Boina Verde
14 Capítulo 13: Formatura
Notas iniciais
Boa Leitura!
XOXO
As fichas dos novatos que restaram estavam espalhadas pela minha mesa. Em minhas mãos, estava a ficha de Edward Cullen.
Havia algumas anotações importantes sobre ele, mas era como se algo ainda estivesse faltando. Algo não se encaixava.
O que ele esconde? – eu escrevi distraída no final da sua ficha. Eu sabia que ele escondia alguma coisa, mas eu não conseguia saber o que era.
O som do telefone tocando me tirou do meu devaneio. Peguei o telefone e o atendi rapidamente.
- Swan. – disse.
- Os convidados já chegaram General e estão á sua espera. – Angela me informou.
- E os Boinas Verdes? – perguntei.
- Também já estão todos aqui General. – ela me respondeu.
- Ok. Já estou a caminho. – falei e desliguei o telefone.
Olhei pela janela. O tempo estava fechado. As nuvens escuras impediam a visão da lua ou das estrelas. Guardei as fichas dos novatos em minha gaveta e fui até o refeitório.
O refeitório estava todo enfeitado, graças a Rose e Zafrina. Assim que eu entrei no refeitório, todos se calaram.
Corri os olhos pelo salão e vi nossos convidados da noite. Os pais de Edward, a mãe do Mike e os pais do nojento do Royce.
- Boa noite. – eu os cumprimentei sem sorrir – Meu nome é Isabella Swan e sou a General responsável pelo grupo alfa das Forças Especiais. Hoje teremos a última prova do treinamento e, em breve, estaremos celebrando a graduação de Edward Cullen, Mike Newton e Royce King. A Tenente Hale ficará com os senhores e os explicarão melhor como será a graduação deles.
Rose se postou ao meu lado toda sorridente. Eu me despedi dos familiares dos novatos e saí do refeitório seguida pelos “Boinas Verdes”.
- Angela, Alice, tragam os novatos. Estaremos esperando por vocês no campo. Depois, vocês serão responsáveis por colocar as fardas dos novatos em suas camas durante a atividade. – eu falei e um trovão ecoou forte.
Imediatamente a chuva começou a cair.
As duas assentiram e saíram em direção às cabanas dos novatos. Elas iriam buscá-los para o ultimo teste: uma luta real entre os novatos e os Boinas Verdes.
Eu, Emmett e Jasper ficamos debaixo de uma árvore para evitar a chuva. Emmett e Jasper discutiam sobre quem lutaria com Royce. Os dois queriam uma oportunidade de quebrar a cara do maldito... e com razão.
- Não! Eu já esperei tempo demais. Hoje Royce é meu. – Jasper falou taxativo.
Emmett concordou contrariado. Mas no fundo ele sabia que Jazz merecia dar uma bela surra em Royce.
- Você terá a sua chance com ele Emm. – eu falei e ele assentiu.
- Então eu fico com Newton e você fica com o novato garanhão, Bellinha. – Emm disse e eu dei os ombros – Afinal, tapa de amor não dói.
- Idiota. – eu resmunguei, mas não discordei.
Na verdade, eu queria lutar com Edward. Durante todo o treinamento nós nos desafiamos e não seria na última atividade que deixaríamos de fazer isso.
Emmett entregou uma faca e uma arma para mim e depois para Jasper. Guardei a faca na cintura. Depois, verifiquei se a arma estava devidamente carregada e a guardei na parte de trás do meu cinto.
Em poucos minutos, vimos Angela e Alice entrarem no campo com os novatos. Rapidamente meu olhar se ateve em Edward.
Eu o olhei atenta e lentamente de baixo para cima. Ele usava uma calça de moletom e uma camisa. Ele já estava completamente molhado e a camisa estava transparente e colada ao corpo.
Nem percebi que eu estava sorrindo levemente. Uma coisa eu tinha que admitir: ele era muito gostoso.
