Boina Verde
2 Capítulo 1: General Swan
Notas iniciais
Eu cheguei à base às seis da manhã. A base estava vazia... e eu sempre era a primeira a chegar todos os dias.
Fui ao vestiário e coloquei minha roupa de exercício e malhei por duas horas, como sempre.
Depois, tomei banho, coloquei meu uniforme, minha boina verde e fui para o meu escritório. Antes, passei na cozinha e peguei uma xícara de café.
Grande parte do meu dia, eu passava no escritório, resolvendo problemas internos.
A verdade é que eu sentia falta de estar em ação no campo, mas era o preço da responsabilidade de ser um general do exército.
- General – Angela me chamou.
Eu olhei parei de ler o relatório e olhei para ela, que estava parada na porta do meu escritório.
- Aqui estão as inscrições dos candidatos já com o histórico de todos. – ela falou, entrando no escritório e me entregando três envelopes cheios de fichas.
Eu peguei as fichas e as coloquei em cima da minha mesa.
- Obrigada Major. Depois eu vou analisá-las. – eu a respondi – Está dispensada.
Ela prestou continência e saiu, me deixando sozinha novamente na minha mesa.
Eu voltei minha atenção para o relatório que eu estava analisando. Merda! Não era possível que não tínhamos nenhuma pista... eram 199 mortes em sete anos.
A cada morte, os generais de Washington me pressionavam mais. Eles praticamente exigiam que nós achássemos o famoso Assassino da Cruz.
O problema não eram os assassinatos em si. Eles não se importavam com as pessoas que eram mortas e eu sabia muito bem disso.
O problema era que a cada morte, a Cosa Nostra ficava cada vez mais forte... mais perigosa... mais sem limites... e o governo cada vez mais desmoralizado.
O pior de tudo, era que o filho da puta era bom. Todos esses anos e nenhum erro. Quer dizer, apenas um... eu.
A única fez que ele errou, nesses 07 anos, foi quando tentou me matar. Até hoje, ninguém sabia o porquê ele errou o tiro, que passou de raspão no meu braço... mas o fato é que ele errou.
Flashback On (06 anos atrás)
Era aniversário da morte de Derek... nove anos haviam se passado desde o dia que eu o encontrei morto em seu quarto.
Eu passei o dia no cemitério. Todo ano era a mesma coisa... eu ficava lá... o dia inteiro... em pé... olhando para a lápide.
Eu não chorava... não lamentava... e muito menos “conversava” com meu irmão. Eu apenas ficava olhando as palavras escritas na lápide.
Derek Swan — Querido filho e Amado irmão.
Era o único dia do ano em que eu me permitia lembrar de tudo. Das nossas brincadeiras e brigas... e do seu desespero quando tudo aconteceu.
Fiquei no cemitério até anoitecer e, depois, fui para a casa do meu pai. Eu sempre passava a noite no quarto de Derek. Eu sei que parece estranho, mas era o que me dava forças para continuar.
Quando cheguei à casa, meu pai me esperava na sala.
- Eu tentei falar com você o dia todo. Onde você estava? – ele me perguntou.
Eu suspirei cansada.
- Não precisa nem dizer. – ele falou ironicamente – Deixe-me adivinhar... você estava no cemitério, como sempre.
- Se você sabia onde eu estava, por que a pergunta? – eu perguntei.
Ele riu sarcasticamente.
- Passou o dia chorando pela morte do covarde do seu irmão? – ele perguntou.
Eu o ignorei e fui na direção das escadas, indo para o quarto de Derek. Mas ele segurou meu braço com força e me forçou a encará-lo.
- Eu fiz uma pergunta e eu exijo uma resposta! – ele rosnou.
Eu continuei em silêncio. Internamente eu me divertia em provocar a sua raiva. Ele aumentou a força no meu braço.
- Me. Responda. – ele repetiu no limite da sua paciência.
- Ou o que? Vai me bater? De novo? – eu o encarei com ódio e depois dei um sorriso sarcástico – E depois Derek é o covarde.
Charlie levantou a mão para me bater, mas antes que ele fizesse alguma coisa, eu me desvencilhei e dei um murro na boca do estômago.
Ele recuou assustado. Afinal, era a primeira vez que eu o afrontava.
- O que foi Charlie? – eu perguntei indo na direção dele – Com medo da sua filhinha?
