Boina Verde
7 Capítulo 6: Castigo
Notas iniciais
Bjos e nos vemos no final...
Boa leitura!
Eu já sabia que os novatos não conseguiriam concluir a prova do rouba bandeiras, então, já havia preparado o castigo deles.
Eu os mandei para o lamaçal que havia na fazenda.
- Os senhores estão vendo este relógio? – eu perguntei apontando para o relógio preso em uma das árvores.
- Sim senhora. – eles me responderam.
- Vocês farão uma caminhada de quatro horas pelo lamaçal. – eu disse – Esse é o castigo por não terem atingido o objetivo na prova. Os senhores são mesmos uns fracos filhos de uma puta. Merecem mesmo estar em um lamaçal.
- Sim senhora. – eles me responderam – Comecem a caminhar. E eu quero que vocês cantem uma musiquinha para animá-los.
“Eu sou incompetente.
Eu sou um idiota.
Perdi pr’um ‘boina verde’
E agora eu sou chacota”.
Eu me mantive impassível, apenas observando todos os novatos. Eu estava na posição que meu pai me ensinou desde cedo: coluna reta, braços cruzados sobre o peito e cabeça erguida.
Sempre que um novato idiota tentava parar ou diminuir a velocidade, eu chamava sua atenção.
Nesse ínterim, o sol se pôs, escurecendo o lamaçal. As luzes do campo acenderam e o Jasper e Alice acenderam uma lanterna enorme para nos ajudar a examinar melhor os novatos.
Depois de um tempo, Jasper se aproximou de mim.
- Eu preciso conversar com você agora. – ele disse em meu ouvido – E eu não aceito um não como resposta.
Eu o conhecia bem demais para saber que não tinha como fugir dele. Então, eu assenti, deixando Alice no comando do castigo.
Eu e Jasper fomos para a minha cabana.
- O que está acontecendo com você Bella? – ele perguntou assim que entramos em meu quarto.
- Não sei do que você está falando. – eu desconversei.
- Eu te conheço bem demais para se fazer de desentendida. – Jasper me advertiu – O que está acontecendo entre você e o novato Cullen? Eu percebi o que aconteceu na prova. Aliás, todos perceberam.
- Nós brigamos pela bandeira. – eu menti dando os ombros.
- Pois vocês pareciam que iam se beijar a qualquer hora. – ele argumentou sério – O jeito que vocês se olhavam...
- Jasper, você sinceramente acha que eu vou me envolver com um novato? – eu disse debochada.
A ideia era mesmo ridícula. Até eu me lembrar quem era o maldito novato. Merda.
- Eu e Lice estavámos comentando. Faz um tempo que eu não te vejo mais com Bill. – ele comentou.
Bill Jackson era um capitão da polícia. Um bom colega. Às vezes nós saíamos... às vezes transávamos, mas nada com compromisso. Nosso relacionamento era assim. Sem qualquer pressão... mas, depois de um tempo, ele quis algo a mais e eu não podia dar a ele o que ele queria e merecia.
- Ele quis dar um passo a mais no nosso relacionamento. – eu disse me justificando.
- E você o cortou. – Jasper concluiu me reprovando.
Eu assenti.
- Você não pode afastar todo mundo da sua vida assim Bella. – ele disse carinhosamente se aproximando de mim – Você merece alguém. Alguém que te faça feliz, assim como Alice me faz feliz.
- Não Jazz. – eu neguei veementemente – Eu tenho outras prioridades.
- Bella...
- Já chega dessa conversa. Eu já te falei o que você queria saber. – eu falei dando a conversa por encerrada – Eu vou tomar um banho e já volto para a atividade.
Jasper me conhecia demais para saber que não adiantaria ele me pressionar.
- Eu também vou tomar um banho e te pego aqui para voltarmos juntos. – ele disse e eu assenti.
Tomei um banho gelado tentando não pensar no novato e coloquei meu uniforme de treinamento,
Jasper passou no meu quarto e nós voltamos para o lamaçal. Os novatos estavam acabando de sair quando chegamos.
– Em posição, novatos. – eu ordenei gritando.
Lentamente, eles entraram em posição. Eu bufei sem paciência. Porra... uma tartaruga era mais rápida que eles!
Eu me aproximei deles.
