Bola demolidora

3 Episódio 3 - O primeiro dia.


“Estava tudo pronto para as aulas começarem, e eu estou muito ansiosa também, ali iria começar um novo ciclo, novas experiências e isso me marcaria para sempre. Era incrível que depois de tanto sofrimento no fim do ano passado a vida tenha me presenteado tanto, eu sinto que finalmente tenho tudo e que agora vai começar minha vida.” Escrevia Fátima em seu diário enquanto na sua penteadeira se arrumava para a aula que iria começar. Nesse momento, uma de suas pulseiras rompem e cai no chão, Fátima se agacha e a recolhe. Era a pulseira da “Felicidade”, então a garota pensava… Que estranho essa pulseira se romper. Era uma de suas favoritas também. Nesse momento ela abre uma caixinha que estava dentro da gaveta da penteadeira e retira outra pulseira, uma verde que significava “Esperança”.

— Eu vou usar agora, pois você é minha esperança. — E assim ela terminava de arrumar a bolsa e ia para cozinhar tomar seu rápido café.

— Minha filha lhe desejo toda sorte do mundo nessa nova etapa, e espero que você seja muito feliz. — Falava seu pai enquanto os dois se abraçavam e se despediam. Fátima ficava um pouco emocionada com a declaração. E nesse momento, chegavam Cristina e Luiza.

— Vamos Fátima, não podemos nos atrasar no nosso primeiro dia! — Dizia Luiza chamando sua prima.

— Vamos. E você Cris? — Perguntava Fátima sem entender a amiga toda arrumada.

— Filha, Cristina também passou. — Dizia seu pai, e isso fazia com que Fátima arregalava seus enormes olhos azuis ao perceber a mentira.

— Ah, eu também irei, não quero ficar aqui só, e é melhor que eu conheça a universidade antes, assim como a biblioteca e outras coisas, para a minha aula a noite. — Falava Cristina, meio sem jeito.

— Então vamos! Tchau papai. — E assim todos se despediram e indo em direção ao carro de Luiza, que parecia péssima com seus óculos escuros. No caminho Cristina justificou tudo que tinha acontecido e pediu para que as meninas guardassem o segredo.

— Amiga, você não pode mentir, e o que fará a noite? Uma hora vão descobrir a verdade. — Perguntava Fátima preocupada.

— Isso eu vou resolver, talvez com essa ida a universidade, eu tenha uma conversinha com o diretor e ele não me aceita? Quem sabe? — Falava Cristina enquanto ajeitava seu decote e longos cabelos castanhos.

— Cuidado, com o que for fazer… — Dizia Fátima. E era interrompida por mensagens de Heitor, elas pareciam não ter fim. Mas ela não revelava para as meninas o quê havia acontecido.

Heitor se arrumava e mais uma vez saía de casa, e sua mãe pergunta para onde ele vai.

— Estou sufocado, preciso sair…

— Só não se esqueça que seu dinheiro está acabando. — Dizia sua mãe enquanto saboreava seu delicioso café. Heitor acenava com a cabeça e saía pela porta com uma certa pressa. E ao sair ele avista Gustavo com um menino emo, era Miguel, irmão de Fátima, mas Heitor não o conhecia. E ao se aproximar via o jovem punk agradecendo a Gustavo e saindo dali.

— E aí mano. Quem era esse cara?

— Ele tava me pedindo comprimidos para se matar. Mas você sabe, só vendo coisas para dar prazer. — Sorria maquiavelicamente.

— Nossa, que louco. Eu preciso de mais maconha, é que eu tenha estado muito estressado esses dias. — Justificava Heitor e pedia para que fizesse um preço mais barato pelos anos de amizade.

— Não se preocupe, mano… Eu tenho, mas me pague quando você tiver o dinheiro suficiente. Lhe dou esse crédito. — Dizia Gustavo e passava o pacote para Heitor. E assim, ele combinou com alguns de seus amigos para que usassem e se divertissem em paz, e então ficaram todos chapados na casa de um de seus amigos. E ainda era segunda-feira.

