Boina Verde
5 Capítulo 4: E que se comecem os jogos!
Notas iniciais
Nós fomos para o campo, que era grama e amplo, para começarmos as nossas atividades.
- Em posição, novatos. – eu ordenei e todos ficaram em posição, fazendo duas filas.
Eu olhei um por um. Agora sim... nós começaríamos o treinamento.
Os novatos estavam parados na minha frente. Todos estavam com os peitos estufados, as mãos para trás e as pernas levemente separadas.
Atrás de mim, estavam os ‘boinas verdes’. Eu nem precisava olhar para saber que eles estavam na mesma posição que os novatos. Com uma diferença: eles mantinham a cabeça erguida. Demonstrando orgulho por ser um ‘boina verde’.
- Antes de começarmos o treinamento, eu vou falar algumas coisas para os senhores. – eu comecei com meu discurso de sempre, olhando atentamente para todos os novatos.
Esperei alguns segundos pela resposta deles, mas os idiotas ficaram calados. Eu não tinha saco para tanta incompetência.
- Quando eu falar algo e vocês entenderem, digam “Sim senhora” ou “Não senhora”, seus incompetentes de merda! – eu disse já sem paciência.
- Sim senhora. – eles finamente me responderam.
- Muito bem. – eu falei sem emoção e continuei – Os senhores sabem que estão aqui para se tornarem membros das Forças Especiais, certo?
- Sim senhora. – eles responderam novamente.
Bem... pelo menos eles aprendiam rápido.
- E os senhores também sabem que somente os que terminarem o treinamento se tornarão boinas verdes. – eu falei.
- Sim senhora.
- Pois bem. Eu quero deixar bem claro que os senhores não são bem vindos aqui!!! – eu gritei dando um passo para frente – Do mesmo jeito que vieram, com certeza irão embora!!! Pois nenhum... nenhum de vocês, novatos de uma merda, são bons o suficiente para serem boinas verdes!!! Os senhores não passam soldadinhos de merda! Incompetentes! Burros! Os senhores jamais serão boinas verdes! Jamais!
Agora era a hora de eles perceberem onde haviam se metido... e se arrependerem.
- Jamais! – os ‘boinas verdes’ gritaram atrás de mim.
Eu, como todos os ‘boinas verdes’, adorava esse momento... em que a ficha deles começava a cair.
- Quem tiver amor à vida, pode ir embora agora!!! – eu gritei mais uma vez percorrendo o olhar para todos os novatos – Porque quem ficar, vai se arrepender amargamente!!! E eu vou fazer questão de que se arrependam.
Eu percebi que o maldito do Royce tinha um meio sorriso no rosto, como se achasse tudo muito engraçado.
Aquela era uma ótima oportunidade de começar com meu plano. Então, eu fui na direção dele.
Eu queria ver se ele continuaria achando alguma coisa engraçada depois que eu tivesse acabado com ele.
Eu parei de frente para ele. Estávamos muito perto um do outro. Assim que eu olhei nos olhos dele, o maldito perdeu o sorriso e parou de respirar.
- Vai desistir novato? – eu perguntei.
- Nã... não senhora. – o desgraçado me respondeu desconcertado.
Mas nos seus olhos eu via que ele não tinha medo de mim. Ele apenas não esperava que eu chegasse tão perto dele.
Só que eu queria que ele tivesse medo de mim. E ele teria.
Eu dei um passo para trás e o idiota respirou aliviado, achando que eu não faria nada com ele. Mas ele estava errado.
Eu o olhei rapidamente e dei um soco bem no seu nariz. Pelo barulho, eu acho que quebrei o nariz do maldito. Ooops... acho que calculei errado a minha força.
Royce se curvou de dor e eu vi o sangue jorrando. Ótimo. Vamos ver quem ri agora.
- E agora? Vai desistir? – eu o perguntei.
- Não, senhora. – ele mais gemeu de dor que me respondeu.
E pior que choramingar igual a uma menina, era ficar curvado, sem me olhar nos olhos. Eu gostava de olhar as pessoas nos olhos. Aprendi com meu pai. É a melhor maneira de vencer um inimigo é olhá-lo nos olhos sem medo... sem receio.
- Eu não escutei novato! – eu falei alto. Eu sabia que era desnecessário, mas eu queria humilhá-lo – Fale como um homem!