Ele rosnou e partiu para cima de mim, me dando um soco no queixo. Na mesma hora, eu revidei, dando um soco nas costelas dele.
Rapidamente, eu dei um chute na sua barriga, fazendo com que ele caísse em cima de uma cadeira e depois no chão.
Então, eu simplesmente surtei. Eu subi em cima dele e comecei a distribuir socos.
- Seu maldito! É tudo culpa sua!!! – eu gritava entre socos – Você matou a minha mãe! Você matou Derek.
Eu estava extravasando por todos os anos de tortura que eu vivi ao seu lado.. por todas as surras... por todas as suas palavras maldosas...
Eu não sei por quanto tempo eu fiquei em cima dele, apenas socando e gritando. Até que eu senti que me carregavam.
Eu ainda tentava partir para cima de Charlie e só parei quando percebi que era Jasper quem me segurava. Ele me abraçou firme.
- Shhhh... – ele falou baixinho – Já passou.
Eu ainda bufava com ódio daquele desgraçado. Mas aos poucos Jasper conseguiu me acalmar.
Olhei para Charlie e ele estava sendo carregado pelo tio Peter para a sala.
- Eu e meu pai viemos ver se você queria jantar com a gente. – Jasper disse – Pelo visto chegamos na hora certa.
- Chegaram na hora errada. – eu falei – Eu ia acabar com a raça desse maldito.
- Bella... ele é seu pai. – Jasper falou carinhosamente segurando meu rosto.
Eu ri ironicamente.
- Acho que você deveria avisar isso a ele. – eu falei com desprezo.
Jasper não disse nada, apenas me deu um beijo na testa.
- Vamos embora daqui. Vamos para o nosso apartamento. – ele disse.
À época, eu e Jasper éramos noivos e vivíamos praticamente juntos... porque, na realidade, ninguém merecia morar naquele inferno que meu pai chamava de casa.
Eu apenas assenti, cansada de tudo... e nós fomos para o nosso apartamento.
Em poucos minutos, já estávamos em casa. Jasper ficou na sala, assistindo televisão. E eu fui para o nosso quarto.
Ele sabia que eu precisava de um momento meu... sozinha... para pensar no que tinha acontecido.
Eu tomei um banho, mas ainda assim não consegui relaxar. Eu ainda pensava no maldito do meu pai e a raiva tomava conta de mim.
Eu coloquei minha roupa de malhar e fui para a sala.
- Eu vou dar uma volta pelo Central Park. – eu falei – Me acompanha?
Eu tinha o costume de correr pelo parque à noite. Ajudava a relaxar.
- Não querida. Rose já está me esperando. – ele disse e eu assenti.
Eu sabia que hoje também era um dia difícil para ela.
- Tudo bem. – eu falei e perguntei – Você dorme aqui em casa hoje?
- Provavelmente não. – ele respondeu desligando a televisão.
- Ok. Até. E dê um beijo em Rose por mim. – eu me despedi dele, já saindo do apartamento.
...
Eu estava correndo no parque e pensando em Derek... e em Charlie.
Eu demorei todos esses anos para tomar uma postura quanto aquele maldito, mas valeu a pena.
Triste era pensar que Derek não teve forças para encarar nosso pai. De vez em quando eu me pegava pensando que se ele tivesse batido de frente com Charlie, ele não teria se matado... mas agora era tarde demais para ficar pensando “E se”.
Passei pelo meu local favorito do parque... um lugar deserto, que quase ninguém conhecia.
Então, eu parei de correr e me sentei em um banco. Eu estava cansada. Cansada de tudo. Cansada da vida.
Eu queria simplesmente sumir... mas eu não ia parar enquanto eu conseguisse a minha vingança. Eu iria até o inferno, se precisasse fosse, para achar o culpado por tudo... e quando eu o encontrasse, ele ia implorar para morrer.
Eu estava perdida em meus pensamentos e olhando para o nada. Fixei meu olho na mata e, de repente, senti meu braço direito arder.
Eu olhei meu braço e percebi que era um tiro que tinha passado de raspão. Imediatamente, eu pulei para trás do banco, tentando me proteger.
Coloquei a mão na cintura, procurando minha arma. Merda... claro que eu havia a deixado em casa.