- Descansar. – eu ordenei e eles me obedeceram imediatamente – A cada dia que passa, eu me pergunto o que os senhores acham que estão fazendo aqui? Por acaso, os senhores estão pensando que estão um acampamento de férias?
- Não senhora. – eles me responderam.
- Pois cada dia que passa, eu tenho cada vez mais certeza que os senhores são uns incompetentes. – eu disse.
- Sim senhora.
- Eles concordam com você, General. – Jazz falou com desdém só para provocá-los – Eles mesmos sabem que são incompetentes.
Alice e Angela riram debochadas. Nós adoravamos esses treinamentos... os novatos pareciam uns cachorrinhos bem treinados.
- Tomem um banho rápido e depois, os senhores estão liberados para jantar. – eu os liberei e fui embora, seguida pelos outros ‘boinas verdes’.
...
Depois do jantar, eu estava reunida com os demais “boinas verdes” em meu escritório, os informando das atividades do dia seguinte.
De repente, a porta se abre e Zafrina entra pálida no escritório.
- Os novatos estão brigando menina. – ela disse com dificuldade por causa da respiração desregular. Provavelmente ela tinha corrido para me alertar sobre o que estava acontecendo.
- Onde? — eu perguntei.
- Na porta de uma das cabanas. — ela respodeu.
Sem pensar, eu saí correndo. Mas que merda! Era só o que me faltava. Ter que separar uma briguinha de novato.
Quando cheguei perto, vi Newton, Cheney e o Yorkie tentando inutilmente segurar o Cullen, que chutava sem parar Royce.
Royce estava no chão todo arrebentado e sangrando aos montes.
Emm e Jazz imediatamente carregaram o Cullen para longe, o colocando contra a parede da cabana.
Alice estava do meu lado, apenas olhando para Royce. No meu íntimo, eu adorei o que o Cullen fez com o maldito. Aposto que ele mereceu.
- General, ele precisa ir até a enfermaria! – Jazz me disse enquanto olhava para Royce no chão.
- Não. – eu neguei e continuei olhando para Royce no chão.
Aquele maldito não ia mesmo para a enfermaria. Nem se estivesse morrendo.
Então, Jasper veio em minha direção e parou ao meu lado.
- Swan, Royce precisa ir à enfermaria com urgência. – ele falou tranquilamente – Pelo menos para termos certeza que ele não quebrou alguma coisa.
- Não! Eu quero saber o que aconteceu! – eu neguei mais uma vez e olhei novamente para Royce – Se você não se levantar imediatamente novato, eu mesma te expulsarei desse treinamento a chutes!
Royce tentava se levantar, mas não conseguia. Um fraco mesmo! Mas se ele estivesse mesmo machucado, como não levá-lo à enfermaria? Merda! Tudo culpa do maldito do Cullen.
Eu me aproximei do Cullen com ódio. Eu respirei fundo e o fitei.
- Eu quero um motivo que justifique para você quase matar o seu colega a chutes, novato. – eu falei com ódio.
Eu esperei, mas o imbecil não disse nada. Então, eu me aproximei dele e ele balançou a cabeça como se negasse algo.
- Isso é uma ordem Primeiro Tenente. – eu falei.
Era uma ordem. Eu sabia. Ele sabia. Até o nojento do Royce, no chão, sabia. Mas o maldito se manteve em silêncio mais uma vez.
Por causa do seu silêncio atrevido, eu dei um soco nele. Esse não era como os outros socos do treinamento. Esse era para machucar. Antes que ele se recuperasse, eu dei mais dois socos consecutivos.
- Vai descumprir uma ordem minha, novato? – eu o ameacei – Tem certeza disso?
Ele continuou calado, aumentando a minha ira. Então, eu o soquei mais uma vez e o joguei no chão.
Passei a chutá-lo com raiva. Aquele maldito não ia acabar com meus planos. Não ia mesmo! Eu esperei tempo demais para um novato filho da puta ia ficar no meu caminho.
Eu senti uma mão no meu ombro, como se quisesse me acalmar. Eu sabia que era Jasper.
Então parei de chutar o novato. Eu o olhei no chão, todo machucado. É... eu acho que passei um pouco dos limites.
– Isso é para você aprender a me desobedecer, seu imbecil. – eu falei entre dentes.
Eu me virei e dei alguns passos para longe do idiota.