Com dificuldade, ele ficou com a postura reta, me olhando, enquanto o sangue continuava escorrendo pelo seu rosto.
- Não senhora! – ele me respondeu com um pouco mais de firmeza.
Mas pelos seus olhos, eu sabia que ele ainda não estava com medo. Não do jeito que eu queria. Então, eu dei um murro no seu estômago e ele se contorceu todo de dor.
- Você não serve para ser um ‘boina verde’. – eu falei com todo desprezo que eu sentia por ele – É apenas um soldado de merda! Desista antes que eu acabe com você.
- Não senhora! – ele me respondeu com verdadeiro medo.
Excelente! Era exatamente isso que eu queria dele. Medo. Pavor. Queria ele aterrorizado igual Rose ficou por tanto tempo.
- O senhor acha que só porque seu pai é um merda de um Tenente General, você terá alguma regalia aqui? – eu o perguntei.
- Não senhora. – ele respondeu.
- É bom saber mesmo, novato idiota! Pois seu “papai” não será capaz de te salvar de mim! Eu sou o seu pior pesadelo. – eu falei com todo ódio que eu sentia por ele.
Ele arregalou os olhos de pânico, mas não conseguiu falar nada. Ele realmente estava apavorado.
Primeiro passo do plano: concluído.
- O senhor entendeu? – eu perguntei internamente feliz com as suas reações.
- Sim senhora... eu entendi. – ele respondeu.
Eu me aproximei dele, colocando as mãos em seus ombros. Olhei para o Cullen, que estava do nosso lado só para saber a reação dele.
Agora era só para os novatos não se esquecerem com quem eles estavam mexendo, eu pensei dando um sorriso.
Então, eu sei uma joelhada no saco de Royce, que caiu no chão chorando igual a um bebê chorão.
Quando se é mulher no exército, você aprende a lidar com os pontos fracos dos homens para se fazer forte. E chute no saco era um ponto fraquíssimo deles.
- Eu sei quem você é! E esteja avisado que eu sei ser tão baixa e suja quanto você. – eu o ameacei.
Do meu lado, eu vi que Jacob e Angela iam ajudar o Royce, mas antes que eles chegassem até a nós, eu os impedi, os mandando parar com a minha mão.
- Fiquem em seus lugares. – eu ordenei.
- Ele precisa ir á enfermaria, General. – Angela argumentou.
Mas ele não iria mesmo à enfermaria. Ele não chegaria perto de Rose.
- Um verdadeiro ‘boina verde’ não precisa ir à enfermaria por causa alguns machucadinhos, não é mesmo novato? – eu perguntei.
- Sim, senhora. – ele me respondeu mais por medo – Eu estou bem.
- Viu? O novato está bem. – eu falei para os ‘boinas verdes’ e olhei para Royce, que ainda estava no chão – Agora aja igual a um homem de verdade e se levante. Ah! E limpe esse sangue. Nós vamos começar o treinamento e eu não quero mais perder o meu tempo com soldadinhos de merda.
Ele se levantou com dificuldade e ficou em posição. Tudo por medo. Era nítido em seu olhar.
E meu ódio por ele transbordava. Mas eu precisava ter frieza nesse momento... e eu teria.
- Hale, você é o responsável por essa atividade, então comece logo. – eu ordenei – Brandon, venha comigo! Agora!
Eu me virei e saí para o meu escritório. Eu sabia que Alice me acompanharia, então, nem precisei olhar para trás.
Eu cheguei ao escritório e me sentei na minha cadeira. Segundos depois, Alice entrou na minha sala e fechou a porta.
Ela se sentou na cadeira e ficou me olhando, esperando que eu falasse o que eu queria.
- Eu quero que você vigie o King II 24 horas. – eu falei para ela.
- O que está acontecendo Bella? – Alice me perguntou.
- Eu não posso te responder por enquanto. – eu disse – Mas preciso da sua ajuda.
- Pode contar comigo. – ela disse sorrindo – Para o que der e vier.
Eu sabia que podia confiar em Alice. E ela seria perfeita para me ajudar.
- Ótimo! – eu falei – Fique de olho nele e me comunique de tudo que ele fizer.
Ela assentiu, me olhando atentamente.
- Eu sei que alguma coisa está acontecendo. – ela disse com cumplicidade – E saiba que você pode contar comigo para qualquer coisa.
- Eu sei Alice. Obrigada. – eu a respondi.