Ao andarem pelos corredores da universidade Luiza massageava sua cabeça, então Fátima percebendo isso, comenta:

— Nossa amiga, você tá péssima, o que houve?

— Nada, acabei exagerando ontem com uns amigos… Fiquei bêbada. — Dizia Luiza fazendo cara de arrependida.

— Hoje é seu primeiro dia, e você tá de ressaca.

— Gente, a aula de vocês já vai começar e é melhor eu começar a agir. — Falava Cristina enquanto se retirava dali em busca de alguma luz ou melhor dizendo da sala da direção.

— Claro, mas cuidado… — Dizia Luiza enquanto as duas se despediam da amiga. E assim os alunos de sua turma iam chegando, quando chega um meio misterioso mas atraente, ele indagava :

— É aqui a turma 2015 de Arquitetura?

— Aqui mesmo! Acho que somos da mesma sala, não é?! Meu nome é Fátima e essa é minha prima Luiza.

— Prazer em conhecê-las, me chamo Theodoro. — E com isso, os estudantes da turma entram na sala e então todos ia acompanhando e entrando na sala. Quando todos finalmente sentam. 3 pessoas tomam a frente e eles não tinham cara de professores. Isso só significava uma coisa. Trote.

— Bem-vindos ao inferno, calouros! — Dizia uma das que estavam organizando o trote. E assim rolava uns spraays de espuma e farinhas que chegava a sujar todos e todos se levantando tentando se salvar mas ao mesmo tempo entrando na brincadeira.

Cristina consegue chegar a direção e pergunta sobre o diretor, mas a secretária não a deixa entrar pois não tinha uma hora marcada. E a descarada Cristina, entra mesmo assim, invadindo a sala do velho.

— Me perdoe senhor, ela disse que era urgente. — Dizia a secretária.

— Tudo bem, minha querida! E assim a secretária se retirava. O quê você quer? Tem hora marcada? — Perguntava o diretor.

— Não, não tenho nenhuma hora marcada. Mas é que preciso que revise minha nota. Não fui tão ruim no vestibular. — Dizia Cristina enquanto se sentava na cadeira e cruzava as penas de propósito. Depois de todos os dados recolhidos foi declarado que a menina havia tirado um 7,0 que não era tão ruim, mas devido a concorrência ela não conseguiu entrar. — Bom, mas você poderia tentar me encaixar em alguma turma, posso estudar a noite se for o caso. — Dizia Cristina enquanto arrumava seu cabelo.

— Não posso fazer nada. A bolsa você não conseguiu! Se quiser estudar aqui ainda posso tentar te encaixar por esse valor... — E assim ele fazia a soma e entregava o papel à garota que tinha todas as opções financeiras do curso por mês. E significava muito dinheiro que ela não podia pagar.

— Mas o senhor tem certeza que não tem nenhum outro jeito? — Falava Cristina enquanto acariciava a gravata do diretor.

— Querida, eu sou gay. Eu agradeceria que me deixasse trabalhar e se retirasse da minha sala. Boa sorte no próximo semestre. — E assim triste, Cristina teve que se conformar e sair dali, já estava com os olhos lacrimejando sem saber o que faria.

Ao chegar o intervalo Luiza e Fátima vão até o banheiro para tentar melhorar um pouco já que estavam detonadas com o trote. Nisso Luiza recebe uma mensagem de Heitor e comenta sobre com Fátima:

— Ai, eu não acredito, olha só, eu e Heitor vamos nos encontrar no shopping depois da faculdade.

— Ele te disse isso? Perguntava Fátima ainda sem reação.

— Sim, olha. — Então Luiza mostrava a mensagem para sua prima.

— Nossa, que bom! Com licença. — E assim Fátima se retirava do banheiro e ficava pensativa e um pouco triste.