Eu comecei a andar em direção a ele. Eu sabia que Emm e Jazz me seguiam em direção aos seus respectivos novatos.
Senti a chuva gelada em meu corpo, mas continuei andando na direção de Edward e quando cheguei perto, lhe dei um soco no maxilar. Ele recebeu o soco e me olhou surpreso e com raiva... muita raiva.
Eu tentei acertá-lo mais uma vez, mas ele conseguiu se defender e me deu um soco. Um soco bem fraco. Eu dei um sorriso irônico.
- Eu vou acabar com você, novato. – falei tirando a faca da minha cintura.
Eu parti para cima dele. Ele desviou e eu acertei apenas seu ombro. Ele olhou para seu ombro e depois para mim. Acho que ele estava puto.
Ele tentou me dar um soco, mas eu desviei e fiz questão de lhe dar um corte nas costas. Rapidamente ele se virou e me acertou um murro no queixo. Dessa vez ele colocou força no soco e eu dei dois passos para trás.
Merda. Essa doeu.
Eu fui com tudo para cima dele. Minha intenção era dar uma facada no peito dele. Claro que eu não ia machucá-lo de verdade, mas de algum modo ele segurou meu braço antes que a faca encostasse nele.
Ele então me empurrou para longe e veio para cima de mim. Ele tentou me dar um soco, mas eu desviei e passei a faca pelo seu pulso, cortando um pouco.
O sangue logo foi limpo pela chuva que não parava de cair.
Sem que eu esperasse, ele me deu um soco no estômago e um chute na minha mão, fazendo com que a faca caísse longe de mim.
Eu olhei para a faca e depois para o Cullen.
– Eu não preciso dessa faca para acabar com você, novato. – afirmei.
– É o que veremos General. – ele me respondeu.
Céus... Ele era realmente muito arrogante. Irritantemente arrogante.
Eu chutei seu joelho e ele caiu no chão de joelhos. Não esperei e dei um soco do nariz e depois uma joelhada no estômago.
Fui dar mais um murro no rosto dele, mas ele me segurou e me jogou no chão lameado. Ele se levantou e rapidamente eu também. Eu não ficaria dando bobeira no chão.
Edward avançou em mim, me dando um murro das minhas costelas. Eu perdi o ar, mas não deixei de agir: me virei e dei uma cotovelada em seu pescoço. Agora foi a vez dele perder o ar.
Ele partiu para cima de mim mais uma vez, mas já estava na hora de parar com a palhaçada. Olhei rapidamente para os lados e percebi que Jasper e Emmett já tinham dominado os outros novatos. Então eu tirei a arma do meu cinto e apontei para ele, o fazendo parar antes de chegar até a mim.
– Fim da linha novato. Coloque as mãos para cima e fique de joelhos. – disse.
Ele hesitou, como sempre. Ele realmente tinha um puta problema em obedecer a ordens. Destravei a arma e atirei alguns centímetros acima da sua cabeça.
– Eu não estou brincando. – falei.
Só então ele fez como eu mandei. Lentamente, colocou as mãos para cima, em sinal de rendição e se ajoelhou aos meus pés... bem do jeito que eu gostava, pensei com malícia.
– Novatos, tomem um banho e coloquem as fardas que estão em cima da suas respectivas camas. Estejam no refeitório em 10 minutos ou eu capo os senhores. – ordenei tentando me concentrar.
Os três se levantaram e saíram do campo. Em seguida, os Boinas Verdes também foram para suas cabanas.
Eu tomei um banho rápido e coloquei nossa farda usada em comemorações, que era uma camisa social preta e uma saia acima de joelho também preta. Na camisa tinha a insígnia das Forças Especiais.
Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e coloquei minha boina verde e, por fim, os sapatos pretos de salto.
Cheguei ao refeitório e vi que a cortina branca já havia sido estendida no meio do refeitório para que os novatos não vissem ainda seus parentes.
