Bon Appetite
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Chegamos em casa depois de um tempo, César já não estava mais no carro.
– Vamos...
Meu irmão me ajudou a sair do carro e me levou direto para o banheiro, falou para eu tirar minhas roupas e depois me colocou de baixo da água fria.
– Filho? É você?
Minha mãe estava na porta.
– Sim mãe, já vou sair!
Ele me deixou alguns minutos em baixo da ducha, enquanto isso conversava comigo.
– Pelo menos valeu ter ido lá?
– Ela disse que gosta de mim.
Sorri meio bobo.
– Ah é? E ela disse para você?
– Ela disse pra amiga dela...Mas eu sou muito fofo...
– Hã? Você não está dizendo coisa com coisa.
Riu e jogou água em mim.
– A Isabelly me mergulhou na piscina.
– Quem é essa?
Ele pegou uma toalha e desligou o chuveiro.
– A amiga dela.
– Vem...Vamos pra cama...
Ele colocou a toalha em mim e me levou para o quarto.
– Você parece a mamãe...
– Ah é?
Riu, me entregou um calção, então eu me vesti e me deitei na cama, ele pegou um cobertor e me cobriu.
Acordei ás dez horas de sábado, ah que dor de cabeça! Tudo ao meu redor parecia estar dez vezes mais alto e dez vezes mais claro.
– Bom dia galã.
– Cauã, desliga a luz...
– Nanão, a mamãe e o papai não vão nem sonhar que você bebeu ontem, ok?
– Ok.
Coloquei as mãos na cabeça e me levantei.
– Toma.
Ele me deu um remédio e um copo de água.
– O que é isso?
– Pra dor de cabeça.
– Valeu.
Tomei o remédio.
– Vamos tomar café.
Fomos para a cozinha, malditos azulejos brancos e claros, aquilo só aumentava mais minha dor de cabeça.
– Bom dia Caio!
– Bom dia mãe...
– E como foi a festa ontem?
Perguntou meu pai.
– Boa...Boa.
– E a garota?
Olhei para Marcela, ela provavelmente contou que fui na festa só pra ver a Amanda.
– Está lá, né...
– Como era mesmo o nome? Amanda, né Marcela?
– Sim pai.
– Vocês ficaram?
– É...Sim, pai...Por favor eu não quero falar disso...
– Hum...Ok. E ela vem pra sua festa na sexta?
Arregalei os olhos, tinha acabado de me lembrar que esqueci de chamar ela.
– Eu...Não sei.
– Como não sabe? Quero conhecer ela.
– Por que quer conhecer ela?
– Não posso conhecer a namorada do meu filho?
– Vocês não acham que estão adiantando de mais as coisas não? Escuta, eu não namoro com ela, conheço ela há menos de duas semanas!
Meu pai me olhou por uns dez segundos sem falar nada.
– Ok, vou parar de perguntar.
– Ótimo.
Me servi um copo de café e comecei a tomar.
– É assim que você fala com o seu pai?
– O que eu fiz mãe? Pelo amor de Deus...O que eu fiz?
Ela também ficou me olhando.
– Nada Caio, nadinha.
– Meu Deus, que saco...
Me levantei e fui para o meu quarto dormir mais. Sim, eu me levantei da mesa sem pedir licença, mas é que eu realmente não tinha feito nada de mais para o meu pai, só tinha dito que não estava namorando a garota, provavelmente teria saído mais grosso do que eu achava, mas era tudo porque eu estava com raiva da Marcela.
Dez minutos no quarto e eu cheguei a conclusão de que eu tinha que pedir desculpas para o meu pai, voltei para a cozinha.
– Pai?
– O que é?
– Desculpa.
Ele riu.
– Senta aqui seu branquelo.
Me sentei com eles.
– Caio, todo mundo já sabia que você ia sair pra ver uma garota.
Marcela disse.
– Ah é? Como?
Minha mãe riu e tomou a palavra.
– Isso é bem mais simples do que você pensa meu filho...Você nunca sai! obviamente, quando saí sem ser com o seu irmão ou o Gabriel, quer dizer que vai sair para ver uma garota.
– E...Isso já aconteceu antes?
– Não! Estamos felizes por você meu filho...É que é diferente ver você com alguém.
Mordi minha bochecha, provavelmente eu estava ficando vermelho.