-Precisa de mais alguma coisa? – ela me perguntou.
- Não. Está liberada. – eu falei e ela se levantou da cadeira e foi embora.
As coisas estavam caminhando exatamente como eu queria. E logo chegaria o momento da minha vingança.
Mas já estava na hora de parar de pensar no maldito do Royce, afinal, eu tinha um treinamento para comandar. Então, liguei para o General Uley e o informei que alguns medicamentos ainda não tinham chegado na fazenda.
Depois de alguns minutos de conversa, ele me garantiu que até amanhã o problema estaria resolvido.
Depois que desliguei, eu comecei a fazer o relatório de cada novato. Escrevi a resistência a dor de cada um e algumas outras anotações pertinentes.
Assim que eu acabei, eu fui para a cozinha. Assim que entrei, vi Zafrina, que estava preparando o almoço.
- Zafrina? – eu chamei.
- Oi menina! – ela me respondeu sorrindo, como sempre.
- Eu preciso de material de limpeza no banheiro comunitário para três novatos. – eu a comuniquei.
- Tudo bem. Já vou providenciar. Quer comer um muffin que eu fiz? – ela me perguntou.
- Não. Eu preciso ir até o campo. – eu falei – A Caça ao Tesouro já deve estar perto de acabar. Mas guarde alguns para mim.
Ela assentiu e eu saí da cozinha e fui para o campo, aguardar o término da atividade. Essa atividade que estava acontecendo era chamada de Caça ao Tesouro.
Os novatos eram divididos em grupos, conforme suas cabanas. As equipes tinham que seguir as três pistas até chegar à vítima, que era o nosso “mascote”, mas conhecido como nosso boneco John, e salvá-lo.
O problema é o que eles tinham que fazer para conseguir as pistas. Primeiro, eles tinham que fazer um percurso de 250 km a cavalo sem sela. Depois, eles tinham que passar por teias de arame farpado para conseguir a segunda pista.
E por último, eles tinham que mergulhar em um lago cheio de sanguessugas para conseguir a última pista, que os levava até a cabana onde estava John.
Só que John era vigiado por um ‘boina verde’... ou seja, os novatos teriam que passar por um de nós para conseguir salvar John.
Eu cheguei ao campo e vi Alice, Jasper, Emmett e Angela.
- O Tenente Black ficou como o guarda do John. – Jasper me avisou e eu apenas assenti.
Ele se aproximou de mim.
- Tudo bem? – ele perguntou.
- Tudo. – eu falei sem dar a oportunidade de ele me perguntar o que tinha acontecido para eu bater tanto no novato já no primeiro dia de treinamento.
- O primeiro grupo chegou. – Alice falou olhando para os novatos que se aproximavam.
Era o Cullen, o Newton e o Crowley. Cullen e Newton estavam sem camisa, usando somente a calça preta do treinamento.
O Cullen carregava John nos ombros. Eu o olhei atentamente.
Ele ainda estava molhado e as gotas de água escorriam pelo seu abdômen bem definido. O cabelo meio molhado ficou ainda mais rebelde. Como defini-lo em uma palavra? Gostoso.
Eles se aproximaram ainda mais e eu vi que um deles estava machucado.
- Brandon, leve o novato machucado para a enfermaria. – eu disse olhando para o braço quebrado do novato.
Alice apenas assentiu e foi com o Crowley para a enfermaria. Enquanto o Cullen colocava John, o boneco, no chão.
- Missão cumprida. – Newton falou estufando o peito, como se tivesse ganhado uma guerra.
- Não fez mais que a sua obrigação, novato. – eu falei – Ou o senhor quer receber “Parabéns”?
- Não senhora. – ele me respondeu perdendo rapidamente toda a sua pose.
Eu olhei para os novatos sem camisa. Os dois tinham um corpo definido, como a maioria dos soldados... mas o Cullen era simplesmente delicioso. Ele tinha jeito de homem... de macho. E era extremamente sexy.
Eu balancei a cabeça. Acho que Jasper estava certo. Eu realmente preciso transar... e rápido. Onde já se viu ficar babando por um novato?
- Cadê a camisa dos senhores? – eu perguntei.
- Nós usamos para fazer a corda para tirar Tyler do buraco, senhora. – Newton respondeu imediatamente.
- Por um minuto pensei que haviam desistido de serem ‘boinas verdes’ e decidiram ser strippers. – Emmett falou brincando.
