Bola demolidora

5 Episódio 5 - Máscaras e pinturas.


Ainda na mesma noite, ao voltar para casa, Fátima dá de cara com Luiza que parecia lhe esperar chegar. Surpresa ela a cumprimenta dizendo.

— Luiza, o que faz aqui a essa hora?

— Estava lhe esperando querida. Onde você estava? — Perguntava a prima.

— Por aí… Mas preciso dormir porque está tarde. — Com um sorrisinho Luiza disfarçava dizendo.

— Como faltei a aula, vim pegar com você o conteúdo.

— Ah, claro! Eu te passo. Amanhã é feriado, não é mesmo? — Falava Fátima desconfiada.

— Tem razão. Só queria estar por dentro do que perdi, se é que me entende?

— Claro entendo sim! — E com o clima estranho as duas se despediam indo cada uma pro seu lado.

“É uma descarada hipócrita” pensava Luiza enquanto ligava seu carro e rumava para sua casa.

Logo de manhã cedo, Cristina aparece em casa depois de virar a noite com Theodoro na balada.

— O que faz a esse horário, mocinha? — Perguntava seu pai ao ver a jovem entrando em silêncio enquanto lhe esperava sentado em sua poltrona.

— Papai, não recebeu minha mensagens? Tive que ficar na casa de uma amiga até mais tarde para resolver o trabalho da faculdade, ficou tarde e tive que dormi lá.

— Aqui não chegou nenhuma mensagem.

— Não? Que horror, deve ser a operadora… Está horrível mesmo! — Dizia Cristina enquanto dava um beijo em seu pai a fim de ir para seu quarto meio desconfiada mas era barrado por ele que a puxava pelo braço, dizendo:

— A mim você não engana garota! Que seja a ultima vez que isso acontece. Se não, haverá consequências!

— Mas não é nenhuma mentira, se quiser pode ligar e confirmar toda a história.

— Eu não quero nem pensar no que você fez, mas é a ultima vez, e não vai se repetir, fui claro? — E assim ele soltava o braço dela que acenava dizendo que sim com a cabeça e um pouco triste corria para seu quarto.

Daniela já estava se preparando para desfilar no carnaval, sua fantasia já estava nos últimos reparos e ela a esperava ansiosa em sua casa, acompanhada de Gustavo. E comentava com ele:

— Já estou tão ansiosa, nem acredito que vou sair nesse desfile.

— Você vai ficar gostosa com tão pouca roupa. — Ela dava um tapinha em seu braço de modo que disse pra parar com as brincadeiras, e os dois riam. Logo ela ficava curiosa e resolve perguntar:

— Quanto o Heitor te deve?

— Já é mais de R$ 1.000,00 e essa divida só aumenta. — Logo Daniela ficava com uma expressão preocupada.

— Ele está se acabando com isso. Até eu uso, mas não desse jeito.

— Na verdade eu estou adorando. — Falava Gustavo com um tom de quem faz piada. — A propósito, ele deveria está aqui por que não o chama? — Concluía o mesmo.

— Boa ideia! — E assim Daniela pegava seu celular e discava o nome de Heitor e ao chamar o convidava para ir em sua casa e saírem juntos com o desfile. Mas o cara se negava, alegando ter outra coisa para fazer. O que deixava Daniela pensativa. Nesse momento chega a fantasia e os maquiadores. Enquanto a empregada abria a porta Daniela e Gustavo os avistavam da sala e iam em sua direção.

— Bem-vindos, podem entrar. — Dizia Daniela ao ver todos entrando. E logo o trabalho começava na preparação de Daniela que ia se produzindo com muitas pinturas, maquiagens e máscaras como sugestões.

Heitor sempre no celular socializando com muitas pessoas e ouvindo musica de todo tipo em seus fones brancos. Entretanto, sua mãe entra em seu quarto e pede para conversarem novamente.

— Heitor, eu já paguei sua matricula, sinto muito, mas terá que estudar sim, na faculdade do sul. — Dizia sua doce mãe.

— Por que você fez isso?

— Porque é o melhor para você, meu filho! A vida não é desse jeito. Está na hora de superar tantas perdas.

— Do que você está falando agora? — Perguntava Heitor com uma expressão de que não tinha nada a ver toda a situação.

— A separação de seu pai e eu, o fim do seu relacionamento, o fim de suas férias nos EUA, tudo isso, precisa olhar pra frente.

— Não, você entendeu errado, não sinto nada disso. E tudo bem, eu irei estudar sim. É melhor que eu aproveite bem meu feriado. — Dizia ele mais uma vez pegando suas coisas e saindo rua a fora.