Escondida, eu esperei por mais tiros, que não vieram. O idiota deve ter percebido que errou e fugiu, com medo de ser pego.
Segundos depois, eu peguei meu celular e liguei para Jasper, contando o que havia acontecido.
Em poucos minutos, a área já estava isolada. Havia quatro viaturas da polícia e uma ambulância.
- Tem certeza que está tudo bem? – Jasper perguntou pela milésima vez.
Eu revirei os olhos. Jasper estava insistindo, inutilmente, para eu ir ao hospital. Nem morta que ia para o hospital por causa de um arranhãozinho.
- Vai ficar tudo bem, Jazz. – Rose falou fazendo um curativo – Foi só de raspão.
- Você sabe quem foi, Bella? – Jasper me perguntou desconfiado.
Eu sei o que ele estava pensando... em Charlie. Mas eu sabia que não era ele... meu pai não faria isso as escondidas não. Ele era orgulhoso e arrogante demais para tentar me matar dessa forma.
E no mais. O máximo que Charlie faria comigo era espancar... como fez tantas outras vezes.
- Não. Eu não vi nada. – eu respondi – Apenas senti a ardência no meu braço.
Um Capitão chegou trazendo uma cápsula de bala.
- Parece que temos a primeira vítima do Assassino da Cruz que escapou com vida. – ele disse sorrindo igual um idiota.
- Tem certeza? – Jasper perguntou.
- Absoluta. – ele falou e mostrou a cápsula – Olha a marca dele aqui.
Jasper e Rose me olharam assustados.
Eu não expressei nenhuma emoção, mas por dentro, eu queria que ele tivesse acertado... quem sabe assim não acabaria toda essa confusão que a minha vida se tornou?
- Foi por causa do esconderijo da Cosa Nostra que você explodiu mês passado. – Jasper afirmou.
E eu assenti. Por causa de uma missão, eu havia me tornado alvo do Assassino da Cruz. E ele tinha errado... infelizmente.
Flashback Off
Eu deixei os relatórios em cima da minha mesa, me levantei e fui para a sala de treinamento, onde estavam Emmett, Jasper e Alice.
- Hoje à noite tem a seleção dos novatos para fazer. – eu falei.
- Oba... novos sacos de porrada! – Emm falou brincando.
- Vamos nos reunir na sua casa Jasper? – eu perguntei.
- Sim. Já está marcado e Rose já comprou as cervejas e os petiscos. – ele confirmou.
- Ótimo. Nós nos vemos à noite. – eu falei e olhei para Jasper séria – Jasper, eu estarei a tarde toda em uma reunião.
Eu o avisei somente para ele ficar ciente que ele seria o responsável pelo grupo na minha ausência.
- Sim senhora. – ele me respondeu, entendendo o que eu estava dizendo.
Eu me virei e fui para a Secretaria de Segurança e tive uma das várias reuniões chatas e inúteis, com um bando de babaca que não sabia sequer atirar direito... mas estavam no poder por causa de política e eu tinha que respeitá-los.
À noite, eu passei em casa só para tomar um banho rápido e fui apara a casa de Rose e Jasper, que era o apartamento do lado do meu.
Eu e Jasper não morávamos mais juntos, pois nós tínhamos terminado nosso noivado há quatro anos.
Faltavam apenas dois meses para o nosso casamento, mas eu sabia que não podia mais seguir em frente com aquilo. Jazz merecia uma mulher que o amasse por completo... e não eu...
Nós conversamos e chegamos à conclusão que nós nos amávamos como irmãos e não como homem e mulher... e então, decidimos cancelar o casamento e, claro, terminar nosso noivado.
Então, quando eu e Jasper terminamos nosso noivado, ele me deu o apartamento que seria nosso e comprou um do lado, onde ele morava com Rose.
Eu abri a porta do apartamento de Rose e Jazz, já sabendo que ela estaria destrancada, e entrei. Todos já estavam lá, apenas me esperando.
- Finalmente a Bellinha chegou. – Emmett falou se sentando à mesa – Já podemos começar.
Rose me deu uma cerveja e eu me sentei à mesa junto com todos. Eu coloquei as fichas em cima da mesa.
Nós abrimos os envelopes e começamos a seleção.
