Notas iniciais
"Minhas dúvidas me afundam em um vazio infinito."

P.O. V. Fionna ON

–Okay, mãe... Beleza, beleza... Ta mãe, depois a gente... Sim, eu já dei comida pra Cake... Eu vou ficar bem mãe... Beijo... Sim, senhora... Tchau! – minha mãe é a definição de insegurança!

“França...” – eu pensava. – “País em que a galera vive de mariscos, turistas só conhecem a Torre Eiffel e a cada esquina tem que ter um casal se beijando...”.

–França! – falei em tom de deboche. – Grande França!

Foi pra lá que meus pais foram. Ontem, pra ser mais exata. Vão ficar por tempo indeterminado, já que é “viagem para negócios”, mas, sinceramente, eles tiraram férias de mim. Eles me proibiram de falar isso, mas é a pura verdade. O amor deles, dos meus pais, é um amor falso. Eles tratam como se fosse uma obrigação me amar. Eu não pedi para ninguém isso. Não pedi minha vida... Sabe aquele sentimento como se tudo o quê você conhece, tudo o quê você viveu, é uma grande mentira? Como se você nascesse dentro de uma peça de teatro? Sei lá... Ultimamente eu estou ficando meio louca. Nunca procurei um significado para minha vida, apesar da dúvida estar sempre dentro de mim...

Senti algo fofo passando pelo meu pé. Olhei e vi Cake pedindo carinho.

–Hey! Ta fazendo cócegas! – coloquei-a no meu colo e ela aconchegou-se.

“Talvez a minha vida seja pra ser assim... Cuidando da minha gata, rodeada de livros e no conforto da minha cama...”, pensava comigo mesma, “Talvez a minha vida não precise de significado... É simplesmente para viver...”.

Senti Cake ronronando no meu colo e sorri, meio que automaticamente.

–Mas deixa o tempo levar, né Cake? – levantou a cabeça para mim e coçou seu queixo no meu braço, miando logo em seguida.

Levantei-me com a gata ainda no meu colo e me dirigi até a única janela que havia em meu quarto. A brancura da neve se espalhava por todo canto, pequenos flocos ainda caiam... É três de fevereiro e o inverno ainda iria durar bastante... Minhas aulas não têm previsto de quando irão voltar; não com essa neve toda! E isso me dá algum tempo para me acostumar com a ideia de que Finn irá sair da escola para uma vaga que ganhou em um internato. Finn é meu grande amigo. Honestamente, meu único amigo ser humano. Jake, seu “grande” buldogue, e Cake fazem parte da minha lista de amigos. E só.

Divaguei um pouco, mas logo algo me chamou a atenção. Uma mulher, com um sobretudo e um capuz, andava apressadamente em frente a minha casa. “O quê essa doida está fazendo no meio desse gelo todo?”. Continuei observando-a e ela colocou duas cartas que estavam em seu bolso dentro da minha caixa de correio. Uma mecha loira saiu do seu capuz e rapidamente foi posta dentro pelas mãos pálidas da mulher. Olhou para os dois lados e correu para esquerda.

–Espera! – bati na janela, mas ela já tinha sumido do meu campo de visão.

Cake pulou do meu colo e eu coloquei qualquer coisa que não iria me deixar virar picolé lá fora. Desci as escadas correndo e saí naquela imensidão branca. Procurei com os olhos qualquer sinal da mulher misteriosa, mas não a vi.

–Droga!

–Fionna? – era uma voz conhecida. Olhei e vi o garoto extremamente parecido comigo.

–Finn! – abracei-o e o mesmo afagou meus cabelos.

–Por que você ta aqui fora? Ta um frio do caralho! – ele estremecia.

–Te explico lá dentro! – tirei as cartas que havia na caixa de correio.

***

–Entendi. Que estranho cara! – ele acabava com um pacote de salgadinho.

–Bom vamos ver o quê tem dentro desta aqui. – peguei a mais formal. Havia até um selo meio estranho, parecia algum caramujo ou sei lá o quê.

“Prezada Senhorita Fionna Mertens,
Temos o prazer de informar que Vossa Senhorita tem uma vaga no Internato das Longínquas Terras Apocalípticas de OOO.
Segue uma lista rigorosa de pertences que são e não são permitidos em nosso recinto escolar.
Todos os seus materiais e roupas escolares já foram pagos.
Aguardamos ansiosamente sua presença no primeiro dia de aula, dia quatro de fevereiro de dois mil e quatorze.
Atenciosamente, Simone Petrikov."