Ao acordar e tomar o café da manhã Fátima vê Miguel chegando super cansado indo dormir em seu quarto, logo a jovem o segue para entender o que tinha acontecido. E entra em seu quarto lhe perguntando:

— Onde você estava? Não dormiu em casa?

— Olha, não é do seu interesse, me deixa em paz. — Falava ele enquanto colocava o travesseiro sobre o rosto.

— Está na hora de revelar seu segredo, o que tanta esconde?

— Já disse pra ir embora, que saco! Vai embora, sai daqui. — Gritava enquanto chorava seu grande irmão Miguel.

— Eu não vou até você me dizer. — Enquanto isso Fátima recebe uma ligação de Heitor e vai atender lá fora e finaliza com o irmão dizendo que eles ainda iriam falar sobre.

— Oi Heitor! Está tudo certo para hoje?

— Tudo sim, vou ai te pegar depois do almoço, pode ser?

— Claro. — Respondia alegremente Fátima que tinha um lindo encontro com seu amado. “Tudo saindo como eu quero” Pensava a garota.

Ao chegar no horário combinado, Heitor chegava e os dois saíam em direção ao calçadão mais conhecido da cidade localizado na litorânea, lá havia um enorme espigão que andava no meio do mar. E assim, foram até o final dele enquanto viram o mar e as ondas tão relaxantes, eles se sentaram nas pedras que tinham em baixo, aquilo era lindo, Fátima se sentia no paraíso ainda mais na companhia de Heitor. Ele colocava musicas sugestivas em seu celular enquanto via a garota não demorou muito para que ele a puxasse com seus braços e calmamente iniciando um beijo, Fátima acariciava sua coxa enquanto se deliciava naquelas lábios macios e viciantes. Beijos e conversas se passaram e logo escurecia, o espigão começava a ficar vazio também.

— Vamos? — Indagava Heitor.

— E aonde vamos?

— Vem, quero te mostrar uma coisa. — E assim ele se levantou, enquanto os dois iam voltando, com seu skate ele se exibia e andava no espigão, o que só chamava mais atenção de Fátima.

— Eu sei tocar violão também sabia? Poderia tocar para você qualquer dia desses. — Continuava Heitor enquanto dava beijos carinhosos na bochecha de Fátima.

— Eu iria adorar. — E assim ela foi acompanhando ele que ia de skate até esse local que ele iria mostrar, não ficava longe e ainda era no calçadão, funcionava como uma pracinha e tinha um bar conhecido do lado.

— Vamos quero ver você tentar! — Dizia Heitor enquanto apontava para o skate.

— Não não… Eu não ando, já tentei e não gosto, não sei andar nisso tenho medo. — Justificava Fátima.

— Vamos, sobe. — Insistia Heitor e assim Fátima se viu na obrigação de ir, e com muito medo ficava toda dura em cima do skate mas dava pequenos passos nele.

— Não me solta, é sério! — Dizia ela enquanto segurava-se nele com muito medo de cair. Logo ele dá uma partida e a solta… E ela conseguia ir sem cair mas com muito medo e com alguns gritos que notoriamente eram disfarçados.

— Tá vendo, você conseguiu! É assim mesmo, vamos de novo… — Aquilo era praticamente uma aula mas Fátima não se sentia mesmo à vontade em cima do skate e logo saiu do mesmo.

— Não, não é pra mim isso. — E assim os dois riam enquanto sentava em um enorme circulo de área que servia como banco. Logo ela nota o rapaz meio distante e pensativo, então pergunta qual era o problema.

— Não é nada, um amigo meu está demorando pra trazer a maconha. — Dizia ele, bem Fátima já sabia que ele usava essas coisas, mas não sabia que era tão aberto assim.

— Não sei como você gosta, eu não uso nada disso, nem quero. — Dizia Fátima

— Eu uso a maconha como algo medicinal, para me sentir bem! Afinal muitos médicos usam a maconha para isso. — Dizia Heitor para se justificar e não ficar tão estranho.

— Eu sei, mas para usar um remédio precisa-se estar doente, porque todo remédio é cheio de contra-indicações e efeitos colaterais. — Heitor ficava em silêncio enquanto não parava de olhar o celular. Logo Heitor avistava Gustavo de longe e pede para Fátima esperar enquanto ele vai em direção ao seu amigo e conversam um pouco ele lhe entrega a maconha já enrolada no ponto de usar e assim ele volta para o circulo, dizendo:

— Você deveria experimentar, é muito bom!

— Não, obrigada. — Respondia friamente Fátima, enquanto acendia seu cigarro. E assim Heitor a acompanhava porem com seu novo recém-chegado. — Olha, eu acho que já tá ficando tarde, é melhor eu ir. — Dizia Fátima.

— Quer que te deixe até a parada de ônibus?

— Não precisa. — Dizia Fátima já se levantando.

