu...
Riu quase que debochando de mim.
– Sério poxa...
– E cadê sua namorada?
– Ham...Namorada?
– Um cara que tem amigas para apresentar para os caras...Tem que ter uma namorada.
– É complicado...
– Você é gay?
– Não.
– Então não é complicado.
– Estou trabalhando nisso, não se preocupe.
Ele riu.
– Vem, vamos lá pra fora.
Eu segui ele até o estacionamento, sentamos em baixo de uma árvore, escondidos atrás de uns carros.
– Quer um?
Me ofereceu um cigarro.
– Você fuma?
– Na verdade não, mas vai que você fumava?Só queria ser legal...
– Vai por mim, não toco em nenhum cigarro e em nenhuma bebiba por um bom tempo.
Ele riu.
– Entendi — Ficou olhando para frente, encarando alguma coisa — Seu irmão gosta mesmo de encrenca, né?
– Hã?
Ele apontou para um casal entrando no carro e indo para algum lugar. Sim, era meu irmão e sim, era a nova aquisição dele, Agatha.
Respirei fundo e encostei minha cabeça na árvore.
– Ainda tem aquele cigarro?
Rimos.
– De menta ou sem menta?
Ficamos conversando sobre os cigarros que nem chegaram a encostar em nossas bocas por um tempo. Até ouvirmos que era hora de comer.
Entramos e cantamos parabéns, mas logo depois do parabéns veio a grande suspeita de todos, a filha do General abandonou o aniversário do pai para fazer sabe se lá o que como filho de um coronel?
– Onde está Agatha?
Meu pai me perguntou, estavam todos procurando por ela.
– Não seria mais sensato perguntar onde está o seu filho? Afinal...Ele também sumiu.
– Caio Mendez Lobato...Eu juro por Deus que se não me disser onde seu maldito irmão levou a porcaria da filha do meu chefe...Você vai ficar com a bunda roxa.
– E-Eu não sei pai! Juro! O Cauã s-sa-saiu com a Agatha faz uns vinte minutos...Foram de carro.
– Cadê a Marcela?
Já não bastava saber do Cauã, também tinha que saber onde estava a Marcela?!
– Eu vou procurar ela! Eu...Vou procurar ela!
Tudo estava ficando agitado, cada pessoa procurava alguém.
– Samuel, me ajuda! Por favor, se não vou morrer!
– Calma...Sua irmã saiu com um dos gêmeos feios...Não vai ser tão difícil encontrar ela...Sabe de quem era o carro que seu irmão usou?
– O carro?
Só me lembrava da cor, Preto, era um carro preto.
– O Logan, é do meu pai! O Logan preto!
– Ótimo...E no carro...O carro está conectado á algum aparelho celular?
– Ao da minha mãe, ela sempre liga quando pega o carro.
– Vê se ela deixou o celular no carro.
– Do que isso ajuda?
– Vai cara!
Corri até minha mãe.
– Me empresta seu celular?
– Pra quê? Nem importa, deixei no carro, merda! Cadê a Marcela?!
– Calma mãe.
– Como que vou ficar calma? Um dos meus filhos roubou o carro do seu pai e a outra sumiu com o filho do idiota que trabalha com ele!
Voltei para perto de Samuel.
– Está no carro.
– Ótimo!
– Ótimo?
– Sim! Liga pro celular, rápido...
– O que?
– Vai por mim, se ele saiu com a garota é porque queria privacidade, e as pessoas só querem privacidade para...Enfim, e que lugar melhor para isso do que num carro?
– Muitos, muitos lugares.
– Vai por mim, eles não saíram do carro, e se não saíram do carro, o rádio está ligado, se o rádio está ligado...
– O celular está conectado! Vão ter que me atender!
Peguei meu celular e disquei o número de minha mãe, demorou, mas atenderam.
– Porra! O que é?!
– O que é?! Cauã, volta pra festa agora e com uma desculpa escandalosamente boa para o General, para o General que vai acabar com a vida do meu pai se você não tiver uma boa desculpa! Volta aqui com a filha dele agora!
– Olha aqui Caio...Você não acha que está se intrometendo na minha vida de mais não?!
– Não, não acho...E quero que escute uma coisa... Não é porque a Bruna te de deu um fora, que todo mundo vai sentir pena de você pra sempre, ainda quero que saiba que se o papai sair mal dessa história toda...Eu vou te culpar para sempre.