Cristina estava na biblioteca, tentando se distrair com os livros universitário, quando ela avista Theodoro e se encanta pelo jovem. Troca alguns olhares e o rapaz retribui com sorrisos. E logo, o garoto vai falar com ela:

— Também é novata?

— Não, infelizmente não passei. Digamos que teve um problema, não quero falar sobre isso. — Dizia Cristina a fim de mudar de assunto.

— Me chamo Theodoro, e por um milagre passei, estou na nova turma de Arquitetura. — Explicava para que puxasse assunto.

— Prazer Theo. Posso te chamar assim né? Me chamo Cristina!

— Claro, “Cris”! — E os dois trocavam lindas risadas e uma amizade estava prestes a brotar ali.

— Você parece tão misterioso… — Falava Cristina.

— Olha quem fala, a menina que se tortura vindo pra universidade na qual não passou para ficar lendo na biblioteca. Parece mistério pra mim!

— Querido, tenho amigas que estudam aqui. Mas não quero vê-las. Por que não está na aula?

— Está tendo trote e eu não gosto, a gente poderia sair se você quiser. — Dizia Theodoro enquanto olhava nos olhos a bela Cristina.

— Me pega a noite, vou precisar de uma desculpa pra sair de casa e você será ela. — Dizia Cristina.

— Vai precisar de uma o que? — Perguntava um pouco confuso

— Te explico melhor a noite. — Os dois trocavam sorrisos, deixando tudo acertado para a noite, como o endereço e etc.

— Você mora nesse condomínio? — Theodoro se assustava um pouco ao ver o papel com o endereço.

— Sim, algum problema?

— Não, nenhum! — Tentava disfarçar o espanto e assim eles se despediam e combinavam para a noite.

Ao terminar a “aula”, Luiza se despede de Fátima dizendo que não poderia levá-la até em casa pois teria esse encontro com Heitor. E não sabia onde isso iria chegar, Fátima fazia um sorrisinho e acenava com cabeça dizendo que não tinha problema. Enquanto isso Fátima pensava: “Será que ele já se esqueceu de mim?” E se despedia da prima, que ia saltitante pro carro. Enquanto isso, ela recebe uma mensagem de Cristina dizendo: “Amiga, tive que sair mais cedo, falo contigo quando chegar em casa, bjs” — Ótimo, pro primeiro dia de aula. Tô sozinha, toda suja de tinta e minha prima foi atrás do cara que eu tô gostando, O que mais falta acontecer? — Ao terminar de pensar isso ela avistava quem menos esperava ver, Victor. Que também a via e chegava em sua direção, e ao chegar dizia:

— Fátima, há quanto tempo!

— Victor, o que está fazendo aqui, e todo sujo de tinta? Não, não pode ser… — Dizia Fátima ao se tocar do que estava acontecendo.

— Sim, estou estudando aqui, estou fazendo medicina. Como sempre sonhei, você sabe… — Explicava Victor.

— Ok, boa sorte! Acho que a gente não tem nada para conversar né. — Falava Fátima já saindo dali. E Victor interrompia a saída dizendo:

— Para com isso! Temos muitas coisas para conversar sim. E você sabe! Queria te pedir desculpas por ter ficado longe todo esse tempo, e dizer que já estou de volta e vou estudar aqui. Vamos acabar nos vendo durante o dia. — Dizia Victor, enquanto esperava alguma reação de afeição não demonstrada por Fátima.

— Seremos apenas colegas, se me der licença, agora preciso ir para casa. — Falava Fátima se retirando.

— Eu te levo na minha moto até o condomínio, é caminho pra mim, você sabe…

— Não precisa, eu vou de ônibus.

— Vai de ônibus toda suja assim? — Então, envergonhada Fátima resolve aceitar o convite e os dois vão em direção a moto de Victor e ele a deixa na porta de sua casa.