— Pois eu faço questão. — E assim ele a acompanhou e esperou o ônibus da garota chegar. Ela ia ouvindo musica pensativa sobre sua relação e na duvida se realmente valeria a pena devido as mudanças de humor e o uso de drogas.

Enquanto isso Heitor volta para a mesma praça e vai com Gustavo ver o desfile de Daniela, as musicas tocavam bem alto e a festa começava de um jeito bonito, todos tão fantasiados… Belíssima e espetacular, Daniela, sambava com graça era a sensação da festa. E todos que ali estavam torciam por ela. “Ela está linda mesmo.” pensava Heitor. Ao terminar todo o samba e desfile, acontecia uma festinha particular para as pessoas desse carnaval… Heitor e Gustavo alem de beberem, consumiam todas as drogas imagináveis.

— Oi Heitor… Chegava Daniela o abraçando. Nossa, você está horrível. — Concluía ela.

— Eu estou ótimo, não está vendo? — Dizia Heitor rindo, muito chapado.

— Você vai dormir lá em casa hoje. — Dizia Daniela enquanto avista amigos e ia falar na outra mesa. Lá tocava muita musica e as mulatas começavam a sambar até sair o resultado de que a escola de samba de Daniela havia ganhado aquele campeonato, todos pulavam de alegria e jogavam a menina para cima festejando com muita felicidade. Por coincidência, Cristina e Theodoro também estavam nessa festa, e ela via todo o drama que o cercava.

— Aquele não é Heitor? — Perguntava Cristina para Theodoro, desconfiadamente.

— Sim, o conheço apenas de vista por festas, mas é ele sim.

— Nossa, ele está péssimo. — Analisava Cristina.

— Na verdade ele sempre aparece assim. — Dizia Theodoro, enquanto os dois começavam a dançar juntos. Ao som de “As novinhas tão sensacional — MC Romântico."

Depois de toda aquela loucura, Daniela levava seu amigo Heitor pra casa, ela também ia com seu amigo Gustavo e a beijava e apertava entre o caminho, Heitor ia dormindo no banco de trás.

“Querido diário, hoje foi um dia diferente, nunca pensei que passaria meu carnaval assim, não sei definir se realmente estou bem ou mal, não sei definir como foi esse encontro, parecia ótimo, não sei nem porque estou escrevendo aqui, é tudo tão confuso.” Escrevia Fátima em seu diário enquanto ficava pensativa em sua cama se preparando para dormir.

“Blin-blong, Blin-blong.” Tocava a campainha de Victor com certa insistência na casa de Victor, e ao ele atender dava de cara com Luiza. Dizendo:

— Precisamos conversar.

— Quem é você? — Ficava desconfiado enquanto começava a lembrar. — Ahh, você é aquela prima da Fátima, não é? Entre! — E assim Luiza acenava a cabeça e entrava em seu quarto de apartamento.

— Eu vim para falar sobre a Fátima. Só falo porque ela é minha prima e quero o bem dela. — Dizia Luiza com um feição preocupada.

— Ela não quer saber de mim, já sei. — Explicava Victor cabisbaixa.

— O quê? Não é verdade isso! É claro que ela gosta. Ela nunca te esqueceu, está meio confusa, mas você não pode deixá-la assim! — Dizia Luiza ao se sentar no sofá.

— Tem certeza disso? Pois, não é o que percebo.

— Eu não viria aqui se não fosse sério. Ela ainda está magoada com tudo, você precisa reconquistá-la, com certeza a terá de volta, pode confiar em mim. Se quiser eu te ajudo com isso.

— Obrigado por essas informações, mas só elas bastam, não preciso de ajuda para reconquistar uma mulher. — Explicava Victor mais confiante.

— Então, você vai continuar com seu plano?

— Agora que sei de tudo isso, não posso desistir dela, não é mesmo? Obrigado por me avisar.

— Tudo pelo bem da minha prima. — Concluía Luiza enquanto terminava de selar o pacto com Victor.

Ao amanhecer Heitor voltava pra casa logo cedo, sóbrio enquanto se despedia dos amigos agradecendo a atenção e ajuda, e assim ele voltava para casa pensativo e ao chegar sua mãe pergunta logo o que havia acontecido.

— Bom dia, mamãe!

— Onde você estava? Segunda tem sua aula! — Tentava entender a mãe do rapaz.

— Por aí… Bom, da mesma forma que você tomou essa decisão por mim, agora eu tomo a decisão de sair de casa. Vou morar com um amigo, tem um quarto que eu posso ficar e vai sair barato pra mim. Então, eu vou! — E assim Heitor ia para seu quarto para arrumar suas coisas e ir. Enquanto sua mãe ficava perplexa com tudo.