- Joshua McGreeby. – eu falei pegando a ficha – Major de 30 anos. Está a dez anos no exército e tem duas advertências por insubordinação. Casado com a filha de um Major-General. Marido e pai dedicado aos fins de semana, mas adora comer uma puta durante a semana.
- Eu o conheço. – Jasper falou – O pai dele é Tenente-General McGreeby e faz todas as suas vontades. Esse Joshua é um incompetente que nem sabe prestar continência direito.
Emm pegou a ficha da minha mão e a rasgou.
- Um a menos! – ele disse rindo.
Rose pegou outra ficha.
- Mike Newton. – ela disse lendo a ficha – 22 anos. Segundo Tenente. Assíduo tanto na sala de tiros quanto na academia do quartel. Não tem nenhuma punição e é considerado completamente subordinado e eficaz pelos seus superiores. O pai morreu há 10 anos e desde então, mora com a mãe. Não tem nenhuma passagem pela polícia e nada que desabone sua conduta.
- Gostei dele. – Alice falou.
- Eu também. – Jasper disse.
- Eu também. E você Bellinha? – Emm perguntou.
- Pode ser. – eu falei dando os ombros.
Como era apenas uma pré-seleção, nós não precisávamos ser muitos criteriosos, o que facilitava nosso trabalho.
Já estávamos selecionando há duas horas... e a maioria não era competente o bastante para ser um ‘boina verde’.
- O próximo é Edward Anthony Cullen. – Alice falou e pegou a ficha dele – Nossa... que gato!
- Ou!!!! Eu estou aqui do seu lado. – Jasper reclamou, ganhando um beijo de desculpas de Alice.
Sim... Jasper namorava Alice há dois anos já... e eles formavam um casal perfeito... ela era simplesmente perfeita para ele.
Era impressionante o quanto eles davam certo... como se tivessem nascido um para o outro. E eu ficava contente em saber que ele estava com a mulher certa para ele...
- Eu me lembro dele. – Emm comentou – Foi o melhor recruta no ano que eu fui o responsável pelo treinamento em Fort Hamilton. O cara é bom
- Eu também me lembro dele. Eu fiquei impressionado com a mira dele. – Jasper falou – Nós até comentamos sobre isso, se lembra Bella?
Eu fiquei olhando para a foto.
- Não. – eu respondi – Não me lembro.
Eu não sei por que eu menti. Eu me lembrava perfeitamente dos seus olhos verdes tão misteriosos... e da corrente que eu senti quando o toquei acidentalmente.
Flashback On (04 anos atrás)
Eu, Jasper e Emmett estávamos no galpão esperando os recrutas para darmos início ao treinamento do ano. Emm estava nervoso, pois seria o primeiro treinamento que ele seria responsável.
Todos os recrutas entraram no galpão fazendo barulho e se sentaram. Depois de dois minutos, a sineta tocou, exigindo silêncio de todos.
Emmett se levantou e todos prestaram continência a ele... em sinal de respeito. E ele retribuiu a continência.
- Descansar. – ele disse firmemente.
Todos os soldados ficaram em posição de descanso.
- Eu sou o Capitão Emmett McCarty. – Emm começou o seu discurso – Esses são o Major Jasper Hale e a Tenente Coronel Isabella Swan. Hoje nós damos início a mais um recrutamento.
Enquanto Emmett fazia seu discurso, eu e Jasper analisávamos os recrutas ali. Em sua maioria, era um bando de idiotas que não tinham nenhuma noção do que era a vida no exército.
– A partir de hoje, vocês darão a sua vida se necessário para proteger nosso país e seus cidadãos. Quem não tiver coragem suficiente, pode se retirar agora! – Emmett falou.
Os recrutas se assustaram com as palavras de Emmett e logo um murmurinho começou entre os idiotas dos recrutas.
Sem pensar, eu me levantei.
- Calados! – eu ordenei, dando um murro na mesa, de raiva por causa do desrespeito.
Os idiotas ficaram calados e eu olhei por alguns segundos por todo galpão.
- Quando uma autoridade estiver falando, vocês, aspirantes de merda, calem a boca! – eu esbravejei – Quem sabe trinta dias de prisão para todos aqui não sirva para vocês aprenderem a se calar perante uma autoridade?
Eu me sentei e vi Emmett e Jasper sorrindo. Eles adoravam quando eu “colocava moral”, nas palavras do Emm.