- Gosta do que vê, McCarty? – eu perguntei.
Porque eu certamente estava gostando.
- Não senhora. – Emm resmungou.
O Coronel Hale e a Major Brandon e a Weber começaram a rir dele.
- Weber, traga duas camisas para os novatos, antes que McCarty não consiga se controlar e os ataque. – eu ordenei.
O pessoal riu ainda mais de Emmett, enquanto Angela assentia a minha ordem e saía.
- E o Tenente Black? Cadê ele? – Emmett perguntou.
O Cullen respirou fundo e passou a mão pelo cabelo. Ele estava visivelmente nervoso. Ou seja, alguma coisa tinha acontecido.
- Eu o deixei desacordado na cabana, senhor. – ele falou por fim.
- Você o quê, novato? – eu perguntei.
- O Tenente Black estava lá?– Newton perguntou sem saber de nada que estava acontecendo – Eu não o vi...
Eu olhei para o Newton e depois para o Cullen e arqueei minha sobrancelha, querendo uma resposta.
- Acho melhor você nos contar o que aconteceu, novato. – eu falei.
- Sim senhora. – ele respondeu – Quando Tyler caiu no buraco, eu e Mike conseguimos o pegar. Só que nós estávamos perto demais da cabana. Então, eu mandei Mike ficar com Tyler enquanto eu pegava o boneco. Mas antes eu verifiquei e não vi nenhum perigo em deixá-los lá. Chegando à cabana, o Tenente Black estava lá. Ele partiu para cima de mim e nós brigamos. E eu o deixei desacordado na cabana e peguei o boneco.
Enquanto ele contava, eu percebia o quanto ele era diferente dos outros novatos. Eu não sei dizer, mas ele parecia ser treinado de alguma forma. E não esses treinamentos do exército... além do mais, ele enfrentou Jacob sozinho e conseguiu o deixar desacordado.
E sabia que o Cullen tinha ganhado um inimigo nesse treinamento. Pelo que conhecia de Jacob, ele não aceitaria perder para um novato.
Quando ele acabou de contar toda a história, todos ficaram em silêncio.
- Os senhores precisam ir à enfermaria? – eu perguntei.
- Não senhora. – os dois novatos responderam.
- Então, vamos esperar pelo outro grupo. – eu falei me afastando deles.
Depois de alguns minutos, o outro grupo chegou com Black, que estava com o lábio e o supercílio cortados.
Ele olhou para o Cullen com raiva. É... ele realmente tinha ganhado um inimigo. De longe, eu apenas olhava a cena, percebendo como cada novato se portava.
- Em posição, novatos. – Jasper gritou.
Ele era o responsável por essa atividade, então ele que tomava a frente de tudo.
Os novatos entraram em posição, fazendo duas filas, como antes.
- O grupo vermelho foi o primeiro a chegar e trouxe a vítima. – Jasper disse – Por isso, é a equipe vencedora. A equipe azul...
- Desculpe, Coronel. – Black o interrompeu e eu o encarei curiosa para saber o motivo de tal interrupção – Mas a equipe vermelha se separou, quebrando as regras do jogo. Eles devem ser desclassificados.
Todos ficaram sem saber o que fazer. Eu apenas olhei para Jacob.
- Um momento, novatos. – eu falei – Venham aqui agora ‘boinas verdes’.
Eles se juntaram perto de mim.
- Eles merecem ser desclassificados, General. – Jacob falou.
- O Cullen me explicou o que aconteceu e eu, responsável pela atividade, achei a atitude dele certo. – Jasper se explicou.
- Eu concordo com o Hale. – Emmett falou.
- Eu também. – a Weber falou – Ele teve a atitude que qualquer um de nós teria.
- Mas a regra era clara. – Jacob disse.
- Já chega! – eu falei encerrando a discussão – Eu concordo com o Coronel Hale. E você Tenente – eu falei olhando para Jacob – Jamais contrarie a ordem de um superior. Principalmente na frente dos novatos.
- Sim senhora. – Jacob falou e se virou, saindo do campo.
Eu fui até os novatos.
- A equipe vermelha é a vencedora. – eu os informei – E como prêmio, terão direito de almoçar. Os vencedores se dirijam imediatamente ao refeitório. Quanto aos perdedores, os senhores irão imediatamente para o banheiro comunitário para limpá-lo. O material de limpeza já está lá, aguardando os senhores.
