Bon Appetite

3 Cápítulo 3


Notas iniciais
Fiquei muito contente com os últimos comentários, que foram bastante para dois capítulos...Então...Eu queria agradecer desde já e lhes desejar uma boa leitura :)

A ordem das cadeiras foi feita pelo meu irmão, primeiro Bruna, depois ele, então Marcela, eu e Amanda.

Depois de mais ou menos cinquenta minutos de filme, meu irmão estava muito ocupado trocando saliva com a sua namorada e minha irmã estava quase dormindo, olhei para o lado.

Me deparei com Amanda me encarando diabolicamente.

– Ham...Oi?

– Você é estranho.

– Você está me olhando durante o filme e eu sou estranho?

– Você nem encostou em mim!

– Era pra encostar?

– Sim! Opa, não! Mas era para ter tentado.

– Desculpa então.

Coloquei minha mão em seu ombro.

– O que é isso Caio?

– Uma mão...No seu ombro.

Ela riu.

– Ta, você não é estranho...Só...Lerdo.

Continuou rindo.

– Não entendi.

– Espera...

Olhei para frente...Não mais que de repente, ela colocou uma de suas mãos em meu rosto e me beijou.

Primeiramente, levei um baita susto, mas depois cooperei, desci minha boca para seu pescoço, até a ouvir falar que gostava daquilo, um beijo longo, bem demorado, mas delicioso.

Me afastei.

– Então era isso?

Rimos, depois ela me deu um selinho, então se aninhou em mim, ficamos assim o resto do filme.

Quando as luzes se acenderam ela ergueu sua cabeça e me deu outro selinho.

Ao ver isso, meu irmão e Bruna sorriram e então desceram as escadas da sala de cinema, já a minha irmã ficou reclamando e nos esperou para descer também.

– Vai me dar seu telefone?

– Vou.

Ela sorriu, pegou uma caneta preta na bolsa dela e ergueu a manga de meu casaco e escreveu seu número.

– Vou tentar não suar agora.

Rimos.

– É pra mandar uma mensagem mesmo, me ouviu?

– Ok.

Sorri.

– Como você...Rrr, eca...Tipo, olha pra ele Amanda!

Amanda me olhou.

– Vocês são gêmeos.

– Eu sei, e ele é lindo, mas...O que ele tem de interessante Amanda?

– Não sei, vou descobrir.

Olhou para mim, estávamos logo atrás de Cauã e Bruna, andando, abraçados, só eu e Amanda, como se nada pudesse estragar aquele momento.

Mas aí foi a maldita hora em que meu irmão se ajoelhou para pedir a maldita namorada em casamento.

Ela parou, olhou para os lados, riu e então eu pude ler os lábios dela..."Não"...Foi exatamente o que ela disse.

Triste como eu jamais o tinha visto, meu irmão permanecia ajoelhado...Cheguei mais perto, triste decisão, pois pude ouvir o resto do que Bruna tinha para falar.

– Eu não acredito nisso...Nem sequer sabia que estávamos namorando e você me vem com essa de casar? Vai se ferrar maluco!

Amanda olhou para mim, ela também não entendia.

– Eu te pedi em namoro...Em janeiro Bruna.

– Eu devia estar bêbada.

Me afastei de Amanda, aquele momento estava me deixando nervoso.

– Estava bêbada quando colocou "Relacionamento sério" no seu perfil?

– Era para fazer ciúmes nos outros caras...Puta que o pariu viu? Oh gentinha...

Fui até lá e ajudei meu irmão a se levantar e o levei até o carro.

– Tem que pagar o estacionamento.

– É, me dá o cartãozinho.

Ele me entregou, fui pagar e depois voltei para o carro e o entreguei. Ele estava em choque, eu sabia que uma hora ou outra ele ia acabar chorando.

– Temos que ir.

Falei depois de um minuto.

– EU SEI, TA BOM CAIO?!

Ligou o carro e saiu do shopping...Não andamos nem trezentos metros direito e ele encostou o carro, então apertou o volante e encostou sua cabeça nele, foi então que ele começou a chorar.

– Eu não sei o que dizer.

Disse minha irmã lá de traz encostando uma de suas mãos nas costas dele.

– Porque não tem nada a ser dito...Olha para mim! Eu sou um trouxa!