Todos estavam a postos e só faltavam os novatos para darmos início à graduação.
Os novatos entraram no refeitório também com as fardas de comemoração.
- Em posição, novatos. – mandei e eles me obedeceram prontamente.
Corri o olho pelos três novatos e comecei com o discurso:
– “De Oppresso Liber” “Liberdade aos Oprimidos”. Liberdade. Aqui, nós a defendemos com a nossa própria vida. Somos o melhor grupo anti seqüestro e antiterrorismo do mundo. Somos primeiro grupo das Forças Especiais. Somos o grupo alfa.
Pausei por um instante e prossegui:
- O treinamento tem o objetivo de separar os fracos dos fortes. Um fraco jamais será um ‘boina verde’. É necessário garra, determinação, força, luta, raciocínio, caráter. Tivemos mais de duas mil inscrições, com 15 pré-selecionados. Desses quinze pré-selecionados, seis conseguiram entrar no treinamento. E desses seis, restaram apenas três. – falei.
“Nesses dias de treinamento, os senhores passaram fome, sede, foram levados ao limite, tanto física, como psicologicamente. Passaram por situações de estresse, de pressão, de humilhação, de tortura. E foram avaliados a cada segundo. A cada atitude. A cada momento. E há poucos minutos, os senhores acabaram de fazer o último teste do nosso treinamento”.
Mais uma vez olhei para cada novato, tentando ignorar Royce
– Edward Cullen, Mike Newton, Royce King II, sejam bem vindos ao grupo alfa das Forças Especiais dos Estados Unidos. – falei, por fim.
Meu olhar foi direto para Edward. Ele parecia não acreditar no que estava ouvindo.
Ele me olhou e seus olhos verdes brilhavam. Eu sabia muito bem o que ele estava sentindo. A minha graduação havia sido um dos momentos mais felizes da minha vida. Um dos poucos momentos que eu não me lembrava do meu irmão ou do que havia acontecido com Rose.
Ele piscou para mim e eu revirei os olhos. Só podia ser o novato mesmo...
Rose desceu a cortina e nesse momento, os novatos viram seus pais. Antes que eles se empolgassem demais, eu interrompi o momento.
- Levantem o braço direito para o juramento. – ordenei e eles me obedeceram. E comecei – Incorporando-me ao grupo alfa das Forças Especiais do exército dos Estados Unidos, prometo cumprir minhas tarefas com total dedicação e competência. – pausei e eles repetiram – Respeitar a hierarquia. Tratar com lealdade os irmãos de armas. E dedicar-me sem reservas ao serviço da pátria, cuja honra, integridade e instituições defenderei com o sacrifício da própria vida.
Terminei e eles repetiram o resto.
– Ao passar pelo treinamento e serem aceitos nas Forças Especiais, os senhores foram automaticamente promovidos na hierarquia do exército. Edward Cullen. – chamei.
Ele veio até a mim e parou na posição de descanso.
– O senhor foi promovido à Capitão do exército dos Estados Unidos da América. – disse e em seguida perguntei – O senhor promete realizar com honra e honestidade as funções e responsabilidades advindas do cargo de capitão?
– Sim, senhora. – ele respondeu.
Eu coloquei o pingente referente ao cargo de capitão em seu terno.
– Obrigado, General. – ele agradeceu.
– Parabéns, novato. E aproveite... porque será a última vez que eu te chamo assim. – falei e ele sorriu.
– Ainda bem... eu não agüentava mais ser chamado de novato. – falou fazendo uma careta.
Dei um meio sorriso rápido e coloquei uma boina verde nele.
– Seja bem vindo às Forças Especiais, Capitão Cullen. – falei e prestei continência para ele, em sinal de respeito.
– Obrigado, General Swan. – ele me respondeu, retribuindo a continência.
Ele voltou para o seu lugar.
- Mike Newton. – chamei.