Dada à ordem, eu fui até a enfermaria, para saber como o novato estava e Alice me acompanhou.
Nós chegamos lá e vi que Rose já tinha imobilizado o braço do novato, que agora dormia, provavelmente depois de tomar algum remédio.
Rose estava sentada em sua mesa, analisando alguns documentos. Ela levantou a cabeça, nos viu e sorriu.
- Como ele está Rose? – Alice perguntou.
- Ele quebrou o braço em dois lugares. – ela disse e me olhou.
- Sim, eu já sei o que fazer. Eu tomarei as providências necessárias. – eu falei sentando na cadeira e já pegando o telefone.
Eu liguei para o hospital mais próximo e pedi a transferência dele. Eu sabia que não teríamos como trata-lo... afinal, aquilo era uma enfermaria e não um hospital.
Falei diretamente com o diretor do hospital e ele me assegurou que já estava mandando a ambulância.
Por causa do nosso treinamento e pela quantidade de novato machucado, eu passei a conhecer todos os médicos e até o diretor do hospital.
- Você vai almoçar Bella? – Alice me perguntou quando eu desliguei o telefone.
- Agora não. Eu não estou com fome. – eu a respondi.
- Estou indo então. – ela me disse e eu sabia que ela iria vigiar Royce, como eu tinha pedido.
- Pode ir. Eu ainda tenho algumas coisas para fazer por aqui. – eu falei – E não se esqueça de pegar os pães com Zafrina para o fim da atividade da tarde.
Alice ela assentiu e saiu da enfermaria
Assim que fiquei sozinha com Rose, a não ser pelo novato que estava dormindo, eu a olhei e segurei sua mão, por cima da mesa.
- Você está bem? – eu perguntei.
- Estou. – ela disse com os olhos cheios de lágrima – Um pouco nervosa por estar tão perto dele.
- Fique tranqüila. Ele não vai te fazer mais mal nenhum. – eu assegurei a ela.
- Eu sei. Eu confio em você Bella. – ela disse e o novato resmungou.
- Cuide da transferência do novato para o hospital Rose. Qualquer coisa que precisar, eu estarei com os novatos no campo. – eu falei.
- Tudo bem. Eu falei. – ela disse.
Eu assenti e saí da enfermaria.
Antes que os novatos chegassem para a próxima atividade, eu fui ao campo e verifiquei se estava tudo pronto.
As armas já estavam carregadas, os cartazes em tamanho real com vários personagens estavam prontos e os cabos que levariam os cartazes até as árvores onde os novatos ficariam também.
Essa atividade era simples, mas de extrema importância, pois eu iria analisar a mira e capacidade de cada um.
Assim que os novatos chegaram, eu fiquei de frente para eles.
- Em posição, novatos. – eu ordenei.
E eles imediatamente me obedeceram.
- Os senhores farão agora uma atividade simples agora. Cada um ficará em cima de uma árvore com um fuzil em mãos. O objetivo é matar o nosso inimigo: os membros da Cosa Nostra. Vocês os distinguirão dos civis por esse símbolo. – eu falei mostrando o símbolo da Cosa Nostra a eles – Vence quem matar 20 inimigos. E serão desclassificados aqueles que atirarem em civis. Alguma dúvida?
- Não senhora. – eles me responderam.
- Subam cada um nas árvores marcadas que começaremos a atividade. – eu falei.
Eles assim fizeram e eu entreguei o fuzil para cada um. E a atividade começou.
Eu prestava atenção na maneira que os novatos se concentravam na atividade. Todos pareciam desconfortáveis nas árvores e ansiosos para atirar, exceto o Cullen.
Diferentemente dos outros, ele apenas se ajeitou na árvore. Ele não parecia nem um pouco ansioso para “matar” os inimigos.
Claro que o imbecil do Royce foi o primeiro a sair. Atirou no cartaz que tinha uma freira.
Logo em seguida, Eric e Bem foram desclassificados, ficando apenas o Newton e o Cullen.
Os dois agüentaram firme por horas. O sol já tinha se posto e as luzes do campo haviam sido acessas. Eu estava impressionada com eles.
Alguns minutos depois, apareceu um cartaz de uma menina com a cara de brava. Mike atirou e acertou. Mas infelizmente era um civil e ele foi eliminado.
