Isso é a vida real, ou é apenas uma mentira, uma mera fantasia? Se formos pegos por um desmoronamento, daí então saberemos que não há escapatória nenhum da dura realidade.

As vezes devemos olhar para o céu e perceber o quão insignificante somos perante esse vasto mundo. Essa vasta vida, que não... Não é fácil para ninguém.

Eu sou apenas uma pobre criança 16 anos de idade. De que importa eu lhe falar meu nome? De que adianta eu falar dos meus gostos? De que adianta eu dizer que eu sou? Isso não importa... De que adianta falar minha sexualidade, minha cor, minha religião, meus pensamentos sobre política? Somos todos iguais... Todos... Nossos atos que diferem nossa índole. E isso, talvez eu não tenha uma muito boa...

Certo... Meu nome é Matheus e então começaremos do início, da minha memória mais antiga. Meu primeiro dia de aula. Lembro daquele dia assombroso até hoje. Ver minha mãe e meu pai me deixando em um lugar grande como aquele ao lado de centenas de outras crianças que eu não conhecia e de adultos que me assustavam não é nunca uma visão muito interessante para uma criança dessa idade.

Nessa idade as crianças não possuem crueldade em seu coração ainda. Ainda... São o que mais se aproximam aos anjos, de alma limpas, puras. A única coisa que temos nessa idade é a curiosidade. A ideia de descobrir o que há dentro de um frasco, do outro lado da parede, dentro de um simples objeto, o gosto de algo, seu som quando se choca à alguma coisa... É tudo extremamente fantástico e novo.

Essa fase é muito boa. Não temos preocupação com nada na vida. Só queremos sair correndo, olhando tudo ao nosso redor e pegar tudo ao nosso alcance para o explorar também. Somos pequenos grandes exploradores.

Nasci em uma família pobre, casa pequena, apenas um quarto. Meu pai marceneiro, minha mãe dona de casa. Ganhávamos pouco, mas isso não importava para mim até eu descobrir as coisas pagas desse mundo.

Eu dormia junto de meus pais, na cama deles. Os amo tanto. Sempre me davam todo o amor possível, todo o carinho, mesmo preocupados se teriam dinheiro para a comida do amanhã eles nunca deixaram de demonstrar seu afeto fraternal por mim. Aquilo me fazia feliz.

Conforme comecei a crescer, não pude mais dormir na cama deles. Compreendi. Estava ficando muito grande. Passei a dormir no sofá, pois não tínhamos dinheiro suficiente para comprar uma cama. Era uma cama ou comida. Sempre sofremos muito por causa desse detalhe chamado dinheiro.

A primeira série foi o começo de uma vida de terror. Os primeiros meses foram os melhores da minha vida, sim, admito. Conheci gente nova. Fiz amigos. Apenas Dois, mas para mim, os melhores. Carla e Thomas eram seus nomes. Sempre nos divertíamos brincando, conversando, rindo. Éramos inseparáveis. Mas... No terceiro mês, tudo virou de cabeça para baixo. Um menino novo veio para a escola. João era seu nome. Um nome comum, mas esse menino não era. Logo que chegou, mostrou ser um monstro. Começou a separar amigos, formar grupos e com que os outros se fechassem nos seus. O meu? Eu, Carla e Thomas.

Ele batia nos outros, rindo deles. Os beliscava, mordia, jogava no chão, passava rasteira, empurrava na parede. Era agressivo e ria da dor dos outros. Um sádico. Seu principal alvo? Eu.

Quando comecei a voltar para casa com partes do corpo roxas e raladas, meus pais se preocuparam e tentaram falar com a diretoria, mas esse menino era filho da chefe da diretoria de ensino da cidade em que eu morava. Nem mesmo os(as) diretores(as) das escolas que ele era matriculado se envolviam com ele, pois, assim como meu pai, precisavam de seus empregos para sustentar a família, a comida, a água.

Como não tínhamos carro, minha mãe sempre me buscava a pé da escola, e eu e meus amigos sempre íamos juntos, então, eu conhecia muito bem suas mães.