Continuou a chorar, só que mais, cada vez mais, enquanto eu saí do carro, peguei meu celular e liguei para a minha mãe.

– Mãe?
– Caio? Tudo bem?
– Na verdade não mãe... Aconteceu uma coisa.
– O que?! Você está bem?!
– Não mãe, ninguém se machucou ta? É que bom...O Cauã não está em condições para dirigir e...Enfim...Tem como você e o papai virem nos buscar?
– Por que ele ta assim? Deixa eu falar com ele!
– Não mãe...Melhor não, só vem nos buscar, ta? Por favor.
– Onde vocês estão? – Perto do Iguatemi.
Demoraram vinte minutos, mas logo vi o carro de minha mãe parar atrás do nosso.
Marcela desceu e abraçou a minha mãe.
– O que ouve?
– Te conto no caminho mãe...Mas alguém tem que levar o outro carro.
Meu pai foi para o carro de Cauã, e minha mãe e minha irmã foram para o outro, fui com os homens.
– Não precisava ter vindo aqui.
Disse meu irmão meio choroso.
– Fala rapaz que parou o carro porque estava chorando.
– Você não sabe o que aconteceu.
– Mas vou saber, vai ser você que vai me contar ou seu irmão?
Cauã não respondeu, sabia que ia sobrar pra mim.
– Ele pediu a namorada em casamento e ela não aceitou.
– Ela me humilhou! Ela não só não aceitou!
– Eu sei...Calma.
– Mas e se ela tivesse aceito Cauã, como ia ser? Casar é responsabilidade.
– Sim, mas eu tinha tudo planejado e...
– E como ia ser? Ela ia morar com você no quarto do seu irmão? Por favor Cauã, você ainda está no segundo ano de Direito ...Vai beber, transar com outras garotas, sei lá...Não pula esse tempo de curtir as coisas...
Ele engoliu seco.
– Ok.
– Hoje nós dois vamos sair, vamos num bar, beber, só eu e você, ok?
– Certo.
Não me importei com isso, afinal...Meu irmão estava chorando...E isso era um fato perturbador, afinal...Nunca vi meu irmão sem um sorriso no rosto.
Assim que chegamos em casa meu irmão foi para o banho, meus pais foram para a cozinha conversar e eu e Marcela entramos no meu quarto, e pegamos o celular de meu irmão que estava na cama.
Eu coloquei a senha, eu era o único que sabia a senha ( Viram como sou confiável? Estava mostrando o celular de meu irmão pra minha irmã! Sou um anjo). Havia uma longa mensagem de Bruna com praticamente o mesmo discurso do shopping.

– Ela é meio...Vadia.
– Foi você que os apresentou.
Essa era a única coisa que me aliviava.
– E agora?
Sentei na minha cama e peguei um livro. – Deixa ele sentir tudo isso né...Fazer o que...
Ela abaixou o olhar e fungou.
– Nunca achei que isso ia acontecer, qual o problema dela?
– Liberdade.
Sorri.
– Hã?
– Nada...Esquece.
Ela continuou lendo.

– Eu estou me sentindo um pouco culpada por tudo isso, mas ela era tão meiga e tão carente, achei que ela era a garota certa.

Mesmo eu estando um pouco mais contente que toda a família por este termino, eu tinha que fingir que também estava mal.

– É, mas não era, e sinto muito por ele, mas agora é bola pra frente.

– Posso saber porque a boneca está mexendo no meu celular?

Meu irmão estava parado na porta, com a toalha enrolada na cintura e olhando para Marcela.

– Olha...Eu tenho uma ótima explicação...

– Você estava vendo minha conversa com a Bruna.

– É.

– Bora, sai do meu quarto.

Fingi que não era comigo, continuei lendo meu livro. Ela saiu do quarto.

– E você? Acha que eu não sei quem colocou a senha no celular?

Soltei o livro e olhei para ele.

– Eu não sei o que posso te dizer, eu não gostei nem um pouco de te ver triste, mas também não gostei dessa tal de Bruna, e ela era exatamente o que eu imaginava então...Estou meio em cima do muro com toda essa situação.

Ele sorriu, um sorriso cheio de tristeza e veio até minha cama bagunçar meu cabelo.

– Não se preocupa, vai ficar tudo bem.

Depois ele foi se vestir e então saiu com o meu pai.

Notas finais
Bom, espero que gostem...Obrigada pela leitura