— Obrigada. — Agradecia Fátima ao se levantar da moto e ir em direção ao portão do prédio.

— Você é uma garota legal, e eu fui um tolo por ter feito aquilo contigo, nunca deveria ter a deixado sozinha. A gente se vê. — E assim ele se despedia antes mesmo que Fátima dissesse algo. Mas aquela surpresa realmente a abalou, de forma negativa pois ela não queria vê-lo nunca mais.

Ao chegar no shopping, Luiza se encontra com Heitor que estava esperando na praça de alimentação.

— Olá querido! Desculpe a demora, tive que me trocar pois estava horrível depois do trote. — Dizia Luiza ao cumprimentá-lo e sentar-se junto dele.

— Luiza, eu te chamei aqui para esclarecer as coisas contigo. — Falava em uma expressão meio séria.

— Do que está falando? A menina tentava disfarçar seu nervosismo e curiosidade.

— É que sei que você nunca me disse nada, mas que tem esperanças comigo, e eu estou gostando de outra menina. Espero que entenda, e que não haja mal-entendidos.

— Imagina, a gente nem começou a ter nada. — Luiza engolia a seco aquela declaração e ficava muito triste, porem se fazia de forte… — Mas quem é ela?

— Em breve você saberá… — Heitor dava um sorriso de quem estava preparando uma grande surpresa.

Cristina ao se arrumar para sair com Theodoro na desculpa de que iria para aula, se esbarrava com Miguel chorando. E curiosa, ela pergunta:

— Miguel, aconteceu algo?

— Não é nada. Ele tentava disfarçar e corria para sua casa. “Que coisa estranha” Pensava Cristina. E continuava a andar em direção ao portão e ao sair via Theodoro a esperando em sua moto, então os dois saem para um lindo passeio. E no final eles vão para o apartamento de Theodoro.

— Hoje seria o trote, acho que pra ficar mais convincente você deveria me pintar sabia? — Sugeria Cristina.

— Com todo prazer… E assim ele usava umas tintas que tinha guardado e começava a pintar Cristina e os dois se divertiram muito com isso. Foi uma noite bem longa mas pareceu passar muito rápido e no final, ele a deixou em casa.

Depois de ter saído do shopping, Heitor foi direto para o condomínio de Fátima, dizendo em uma mensagem que estava lá fora. “Não pode ser. O que esse idiota quer agora?” E mesmo assim ela foi atendê-lo.

— Já está tarde, não deveria estar aqui. — Dizia Fátima um pouco séria.

— Eu vim te ver. Pensei em você o dia todo.

— Eu sei que estava com a Luiza. Olha, não gosto desses joguinhos. Comigo é tudo ou nada. — Se mantinha firme enquanto o olhava por cima.

— Está com ciúmes? A Luiza é uma pessoa muito importante pra mim, e é minha amiga, fui esclarecer isso hoje com ela. — Dizia Heitor quase rindo por não acreditar naquela cena.

— E por que você faria isso? Nem temos nada.

— Porque eu quero ficar com você. Vamos passar o carnaval juntos. Você merece conhecer mais do mundo. Poderíamos ir para algum hotel e ficar 1 ou 2 dias. — Dizia Heitor se aproximando e isso fazia Fátima se assustar um pouco.

— Impossível meus pais deixarem, nunca passei uma noite forte de casa. Eles não vão deixar assim!

— Poderíamos inventar alguma coisa, mas eu quero ficar com você. Quero te mostrar o verdadeiro prazer, e te mostrar o amor verdadeiro. — Nesse momento o coração de Fátima acelerava e mais uma vez ela pareceu ter tudo. Era tudo tão novo e as emoções ainda mais novas, nada que ela tivesse sentido antes, sempre foi tão certinha que nunca deixou se levar por algum momento. Os dois se olhavam profundamente como se já tivessem uma conexão, mesmo sem nunca se beijarem.