Eu voltei para o meu lugar e ela chamou Mike e depois Royce, dando uma boina verde para os dois também. Mike fora promovido para Primeiro Tenente e Royce para Major.
– E dou por encerrada a sessão solene. – falei – E ‘boinas verdes’, descansem esse fim de semana e nos vemos na segunda feira, às 7 horas da manhã.
Depois de terminado o discurso, teve início a comemoração dos novatos com os pais no refeitório.
Eu olhava de longe todos se abraçando e cumprimentando. Meus olhos pararam no Royce. Tanto tempo eu esperei e agora ele estava ali... ao meu alcance. Realmente vingança era um prato que se come frio, mas não importava mais.
O desgraçado sentiu meu olhar e me olhou, em seguida me dando um sorriso malicioso e uma piscadela. Meu estômago embrulhou de nojo, mas eu sorri de volta. E meu sorriso se alargou quando eu pensei em tudo que eu faria com ele.
Eu vi Rose conversando com Edward, mas fiz questão de não ficar olhando muito. Eu não sabia o porquê, mas ainda me incomodava ter Rose tão perto dele.
Fui andando até uma mesa onde tinha alguns petiscos feitos pela Zafrina. Eu detestava essas festas comemorativas. Eu detestava ver como os pais amavam e tinham orgulho dos seus filhos, quando eu não tinha isso em casa.
No dia em que eu e Jasper formamos para as Forças Especiais, meu pai sequer me olhou nos olhos e só depois de muita insistência da mãe de Jasper e Rose que ele rosnou um “Parabéns”, que veio junto com um “Apesar de não ter sido mais que sua obrigação.”
Eu peguei um copo com coca cola de dei um gole.
- Obrigada. – escutei uma voz mansa e agradável. Olhei para trás e vi Esme Cullen, a mãe de Edward.
Olhei para os lados para ver com quem ela estava falando, mas não vi mais ninguém além de mim.
Eu franzi o cenho sem saber do que ela estava falando. Será que a mulher era louca?
- Meu filho sempre foi um ótimo menino. Desconfiado e tímido, mas um menino de ouro. – ela disse – Desde que nós o adotamos, ele era carinhoso da sua maneira, mas pela primeira vez eu o vejo com brilho nos olhos. E algo me diz que é graças a você.
Puta que pariu! O que eu devia falar agora?
- Oh! Me desculpe. Eu te constrangi. – ela disse meio envergonhada – Meu marido sempre me diz que às vezes eu falo mais do que deveria.
Eu continuei calada. Sério... eu não sabia lidar com mães. Desde que minha mãe morreu.
- Edward foi o melhor da turma. – eu disse a primeira coisa que veio na minha cabeça – Você deveria se orgulhar.
- E eu me orgulho. – ela disse sorrindo – Do mesmo jeito que eu me orgulho dele desde o primeiro dia que o vi. Ele sempre foi um menino mais quieto, mas ele também ele aprontava de vez em quando. Você acredita que ele foi suspenso da escola por colocar cola da cadeira da professora?
Ela disse rindo e eu também ri.
- Aposto que a professora mereceu. – comentei.
- Segundo Edward ela era muito malvada. – ela respondeu rindo.
O novato se aproximou de nós. Acho que ele não estava muito feliz com o fato de eu estar conversando com a sua mãe.
– Filho, nós estávamos falando de você. – minha mãe falou e me abraçou forte – Parabéns querido! Eu e seu pai estamos tão orgulhosos de você. Meu filho! Ah que orgulho!
Edward abraçou Esme, mas me olhou por cima dos ombros dela. Ele tinha a sobrancelha arqueada, querendo saber o que nós conversávamos sobre ele. Eu apenas dei o ombro.
– Me dêem licença... – eu pedi tentando dar privacidade para aquele momento mãe e filho.
Eu saí de perto deles e rodei um pouco pelo salão. Eu já estava ficando sufocada, quando saí do refeitório. Eu realmente estava precisando de um pouco de ar fresco.