– Bom, eu já disse que quero vocês prontos ás nove e meia, certo?
– Sim pai.
Meu irmão respondeu.
– Mas pai, eu não entendo porque temos que chegar meia hora depois do início.
– Marcela, ás nove horas em ponto não vai ter ninguém lá. Vou chegar quando os meus amigos chegarem, não vou ficar sozinho com a sua mãe sentado numa mesa.
– Ah...Ok.
– Bom, vou arrumar a cerca lá na frente...
– Eu vou com você, aproveito e cuido do jardim.
Meu pai e minha mãe saíram da mesa.
– Cauã, aposto que ganho de você no Mortal Kombat.
Ele riu.
– Boa sorte com isso.
Levantamos e fomos jogar, jogamos até nossa mãe nos chamar para o almoço, a lasanha.
O bom do dia que nossa mãe faz lasanha, é que não sobra nada da lasanha e as vezes a gente briga pelo último pedaço.
Hoje fui eu o sortudo que fiquei com o último pedaço, e como valeu á pena, lasanha era a comida mais gostosa da minha mãe, e a minha preferida.
Depois do almoço, minha irmã me chamou para ver o vestido dela, juntamente com Cauã.
– Esse está legal?
– Ótimo!
– Sim, muito bonito!
– Mentirosos...Vou vestir outro.
Ela entrou no banheiro dela e vestiu outro vestido.
– Esse está legal.
Sorri, queria sair logo do quarto.
– Você parece uma prostituta.
Riu meu irmão. Ela revirou os olhos e trocou de roupa.
– Esse!
– É, esse está legal.
Depois de muito tempo e muitos vestidos, ela voltou com o segundo vestido.
– Vai ser esse.
– O vestido de prostituta?
Perguntei.
– Af, sai do meu quarto.
Fui para a sala com o meu irmão, ele se jogou na poltrona do papai e ficou mexendo no celular, enquanto eu me deitei no sofá e comecei a assistir Tv.
Mamãe entrou em casa.
– Caio, vai vestir uma blusa. Cauã, banho...Agora.
Meu irmão e eu nos levantamos, fui para o meu quarto, quando ele chegou do banho foi a minha vez de ir.
Depois do banho, coloquei uma blusa social azul, uma calça jeans e um sapato social (O sapato que eu normalmente usava com a farda da escola).
Fui para a sala, onde estavam meu pai e meu irmão no sofá sentados assistindo Tv, me sentei com eles.
– É incrível como vocês se vestem igual.
Minha irmã disse chegando na sala e se sentando. Depois fui reparar que estávamos iguais, só que a cor das blusas variou para rosa claro e preta.
– Você está linda minha filha!
– Obrigada papai!
Mamãe chegou logo depois.
– Vamos?
– E olha a minha mulher...Algum de vocês já viu mulher mais bonita?
Meu irmão respirou fundo, olhou pra mim e fez uma careta.
– Não mesmo pai.
– Muito bem Júnior!
Saímos de casa e fomos para o carro, juntamente com alguns de nossos vizinhos que também estavam entrando em seus carros para ir para o baile.
Ao chegarmos lá meu pai pegou os cinco convites e então entramos, havia uma mesa com exatamente cinco lugares vazios, nossos lugares, era a mesa dos amigos de meu pai.
Todos nos cumprimentamos e sentamos na mesa.
– Mas e então Coronel, quer dizer que seu filho virou moça?
Riu um dos amigos de meu pai se referindo a blusa de meu irmão.
– Acho que não hein Oliveira?
Respondeu meu irmão se levantando e indo até o General e sua filha Agatha, depois de falar com o General, riu e saiu com Agatha para pista de dança do baile...Na mesma hora, olhei para o amigo de meu pai que fez o infame comentário sobre meu irmão, juro por Deus que ele estava de queixo caído.
– Pois é né Oliveira...Acho que a resposta esta aí...
Todos os outros amigos de meu pai riram do Oliveira e parabenizaram meu pai, parabenizaram não sem bem porque, mas tudo bem.
Depois de mais alguns minutos de conversas chatas na mesa dos esnobes, vi Romano passando pela entrada com os seus pais, ele estava com o braço enfaixado e tinha uma espécie de curativo no nariz...Fui até ele.
– Cara...Graças a Deus você chegou!