A linha ficou muda por um tempo, até ele desligar.
– Já nos resolvemos com o seu irmão.
Samuel me olhava quase como meu pai quando sentia orgulho.
– Tem ideia de onde a Marcela pode estar?
– No quintal...Sabe?
– Sei...
Atravessamos a festa, topamos com meu pai.
– O Cauã tá voltando.
– Hã?
– Ele saiu com o seu carro...Que estava com o celular da mamãe dentro.
– E sua irmã?
– Não sei.
Ele foi até o general, ficou conversando por um tempo com ele.
Enquanto isso, eu e Samuel íamos atrás de minha irmã, que estava lá mesmo.
– Ei, larga a minha irmã.
Isaac riu e soltou Marcela.
– Oh Caio, quem você está pensando que é mesmo?
– Provavelmente um dos únicos da nossa família que nasceu com neurônios...Você e o Cauã estão muito encrencados...Acho melhor ir correndo pra minha mãe.
Ela me encarou como se fosse uma brincadeira, mas continuei sério, então ela entendeu que se não fosse rápida, iria estar muito mais do que encrencada.
Saiu correndo.
– Acho melhor você voltar pro seu pai também...
Dei meia vota, em direção a festa, então parei e olhei de novo para Isaac.
– Mas na verdade eu quero que você se ferre, só porque sumiu com a minha irmã.
Então chutei ele, bem no saco, ele caiu no chão me xingando.
– Cara...
– Cala a boca, quase apanhei porque esse boçal estava trocando saliva com a minha irmã. Tomara que as bolas dele caiam e que ele fique estéril.
Ele olhou para o garoto no chão, depois para mim e então riu.
– Você é bacana, vou começar a andar com você.
Sentamos numa mesa vazia.
– Valeu.
Descansei minha cabeça na mesa.
– Eu quero que este dia acabe.
Ele riu mais.
– Me dá o seu telefone.
– Hã?
– Me entrega o celular!
Passei o aparelho. Depois seu númerl estava salvo nos meus contatos e visse e versa.
Mais alguns minutos e passaram pela porta da frente Cauã e Agatha.
Jamais vou esquecer a cara de desgosto que Souza soltou para a filha, meu pai estava ao lado dele.
Mas mesmo que os dois estivessem recebendo a pior bronca do mundo, pude perceber que um segurava a mão do outro e nenhum dos dois se soltavam...Como um sinal de confiança, algo do tipo "Se eu cair, você me segura".
Fiquei assistindo tudo de longe, onde eu podia imaginar os diálogos, com certeza Cauã não me parecia arrependido, e sim firme, ouvindo primeiro a bronca de meu pai e depois escutando com todo o respeito o que Souza tinha para falar. E pude entender uma frase que foi mais firme.
– Eu não ligo que os dois estejam se amando, mas pelo menos podem avisar quando forem roubar um carro e sumir de uma festa.
A frase partiu de Souza e teve o consentimento de meu pai, Souza realmente não parecia ter se importado com o fato de sua filha ter saído com um garoto, mas sim com o fato de não ter avisado que ia sumir.
A bronca durou mais dez minutos e então acabou.
Cauã se despediu de Agatha e de sua família.
Depois toda a minha família foi para o carro.
No caminho o meu pai não falou nada, nem minha mãe. Mas quando chegamos em casa todos nos sentamos no sofá enquanto meu pai ficou em pé.
Eu chamava aquilo de Beg (Bronca em grupo).
– Primeiramente, eu queria saber qual de vocês tem cérebro, isso é...Alguém além do Caio, que conseguiu ficar a noite inteira na porra da festa! — Papai estava inquieto — Jamile, isso não é uma bronca para você, mas você tem que tomar mais cuidado com as suas coisas...Toda vez que nós saímos você deixa seu celular no carro.
– Mas se não fosse por ele, o Caio não teria achado o irmão dele.
– Jamile, meu amor, eu te amo...Mas isso foi uma exceção, podiam ter roubado seu celular, ele foi muito caro. — Mamãe concordou — Agora o Cauã...QUE PORRA FOI ESSA?!De quem diabos foi a brilhante ideia de pegar o MEU carro e sair com a filha do meu chefe?!
