Bola demolidora
4 Episódio 4 - O amanhã já chegou.
Ainda lá fora, Heitor esperava uma resposta de Fátima, que parecia ter sido pega de surpresa com aquela “declaração”.
— Não Heitor. Eu não posso fazer isso… É tudo muito recente, e eu não estou segura. — Dizia Fátima.
— Você sabe que eu não insisto. Não gosta de mim? — Fátima ficava sem palavras e não queria demonstrar seus sentimentos logo de cara. Então, dizia:
— Olha, não é isso… É que eu acho se a gente for começar algo, não deveríamos começar por ai. Você só sente atração física por mim?
— Não. Mas creio que por ai seria melhor. Lembre-se que você é virgem e assim vai gostar 100% de mim. — Ele dava uma pausa enquanto via o rosto da menina processando aquilo, e assim ele continuava: — E eu de você, é claro. — Concluía com um sorriso de lado.
— Eu não sei. Não entendo.
— Eu faço isso, porque realmente gostei de você. Mas fica a seu critério, eu não insisto você sabe. Mas imagina todas as coisas que poderíamos viver juntos. Eu quero te mostrar… Quero que conheça o amor.
— Eu vou pensar, eu prometo. — Foi o máximo que Fátima poderia dizer aquela noite, muitas coisas estavam envolvidas principalmente crenças e outros conceitos moralistas. Se despediam com algumas carícias e sorrisos, a conversa foi longa mas se dependesse deles ficariam a noite inteira lá fora. Quando Heitor entrava no carro, ele a vê entrar em casa, ri e pensa: “Ela vai pensar minha proposta.”
Tudo que ele disse fez com que Fátima refletisse, principalmente sobre sua vida, e como sempre foi certinha, essa ideia estava fora de cogitação, mas algo nela quis arriscar tudo. Ao entrar em casa percebia seu irmão Miguel, mais triste do que o de costume, então ela se aproxima perguntando o que houve com ele.
— Não é nada. É o de sempre, pessoas me enganando e me fazendo de trouxa.
— Você está falando do trabalho? — Perguntava Fátima.
— Sim. — Respondia Miguel, tentando disfarçar.
— O que houve?
— Não posso contar, esse é o problema, e envolve muitas coisas. Por favor irmã, me deixe só com a minha dor. — E ao perceber sua expressão até desafiadora Fátima o abraça e volta para seu quarto sem entender muito os motivos de Miguel.
Um lindo dia finalmente chegava na mansão de Daniela que é acordada por uma de suas empregas por causa de uma ligação importante. “Quem será uma hora dessas” pensava Daniela, enquanto com seu roupão de seda descia para atender ao telefonema:
— Pronto?
— Querida, aqui é a escola de samba mais popular e estou lhe oferecendo o cargo de rainha da bateria nesse carnaval. Tem interesse de entrar no projeto? — E assim, ela tirava toda suas dúvidas sobre a proposta e ficava de ligar para confirmar sua resposta, era incrível como sua popularidade tinha aumentado. E como estava um pouco entediada, provável de que aceitaria a oferta.
Enquanto isso, Cristina aparece de manhã na casa de sua melhor amiga Fátima para falar sobre sua nova aventura.
— Confesso que ficamos preocupadas quando soubemos que você tinha ido assim sem mais nem menos. — Falava Fátima… E ao escutar a explicação tudo ficava mais claro.
— Acho que eu conheço esse garoto, estuda comigo e Luiza. — Comentava Fátima.
— Ele é muito gente boa, me diverti horrores ontem, poderia fazer isso todo santo dia, é sério.
— Cuidado amiga! Ai nem te conto, advinha só quem me procurou ontem…
— Quem? Cristina Arregalava os olhos de curiosidade.
— Victor. Ele é muito cara de pau, amiga por favor, eu não posso voltar com ele, e não quero que ele se aproxime. É sério Cris, ele ainda pode me causar muitos problemas com o… — Fátima dava uma pausa quando quase dizia o nome de Heitor.
— Com quem?
— Com os estudos, é claro! Sendo da mesma universidade, sei lá do que ele é capaz para me prejudicar. — Fátima dizia isso para que contornasse, ela ainda não queria falar sobre Heitor, sem ter uma certeza.
— Ele não irá amiga. Relaxe! Se ele te fizer algo, vai ver do que sou capaz. — E assim as duas riam. — Luiza, não irá para faculdade hoje? — Continuava Cristina.
— Eu acho que não, ela nem visualizou minha mensagem no whatsapp, deve ter acontecido algo muito sério, ou então ela deve ter bebido, sabemos como a Luiza é. — E assim Fátima se despedia da amiga e ia para sua aula.