Mesmo elas indo nos buscar, ainda éramos importunados por João durante o horário escolar.

Nós três sempre andávamos juntos, querendo um proteger o outro, mas o fato era de que só apanhávamos os três juntos.

Anos iam passando. A força dele ia aumentando. Nossos machucados também. Sabíamos que se revidássemos iria ser bem pior, então ficávamos quietos, sentindo dores por todo o corpo, querendo que aquele inferno acabasse.

A situação em casa era sempre a mesma. Meu pai nunca conseguiu ganhar mais do que sempre ganhou, e conforme os preços das coisas subiam, nossa fome ia junto no fim do mês.

No ensino fundamental 2 fui finalmente apresentado ao sistema de troca de professores, o que aumentou ainda mais o meu sofrimento e o de meus amigos, pois em todas as trocas, enquanto o próximo professor não entrava na sala, João e seu grupinho faziam a festa. Suas agressões estavam mais dolorosas, muitas vezes envolvendo cadernos, lápis e até cadeiras inteiras. A polícia muitas vezes era chamada, mas como o maldito era menor de idade e sua família rica, nada acontecia.

“Dinheiro não trás felicidade” Alguns dizem. Quero ver vocês felizes passando fome e sede, dormindo num sofá com mais de 30 anos, quebrado, rasgado. Nenhum bichinho de estimação para lhe fazer companhia além dos ratos que podem lhe morder à qualquer momento e lhe trazer uma doença. Dinheiro não trás felicidade?! Vejo minha mãe chorando todos os dias, ficando cada vez mais magra, tirando de sua boca para dar para mim. Isso é felicidade?! ISSO É MESMO FELICIDADE?! SIM! DINHEIRO FAZ AS PESSOAS QUE NÓS AMAMOS MELHOR, COMENDO O QUE BEM QUISEREM, TER TODAS AS CAMAS CONFORTÁVEIS E COBERTORES QUENFINHOS E CONFORTÁVEIS QUE QUISERMOS. TERMOS UMA CASA DIGNA, UM LUGAR DIGNO, NÃO SER ESPANCADO E TER QUE FICAR QUIETO. NÃO VENHAM COM ESSA PORCARIA DE FRASE, POIS EU SEI MAIS QUE NINGUÉM QUE SIM, O DINHEIRO TRÁZ FELICIDADE!

...

Ver minha mãe daquele jeito, acabada, magra, triste. Deplorável... Aquilo era tão ruim para mim. Por mais que eu insistisse para não comer, ela dizia que se eu não comesse, a comida para o lixo! Eu não queria desperdiçar nunca o pouco que tínhamos, e era obrigado a ver minha mãe comer uma colher de arroz apenas.

Carla, dentre nós 3, era a que tinha uma situação monetária melhor. Ela sempre trazia dois lanches: um em sua mochila e um escondido. O da mochila João sempre pegava, por isso ela já estava acostumada com isso. O que ela escondia pelo seu corpo, ela dividia igualmente para nós dentro do banheiro feminino, que era o único lugar onde João nunca entrou. Aquele lugar era mais um esconderijo que um banheiro.

Nunca olhei para Carla de outro jeito além de uma amiga. Nunca olhei nenhum dos meus dois irmãos como algo a mais que grande, gigantes e especiais amigos, mesmo na puberdade. Sempre nos tratávamos com respeito, nunca olhando um para o outro de jeito malicioso. Éramos amigos. Irmãos.

Meu pai começou a ficar cada vez mais e mais ausente, fazendo mais e mais horas extras no trabalho para trazer comida para casa conforme o tempo passava e o preço de tudo subia. Começamos a abdicar de coisas como telefone dentro de casa para que não morrêssemos de fome.

5°, 6°, 7°, 8° e 9° anos do ensino fundamental 2 se passaram com dificuldades. Colegial. 1° ano do famoso ensino médio. Tudo piorou.