- Bando de incompetentes. – eu resmunguei – Um dia comigo e eu duvido que eles farão isso novamente.
Jasper e Emm riram. Eles se divertiam ao ver aquele bando de imbecis com medo de mim.
- “This We’ll Defend”. Esse é o nosso lema. – Emmett continuou – E também será o lema de vocês, a partir de hoje!
Já instruídos, os todos os soldados do galpão gritaram “This We’ll Defend”, assustando os recrutas... Eles realmente eram um bando de idiotas, como eu disse antes.
- O treinamento consiste em quatro etapas mais a graduação. Claro, para aqueles que conseguirem concluir todo o treinamento. Assim, estamos declarando aberto o 58º Treinamento de Recrutas de Fort Hamilton. Bem vindos, recrutas. – Emmett concluiu seu discurso.
Ele se sentou ao meu lado e de Jasper.
- Vamos ver quanto tempo eles agüentam dessa chatice. – Emm falou baixo somente para nós dois.
Essa primeira etapa do treinamento era simplesmente insuportável. Ela era chamada de Introdução ao Exército. E era inútil... totalmente inútil.
Ela era apenas soldados contando como foi para eles ingressar no exército... uma verdadeira perda de tempo.
- E esse ano ainda vai ser pior. – eu falei e eles me olharam curiosos.
Então, eles viram o soldado Marshal subindo no palco.
- Caralho... coitado dos recrutas. – Jasper falou segurando o riso.
- A Bellinha é do mal... – Emmett disse também segurando o riso.
O soldado Marshal era o mais chato de todo o quartel. Ele adorava falar e falar por horas. E eu o convidei para fazer parte da Introdução ao Exército, que aceitou prontamente.
O soldado imediatamente começou a contar, nos mínimos e chatos detalhes, a sua história.
Eu estava me divertindo ao ver as expressões enfadonhas dos recrutas. Eu corria meu olhar pelo galpão, olhando praticamente um por um.
Passei o olho por um recruta de cabelos cor de cobre. Pela sua feição, ele parecia estar puto com alguma coisa...
Mas o que mais me chamou atenção foi a sua beleza. Com certeza, era um homem lindo... um dos mais lindos que eu já havia visto.
Quando eu estava o analisando, ele levantou o rosto, me olhando. E diferentemente das outras pessoas, que sempre desviavam o olhar, ele me olhou no fundo dos meus olhos.
Minha primeira reação foi o encarar de volta, para que ele soubesse quem mandava naquela porra.
Mas o que me assustou mesmo foi minha segunda reação... eu simplesmente fiquei presa aquele olhar... que parecia esconder algo.
Os seus olhos eram verdes... e lindos.... e o mais estranho: me pareciam familiar. Rapidamente, me recompus e desviei o olhar para o recruta loiro ao seu lado.
Durante todo o discurso do soldado Marshall e dos outros, por muitas vezes, eu voltei meu olhar para o recruta de olhos verdes... como se eu estivesse atraída por alguma coisa... mas nossos olhares não se cruzaram mais aquele dia.
...
No outro dia de manhã, fomos tomar café da manhã no quartel. Eu, Jasper e Emmett nos sentamos em uma mesa mais afastada, pois precisávamos conversar com certa privacidade.
- Está na hora de ingressarmos nas Forças Especiais. – eu falei.
- Não seria mais prudente esperar um pouco mais? – Emmett perguntou.
- Não. – Jasper respondeu – Já estamos prontos. Essa é a hora.
Eu senti que alguém me observava e olhei na direção.
Que merda era aquela? Por que justo o recruta de olhos verdes estava me olhado? A esta altura, eu já tinha lido a sua ficha de inscrição e sabia que seu nome era Edward Cullen.
Mais uma vez eu tive a impressão que parecia haver mais do que um simples olhar... como se ele soubesse ou escondesse algo...
Ao ser pego me encarando, ele baixou a cabeça... mas eu continuei o encarando.
Imediatamente, Jasper e Emmett olharam na direção que eu olhava.
- Parece que a Bella arrumou um admirador. – Jasper falou – O recruta ali não tira os olhos dela desde ontem.
Eu o ignorei porque ele sabia me provocar quando queria. Emmett deu uma gargalhada alta, chamando atenção de todos. Eu apenas revirei os olhos e não olhei mais para o recruta.
