Boina Verde
3 Capítulo 2: Convocando os selecionados
Notas iniciais
Já era de manhã quando eu, Alice, Emmett e Jasper acabamos de selecionar 15 dos 2.300 inscritos.
O desgraçado do Royce havia sido escolhido. Claro que eu dei uma forçada para que ele fosse selecionado, porque eu o queria no treinamento... bem perto de mim.
Mantenha os amigos próximos e os inimigos, mais próximos ainda. Essa era a minha intenção. Vigiar cada passo dele... até que eu pudesse colocar minhas mãos nele.
- Segunda-feira, eu mandarei Jéssica entrar em contato com os selecionados. — eu falei me espreguiçando.
- Esse treinamento vai ser ótimo. — Emmett falou animado.
Ele adorava os treinamentos. Era o momento em que ele mais se divertia nas Forças Especiais. E ele tinha razão, porque algumas partes do treinamento realmente eram divertidas.
- Acho melhor irmos dormir agora. — Jasper falou.
- Eu vou ver a minha ursinha. — Emmett falou se levantando e indo para o quarto de Rose.
Eles namoravam há um ano. Eu tenho que admitir que Emmett amava Rose de verdade, porque ele teve muita paciência até ela deixar com que ele se aproximasse dela.
E sim! Eu era a única solteira do grupo. Não que eu importasse... porque antes só do que mal acompanhada... o problema era quando Alice e Rose se juntavam para me “arrumar um homem”, como elas mesmas diziam.
O final de semana foi tranquilo. Eu dormi um pouco, corri no Central Park, visitei o tio Peter e a tia Kate e assisti aos Três Patetas. Era idiota, eu sei, mas eu adorava.
Segunda-feira, eu cheguei à base às seis horas da manhã, como sempre, e malhei. Depois, tomei banho e fui diretamente para a recepção.
- Jéssica. — eu chamei a recepcionista, que deu um pulo da cadeira quase caindo.
- Bom dia General. — ela falou com a voz trêmula já de pé.
Ela tinha medo de mim... o que era ridículo, uma vez que eu nunca havia feito nada a ela.
Claro que eu sabia que o meu jeito era intimidador, mas eu realmente achava demais esse pavor que ela tinha de mim.
Eu a entreguei as fichas dos selecionados.
- Ligue para os selecionados e marque uma entrevista no lugar de sempre. — eu a orientei.
- Sim senhora. — ela falou.
- Eu quero que marque as entrevistas o mais rápido possível. — eu falei — E todos no mesmo horário.
- Sim senhora. — ela disse mais uma vez.
Eu já estava me virando para ir embora quando a porta do elevador se abriu e Jasper e Rose chegaram.
- Bom dia Jéssica. — Rose cumprimentou Jéssica sorrindo.
Eu revirei os olhos. Por isso que a menina morria de medo de mim, porque perto da delicadeza de Rose, eu era um monstro.
- Bom dia Bella. — ela me cumprimentou.
- Bom dia. — eu a respondi.
- Bom dia. — Jasper resmungou e entrou para dentro da base.
- Alguém acordou de mau humor. — Jéssica comentou.
Imediatamente, eu a olhei.
- Guarde seus comentários inúteis para você e se limite a fazer o seu trabalho! — eu rosnei e ela tremeu, dando um passo para trás.
Eu me virei e fui atrás de Jasper.
Eu o encontrei no vestiário, sentado no banco, olhando para os armários, com um olhar completamente perdido.
- Vai me contar o que está acontecendo ou vai ficar igual um idiota olhando para o nada? — eu perguntei me sentando ao lado dele.
- Alice quer se casar. — ele falou com uma voz cansada, ainda sem me olhar.
- E? — eu perguntei sem saber o que tinha demais nisso.
Ele me olhou.
- E eu falei que não tenho certeza ainda. — ele falou.
- Por que você não tem certeza? Você a ama! — eu afirmei.
- Claro que eu a amo. — ele falou suspirando — Ela é uma mulher maravilhosa, mas eu não sei... acho que ainda está muito cedo.
- Mas não existe tempo certo para essas coisas do coração. — eu falei.
Ele me olhou divertido.
- Falou a expert em “coisas do coração”. — ele disse debochado.
Eu dei os ombros.
- Não precisa ser um expert para saber que você e Alice combinam... e se vocês se amam, não vejo motivo para esperar. — eu falei o óbvio.
