Boa noite Cinderella
1 Passos ressoantes
Notas iniciais
A garota de cabelos rosa claro me encarava de um jeito demoníaco,com o relho na mão, eu deveria estar preso em algum prédio velho.
–Ainda acha que sua heroína vai chegar querido?- sua voz ecoou na minha cabeça.
Era quase irônico, estar amarrado e sangrando, enquanto uma garota lunática me açoitava, e a espera da pessoa que eu menos confiaria para me salvar.
–Sua heroína chegou- ela disse ao ouvir os pneus da moto no estacionamento. — Isso vai ser divertido.
Ao ouvir o barulho dos saltos contra o chão de madeira, o mesmo barulho que sempre ecoava na minha cabeça quando ela estava por perto...
2 meses antes
Ela atravessou a porta e seus saltos faziam barulho enquanto ela se movia pela sala, Senhorita Covert uma professora de química qualquer, muito jovem para formação talvez, seus saltos eram provavelmente para a fazer parecer mais alta e velha. Seus olhos vasculharam a sala analisando cada rosto, seu desprezo era perceptível. Seus olhos cinzas passaram por mim e seu desprezo pareceu aumentar, é claro, eu já estava até acostumado, mas era até útil quem iria desconfiar do inútil do Nathaniel.
Química era a única matéria que eu não precisava trapacear, era útil e fácil. E depois de algumas semanas preso nas aulas infernais e da prova de final de semestre da Senhorita Covert o resto dos alunos pareciam zumbis, eu no entanto fiquei mais interessado na professora do que na nota.
Senhorita Covert não andava com outros professores ou demonstrava qualquer reação para os alunos, sempre vestindo terninhos, calças jeans e salto alto e ninguém sabia nada sobre a estranha mestre de química. Todos já haviam se acostumado com seu silencio, até o dia da entrega das provas.
– Nathaniel- todos ficaram espantados em ouvir tanto a professora falando quanto com o fato de ela ter falado o meu nome, enquanto todos já estavam saindo da sala.
– Então qual o problema?- eu perguntei me apoiando na mesa.
– Nathaniel- ela deu de ombros com os braços cruzados- o problema é como você gabaritou a minha prova.
– Tenho facilidade pra química- respondi com um sorriso, ela ergueu um sobrancelha em resposta.
–Bom, eu não vou deixar passar, preciso ter certeza que nenhum espertinho está colando nas provas.- sua voz tinha um tom de irritação- eu não posso ser enganada.
– Se eu tivesse colado ao menos teria sido inteligente de errar uma questão pra não parecer suspeito.- eu dei de ombros, eu fazia isso em todas as matérias.- Afinal por quê se importa?
– Porque não gosto de ser enganada.- ela disse enquanto entregava minha prova, e me encarou com os olhos nebulosos e sorriu- mudei de ideia, vou deixar passar, desta vez.
Então saiu me deixando com o barulho dos seus saltos ecoando na minha cabeça e desde então a estranha Senhorita Covert pareceu impregnar nos meus pensamentos.
Assim é aqui que começa a história... Exatamente aqui, no corredor ao lado da minha sala, três dias depois da minha unica conversa com ela.
Quando encontrei o Sr. Bernard, acuando Covert contra uma parede, não entendi ao certo o que estava acontecendo, ela parecia entediada nenhum sinal de medo aparecia em seu rosto, e o outro professor de Química parecia furioso.
– Está é minha área,- ele falou entre dentes- Não é lugar pra suas experiencias e brincadeiras.
–Não sei do que esta falando Sr.- ela responde de forma seca empurrando a mão dele.
– Não brinque comigo criança.- não pude conter e dei um passo frente na direção deles, ele ficou surpreso ao me ver.
–Olá Nathaniel, em que posso ajudar?- ele perguntou com um sorriso de fachada.
–Preciso que me empreste Covert. — eu disse com meu melhor sorriso de convencido.
–Só estava dando um aviso- ele disse dando de ombros e lançando um olhar ameaçador na direção dela enquanto saia.
–O que você está fazendo?- ela me fuzilou com os olhos.
–Um obrigada seria mais educado, acabei de te salvar.- eu respondi- Afinal o que você fez para que Bernard ficasse daquele jeito?
–Não é assunto seu- ela respondeu dando as costas para mim.
– Fala sério, qual o seu problema estou tentando ajudar. — segui ela pelo corredor — Um professor estava quase te batendo no corredor.
–Não fale disso para ninguém, ok?- ela se virou para mim e me encarou- É problema meu, e eu não sou uma das suas coleguinhas lembra?
–Wow, ok — eu respondi levantando as mãos.
–Alguém tá querendo ser denunciado pro conselho por assédio? ou seria por colar na prova? -ela perguntou entrando em uma das salas.
– Eu não colei- respondi rindo do lado de fora da sala, os alunos lá dentro me encaravam.
No final do dia, quando entrei no meu quarto, Sona e Carter estavam jogados cada um em um canto ele jogando algum jogo e ela mixando alguma música provavelmente. Ele era meu colega de quarto ela era ''Amiga'' dele, só pra deixar claro eu ainda não entendo o problema destes dois.
–Hey Nat como foi mais um dia na sua vida infame?- Sona perguntou tirando os fones de ouvido.
– Infame — respondi caindo de cara na minha cama.
– Cara achamos o que você pediu- Carter diz jogando um cartão na minha direção. -Ouvimos falar que é doido, ninguém lembra o que acontece, por sorte a Sona vai trabalhar lá essa noite então temos entradas.
Esse era o lado bom de ter um colega de quarto hacker com uma amiga dj, eu estava procurando um alquimista havia semanas.
***
–Nathaniel?- minha mãe chamava do outro lado da porta, eu estava no meu quarto na minha casa, e não na faculdade, tudo tinha sido só um sonho.
–Acordei, já estou indo- eu respondi olhando para o visor do celular, que marcava 5:30, em apenas algumas horas eu estaria de volta ao distrito de Erros ao meu quarto com Carter e Sona, nunca senti tanta falta daqueles nerds.
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