–Espera! Fala o nome do internato de novo...

–"Internato das Longínquas Terras Apocalípticas de OOO"... O quê foi?

–Glob... — em um ato repentino, ele me puxa pelos ombros. — VOCÊ VAI PRO MESMO INTERNATO QUE EU, FI!

–Não é possível... — não confiei no que havia acabado de ouvir.

–É SIM! — ele me solta e pega a carta. — EU RECEBI UMA CARTA EXATAMENTE IGUAL A ESSA! Tudo bem que eles não me chamaram de Vossa Senhorita ou de Fionna e que eu na verdade não vi a carta, pois meus pais não deixaram, MAS ELES LERAM EXATAMENTE algumas PALAVRAS QUE TEM AQUI! — ele surtava e esperneava, quase me deixando surda e a Cake paraplégica.

–Isso é bom! Isso é muito bom! Mas se acalma um pouco...

–ME ACALMAR!? ISSO É DEMAIS!! — recebi um abraço apertado, que hesitei por um momento, mas logo vi que não havia motivo para eu o fazer.

–Você tem razão... Isso realmente é demais! — envolvi seu pescoço.

–Eu te amo... — separei o abraço imediatamente. Ele estava sério e logo senti minhas bochechas esquentarem. — Fionna... — ele iria colocar a mão em meu rosto, mas interrompi sua ação e suas palavras seguintes.

–É melhor você ir. — disse mais friamente do que o clima lá fora.

–Fi...

–Não! Você sabe a minha escolha; e você sabe também onde é a porta. — pensei um pouco comigo "MEL GLOB, DEPOIS DESSA EU IA ARRUMAR AS MALAS PRA FRANÇA!".

–Okay. — vê-lo sair pela porta com uma cara de que estava prestes a chorar me doeu, mas era preciso.

Finn não me amava, nem sequer sabia o que era amor. Ele somente tinha uma atração básica por mim, além do mais que ele está carente. Certa garota pink magoou seu coração quando tinha seus doze anos. Mais pra frente aconteceu de novo; com uma ruiva. Mas eu sempre me pergunto como é possível magoar uma pessoa que nunca te amou de verdade. Eu me pergunto como é essa coisa complicada. Essa bagaça de amar.

Cake subiu no meu colo e colocou a pata na minha mão. Desviei-me do assunto por um momento enquanto a acariciava.

–É Cake, nós vamos pra escola amanhã! – me olhou e remexeu a outra carta. – Eu já ia me esquecendo! – peguei-a e abri.

“Para: Fionna Mertens.
De: Você logo irá descobrir.
A sua bolsa para o internato é para uma boa razão. Razão que não posso te explicar. Eu já te conheço e você também me conhece. Um dia irei te ver novamente e espero que ambas estejamos bens. Sobre o internato, você não achará nenhum artigo dele, porém procure sobre OOO. Talvez haja algo. E me perdoe. Eu ainda te amo como antes e cada vez eu sinto mais saudades.
–A.”

–A? Quem é A? E o que é OOO? – guardei a carta em minha escrivaninha. – OOO... – me joguei na cama e olhei para o teto. Foi a última coisa que me lembro antes de cair no sono.

P.O. V. Fionna OFF

Algumas quadras da casa de Fionna...

–Ei não corra! O chão está escorregadio por causa da... – antes de o velho homem terminar sua frase a bota da mulher vacilou e sua cara foi de encontro com o chão.
Sua visão ficava turva e sua cabeça doía até que fechou os olhos.

***

–Ei, ei... – alguém a chamava enquanto tentava retomar por completo sua visão.

–O quê...

–Você tomou o maior tombo... Você está bem? – a mulher loira se sentava devagar.

–Minha cabeça dói... – ela colocou a mão na testa e viu sangue escorrer entre seus dedos. – Mas onde está meu casaco?

–Alguém disse que era seu “parente” e o levou... Havia algo de importante nele?

–Não havia nada... Onde eu estou?

–Exatamente onde você tropeçou. Em frente à cafeteria MUG, por coincidência, onde trabalho. Candy Streets, centro de Candy Kingdom – ele a analisou por um tempo. – Meu expediente acabou, mas ainda preciso trocar meu uniforme. Consegue se levantar?

–Acho que sim... – ele levantou e ajudou-a se erguer, puxando sua mão.
Ela cambaleou um pouco, mas ele a segurou.