Eu odiava momentos assim... de muita melação e tals... por isso, eu não gostava de me envolver com ninguém.
- Acho que você está certa. — ele falou sorrindo.
- Eu estou sempre certa, Jazz. — eu falei e ele gargalhou — Mas. na verdade, eu acho que a culpa é minha. Eu te traumatizei durante o nosso noivado.
Ele riu mais ainda. Eu dei um sorriso e ele me abraçou.
Nesse momento, Alice entrou no vestiário com cara de poucos amigos. Quando ela nos viu, ela fechou ainda mais a cara.
Alice havia se transformado em uma amiga para mim... mas eu sabia que no fundo, ela ainda sentia ciúmes de mim e do Jasper. O que era totalmente incabível, porque ele era como um irmão para mim.
- Se precisarem de mim, estarei no meu escritório. — eu falei me levantando e saindo do vestiário, que mais parecia uma zona de guerra.
Eu sabia que Jasper iria conversar com ela ali mesmo e tudo estaria resolvido.
No meu escritório, eu comecei a planejar todo o treinamento desse ano e nem vi o tempo passar.
À tarde, já cansada e com fome, eu liguei para o ramal da recepção.
- Forças Especiais. — Jéssica atendeu com a voz mais irritante possível.
- Jéssica, já ligou para todos os selecionados? — eu perguntei.
- Sim senhora. — ela respondeu.
Fiquei esperando ela me falar sobre os horários das entrevistas, mas ela ficou calada.
Às vezes, eu duvidava se ela sabia falar outra coisa além de “sim senhora” e “não senhora”.
- Estou esperando você me informar os horários das entrevistas. — eu falei sem paciência.
- Sim senhora. — ela falou.
Eu quase ri. Cada vez mais eu acreditava que ela tinha problemas mentais... não era possível.
- As entrevistas estão marcadas para as 13 horas. — ela falou, finalmente — No 11º andar, como sempre.
Nossa base era do 12º e 13º andares do prédio, mas as entrevistas sempre eram feitas no 11º andar, onde ficava uma secretária e alguns psicólogos para nos auxiliar nas entrevistas.
- Ótimo. — eu falei — Agora, me traga as fichas dos selecionados e mande os ‘boinas verdes’ até a minha sala imediatamente.
- Sim senhora. — ela me respondeu e eu desliguei o telefone.
Em poucos minutos, chegavam à minha sala Jasper, Alice, Angela, Emmett, Jacob e Jéssica.
Jéssica rapidamente me entregou as fichas e saiu correndo.
- Ela morre de medo da General. — o Tenente Black falou rindo.
Todos riram e eu revirei os olhos.
- Amanhã teremos as entrevistas com os quinze selecionados. — eu falei — Coronel Hale e Major Weber, vocês ficarão responsáveis por cinco selecionados.
Eles assentiram, mas Jasper me olhou desconfiado, afinal, nós sempre fazíamos as entrevistas juntos.
Mas dessa vez, não seria possível, porque Royce teria que passar na entrevista e eu tinha certeza que ele era um incompetente. Então, ele precisaria de uma “forcinha” minha.
Eu ignorei seu olhar desconfiado e continuei falando:
- Coronel McCarty e Major Brandon ficarão responsáveis por mais cinco. E eu e o Tenente Black seremos os responsáveis pelos outros cinco selecionados.
Todos assentiram e eu os dispensei, sem querer ter que me explicar para o Jasper naquele momento.
...
Eu estava na sala de entrevista com o Black, esperando os selecionados. Eu havia o chamado para fazer a entrevista comigo, porque eu sabia que eu poderia facilmente manipular a entrevista de Royce, sem que nenhum dos dois percebessem.
E era o que eu precisava para dar inicio à minha vingança.
- O primeiro selecionado é Royce King II. — o Black falou — Já vou pedir para ele entrar.
Eu apenas assenti e respirei fundo, tentando me controlar. Eu tinha que ficar calma... ou todo meu plano iria por terra.
Assim que o maldito entrou pela porta, eu paralisei. E tudo que eu sempre fiz questão de esquecer, voltou à tona com força total.
Flashback On (13 anos atrás)
- Acorda dorminhoca. Já estamos atrasados para a escola. – Derek falou puxando meu cobertor.
- Mais cinco minutinhos... – eu pedi ainda dormindo – Por favor...
- Você disse isso há vinte minutos. – ele falou rindo – Vamos Bella. Eu marquei de encontrar Rose na porta do colégio.