...
Por causa da inscrição nas Forças Especiais, eu e Jasper não participamos ativamente do treinamento dos recrutas, mas sempre quando eu ia, eu observava o Cullen com mais atenção.
Ele me instigava, pois eu não conseguia entender a sua postura... e nem a sua competência. E tinha alguma coisa que não se encaixava.
Ele tinha a pontaria melhor que muito tenente com anos de exército... e parecia ter uma familiaridade enorme com armas de fogo.
Jasper me pegou olhando para o recruta algumas vezes e tentou conversar comigo sobre isso. Eu apenas menosprezei o que ele tinha a dizer, afirmando que ele estava vendo chifre em cabeça de cavalo. Realmente esse era um assunto que eu não queria falar sobre.
No dia da graduação, eu e Jasper nos sentamos à mesa no palco feito no pátio.
Por ter sido o responsável pelo treinamento, Emmett faria o discurso final. Ele estava realizado, pois o treinamento havia sido um sucesso e certamente, ele seria promovido a major.
Ele chamou todos os recrutas, um a um, para receberem suas insígnias, deixando de chamar apenas o Cullen.
- Agora – Emmett falou para todos – Chamamos ao palco, Edward Anthony Cullen, o recruta com os melhores resultados do 58º Treinamento de Recrutas de Fort Hamilton.
Todos começaram aplaudiram de pé, mas ele ficou parado por alguns segundos, como se não tivesse assimilado o que estava acontecendo.
Então, ele olhou para trás e logo se levantou, andando em direção ao palco. Eu me levantei da minha cadeira e caminhei em direção a ele.
Ele tinha um cheiro muito bom... de homem... de macho.
Eu o olhei nos olhos e coloquei a insígnia em seu ombro, tocando acidentalmente seu pescoço. Assim que o toquei, eu senti uma corrente elétrica passar pelo meu corpo e percebi que ele também tinha sentido, pois seus pêlos ficaram arrepiados.
Eu abaixei a mão rapidamente e ele me olhou um tanto assustado.
- Parabéns soldado. – eu falei olhando nos seus olhos sem demonstrar nenhuma emoção, o que eu fazia com facilidade... tendo em visto os anos de prática.
A verdade, que eu jamais admitiria para ninguém, é que não gostava das sensações e a curiosidade que ele despertava em mim.
- Obrigado. – ele respondeu secamente.
Em sinal de respeito, eu prestei continência a ele, que me retribuiu.
Para a minha surpresa, ele olhou para a platéia e sorriu. Era a primeira vez que eu o via sem a máscara de indiferença que ele usou durante todo o treinamento.
Ele voltou o olhar até a mim e me encarou novamente. Então, eu me virei e voltei para meu lugar, ao lado de Jasper, que imediatamente chamou o Cullen para se sentar ao nosso lado.
Emmett encerrou seu discurso, dando por encerrado a cerimônia de graduação. Assim que acabou a celebração, eu me afastei de todos, tentando colocar meus pensamentos no lugar.
Flashback Off
- Esse tal de Edward tem 27 anos e é Primeiro Tenente. – Alice leu a ficha dele, me trazendo para a realidade – Foi adotado por Esme e Carlisle Cullen aos 13 anos. Antes disso, ele morava com Harry e Sue Clearwater.
- Harry era um informante da Cosa Nostra. – eu falei.
- Como você sabe? – Alice me perguntou.
- Meu pai foi quem descobriu. – eu falei.
- Será que ele sabe disse? – Emmett perguntou.
- Eu duvido muito. – Rose falou – Aqui na ficha diz que ele sofreu maus tratos antes de ser adotado pelos Cullen... e ele era apenas um menino de 13 anos.
- Não tem nada que o desabone. – Alice falou – Antes pelo contrário. Os relatórios ao respeito dele são impressionantes.
- Então, o chamaremos para a entrevista. – eu falei guardando sua ficha – Quem é o próximo?
- Royce King II. – Emmett falou mostrando a foto dele.
Nesse momento, percebi que Rose simplesmente travou e ficou branca. Estranhando aquela reação dela, eu comecei a prestar atenção em seus atos.
- Ele tem 30 anos e é Capitão. – Emmett falou.