–Sente-se lá dentro e me espere. – eles entravam na cafeteria. O homem seguiu a uma sala depois do balcão e ela sentou-se em uma mesa.

–Quer algo senhorita? – uma jovem mulher se aproximou.

–Não, obrigado. – ela balançou a cabeça negativamente e a mulher foi à outra mesa.

Analisou por um tempo o lugar, até que o homem de antes aparece.

–Vamos? – e a loira assentiu com a cabeça, somente. — Você mora aonde, se me permite perguntar?

–Minha casa foi destruída há muito tempo, desde então, moro na mansão de meu chefe com seus súditos e serventes.

–Você lembra onde é? – eles caminhavam lado a lado e a cafeteria não podia mais ser avistada de onde estavam.

–Não... – a mulher abaixou a cabeça.

–Bom, a minha casa não chega nem perto de uma mansão, porém é aceitável. – soltou um riso abafado.

–Tudo bem, eu não faço questão! – sorriu para o moreno.

–Bem. – ele parou. – Chegamos. – apontou para uma porta ao lado de um comércio. – É um apartamento, não muito grande, mas dá pra te arrumar um cantinho.

–Ah, obrigado!

O homem, que era consideravelmente mais alto, retirou um bolo de chaves, escolheu a certa e abriu a fechadura.

–Você é daqui mesmo? – ele puxou assunto enquanto os dois subiam.

–Sim, e você?

–Também. Então... Você mencionou um chefe antes...

–É apenas meu chefe, para que fique claro.

–Desculpe-me, eu não fiz menção ao relacionamento de vocês dois; quis perguntar onde você trabalha.

–Oh, é... Eh... – a pergunta claramente a desconfortou. – Trabalho como babá...

–Aham, sei. – o moreno desconfiou, mas precisava de tempo para descobrir.

–Você não confia...

–Bom, aqui é o meu apê. 934, não se esqueça, caso saia a algum lugar. – pararam em frente a uma porta com o número indicado. Abriu a porta e revelou-se uma escuridão. – Fique a vontade! – entraram na negritude da sala.

A loira procurou o interruptor e, quando achou, revelou-se uma sala bem simples, porém organizada. O homem havia sumido durante aquele tempo. Ela o chamou, porém não teve resposta. Até que...

–Bu! – ele apareceu atrás dela com alguns cobertores e ela, por reflexo, iria meter a mão na cara dele, se o mesmo não fosse mais rápido.

–Me desculpa, eu não...

–Está tudo bem, é só seu reflexo... – o moreno avistou uma pequena tatuagem no pulso da garota. Uma bomba-atômica. Ele sabia o que queria dizer isto, mas ele se fez de desentendido.

–Bom. — ela escapou de suas mãos. – Vou dormir aqui na sala?

–Não, eu vou. A minha cama esta com lençóis limpos e lhe aguarda para dormir. Caso houver algum incidente me acorde, mas duvido muito. – ele a analisou por um instante com um sorriso quase imperceptível. – Boa noite! – ele se despediu com um beijo em sua testa, ao lado de onde ela havia batido. Ela claramente enrubesceu, mas se direcionou ao quarto antes que ele percebe-se.

Levantou suas mangas e lá estava. A mesma tatuagem da loira, no mesmo lugar.

–É eu ainda tenho a minha... Mas meus serviços andam meio empoeirados...

Notas finais
Como eu gosto de ser tipo um titio Pen da vida, eu coloquei vários Easter Eggs. Vou citá-los brevemente. O caramujo que Fionna fala na carta é o caramujo da série. A carta formal que Fionna recebeu foi formada com base na famosa carta de Hogwarts. Em "-A." e "Quem é A?" homenageei o PLL, além do mais, o nome da personagem começa com A... O apê do moreno é 934, fazendo menção a estação 9 3/4 de Harry Potter. Um Easter Egg que possa intrigar a muitos é a tatuagem dos dois, uma bomba-atômica. Essa ficou mais do que na cara, mas porquê eles teriam uma que homenageasse Ele? Pensem com seus botõezinhos... Aberta a críticas, elogios, mensagens de texto, conselhos, cartas de amor e até por coruja, para aqueles que não estudam em Hogwarts. #beijinhonoombro #sqn "Escrever é sempre esconder algo de modo que mais tarde seja descoberto." - Italo Calvino. -Mei Dorian''
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.