Eu me sentei na cama, esfregando meu olhos, tentando acordar.
- Você está me acordando não porque vamos chegar atrasados na escola, mas porque você quer ver sua namoradinha... – eu falei sorrindo – Seu traidor...
- Minha namoradinha e sua melhor amiga... vamos... por favor.... — ele pediu fazendo cara de cachorro sem dono.
- Posso saber o motivo de tanta pressa? – eu perguntei.
- Eu comprei um anel de compromisso para ela. – ele falou tirando uma caixinha do bolso e a abrindo para me mostrar
Na caixinha, tinham dois anéis de prata.
- Que lindo. – eu falei pulando e o abraçando – Fico feliz que está dando tudo certo entre você e Rose.
Ele sorriu.
- Então vamos maninha...
- Está bem... só vou trocar de roupa. – eu falei e ele saiu do meu quarto.
Eu me troquei rápido e fomos para a escola sem mesmo tomar café da manhã. Como sempre, papai já estava no quartel e nem se preocupava de deixar alguma coisa para nós comermos.
Assim que Derek entrou no estacionamento, nós vimos Rose e Jasper esperando pela gente na porta do colégio.
Derek saltou do carro e foi correndo ao encontro de Rose. Ele a abraçou e a beijou. Eu me aproximei de Jasper sorrindo.
- Oi Jazz. — eu falei e ele sorriu para mim.
- Oi Bella. — ele me respondeu.
O sinal tocou.
- Vamos entrar? — Rose nos chamou.
- Bom dia para você também amiga. — eu falei.
Ela largou Derek e me abraçou.
- Bom dia amiga. — ela me falou me puxando para dentro do colégio, enquanto Jasper e Derek andavam atrás de nós duas.
Nós fomos para a sala de aula e assistimos às aulas normalmente. O sinal tocou e nós fomos para os nossos armários, guardar os livros.
- O que é isso Rose? – eu perguntei apontando para um cartão que estava colado na porta do armário dela.
- Não sei. – ela disse pegando o cartão.
- De quem é? – eu perguntei curiosa.
- Não sei... não fala... mas tem um bombom. – ela falou me mostrando o cartão e o bombom.
Nessa hora, Derek e Jasper chegaram.
- Oi meninas. – Jasper nos cumprimentou e Derek deu um selinho em Rose.
- O que é isso? – ele perguntou e Rose ficou tensa na mesma hora.
- Na... não sei... – ela gaguejou.
Ele tirou da mão dela o cartão e leu.
- Posso saber por que minha namorada está recebendo cartão de um admirador secreto? – ele perguntou.
- Derek... – eu tentei intervir.
- Agora não Isabella... – ele falou e eu me calei.
Eu odiava que me chamassem de Isabella e Derek só me chamava assim quando estava nervoso.
- Eu fiz uma pergunta para Rose e estou esperando uma resposta. – ele falou nervoso.
- Eu não sei... quando eu cheguei da aula, já estava aqui. – Rose disse já quase chorando.
- Não sabe? Claro que sabe!!!! – ele disse aos berros – Ninguém ganha um cartão romântico sem ter feito nada.
- Mas foi isso que aconteceu. – ela disse olhando para o chão.
- Eu não acredito em você. – ele gritou – Aposto que você está dando mole para todos da escola... é isso?
- Claro que não! Eu...
- Eu sou um idiota mesmo! – ele a interrompeu — Em pensar que você seria diferente... mas você é igual a todas as mulheres... vagabunda como todas!
Eu me encolhi quando ele falou isso. Era o que meu pai gritava quando estava me batendo. Jasper percebeu e me abraçou.
- Eu nunca fiz isso... eu não sou vagabunda. — Rose falou chorando.
- Quem me garante??? — ele perguntou com raiva.
Rose não disse nada, apenas saiu correndo aos prantos pelo corredor a fora.
- Idiota. – eu falei para Derek e saí correndo atrás de Rose.
Eu a procurei pelo estacionamento, mas não a vi. Vi apenas Derek correndo até o carro e saindo do estacionamento igual um louco.
- Você achou Rose? – Jasper me perguntou se aproximando.
- Não. Ela deve estar no parquinho. – eu falei – Eu vou atrás dela.
- E eu vou atrás do Derek. – Jasper falou.
Eu assenti e ele saiu atrás do meu irmão.