Do lado de fora, eu me sentei em um banco e olhei para o céu. O céu estava lindo. Era lua cheia e havia pouquíssimas nuvens. Minha mãe amava a lua. Eu me lembro dela contar a história da princesa que vivia presa na lua esperando que sua alma gêmea fosse resgatá-la.
– A lua está linda. – escutei a voz do novato.
Eu o olhei e rapidamente voltei a olhar para o céu. Ele se sentou ao meu lado, mas não disse nada.
Eu apenas continuei a olhar para o céu e a pensar na minha mãe. Eu sentia falta dela. Muito mais do que eu gostaria de admitir. Eu queria ter minha mãe me abraçando como Esme fez com o novato.
– Seus pais te amam muito. – comentei distraída ainda olhando para o céu.
– Amam sim... eu tive muita sorte em encontrá-los. Eles mudaram a minha vida por completo. Não sei o que faria sem eles. – ele me respondeu em um tom nostalgico.
Eu sabia que a vida dele antes de Esme e Carlisle não devia ter sido fácil.
– E como era a sua vida com Harry e Sue? – perguntei a ele.
Surpreso, pelo fato de eu saber sobre Harry e Sue, ele não me respondeu.
– Nós investigamos a vida de todos os pré-selecionados para o nosso treinamento. E eles constam na sua ficha de adoção. – expliquei antes que ele me perguntasse como eu sabia.
– A minha vida com eles era normal. – ele mentiu.
– Não minta para mim Cullen. Eu odeio que mintam para mim. – o respondi bruscamente – Foram eles que causaram as marcas nas suas costas, não foram?
Eu já tinha o visto sem camisa algumas vezes. Mais vezes que eu deveria e infelizmente menos vezes que eu gostaria.
– Foram. – ele respondeu e em seguida respirou fundo, obviamente não querendo lembrar do que tinha acontecido.
– As marcas quase não são visíveis. – eu disse.
– Minha mãe, Esme, cuidou dos meus machucados quando eu fui morar com eles. E todos cicatrizaram rapidamente.
Eu percebi sua hesitação, então apenas fiquei em silêncio. Se ele quisesse falar, bem. Se não quisesse, amém.
– Desde os meus 06 anos, eu era obrigado a fazer toda tarefa de casa, como uma porra de um empregado. – ele começou hesitante – E se, por acaso, eu deixasse alguma tarefa mal feita, Sue me batia nas costas com um cinto de couro para eu “aprender a fazer as coisas bem feitas”, como ela mesma dizia.
Eu senti ele me olhar, mas eu apenas fiquei encarando a grande lua.
– Harry não ficava para trás. Ele também sempre me espancou. E o pior é que ele dizia que essa era a forma dele se acalmar depois de um dia conturbado no serviço. Sabe... ele era policial. – ele contava com mais firmeza e bufou com nojo – Um policial de merda. Ele era um corrupto... depravado. Na verdade, ele era um pedófilo que adorava uma menininha. Às vezes, ele as levava para a casa.
Instintivamente, eu estremeci. Eu detestava tudo o que tinha a ver com estupro.
– Eu escutava os gritos de desespero delas. Quase sempre, ele as deixava todas quebradas e sangrando no porão, onde eu dormia. Era eu quem as limpava... e depois ele as levava embora.
O novato parou de falar, com nítido nojo.
– O filho da puta era informante da máfia. – eu comentei.
– O que??? – ele praticamente gritou, se levantando do banco – Como assim informante da máfia?
Eu o olhei.
– Ele era informante da máfia. Da Cosa Nostra. Ele recebia uma boa grana para fazer vista grossa quanto às atividades ilegais que acontecia na área em que ele trabalhava. – respondi.
Pelo rosto do Cullen, se passaram diversas emoções. Supresa, entendimento, nojo e raiva.