– Eu vou contar até três e quero os dois em pé, na minha frente. – eu ordenei aos dois imbecis que ainda estavam no chão – Um. Dois. Três.
Quando eu acabei de contar, os dois estavam de pé. O maldito do Royce não conseguia se manter em pé sem a ajuda de Mike, que o ajudava, diferente do Cullen, que estava em pé sem ajuda de ninguém.
– Eu quero saber que merda foi essa que aconteceu no meu treinamento. – eu quis saber.
Mais uma vez eu esperei por uma resposta, mas os dois idiotas ficaram em silêncio.
– Nenhum dos senhores vai falar? – eu perguntei com raiva – Eu quero uma resposta agora! Eu sou a porra da General dessa merda toda! E eu exijo uma explicação dos senhores agora!
Os dois estavam me tirando do sério. E isso não seria bom para eles.
– Nós estávamos conversando tranquilamente depois do jantar e, de repente, ele me atacou. – Royce falou com dificuldade.
Imediatamente o Cullen rosnou e tentou partir para cima do Royce novamente, mas foi impedido por Emmett.
– É melhor acalmar o ânimo, novato. – eu falei para o idiota do Cullen – Antes que eu resolva acalmá-lo por você.
Ele então abaixou a cabeça, acatando as minhas ordens pela primeira vez no dia.
– Ninguém bate em ninguém do nada, novato. E eu quero saber exatamente o que aconteceu. – eu disse para Royce.
Royce era um filho da puta e com certeza mereceu apanhar, mas eu queria saber o porquê.
– Foi exatamente isso que aconteceu, General. – Royce respondeu se fazendo de vítima – Eu juro.
Eu olhei para o Cullen, esperando que ele se defendesse, mas o idiota continuou calado.
Sério... o cara era um idiota ou o que? Ele não ia dizer nada?
Eu olhei atentamente para os dois. Havia algo mais. E eu queria saber o que era. Então, eu peguei minha arma na minha cintura, a destravei e apontei para o novato Cheney.
O novato arregalou os olhos de medo e ficou pálido, como um cadáver.
– Você viu o que aconteceu. – eu falei convicta – Então, se você não me contar exatamente o que houve... – eu apontei a arma para o joelho do novato – Ou nunca mais o senhor andará normalmente. E isso não é uma ameaça, novato. É uma promessa.
– Tu... tu... tudo bem..Eu... eu falo, General. – o novato Cheney disse gaguejando.
Eu o olhei esperando pela história.
- Nó... nós estávamos conversando nor.. normalmente. – ele começou e respirou fundo, provavelmente para parar de gaguejar – Ed.. Edward estava quieto na dele como sempre. E o... Royce começou a provocá-lo com... bem.. com coisas idiotas... tipo mulher. No início, Edward apenas o ignorou, mas depois de um tempo, ele partiu para cima do Royce.
Quando o novato gago acabou, eu travei minha arma e a guardei. Imediatamente, o gaguinho suspirou aliviado. Idiota... como se eu fosse mesmo atirar nele.
– Algum dos senhores nega a versão do colega de vocês? – eu perguntei para os brigões.
– Não senhora. – eles me responderam.
Todos ficaram em silêncio por alguns segundos enquanto eu pensava no que fazer.
– Tudo bem, então. – eu falei – Estão dispensados... exce.....
– Como assim, General? – Royce me interrompeu.
– O senhor está me interrompendo? – eu perguntei arqueando a sobrancelha.
Além de um maldito estuprador, o filho da puta ousava me questionar?
– Não senhora. Eu só gostaria de saber se não vai haver nenhuma punição para o Edward? – ele respondeu com a voz baixa.
Eu o olhei mais uma vez.
– Pelo que eu apurei dos fatos, o senhor o provocou e, portanto, mereceu apanhar. – eu respondi – Por que novato? Está questionando minha decisão?
Claro que ele negou imediatamente. Ninguém era louco de me desafiar.
– Eu já te falei que, no meu treinamento, o senhor não tem seu “papai” para ajudá-lo. – eu disse com desdém – Então, toda vez que o senhor provocar alguém, o senhor terá o que merece. É assim que a vida funciona.
Ele assentiu contrariado.
– Vamos para enfermaria, novato. – Jasper disse e se aproximou de Royce para ajudá-lo.