João era um monstro. Quebrava osso dos outros, os empurrava de escadas, espancava, chutava e ria de tudo enquanto todos tinham medo de denunciar.

Ele quebrou alguns de meus dedos também, o que fez com que eu não conseguisse ser contratado em nenhum emprego para que eu pudesse ajuda em minha casa. Isso me deixou irritado e eu fiz uma loucura. Algo que ninguém nunca tinha feito. Dei um soco nele.

Ele não era aquele falso valentão que só se achava. Ele era realmente fortão. Meu soco mal fez ele cambalear. Nunca soquei nada. Doeu minha mão.

Ele riu de mim e então um círculo dos “capangas” dele se formou em minha volta. Ele me passou uma rasteira, me derrubando de costas no chão e chutou minha barriga.

Aquela dor. O ar saindo de mim e não voltando. Era agonizante! Vi Carla e Thomas fora da roda, ambos chorando me olhando, não podendo fazer nada me vendo lá, sendo chutado por mais de 9 outros jovens em posição fetal, cuspindo sangue.

Fiquei lá, sendo chutado por longos 5 minutos. Quando eles pararam, João riu e cuspiu em mim. Todos queriam me ajudar depois daquilo, mas eu não precisava nem queria simpatia de ninguém exceto de meus queridos e fiéis amigos, Carla e Thomas.

Quando cheguei em casa daquele jeito minha mãe chorou muito, me abraçando e me ajudando com as feridas. Me levou no hospital público. Fiquei sem ir para a escola por 2 semanas. Meus dois amigos sempre iam depois da escola me visitar para ver como eu estava. Exceto Thomas nas últimas quinta e sexta. Apenas Carla foi, triste, abatida. Thomas havia sido internado por culpa de João.

Aquilo me fez entrar em estado de ira. Meu maior amigo internado de tanto apanhar. Agradeci por não ser Carla, pois ela era mais frágil. Lá, naquele momento, tomei uma decisão.

Sábado chegou. Peguei alguma coisa de valor e que ninguém sentiria falta da minha casa e saí, indo para a rua. Procurei e não demorou muito para que eu achasse alguns traficantes. Fui até eles, no qual já me ofereceram seus “produtos”, mas eu não queria nenhuma droga, mas sim... Uma arma.

Troquei o item que eu tinha por uma pistola com 12 balas no pente.

Voltei para casa antes que meus pais acordassem e deixei minha nova aquisição dentro de minha mochila, junto com clorofórmio.

Esperei até segunda feira e fui para a escola, normalmente. Ser ridicularizado e apanhar mais de João fez eu ter ainda mais certeza do que eu iria fazer.

Na hora da saída, o segui escondido. Sabia que iria ter uma parte de seu caminho que ele ficaria totalmente sozinho, então tirei minha camisa, a ensopei de clorofórmio e quando tive oportunidade, fiz ele inalar o produto químico, o desmaiando.

Levei seu corpo desfalecido para um beco, onde amarrei seus braços para trás com minha própria camisa e esperei, sentado na frente dele, minha pistola em punho.

Demorou um pouco até que ele despertasse. Assim que me viu à sua frente com a pistola empunhada, ele se levantou, ficando de joelhos. Me pediu desculpas, suplicou perdão, jurou que não iria mais fazer tudo que fazia, começou a chorar, pedindo clemência e misericórdia

Eu olhei para ele, ficando de pé, engatilhando a pistola e mirando para sua cabeça, firme, pronto para apertar o gatilho

Ele fechou os olhos, ainda pedindo desesperadamente por clemência lágrimas saindo de seus olhos.

Comecei a apertar o gatilho, até que...

Notas finais
Qual será o fim dessa história? Você que irá escolher! Matheus matará João?: https://fanfiction.com.br/historia/708087/Bohemian_Rhapsody_fim_ruim/ Matheus NÃO matará João?: https://fanfiction.com.br/historia/708086/Bohemian_Rhapsody_fim_bom/ Escolha sabiamente...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!