— Eu vou direto ao assunto Felipe, eu não quero mais ficar você. — Falei olhando para o menino loiro, que pareceu surpreso com o que eu disse, estávamos escondidos atrás do refeitório.

— Se eu fosse você não diria isso. — Ele falou em com a voz um pouco mais alta, estávamos ficando a três semanas, tem o suficiente para ver o quanto ele era convencido.

— Mas eu estou. — Falei, arrumando minha blusa e passando por ele, senti seus dedos se prenderem em meu braços.

— Você não pode chegar me fazer gostar de você e me dispensar desse jeito. — Ele falou em um tom ameaçador, olhei em seus olhos e sorri.

— Então fica olhando. — Respondi soltando-me d o seu aperto e voltando para os corredores movimentados da escola, os alunos começavam a chegar, e já se podia ouvir as conversas, alguma coisa a ver com, "outra aluna nova", para minha surpresa vários alunos de outros estados vinham mudavam-se para a pequena cidade. A escola grande tinha um acolhimento de cinquenta por cento dos novos moradores, ou seja, muita gente nova quase todo o mês. Entrei na sala e sente-me atrás da Ana, olhei para o outro lado da sala, aquelas três meninas me entregavam, estavam sempre juntas, mas vi uma delas beijando namorado da amiga, quem diria, a menina mais quieta da sala era uma traidora. Mas alguma coisa dentro de mim queria conhece-la.

O sinal tocou e os alunos começaram a entrar, uma menina morena, com o cabelo cacheado, entrou na sala, olhou ao redor e saiu, mas alguns minutos depois voltou olhou pro Daniel que estava encostado na porta e sorriu.

— Aqui é o segundo ano três? — Ela perguntou simpática, Daniel se demorou um pouco olhando para o seu sorriso mas arrumou a postura séria.

— É sim, aluna nova?

— Uhum. — Ela concordou passando por ele e entrando na sala, olhou para a cadeira lá de trás, sentou-se ao lado de Gustavo e uma menina nova que parecia gótica.

Prestei a atenção nela, com certeza não era daqui, sorria demais, parecia falsa, me incomodou, o professor Julio entrou na sala fazendo com que todos sentassem, dando inicio a aula de literatura.

No intervalo, estávamos eu e algumas meninas das outra turmas quando a Carine chegou com as noticias.

— Sabe a menina nova?

— Claro.- A Ana falou.

— Fiquei sabendo de algumas coisas.

— Então fala criatura. — Jessica falou impaciente.

— Um professor de outra escola se demitiu por causa dela, dizem que ela infernizou a vida dele até o pobrezinho não aguentar mais. — Carina falou e voltou seu olhar para a porta, a seguimos a tempo de ver a menina entrar no refeitório com outros três alunos novos, sorriu em nossa direção.

— Não gosto dela. — Comentou Jessica.

— Não tenho nada contra.- Carine deu de ombros, levantando-se da nossa mesa e seguindo para a próxima.

— Ana, vai pegar iogurte pra gente. — Jessica falou e a Ana obedeceu, nunca me acostumaria com o jeito de Jessica, ela era metida, sem duvidas, mas suportável na maioria das vezes.

— E o Felipe?

— A gente não está ficando.

— Então eu posso?

— Fica a vontade minha amiga. — Falei enquanto a Ana colocava uma garrafinha de iogurte na minha frente.

— Voltei. — Ela disse enquanto cumprimentava algumas pessoas que passavam por nós, a menina nova e o os outros saíram do refeitório.

— Vou dar uma volta. — Falei pegando a garrafa e dando as costas pra elas, entrei no corredor e acabei fazendo meu caminho habitual até a minha sala, cheguei perto da porta e pude ouvir risadas. Espiei por alguns segundos, a menina nova com a caneta do quadro na mão e um menino do seu lado, Karen estava lá também sentada com a menina que parecia gótica, elas riram dos dois que estavam em pé.

— Vai Caio, eu vou arrasar com a sua cara. — A morena falou.

— Quero ver. — Ele disse, olhei mais de perto e vi que ela jogavam jogo da velha no quadro.

A menina perdeu e a Karen se levantou, andou até o quadro, enquanto a menina sentava, e começava uma conversa cheia de animação, Gustavo passou do me lado e entrou na sala jogando balas em cima da mesa.

— Peguem, que hoje estou pagando.

— Olha que rico. — Caio falou pegando algumas balas.

O sinal tocou indicando o quarto horário, entrei na sala sem falar nada sentei em meu lugar, e haviam duas balas em meu estojo, olhei para trás e eles sorriram, ignorei e virei para frente, eles não viram, mas eu sorri também.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.