– Nem o King nem o Cullen irão à enfermaria. – eu ordenei, sabendo que Jasper ia me enchar o saco por causa disso – Que os dois sintam muita dor durante toda a noite. Talvez assim pensem duas vezes antes de falaram ou fazerem alguma outra merda. Agora, estão todos dispensados, exceto você, Primeiro Tenente Cullen.
Todos saíram por causa da minha ordem, exceto Jasper e o idiota do Cullen.
Eu já conhecia esse olhar de Jasper. Mas que merda! Ainda não era a hora dele saber sobre Royce.
– General, eu queria... – Jasper começou a falar.
– Agora não, Coronel. – eu o interrompi – Você também está dispensado.
Jasper deu um riso sem graça, mas totalmente confuso pela minha reação. Ele olhou para o Cullen e depois para mim.
Eu ia ter que me acertar com Jasper... mas depois.
– Sim, senhora, General. – ele falou contrariado e saiu.
Agora éramos somente eu e o Cullen.
– Me siga, novato. – eu falei e saí, deixando que ele me seguisse.
Eu andava tranquilamente entre as árvores sabendo que o novato estava me seguindo até chegarmos a minha cabana.
– Espere aqui, novato. – eu disse ao Cullen.
Entrei rapidamente na cabana, apenas para pegar a vassoura. Ele olhou para a vassoura e depois para mim, obviamente curioso.
– Vamos. – eu falei indo em direção ao lago.
Eu parei em frente ao lago. Apesar da escuridão, a luz da lua iluminava todo o lago.
Era um dos poucos lugares que eu me sentia em paz. Uma paz que não era comum para mim.
Então, eu virei para o novato, que estava parado atrás de mim. Sinceramente eu não esperava que ele estivesse ao perto. Ele me olhava com intensidade. Os verdes misteriosos pareciam querer entrar dentro da minha alma.
Eu queria esquecer o que tinha acontecido entre nós dois mais cedo... o que quer que tenha sido aquilo... mas ele me olhando daquele jeito, era impossível.
Ele deu um passo largo, diminuindo ainda mais nossa distância, sem nunca deixar de olhar nos meus olhos.
Agora, era o momento em que eu deveria me afastar e mostrar que eu era a General daquela merda toda, mas eu simplesmente não conseguia. Eu só conseguia olhar para ele em expectativa.
Eu já não conseguia respirar direito. Senti minha boca seca, então, passei a língua nos meus lábios.
Ele deu mais um passo e acabou com a distância entre nós dois. Ele me segurou firme pela cintura e fechou os olhos, passando o nariz pelo meu pescoço.
Imediatamente, eu estremeci por completo. E em resposta, ele me segurou ainda mais forte.
Eu suspirei, fechei os olhos e joguei a cabeça para trás. Ele passou a língua por todo meu pescoço, me fazendo arrepiar.
Eu passei os braços pelo seu pescoço e comecei a passar os dedos lentamente pela sua nuca, o deixando também arrepiado.
Ele apertou a minha cintura, roçando seu corpo contra o meu. Sua ereção já evidente pressionou meu baixo ventre e foi impossível não gemer.
Eu o apertei ainda mais contra o meu corpo, se isso era possível. Ele simplesmente me deixava louca de tesão.
Ele, então, se afastou um pouco e eu abri meus olhos. Ele já me olhava com os aqueles olhos verdes agora escurecidos.
Ele levou uma mão até a minha nuca e puxou meu cabelo, que estava preso em um rabo de cavalo, para trás, fazendo com que eu levantasse a cabeça em sua direção.
Era violento e ao mesmo tempo delicioso. Então, ele avançou em meus lábios me beijando com uma quase fúria, que só me fazia querer mais.
Eu segurava seu cabelo com toda minha força. E ele desceu sua mão até a minha bunda e a apertou, fazendo nossos corpos roçarem ainda mais.
E foi aí que escutamos um barulho de galho se quebrar perto de nós.
Imediatamente minha razão voltou. Céus. Eu estava me agarrando com um novato no meio na floresta.
Eu realmente estava desesperada por sexo... só podia ser. Quem sabe mais tarde eu não ligaria para Bill?
Eu me afastei dele, o empurrando sem me preocupar em ser gentil e olhei para a floresta para ver se eu via alguém, mas não vi.