– O FBI descobriu que Harry era informante da máfia e ele estava passando por um processo de exoneração do cargo de policial quando foi morto. – eu continuei – Eu pensei que você soubesse...
– Não... – ele falou engasgado – Eu não sabia.
Ele se sentou novamente ao meu lado e eu voltei a olhar para a lua.
– E a sua família? – ele quis saber.
– O que tem ela? – perguntei sem dar muito importância à pergunta dele.
– Você teve uma infância feliz? – ele me questionou.
Eu não consegui segurar uma risada sarcástica. De repente, a raiva dentro de mim veio à tona.
– Feliz? Imagina ter um quartel general dentro da sua própria casa. – falei sem tentar ocultar meu sentimento de raiva e desprezo – Era um verdadeiro inferno.
Eu voltei minha atenção para ele mais uma vez.
– Tudo cortesia do grande General Charlie Swan. – eu falei com sarcasmo.
– Ele era tão rígido assim? – ele me perguntou.
– Digamos que eu entendo porque meu irmão se matou. – eu respondi com sinceridade.
– Nossa, eu não sabia... eu... – ele balbuciou sem saber o que dizer.
Céus... eu detestava a compaixão alheia. Eu sempre tive ódio dos olhares de pena e solidariedade que as pessoas me lançavam quando descobriam a minha história.
– Eu não quero sua compaixão, Cullen. – eu cortei e me levantei do banco.
Eu o encarei por alguns segundo e procurei aquele olhar que eu tanto detestava. Antes que eu achasse alguma coisa, eu disse:
– Vá a merda!
– E você não tem a minha compaixão! – ele retrucou no mesmo tom que o meu e se levantou do banco também.
– Você acha que eu tenho dó de você? – ele perguntou retoricamente e me segurou pelo ombro me forçando a encará-lo – Me poupe! Eu sinto várias coisas por você, mas pena não é uma delas.
Sem que eu esperasse, ele me beijou. Ele não me beijou de uma maneira gentil, como seu eu fosse uma pobre coitada que iria quebrar a qualquer momento.
Ele me beijou com a mesma selvageria de sempre. Com a mesma intensidade e fome de sempre. E eu respondi da mesma maneira... até porque era a única maneira que eu sabia.
Eu o enlacei no pescoço dele e juntei ainda mais os nossos corpos. Ele desceu sua mão até minha cintura e me segurou com força. Céus... eu amava isso.
Eu suguei seu lábio inferior e ele gemeu na minha boca me apertando ainda mais contra ele.
O beijo ficava cada vez mais intenso. Eu me agarrava a ele com o desespero de quem queria esquecer tudo e ele também me agarrava como se precisasse disso para viver.
Ele, então, passou a beijar meu pescoço. Gemi, sentindo toda a minha pele se arrepiar. Ele beijou todo o meu pescoço, em seguida meu queixo e finalmente meus lábios novamente.
Eu abri os olhos e vi seus olhos verdes me encarando. Nós ficamos assim... nos encaramos por alguns segundos até que as nossas respirações se normalizassem.
– Esquece o que eu falei. – eu disse em um tom baixo se referindo ao meu vergonhoso surto – É... só um assunto que eu não gosto de lembrar. É um assunto delicado para mim.
– Eu nunca falei sobre Harry e Sue com ninguém. Nem com o famoso e rico psicólogo que meus pais pagaram por mais de cinco anos. Eu te entendo.
– Eu sei que entende. – eu respondi e me afastei dele – Nos vemos segunda, Capitão.
Sem esperar mais nada, eu entrei no refeitório. Minhas pernas estavam bambas e eu precisava sair daquele lugar.
Sem que ninguém percebesse, deixei o refeitório e fui para a minha cabana. Eu ainda estava com o coração acelerado e as pernas bambas. Mas o pior... era que, pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia frágil.
Notas finais
=)
anjo_culle, muito obrigada pela recomendação querida!!!!
Bjos
Fale com o autor