Para tomar um delicioso café Heitor, Daniela e Gustavo se encontraram na cafeteria mais frequentada por eles.
— Eu estranhei Luiza não aceitar meu convite para tomar café com a gente. — Comentava Daniela na mesa.
— Ela deve tá gripada, ou algo assim, não é mesmo? — Dizia Heitor, mesmo desconfiando que o motivo seria não vê-lo. E Daniela como já conseguia entender tudo de longe, dava uma risada e balançava a cabeça em tom de deboche com o amigo.
— Com certeza foi uma “gripe.” — Concluía a Dj.
— Heitor, por que não foi para o bar ontem a noite? Você nunca falta. Já sei, é mulher, com quem você está transando? — Perguntava Gustavo em tom de descontração.
— Não estou com ninguém, não quero namorar agora. Se não fui ontem a noite, foi porque minha mãe não me dá mais dinheiro, e já gastei a mesada toda. — Dizia Heitor.
— Caramba cara, estamos no começo da mês ainda. — Falava em um tom surpreso.
— Gente, escutem! Eu quero que vocês me acompanhem no desfile da escola de samba, serei a rainha da batéria. — Dizia Dani
— Que maneiro! Com certeza irei. — Falava Gustavo, e ao olhar para Heitor dizia: — Espero que no próximo mês você pague o que me deve.
— Claro. — A resposta fria de Heitor servia tanto pra Gustavo como para Daniela. Nesse momento o garçom chegava com a conta e Heitor que sempre pagava se viu sem grana para isso. Daniela resolveu ajudar seu amigo e felizes os três iam se divertir no calçadão da litorânea.
Ao chegar na universidade, Fátima se esbarrava mais uma vez com Victor, fazendo com que derrubassem, sem querer, seus livros no chão.
— Nossa, você de novo? Quando era para aparecer ninguém tinha sinal. — Dizia Fátima farta da situação mas ainda sim o ajudando a recolher os livros.
— Estudamos na mesma universidade, será comum isso acontecer.
— Não se depender de mim. — Dizia ela enquanto se retirava dali. E ele a segurava no braço para que não saísse, e dizia:
— Por que está agindo assim? Por que não pode me perdoar?
— Me solta, tenho aula. Já te perdoei há muito tempo, só não quero nada que tenha relação à você. Não temos um futuro. — E assim ela se soltava e saía andando em direção a sua sala, enquanto deixava Victor pensativo.
(Lembrança de Victor, 4 meses atrás): Os dois deitados sobre a cama, se beijando apaixonadamente e ao chegar perto do sexo. Fátima dizia:
— Não, meu amor. É melhor a gente se controlar. Temos que esperar!
— É que você me deixa louco, eu estou muito feliz contigo. — Dizia Victor enquanto puxava sua garota e a beijava por todo pescoço.
— Eu também, e eu tenho certeza que o nosso amor vai durar para sempre. Mas é que eu sempre tive o sonho de pertencer a apenas um homem.
— Eu sei… E você é minha, toda minha. — Dizia Victor ficando mais excitado e a segurando pela cintura contra seu corpo.
— É sério Victor, não estou segura. Ainda somos muito jovens. E temos muito o que viver. Eu quero tudo isso com você, mas para isso preciso dessa prova de amor sua, de que conseguirá esperar. Você vive sumindo também, depois que acontecer isso tudo vai mudar. — E assim o clima de fogo entre os dois foi apagado. Fazendo com que Victor ficasse um pouco chateado e por fim disse:
— Eu te entendo. E vou provar ser esse homem para você. — E assim os dois se abraçavam. Finalizando assim sua lembrança.
No apartamento de Luiza, ela acaba de acordar, passou a noite em claro, com seu cabelo todo bagunçado, blusão e calcinha ia tomar seu café reforçado de modo que tivesse coragem de ir a algum lugar. E assim ela ficava pensativa entre seu café. "Eu fui uma boba, essa é a ultima vez que penso em você Heitor, acabou." Pensava Luiza, enquanto se lembrava.
(Lembrança de Luiza. 2 anos atrás): No parque de diversões finalmente Heitor e Luiza ficavam sozinhos.
— O que você queria me dizer, Luiza? — Perguntava Heitor desconfiado.
— É que eu queria te dizer uma coisa, mas como não tenho coragem, escrevi essa carta. — Mostrava para que Heitor lesse. Era uma carta de amor, falando o quanto ela gostava do rapaz desde muito tempo. Ele lia
— É sério isso? — Perguntava enquanto olhava nos olhos de Luiza. Nesse momento, Daniela chegava agarrada com um amigo, vinham de um brinquedo do parque que eles tinham ido, e ao perceber a cena... Dan, começava a rir.