– Minha p...
– Não responde! NÃO RESPONDE! Você é o mais velho dos três irmãos e não dá nenhum exemplo para eles! Como vou poder dizer que sinto orgulho de você meu filho?! É claro que continua sendo o primeiro a ir para a faculdade e o primeiro filho, mas como vou sentir orgulho de dizer "Meu filho roubou meu carro"? Como?! Eu te respondo...Não vou ter orgulho nenhum...A sua sorte é que o General aprova o seu relacionamento com a filha dele, e é melhor que continue aprovando...Se não meu filho...Pode dar adeus para esta casa e esta família. Hoje você me deixou mal na frente de todos os meus colegas.
– Eu sinto muito pai.
– Deve sentir mesmo... — Olhou para minha irmã — Marcela, minha filha...Estou muito decepcionado com você, como pôde sumir daquele jeito no baile? Acha legal sair com os meninos? Ficar com fama de garota fácil? De vadia? — Minha irmã começou a chorar — Eu sei que dói muito quando um pai diz isso para a filha, mas eu não quero que isso seja assim...Na verdade eu quero sim que você namore, mas não com um garoto que te leva para longe da festa porque quer privacidade. Sim com o garoto que tem o respeito de te ter ao lado dele — Meu pai olhou para mim — Não ache que não sei sobre o que você fez com o Isaac...Fiquei muito feliz de ver você protegendo sua irmã.
Ele sorriu, deu boa noite e foi para o quarto, também fui, sabia que provavelmente meus irmãos estavam bravos comigo.
Fui para a minha cama.
Depois de um tempo meu irmão entrou no quarto, ligou a luz e se sentou na cama.
Eu estava deitado, virado para o outro lado, fingi que estava dormindo.
– Sobre hoje, queria dizer que não estou bravo com você — Se calou por alguns segundos — Se não quiser responder tudo bem, mas sei que você não está dormindo. Bom Caio, na verdade eu queria te agradecer por primeiramente me fazer voltar para a festa e também por ter chutado o Isaac.
Eu ri me lembrando disso, me sentei na cama e olhei para ele.
– Por que você fez isso?
– Acho que quero parecer mais interessante do que eu sou.
– Hã?
– Eu não sei bem do que estou falando, mas é que não foi legal levar um fora da Bruna e estou tentando fazer tudo de novo...Só que sem errar.
– Mas você não acha que foi meio precipitado o seu pedido para ela?
– Irmão, você sabe como eu sou, carente, se a pessoa me dá a mão eu já quero o braço inteiro e é assim, sem saber que vou fazendo as meninas desistirem.
– Como você é carente se fica com todas as meninas que você quer?
– Sou assim mesmo, acho que quero que me sufoquem de amor...E é isso que ela está fazendo...
– Agatha?
– Sim.
– Agatha está te "sufocando de amor"?
– Não debocha cara — Riu — Ela só parece corresponder ao que eu sinto.
– Ata, beleza.
Eu fiz mais algumas perguntas sobre como seria dali para frente e ele não deu uma resposta concreta.
Depois fomos dormir, no dia seguinte minha mãe não nos acordou para a missa, nos deixou dormir mais.
No café quando eu a perguntei o motivo de não termos ido, ela me pareceu meio cansada e respondeu que era porque tínhamos acordado tarde.
Ela não fez almoço, foi um domingo de caça livre, comi qualquer coisa e fui para a sala.
Caça livre: O dia que não tem almoço ou jantar aqui em casa e nós temos que procurar alguma coisa e fazer sozinhos.
Me deitei no sofá e olhei para meu celular, três mensagens, duas de Amanda e uma de Samuel.
Amanda: Caio, você está melhor?
Amanda: Caioooo?
Ela me mandou as mensagens ontem, mas eu nem usei meu celular direito ontem e acabei não vendo que haviam mensagens dela.
Eu: Manda, me desculpa! Ta uma confusão aqui
Eu: sim sim, bem melhor
Depois fui ver a mensagem de Samuel.
Samuel: estou no terceiro "E", fica perto da sua sala?
Eu: É a minha sala Samuel, kkk
Eu: nos vemos amanhã
Sem notar, acabei dormindo no sofá da sala, até umas seis horas, quando minha irmã quis assistir Tv.
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