Eu limpei minha garganta como medo da minha voz falhar.
– Entre na água, novato. – eu mandei ainda tentando regularizar a minha respiração.
– O que? – ele perguntou completamente atordoado.
Não era culpa dele. Eu também ainda estava meio zonza com o beijo.
– Entre. Na. Água. Agora! – eu repeti.
Ele demorou alguns segundos, mas me obedeceu, entrando no lago sem ao menos tirar o coturno.
Ele estremeceu. Eu sabia quão gelada a água estava. Afinal, era meu costume nadar naquele lago à noite.
A água estava em sua cintura, porque o lago não era muito fundo.
Eu respirei algumas vezes e assumi a postura de General, como sempre. Eu joguei o cabo da vassoura para ele, que a pegou no ar.
– O senhor vai segurar esse cabo de vassoura com as duas mãos de maneira com que ele não encoste na água. E eu quero os dois braços esticados para frente o tempo todo. O senhor ficará assim até uma segunda ordem. Entendeu novato? – eu o instruí.
– Sim General. – ele respondeu e me obedeceu prontamente.
– Isso é para o senhor aprender a não obedecer a uma ordem direta minha. – eu falei – E sinta-se lisonjeado, pois eu não costumo a ser tão benevolente com as minhas punições.
Na verdade, eu não sabia se eu o estava punindo por não me obedecer... pela brigta com Royce... ou pelo beijo.
Como eu sabia que o castigo ia demorar, eu me sentei na beira do lago, com as pernas cruzadas igual a um índio.
Eu fiquei olhando para o lago, tentando ignorar a presença do novato. O silêncio era total. E escutava-se apenas o chirriar dos grilos.
Em todos esses anos de exército, eu nunca tinha deixado ninguém, principalmente um novato, chegar tão perto de mim.
E eu não era idiota. Eu sabia que todos haviam percebido algo entre eu e ele durante a atividade do rouba bandeira.
E eu também sabia que Royce, nojento como era, provavelmente tinha feito algum comentário a esse respeito. Mas por que ele não me contou? Seria muito mais fácil e eu estaria punindo Royce e não ele.
– Você é burro ou o que, novato? – eu perguntei para o novato.
Só então eu percebi que ele estava com os olhos fechados.
– Como assim? – ele perguntou abrindo os olhos.
– Ora, como assim??? Por que você não se defendeu mais cedo? Você ficou simplesmente calado, feito um idiota. – eu disse e ele apenas deu os ombros.
– Não tinha o que me defender. Eu simplesmente perdi a paciência com ele e parti para a agressão. – ele falou.
Era mentira. Eu sabia disso.
– Idiota. – eu resmunguei.
E, mais uma vez, ficamos em completo silêncio. Depois de um tempo, eu me deitei, colocando os braços atrás da cabeça e cruzando as pernas.
Eu olhei para o novato, que já não conseguia esconder a feição de dor.
– Seu braço está doendo, novato? – eu perguntei.
– Um pouco. – ele mentiu.
– Bem feito. – eu o respondi – Toda vez que a porra do seu braço doer, você vai se lembrar de não me desobedecer mais. Você não pode se deixar levar por provocações, Cullen. É seu ponto fraco.
– Eu sei. – ele disse – Mas eu não consegui me controlar quando ele falou que queria te...
Então, ele parou de falar. É... Royce era mesmo um maldito.
– Eu imagino o que Royce tenha falado. Mas são apenas palavras. – eu retruquei – E palavras nunca podem nos atingir. Essa era a regra número um do General Charlie Swan.
Um celular começou a tocar e logo senti algo vibrar no bolso da minha calça. Estranhei o toque do meu celular, que era marcha fúnebre.
Revirei os olhos. Só podia ser Emmett e suas brincadeiras.
– Swan. – eu atendi ao celular com vontade de matar Emmett.
- Bella? – era Alice – Onde você está? Eu estou ligando para o telefone da sua cabana, mas ninguém atende. E Jasper está uma fera com você... o que aconteceu? Por que você sumiu? Eu e ele já estamos pensando em ir te procurar porq...
– Brandon, cala a boca! – eu a chamei e, graças a Deus, ela parou – Agora sim, Major. Eu estou no lago com um novato.
- Hummm... que novato? – ela perguntou com nítida malícia na voz.