— Heitor você caiu direitinho. Essa carta eu e Luiza fizemos para te zoar por ser primeiro de abril. É mentira! Não é, Luiza? — E sem saber o que fazer Luiza confirmava que era mentira, mas na verdade ela tinha feito de todo coração… Aquilo fez com que todos descontraíssem mas que era algo muito sério para Luiza. Ao ver Daniela sozinha, Luiza a abordou e indagou:
— Por que você fez isso, sua estúpida?
— Querida, relaxe! Não é hora. Eu te salvei de um constrangimento. Heitor não iria corresponder você. — Explicava Daniela.
— E por que não?
— Ele está com outra, agora não me pergunte pois eu prometi que não diria nada.
— Ai amiga, então muito obrigada por ter feito isso. — As duas se abraçavam enquanto Daniela tentava segurar seu riso. Pois "a outra" na realidade era ela. E assim finalizava a lembrança de Luiza
Depois de deixar escorrer uma lagrima, Luiza se arrumava rapidamente e ao pegar a chaves do carro, saía.
Começava a anoitecer e Cristina esperava Theodoro lá fora como de costume e ele chega em sua moto e ao tirar o capacete ela o vê com os olhos vermelhos, como se estivesse chorado. E estranhando isso, ela se aproxima e pergunta.
— O que houve contigo? Parece triste.
— Nada não. Umas coisas aí, não se preocupe. — Dizia ele enquanto entregava o outro capacete para a moça.
— Pode me dizer. Eu sei que não está tudo bem. — Ele ficava pensando e depois de uma pausa a respondia.
— Fiz coisas que me arrependo. Coisas no passado de que não me orgulho. Espero que me perdoe. — Explicava Theodoro.
— Mas que coisas são essas? — Ficava cada vez mais curiosa e na dúvida.
— Não importa mais, e eu não estou no clima de dizer, me perdoe… Você vem ou não? — Nesse momento chegava o pai de Cristina e surpreendia a filha perguntando.
— O que está fazendo essa hora aqui fora? — Ela assustada, tentava se explicar.
— Papai, não é nada! Esse é Theodoro um colega da faculdade que vai me levar para aula.
— Você me disse que iria no ônibus. Que história é essa? — O pai ficava com feições cada vez mais intimidadoras.
— Eu sei, mas é que hoje não teve ônibus por preparações de carnaval e Theo se ofereceu para me buscar, ele mora aqui perto papai, é só isso! — Mesmo nervosa ela conseguia dar essa explicação, Theodoro balançava a cabeça dizendo que sim confirmando toda a história de Cristina.
— Hum. Então vão logo antes que cheguem atrasados! — E assim ela subia na garupa da moto de Theodoro e assim partiam.
Na casa de Heitor a campainha tocava e sua mãe gritava para que ele atendesse. E assim foi, quando ele a atende, vê Fátima.
— Oi meu amor. — Ele saía e ia falar com ela do lado de fora, a menina estranhou tal comportamento, mas não questionou. — Está uma bagunça, fora que minha mãe tá arrumando a casa e você já sabe né? — Prosseguia Heitor.
— Tudo bem! — Dizia Fátima ainda meio tímida, Heitor sorria e a deixava mais a vontade. Então, mas uma vez ele tocou no assunto.
— Você pensou sobre o feriado?
— Sim, eu pensei. E vim dizer que não posso fazer isso. Não quero que me leve a mal, mas nos conhecemos há pouco tempo, são experiências muito marcantes pra mim. Não temos nada definido também, e assim eu não posso. — Dizia Fátima
— Hum, tudo bem, então!
— A gente poderia sair, mas para dormir... Melhor não.
— Do que você tem medo? — Ele fixava nos olhos dela e se aproximava mais, a encostando na parede enquanto seu rosto se aproximava do dela. Fátima não conseguia responder a pergunta. Como a noite já havia chegado, devido a pouca iluminação da rua e com um certo frio, sugeria o clima perfeito. Fátima o segurava pela camisa e o beijava lentamente. — Não quero que tenha medo de mim. Vamos sair sim, eu te ligo, ok? — Concluía Heitor e assim Fátima se despedia dele e ia para casa feliz da vida, ele era muito rápido no beijo, mas com tudo que tinha acontecido o tornou único e especial. Luiza que estava passando pela rua avistou os dois se beijando, mas resolveu sair dali antes que alguém percebesse, a loira ficava chocada em saber que na realidade era sua prima de quem Heitor se referia para namorar.
Theodoro ia estacionando sua moto e guardava as coisas enquanto Cristina descia da garupa. Ela olhava para um lado e para outro e perguntava:
— Onde estamos?
— Aqui é um bar conhecido, hoje vamos dançar e nos divertir. — Dizia ele enquanto de mãos dadas entravam naquele recinto.
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