Eu fui para o parquinho e vi Rose sentada embaixo de uma árvore. Eu me sentei ao seu lado e ela colocou a cabeça no meu ombro.
- Não fica assim Rose... – eu falei fazendo carinho nela – Derek falou aquelas coisas da boca para fora. Você sabe que o meu pai é quem fala essas coisas por causa da minha mãe.
Ela não falou nada... só chorou...
Depois de um tempo, ela se acalmou e nós começamos a conversar sobre outras coisas. Ficamos a tarde toda conversando e eu tentando fazê-la sorrir.
Eu olhei para o céu e percebi que já estava anoitecendo. Droga! Eu devia estar em casa... e eu não queria apanhar.
- Já está tarde Rose. Eu tenho que ir para a casa. Meu pai já deve ter chegado do quartel. – eu falei desesperada, já me levantando.
- Vamos embora. — ela falou e se levantou – Vai para a sua casa que eu vou para a minha.
- Não sei não Rose... meu pai sempre falou para eu não andar pela rua sozinha à noite porque é perigoso... — eu falei.
- Não vai acontecer nada Bella... é tão perto.... — ela me garantiu sorrindo.
- Mas Rose...
- Não Bella... — ela me interrompeu — Ele vai te bater se você chegar tarde. Pode ir.
Eu concordei mesmo contrariada. Nós nos despedimos e eu fui para a casa e Rose foi para a dela.
Quando abri a porta da minha casa, vi meu pai em pé perto da escada, segurando o cinto. No mesmo instante, eu comecei a tremer.
- Quantas vezes eu já disse para você não ficar na rua à noite? – ele perguntou irado.
- De... des... desculpa. – eu gaguejei.
- Só vagabundas ficam na rua esse horário! — ele gritou.
Eu me encolhi, mas de nada adiantou. Ele me puxou pelo braço com força e me arrastou para o segundo andar da nossa casa, me jogando na minha cama.
Ele tirou a minha camisa e me pôs de barriga para baixo na cama.
- Agora você vai aprender a não me desobedecer. – ele falou já me batendo com o cinto.
Eu comecei a chorar assim que senti a primeira cintada.
- Eu não quero ouvir nem um pio. – ele disse enquanto me batia – Engole esse choro ou eu te bato mais.
Eu fechei a boca com força para não fazer barulho enquanto as lágrimas saiam dos meus olhos.
- Todas as mulheres são vagabundas! — ele falava, me batendo — Você não passa de uma vagabunda!!! Sua vadia!!!
As lágrimas saiam dos meus olhos e eu senti o gosto de sangue de tanto eu apertar minha boca para não fazer barulho.
Essas horas, eu queria ter morrido como a minha mãe.
Depois de muito tempo, ele simplesmente foi embora. Eu fiquei deitada, na mesma posição, de olhos fechados.
Eu senti alguma coisa molhada nas minhas costas. Ardeu e eu choraminguei. Eu abri os olhos e vi Derek cuidando dos meus machucados.
- Ele pegou pesado dessa vez. – Derek disse com raiva.
- Eu cheguei tarde em casa. – eu falei.
Ele se sentou e fez um carinho no meu rosto.
- Me perdoa maninha... eu sei que foi minha culpa. – ele disse – Mas Kevin falou que ele tinha chamado Rose para sair e ela tinha aceitado. Ele disse se não acreditasse nele, que eu fosse até o armário dela e eu acharia um cartão dele.
- Ela está chateada com você. – eu falei.
- Eu sei... e amanhã eu vou conversar com ela e pedir desculpa pela minha grosseria. – ele falou – Agora, me deixa cuidar de você, maninha.
- Obrigada maninho. – eu falei e fechei os olhos.
Eu dormi rapidamente e nem vi quando Derek acabou de limpar os meus machucados.
...
Eu acordei assustada com o telefone tocando no meio da noite. Cheguei á sala e vi meu pai ao telefone.
- Calma Jasper. – ele falava – Respira e comece a falar devagar.
- Entendido. Eu vou providenciar ajuda. – ele disse e desligou o telefone.
Instantaneamente, ele começou a discar.
- O que aconteceu? – Derek perguntou ficando ao meu lado, mas nosso pai o ignorou.
- Aqui é o General Swan. – meu pai disse sem qualquer emoção – Eu quero a melhor equipe do exército pronta em 20 minutos.
- O que aconteceu? – Derek perguntou novamente.
- Rose não voltou para casa. – nosso pai falou e saiu da sala.