- Cullen. – eu respondi sem vontade – Pode dormir, que quando que acabar eu vou para a minha cabana.
- E o que vocês estão fazendo, hein? – ela perguntou.
– Castigo. Tchau. – eu falei e desliguei o telefone antes de escutar qualquer insinuação sobre eu e o novato.
Eu guardei o celular no meu bolso e voltei a colocar o braço para cima. Eu fiquei olhando para o céu, que estava cheio de estrelas e sem nenhuma nuvem.
– Estão te esperando para dormir? – o novato me perguntou.
– Não. – eu respondi – Na verdade, eu nem durmo muito mesmo. Eles já estão acostumados com a minha falta de sono. Mas eu nunca saio sem avisar para onde estou indo, porque se tiver algum problema, eles sabem onde me localizar.
– Eu também não durmo muito. – ele disse com a voz sombria – E há quanto tempo você é do exercito?
– Há nove anos. – eu respondi distraidamente ainda olhando para as estrelas.
– E já é General. – ele disse como se fosse uma coisa de outro mundo.
– Isso mesmo. General. Meu pai sempre dizia que quando eu colocava alguma coisa na minha cabeça, nada nem ninguém me impedia. – eu comentei – E aqui estou eu.
– E você queria ser general do exército? – ele me perguntou com curiosidade.
– Queria. – eu respondi simplesmente.
– Por quê? – ele perguntou.
Pronto. Hora de parar com a conversa de comadres. O novato estava entrando em um terreno muito perigoso.
– Não é da sua conta. – eu disse rudemente.
– Com certeza não é da minha conta. – ele resmungou como uma criança mimada.
– E você, novato? – eu perguntei o olhando.
– Eu o que? – ele perguntou confuso.
– Até onde você quer chegar no exército?
Ele ficou um tempo em silêncio... pensando em uma resposta.
– Eu... não sei.... – ele respondeu sem ter muita certeza.
– Por que você está no exército? E não me diga que é um sonho. – eu sabia que não era um sonho dele.
Do jeito que ele se portava, às vezes parecia mais uma obrigação. E às vezes parecia que ele havia nascido para isso.
– Não. – ele disse concordando comigo – Nunca foi meu sonho.
– Então por quê? – eu questionei.
– Por que não? – ele respondeu evasivo – Seu pai morreu há muito tempo?
Até que o novato era esperto em mudar de assunto assim...
– Há quatro anos. – eu falei – Morreu no campo, do jeito que ele queria. Com todas as glórias de um herói de guerra.
Fiquei olhando para as estrelas novamente.
Glórias de um herói... um herói de merda, isso sim! Como as aparências enganam, não é mesmo?
Charlie era quase um mito para todos no exército. Um exemplo a ser seguido, todos diziam. Mas na verdade, ele não passava de um filho de uma puta. Um péssimo marido. Um pai violento.
Só que eu não iria ficar me lamentando pelo pai que eu nunca tive.
– Pronto, novato. Pode sair abaixar o braço e sair do lago. – eu falei me levantando – Acabou o castigo. Está dispensado.
– Sim senhora. – ele respondeu abaixando os braços imediatamente.
Com certeza ele sentiria muita dor nos braços. Rapidamente ele saiu do lago, tremendo de frio.
– É só seguir essa trilha que você vai chegar até a sua cabana. – eu o expliquei como ir embora.
– Tudo bem. – ele falou.
Eu me virei e fui para a minha cabana. Assim que entrei na cabana, fui ao banheiro e peguei o kit de emergência.
Abri a caixa e peguei uma cartela de analgésico. Sem pensar, saí da minha cabana e fui para a cabana do novato.
Eu nem pensei muito na merda que eu estava fazendo.
Quando cheguei, vi os novatos dormindo, menos Cullen. Sua cama estava vazia e ele provavelmente estava tomando banho.
Eu deixei a cartela de analgésico na cama dele e fui embora para a minha cabana.
No caminho, encontrei com um Jasper furioso. Eu apenas respirei fundo e fui em sua direção. Eu já sabia o que estava me esperando.
Notas finais
Então, quem lê Cosa Nostra e tinha curiosidade em saber quem era Bill... aí está.
Jeeh Masen e BlairC... obrigada pelas recomendações queridas!!!! EU AMEI!!!!!!!!!!!
Bjos a todos...
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