Ele riu.
– Ei, e a festa?
– Cara...Foi a maior vergonha, quero dizer...Mais ou menos, ouvi ela falar para a amiga dela que eu sou...O que era mesmo? Ah, dane-se! Ela gosta de mim!
Ele riu.
– Que bom, né?
– Mais do que bom.
Sorri.
– Vamos pra pista de dança, as crianças ficam lá.
Quando ele falava crianças, se referia aos filhos dos militares que foram arrastados para lá assim como nós.
– Claro.
E realmente tinham muitas pessoas da nossa idade lá, ele não demorou muito para fazer amizade e me apresentar para as pessoas.
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1- Essa era Maria, não que eu queira apontar as pessoas...Mas foi ela! Foi ela que conseguiu ficar com o Romano e sabe...Perder a virgindade com ele...Eu já conhecia ela, somente por esse fato, nunca fui muito com a cara dela, mas tudo bem.
2- Samuel, o único rosto novo por ali, eu não o conhecia, o pai dele foi transferido estes dias, ela iria estudar lá na minha escola, provavelmente cairia em uma das salas perto da minha, então não seria mal se eu fizesse amizade com ele. Ele parecia estar meio triste, meio sem graça também, mas perguntar o porquê naquela hora não ia ser bom
3- Isaac e Moisés, sim sim, mais gêmeos, os supostos filhos do Oliveira, sim, o amigo babaca do meu pai, parece que a mãe deles é chegada em nomes bíblicos e pá...Fora o fato de eles serem filhos do Oliveira, e fora o fato de eu ver eles em quase todo o churrasco que vou com meu pai (Churrasco nos quais o Isaac sempre acaba ficando com a minha irmã e eu fico segurando uma vela vergonhosa com o Moisés), fora isso...Eles dois eram bem legais, dava até para aguentar eles por mais de duas horas.
Eu sabia que ia ficar sozinho com o Moisés e com o Samuel assim que a minha irmã visse que Isaac estava lá, e isso não demorou... Minha irmã chegou, sumiu com o Isaac e deu a deixa para que Romano sumisse com Maria. Taran, sozinho com dois caras que também estavam sozinhos, mas para a minha surpresa, Moisés achou uma companhia algum tempo depois, a provável irmã de Agatha.
– Então...
– Então...
– Bom, mas e aí? De onde vocês vieram?
– Meu pai foi transferido de Curitiba.
– Ah...Legal...
– É, mais ou menos...
– Por que mais ou menos? Desculpa a intromissão.
Ele riu.
– Eu tinha uma namorada lá em Curitiba...
– Sacanagem!
– Pois é...
– Mas relaxa...Já já você esquece disso...
Quando eu ouvi as palavras saindo da minha boca, soaram meio rudes.
– Ok, foi mal, isso foi meio rude, mas é verdade.
– De boa...Ham, aquele é seu irmão?
– Quem?
Ele apontou para o lado de fora, no "quintal" da casa e festas, procurei algum sinal de vida, achei quando olhei para a parede, onde tinham duas pessoas se agarrando violentamente.
– Provavelmente...
Riu.
– É a namorada dele?
– Não, e por isso que o pai dessa garota não pode nem chegar perto da pista de dança.
– Ah...E o pai dela é esse cara?
Apontou para o General que estava indo para a pista de dança.
– Ah que merda...
Ele riu um pouco mais.
– Vem, vamos avisar á eles.
Ele me puxou até o lugar onde meu irmão estava com Agatha.
– Olha, não é querendo atrapalhar, mas o pai dela está vindo pra pista de dança...E como você mesmo me disse um dia, você vai perder um membro valioso de seu corpo se ele vir essa cena.
Meu irmão se afastou de Agatha, os dois começaram a rir e a ajeitar suas roupas.
– Valeu Caio.
– Tem...Batom...Na...
– Sua cara toda.
Samuel disse e lhe entregou um guardanapo que estava em seu bolso.
– Valeu Roman...Pera...Você não é o Romano.
– Samuel, prazer.
– O prazer é meu.
Depois de arrumados, meu irmão e Agatha voltaram para a pista de dança e foram dançar música clássica com ela, como se nada tivesse acontecido.
Era a vez dos casais dançarem, todos foram para lá, fiquei lá fora com Samuel por um tempo.
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