Agora só faltava o Cullen. Apareceram quatro cartazes ao mesmo tempo, sendo que apenas um deles era o inimigo.
Ele analisou rapidamente cada cartaz e sem hesitar atirou no cartaz que tinha uma mulher que segurava um bebê, acertando a testa da mulher... e ganhando a atividade. O símbolo do Cosa Nostra estava na manta da criança.
Impressionante.
Ele desceu da árvore e caiu a poucos passos de onde eu estava.
- Boa mira, novato. – eu disse – O senhor teve 100% de aproveitamento na atividade.
- Obrigado General. – ele respondeu.
Eu o olhei atentamente. Ele me olhou diretamente nos olhos e não desviou. Seus olhos verdes me olhavam com curiosidade.
Os olhos são o espelho d'alma. Minha mãe dizia. E eu aprendi com meu pai que isso era verdade.
Quase sempre podíamos ver os sentimentos das pessoas apenas por um olhar. Mas o olhar tão verde e tão penetrante do Cullen me deixava confusa.
Todos os meus sentidos me mandavam ficar alerta com ele... como se ele fosse perigoso de alguma forma.
Além do mais, eu ainda estava impressionada com o comportamento frio dele durante toda a atividade.
Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas foi interrompido pelos outros novatos que se aproximavam de nós.
Eu apenas me virei e saí de perto dele, indo na direção dos ‘boinas verdes’.
- Brandon. – eu chamei Alice.
- Sim senhora. – ela me atendeu prontamente.
- Trouxe os pães? – eu perguntei.
- Sim senhora. – ela assentiu me mostrando o saco de papel em sua mão.
- Ótimo. Então vamos encerrar as atividades por hoje e entregar o jantar dos novatos. – eu falei.
Nós duas fomos até onde os novatos estavam.
- Em posição, novatos. – Alice gritou e eu me posicionei ao seu lado.
Os novatos entraram em posição e ficaram aguardando a próxima ordem.
- Esse foi o primeiro dia de treinamento. – Alice falou dramática como sempre – E que decepção!
- Sim! Os senhores se mostraram uma grande decepção. – eu disse.
- Isso só reafirma que os senhores são um bando de merda. – Alice falou e os novatos arregalaram os olhos.
- Isso reafirma que os senhores não servem para nada... Nada! Quem dirá proteger o nosso país. – eu falei e olhei para Alice – Brandon, a senhora já viu grupo pior de novatos?
- Não General. – ela respondeu – Eles definitivamente são os piores que já tivemos aqui. Incompetentes e inúteis.
Eu corri os olhos pelos novatos com desprezo.
- Vou perguntar pela última vez: algum dos senhores quer desistir do treinamento? – eu perguntei.
- Não senhora. – todos responderam juntos.
- A escolha é dos senhores. Amanhã eu não serei tão condescendente quanto fui hoje. Estejam avisados. – eu os adverti.
Essa era a hora deles desistirem, porque a partir de amanha eu faria a vida deles um inferno. Sem mais delongas, eu peguei o saco com Alice e joguei no chão.
- Aqui está o jantar dos senhores. Façam bom proveito. – ela disse olhando para cada novato – Depois de comer, tomem um banho e se dirijam imediatamente ao dormitório.
Eu e os ‘boinas verdes’ saímos para o refeitório. Apesar de os novatos terem para comer apenas um pão com manteiga de ontem, Zafrina tinha preparado sua lasanha especial para nós.
Jantamos juntos e depois eu fui correndo para minha cabana. Na verdade, eu corri para fugir de Jasper. Eu sabia que ele queria conversar comigo sobre a minha atitude com Royce, mas eu ainda não estava disposta a ter essa conversa com ele.
A minha cabana era mais afastada de todas... perto do lago. Era meu lugar favorito em toda fazenda.
Tomei um banho quente no meu banheiro e me deitei na minha cama. Fiquei olhando para o teto pensando em cada novato... nas suas falhas e nos seus pontos positivos.
Até que, por cansaço, fechei os olhos e imediatamente me veio à mente um par de olhos verdes... e então, eu dormi.
Notas finais
Espero que vocês tenham gostado desse capitulo... e próximo capitulo será o primeiro contato entre os dois...
E só para avisar... eu postarei Cosa Nostra provavelmente semana que vem...
Obrigada pelos reviews... eu amei todos!!!
Bjossssssssssssssss
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