Bom Motivo

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá meu povo e minha pova
Sim, eu sei que não postei ainda. Também estou decepcionada comigo mesma.
Mas assim, eu meio que tenho motivos. Final do trimestre tava aí, e mesmo sabendo que eu não preciso me preocupar, tive algumas provas e várias preocupações desnecessários, mas ok.
E quando eu estou meio nessas de puro desespero e pânico total, tenho bloqueios para continuar a escrever, mas tenho ótimas ideias. To escrevendo outra one mas desta vez com o Nico, então preparem-se.
Essa tá bem meiguinha e curtinha, então awn *-*
Acho que essa nota vai ficar maior que a história, mas ok². Boa leitura e deixem reviews, tá bom?

Travis é um idiota. Um completo idiota. Ele sabe, Connor sabe, sua mãe sabe, seu pai sabe, seu professor de Física sabe (e como sabe), todos sabem. Suas atitudes e seus comentários — os dois, na grande maioria das vezes, maldosos, irônicos e cruéis — só confirmam mais esse fato. Nem seu irmão gêmeo é assim. Connor é meio idiota, não totalmente, tem diferença, vai por mim. Connor é mais inteligente que Travis, mais educado que Travis, mais romântico que Travis, mais estiloso que Travis, Connor era mais que Travis.

E é isso que deixava Travis tão amargurado. Quem gostaria de ficar perto de alguém tão desleixado, tão rude, tão maldoso, tão cínico, tão bagunçado, tão irônico, tão medíocre, tão insensível, tão crítico, tão... Tão... Tão Travis como o Travis? Nem sua mãe aguentava ficar ao seu lado com todos os seus “aham” sarcásticos e suas frases mal-educadas. Ela já havia desistido de tentar ensinar Química ao garoto. Era como dizer “vamos arrumar um motivo para eu brigar com você, Travis”.

Ele nunca foi assim. Era irônico e às vezes soltava alguns palavrões na frente de seus pais, mas nada muito surpreendente para um garoto, naquela época, de 14 anos.

Mas como Connor sempre foi melhor que Travis — sempre em primeiro lugar em tudo: nas corridas, nas feiras de Ciências da escola, até no parto o filho da mãe saia na frente! —, Connor sempre recebia mais atenção. “Connor isso, Connor aquilo...” Travis estava cansado disso. Poxa, eles eram gêmeos. Só porque o irmão segundos mais velho tinha algumas — muitas — qualidades a mais que ele, não quer dizer que mereça mais atenção que ele.

Por isso, Travis resolveu mudar. Mudou tudo. Roupa, cabelo, caráter, tudo. Resolveu virar um bad boy, tipo aquele de filmes. Não deu certo — pra variar. Os pais, depois de notar a mudança, praticamente começaram a ignorar o garoto. Chegaram a esquecer de avisar que haveria um jantar de família e que era para chegar mais cedo em casa. Se Travis não soubesse esquentar água para fazer miojo, teria passado fome à noite toda.

Então, Travis desistiu. Tornou-se tudo aquilo que os pais não queriam que ele se tornasse: um desiludido. Faltava à aula cada vez mais, começou a andar com algumas más influências. Tinha dias que comia como se fosse a última vez e tinha dias que não lembrava nem o que era uma pizza. Bebia quase todas as noites, fumava com uma frequência e numa quantidade que nem em outro planeta sua mãe autorizaria. Usava roupas sujas e desleixadas. Quase nunca estava em casa, ver Travis jantando com a família era mais raro que uma girafa de pescoço curto azul com manchas rosa. Às vezes, passavam-se semanas e sua família não tinha sinal do paradeiro do garoto. E quando voltava, tomava banho, trocava de roupa, comia qualquer coisa e já ia embora. Estava cada vez mais magro e mais pálido. Seu celular não tinha mais créditos e nem bateria. A carteira de identidade estava em casa, na carteira só um pouco de dinheiro, se fosse morto, morria como indigente. A única coisa que todos daquela família tinham em comum, além do sangue e sobrenome, eram as olheiras. Ninguém mais dormia direito desde que Travis se tornou isso.

Essa rotina “desrotinada” seguiu por meses até que, depois de um dia longo e cansativo de sempre, todos se surpreenderam ao ver quem estava sentando no sofá. Todo atirado, como sempre fazia antes, ali estava ali estava Travis. De banho tomado, cabelo lavado, roupa limpa e sorriso no rosto.

— O que vai ter no jantar, mãe?

Só isso. Só isso foi necessário para trazer de volta toda a alegria de uma família preocupada.

Travis deixou de faltar à aula, voltou para as velhas amizades. Deixou de fumar e só bebe socialmente.

Ninguém entendia como Travis havia voltado a “si”. Todo mundo pensava que o garoto não tinha mais solução e, de repente, ele volta todo resolvido, só faltando à estrelinha dourada. Ninguém sabia se tinha algum motivo para ele voltar a ser mesmo Travis de sempre. Mas, se tivesse motivo, todos sabiam que era um motivo bom, mas bom mesmo. Um bom motivo de verdade.

Foram necessárias apenas algumas semanas até que o bom motivo aparecesse.

E apareceu de mãos dadas com Travis e com uma trança no cabelo.

— Pai, mãe. Essa é a Katie, a minha namorada.

Travis voltou a ser o mesmo idiota de sempre, mas o idiota bom. E ela era o motivo — e pelo jeito, continuará a ser até onde o tempo permitir —, o bom motivo de ele ser o idiota bom de sempre.

Notas finais
Tá bonitinho, né? Dá até pra relevar o tempo que demorei pra postar os capítulos das outras histórias, né? *---*
Deixem reviews seus lindos!
Beijo ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!