Eu e Derek nos olhamos assustados. Como assim ela não tinha voltado para a casa?
Eu, meu pai e Derek fomos para a casa dos Hale, onde a equipe do exército e os policiais estavam.
Como eu fui a última a ver Rose, eu tive que contar o que aconteceu, onde estávamos e outros detalhes que eles me perguntavam.
Estávamos todos apreensivos e desesperados.
Eu fiquei sentada no sofá, como me mandaram, mas eu não fui dormir. Eu me recusei fechar os olhos até saber o que tinha acontecido com Rose.
Já era de manhã quando Jasper se sentou ao meu lado e me abraçou.
- Vá deitar Bella. – ele falou – Você está dormindo sentada.
- Não quero. – eu falei chorando – Quero ajudar a encontrar Rose.
- Durma e quando você acordar, nós vamos até o parquinho. – ele falou.
- Promete? – eu perguntei.
Ele assentiu. Eu fui para o quarto dele dormir, porque eu não queria ir para o da Rose.
No outro dia, eu e Jasper fomos até o parquinho, mas não encontramos nada. Nós sabíamos que os policiais já tinham vindo aqui... mas quem sabe a gente não dava sorte?
O dia se passou e nada... a tia Kate, mãe de Rose e Jasper, estava cada vez mais desesperada.
À noite, eu, meu pai e Derek fomos para a casa tomar banho quando recebemos a ligação de que Rose havia sido encontrada.
Fomos correndo para o hospital. Chegando lá, eu vi a tia Kate aos prantos sendo acalentada pelo tio Peter. Jasper apenas olhava para o nada.
Antes de chegarmos até eles, um soldado veio até nós, prestando continência para nosso pai.
- Foi você quem a achou? – meu pai perguntou com toda sua pose de general.
- Sim senhor. – o soldado respondeu.
- Quero detalhes. — ele ordenou.
- Nós a achamos em um galpão perto da rua sem saída do parque. A principio, achamos que ela estivesse morta. Ela estava toda ensangüentada e... nua. — o soldado falou com dificuldade.
Eu não quis escutar mais, então, eu e Derek fomos para perto dos Hale. Jasper me abraçou imediatamente. E Derek ficou um pouco afastado.
Horas depois, o medico veio confirmar a notícia... ela havia sido estuprada. Eles tinham feito uma cirurgia de emergência para estancar a hemorragia e tirar o útero dela. E agora, ela estava na UTI.
Nesse momento, parecia que eu estava no inferno em plena Terra. O meu irmão começou a gritar que a culpa era dele... que ele merecia morrer... ele estava totalmente desorientado e descontrolado.
Jasper e o tio Peter tentaram controlá-lo, mas não adiantou. Ele se debatia, totalmente alterado. Eu apenas olhava a tudo assustada.
Ele ainda ficou assim pos alguns minutos, mas logo veio um enfermeiro por trás e lhe aplicou uma injeção no pescoço.
Quase imediatamente, ele parou e ficou sonolento.
Tio Peter pediu para o meu pai deixar Derek de observação no hospital, mas meu pai recusou e disse que estávamos indo para casa.
Quando chegamos em casa, meu pai exigiu saber detalhes do que tinha acontecido. Derek explicou sobre seu ciúme e sobre a briga com Rose.
Enquanto Derek contava, meu pai não falou nada e ficou apenas o encarando. E quando Derek acabou de contar, ele aproximou, o levantando pela gola da camisa.
- Você é o único culpado pelo que aconteceu com Rose, seu filho da puta! — meu pai falou olhando nos olhos do meu irmão — E agora você vai pagar por tudo que fez!
Meu pai o arrastou até seu quarto e trancou a porta. Imediatamente, eu comecei a ouvir os gritos desesperados de Derek.
Eu tentei abrir a porta, mas eu sabia que seria inútil porque estava trancada. Eu me sentei no chão, ao lado da porta e fiquei lá a noite toda, rezando para que meu pai se cansasse de bater no meu irmão.
Para o meu desespero, a porta só foi aberta no meio dia do dia seguinte. Meu pai saiu do quarto como se nada tivesse acontecido, sem sequer olhar para mim.
Eu entrei no quarto e vi Derek caído no chão, todo ensangüentado. Eu me ajoelhei perto dele.
- Eu estou aqui, maninho. — eu falei e ele segurou a minha mão.
Eu tentei levanta-lo para cuidar dos seus machucados, mas ele era pesado e eu não consegui.
