Cansada era como eu me sentia, abri a porta e fui para a sacada, observando a cidade durante a noite, minha mãe veio logo atrás.

— Pequena demais. — Falei em desespero, mais pra mim do que pra ela.

— Nós já conversamos sobre isso. — Ela respondeu séria.

— Não, você falou e eu escutei, isso é um monologo. — comente ríspida.

Entrei novamente no quarto de hotel meu pai estava dormindo com minha irmãzinha, atravessei o quarto e sai para o corredor, subi mais dois andarem até encontrar a academia, que por algum motivo desconhecido, além de aparelhos de ginastica também acomodava uma mesa de bilhar.

— Empolgado? — Perguntei para o meu clone.

— Muito. — Respondeu com ironia, meu irmão mais velho nãos estava nada empolgado coma mudança, assim como eu.

Olhei para a janela e vi a cidade se espalhar pelo horizonte, mas era possível ver onde terminava, mal tinha prédios, bufei, senti um dedo em minha bochecha.

— Para, vamos jogar. — Disse indicando a mesa para ele.

— Vamos.

— Ansioso para a vida real? -Perguntei enquanto ele se arrumava.

— Nem tanto é só a faculdade.

— Eu já estou perdendo aula, eu nem sabia que começava em fevereiro, lá em Pelotas começavam em março.

— Não é como se fosse a nossa primeira mudança. — Ele comentou.

— Mas eu já estou cansada, só falta dois anos pra concluir a escola, e depois eu me mando daqui.- Ele me olhou pronto para me passar um sermão, mas então deixou de lado, como se não valesse a pena.

Mais tarde com todos dormindo, desci as escadas chegando na recepção do hotel, comprei um daqueles picolés "Blue ice" que tem sabor de algodão doce, sai do hotel e sentei-me no bando da frente, era de madrugada. Fechei os olhos e lembrei das amizades que deixei para trás, lembre-me de Arthur, ele me deixou, foi embora para outro lugar, mas não conseguia sentir raiva dele, mas não choraria, lembrava claramente de quando minha ,mãe me disse que que não fui feita para chorar por homem, não choraria, não naquela hora, talvez no banho onde as gotas de água se confundiriam com minhas lágrimas, eu não era fraca a ponto de chorar em um lugar publico, mesmo que fosse de madrugada e a avenida estivesse deserta, abri os olhos e respirei fundo e permiti que as memórias voltassem.

Era sexta-feira, fiquei sabendo na quarta que iria me mudar precisava falar com ele, se minha família o aceitasse eu poderia ficar com ele, cheguei na escola apressada, esperei pelas primeiras aulas, não o vi na hora do recreio, entrei na sala com uma péssimas sensação.

Sentei-me com meus amigos e logo um homem desconhecido entrou, as meninas ao fundo suspiraram, minha amiga perguntou.

— Quem é você?

— Sou o professor substituto, Rodrigo. — Ele disse em um tom alto para toda a sala, fazendo com que as meninas prestassem mais atenção nele do que deveriam, me atentei Olhei para as meninas lançando um sorriso malicioso, elas logo entenderam.

— Professor, você é casado? — Ingridy Perguntou fazendo todos rirem, inclusive ele.

— Não mas estou noivo. Respondeu mostrando o anu e picando em nossa direção.

— A então quero o outro professor de volta. — Comentei fazendo graça, as pessoas riram.

— A então isso é com diretora, minha princesa. — O professor rodrigo me responde se apoiando em minha mesa que era a segunda, da fileira perto de seu lugar, fazendo com que os meninos gritem da forma mais idiota o possível.

— Prefiro ser a princesa do outro professor, onde ele está. — Ele riu e se endireitou.

— Eu não sei, mas vocês podem perguntar na diretoria mais tarde.

A aula continuou, e nosso novo professora arrancava suspiro de algumas de minhas colegas mais fogosas, eram duas aulas dele, e no inicio da segunda eu precisava me distrair, levante as mãos.

— Sim morena?

— Eu quero sair.

— Banheiro ? — Ele perguntou, sorri em reposta, e balancei cabeça negativamente.

— Só quero dar uma volta. — Falei, e ele me olhou surpreso com a sinceridade, sabia que ele deixaria, eu entendo de pessoas, e com a maioria era fácil conseguir o que eu queria.

— Vai rápido. — Ele disse, sorri vitoriosa. Desci as escadas e logo estava no térreo da escola andei em direção a sala da vice diretora, que logo que me viu sorriu.

— O que deseja dona Natalie? -Ela perguntou tirando o óculos da ponta do nariz e limpando com um paninho.

— Quero saber porque o professor faltou. — Comente já de olho em sua estante de livro.

— Tem o livro que você me pediu, mas só te empresto quando devolver o outro. — Concordei, não gostava muito dos livros da biblioteca, a estante da sala da vice diretora era muito mais rica.

— Vou trazer segunda.

— O Professor Arthur se mudou. — Ela comentou tranquila, e eu continuei olhando para a estante, meu mundo sem chão.

Respirei fundo e voltei, sai de minhas memórias, eu estava presa naquela cidade pequena, e precisava me contentar com isso