Rose estava cada vez mais pálida... e por um momento, eu achei que ela iria vomitar. Ela fechou os olhos por alguns segundos e se levantou.
Todos a olharam e ela forçou um sorriso.
- Eu estou muito cansada e vou tomar um banho para relaxar. – ela mentiu.
Todos assentiram e ela saiu, indo para o banheiro.
Depois de alguns minutos, eu me levantei com a desculpa que ia ao banheiro e fui para o quarto de Rose.
A luz estava apagada e eu não a acendi. Apenas fiquei esperando por ela, sentada em sua cama.
Ela entrou no quarto e acendeu a luz, se assustando com a minha presença. Ela ficou parada, me olhando.
- O que aconteceu Rose? – eu perguntei.
- Nada... – ela mentiu, baixando os olhos – Não aconteceu nada, ora.
Eu bufei irritada... eu realmente odiava quando mentiam para mim.
- Da próxima vez que mentir, tente fazer mais convincente. – eu disse rispidamente – Eu vou te perguntar mais uma vez: o que foi que aconteceu?
Rose se sentou a meu lado e ficou olhando para as próprias mãos, que estavam em seu colo.
- Era ele. – ela disse chorando.
Eu parei de respirar... não acreditando no que eu estava ouvindo... depois de tantos anos... ele...
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Rose chorava, relembrando toda dor, enquanto eu apenas olhava para o nada ainda tentando assimilar as palavras dela.
Ele... nós o encontramos... e finalmente iríamos nos vingar....
- Certo. Então agora sabemos quem é o desgraçado. – eu falei, quebrando o silêncio.
- O que você quer fazer? – Rose me perguntou.
Eu a olhei e segurei suas mãos. Apesar de tudo, a vingança seria como Rose quisesse... eu devia isso a ela.
- O que você quer fazer, Rose? – eu a perguntei.
- Eu quero vingança. – ela disse tão convicta que até eu me assustei.
Rose era doce... eu jamais esperaria que ela quisesse vingança tão desesperadamente. Mas eu a entendia.... era a nossa chance de dar um fim nesse capítulo das nossas vidas.
Eu sabia que ela não conseguiria fazer parte da vingança, mas eu já tinha todo plano na minha mente... afinal, treze anos era bastante tempo para se pensar.
- Tudo bem. – eu concordei rapidamente – Você quer sua vingança e a terá. Eu te prometo, Rose.
Ela colocou a cabeça no meu ombro, pedindo carinho e eu a abracei.
- Só não conte nada a Jasper, por favor. – Rose pediu chorando.
- Rose... eu não posso esconder isso dele. Por favor, não me peça isso. – eu falei.
Eu não poderia manter esse segredo de Jasper... não dele... que esteve ao meu lado em todos os momentos. Que planejou tanto quanto eu esse momento...
- Bella, me prometa. Me prometa que você não contará nada para Jasper ou Emmett. – Rose pediu desesperada, chorando e soluçando.
- Me prometa Bella. – ela insistiu com os olhos cheios de dor.
Eu não conseguiria negar isso a ela... não agora.
- Eu prometo... pelo menos por enquanto. – eu falei, a tranqüilizando – Mas eles terão que saber a verdade. A vingança é sua, Rose, mas todos nós estamos envolvidos nisso.
- O que você vai fazer? – ela me perguntou.
- Vou selecioná-lo para o nosso treinamento. – eu falei friamente.
Meu plano já estava traçado... e quando chegasse a hora... ele iria pagar por tudo... ou eu não me chamaria Isabella Swan.
Notas finais
Antes de mais nada que queria falar que essa fic é apenas a versão da Bella para Cosa Nostra... NÃO é necessário ler uma para entender a outra... elas são completamente independentes... ok???
Eu a escrevi pq muitas pessoas me pediam um PDV da Bella... então, quem quiser saber o que se passava na cabeça louca da nossa querida General, sinta-se a vontade para ler Boina Verde...
Eu queria agradecer à:
- Anandika;
- mrvvaz;
- 210889 (mais conhecida como Renatinha... rrss); e
- Chele_Cullen.
Meninas, obrigada pelas recomendaçoes... 04 com apenas o prólogo foi demais para mim!!!!!!!!!!! AMEI!!!!!!!!!
Espero que tenham gostado do capitulo....
Bjos a todos e nos vemos em Cosa Nostra...
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