Então, eu liguei para Jasper e pedi ajuda.
Jasper chegou e ficou parado na porta no quarto de Derek por alguns segundos, olhando para a cena horrorizado.
Eu e Jasper demos banho em Derek e o colocamos na cama. Eu passei a cuidar dos machucados dele.
- Sai daqui Jasper. — Derek falou — É tudo culpa minha.
Jasper se sentou na cama e forçou Derek a olhá-lo.
- O que aconteceu com Rose foi uma fatalidade. — Jasper disse tranquilamente, mas com muita dor em sua voz — A culpa foi do desgraçado que a pegou a força. Poderia ter acontecido a qualquer momento... até mesmo quando ela fosse à padaria sozinha. Mas agora, ela precisa de você. Ela está chamando por você desde hoje de manhã e se recusa a falar com qualquer outra pessoa.
Depois disso, Derek ficou mais tranquilo e nunca mais falou que a culpa era dele. Rose se recusou a falar sobre o assunto e tinha crises de pânico sempre quando um homem se aproximava dela.
O único homem que ela deixava se aproximar era Derek. E ele cuidou dela por meses.
Eu, meu pai e Derek já praticamente morávamos com os Hale. Tio Peter e tia Kate nos agradeciam sempre, mas não era favor... fazíamos tudo com carinho... por Rose.
Até que uma noite nós acordamos com os grito de Rose, por causa dos seus pesadelos constantes.
Eu acordei e fui para a cozinha tomar um leite quente. Meu pai estava na cozinha tomando uma cerveja. Derek entrou na cozinha e foi para o armário pegar um copo, ignorando meu pai, porque desde a surra, os dois não se falavam.
- Vá se deitar, Bella. — Derek falou — Amanhã você tem aula.
Ele encheu o copo de água. Mas meu pai deixou a cerveja no balcão e falou com ironia:
- Você acha que dar copinhos de água para Rose à noite vai apagar o que você fez a ela??? Você acabou com a vida da garota. Você é o culpado por tudo!
Derek apenas me entregou o copo de água e pediu para eu entregar para Rose com a voz trêmula e saiu correndo para a rua.
Durante toda noite, ele não deu noticia... e eu não dormi preocupada. Eu sentia que alguma coisa estava errada.
Sem agüentar, de manhã, ao invés de ir para a escola, eu fui para nossa casa, procurar por ele.
Quando eu abri a porta do seu quarto, eu vi Derek caído no chão. Mas não era como das outras vezes que meu pai batia nele... alguma coisa estava diferente.
O sangue tinha escorrido por todo chão e a arma estava caída próxima ao seu corpo.
E eu soube que ele estava morto.
Flashback Off
- General? — uma voz me trouxe para a realidade.
- Sente-se Capitão. — eu falei escondendo minhas emoções e tomando a postura de general.
Ele deu um sorriso e se sentou. Eu fechei minhas mãos em punho, para não avançar em cima do desgraçado.
- Por que está interessado a fazer parte das Forças Especiais? – eu o perguntei.
Essa era a pergunta que sempre fazíamos.
- Eu sonho em ser o melhor e para isso eu tenho que estar entre os melhores. — ele falou sorrindo mais ainda.
Puxa saco dos infernos! O Black se encheu todo, se sentindo o melhor. Eu realmente tinha acertado em chamá-lo para fazer a entrevista comigo.
Eu jamais aceitaria uma resposta dessa, mas eu apenas assenti, fingindo concordar com aquele imbecil.
Perguntei mais algumas coisas sem importância e ele me respondeu da maneira mais idiota do mundo.
- Agora, você fará alguns testes e depois entramos em contato com o senhor. – eu falei encerrando a entrevista.
- Gostei dele. — o Tenente Black falou.
Eu me esforcei para não mandá-lo calar a boca.
- Eu também. — eu menti — Agora chame o próximo.
Depois das entrevistas pessoais, todos os selecionados foram direcionados para a sala de tiros e depois para o teste de raciocínio lógico.
Dos quinze que fizeram a entrevista, somente seis passaram: Mike Newton, Tyler Crowley, Ben Cheney, Eric Yorkie, Edward Cullen e Royce King II.
E eles sequer imaginavam o que esperava por eles no treinamento, principalmente Royce.
Mas o pior é que eu também não imaginava o que esperava por mim no treinamento. E o meu problema tinha nome: Edward Cullen.
Fale com o autor