Blurry Memories
6 Magic Always Comes With No Warning
Notas iniciais
O Mercedes preto parou em frente à mansão Mills.Enquanto todos saltavam,Aqila olhava tudo com incredulidade e pensava o quanto era bom se sentir acolhida de novo.Durante todos os anos que passara na forma de um dragão,tudo o que ouvia eram os gritos das pessoas,o desespero delas cada vez que se aproximava e aquilo só servia para destruir as esperanças que tinha de que,algum dia,alguém iria se aproximar,entender seu sofrimento e acabar com ele;mesmo que isso a matasse,estaria livre da maldição finalmente.
Um barulho na janela a tirou de seus devaneios.
– Vamos!Vai ficar aí dentro só olhando? A casa por dentro é bem melhor,você vai adorar! — disse o menino sorridente
Aqila deu um sorriso fraco,balançou a cabeça positivamente e abriu a porta.Ao sair do carro,um vento frio soprou,fazendo-a tremer e esfregar as mãos.
– Está com frio? — perguntou o menino,cujo nome Aqila ainda não sabia — Posso lhe emprestar meu casaco,se quiser.
– Não,não.Está tudo bem. — sorriu — Mesmo assim,muito obrigada...
– Henry. — disse o garoto,percebendo que ainda não havia se apresentado
– Certo.Muito obrigada,Henry.
– Têm certeza de que querem ficar aí fora nesse frio? — a voz da prefeita interrompeu a "quase" conversa dos dois. — Henry,por que não leva Aqila pra dentro e mostra a casa?
– Você não vem também? Achei que fôssemos jantar...
– Eu já encontro com vocês — disse ela passando as mãos pelo cabelo do filho e lhe dando um sorriso — Só vou resolver umas...coisas antes... — e olhou pro Mercedes ainda parado na entrada da garagem
– Ah,sim... — ele disse,entendendo que Regina não olhava para o carro mas sim para Emma que se encontrava encostada na porta do mesmo — Tudo bem,mãe. Te vemos daqui a pouco então.Venha,Aqila,você vai gostar da casa! — e se retirou,sendo seguido pela menina.
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– Podemos ter uma conversa civilizada agora? — a voz rouca da prefeita invadiu os pensamentos da xerife
Não obtendo nenhuma resposta e querendo acabar logo com aquela birra de criança,Regina prosseguiu,não se importando se Emma realmente a escutava ou não.
– Emma,sei que ainda está chateada e,por isso,eu... quero pedir desculpas.Não deveria ter ido falar com ela sem você.Eu sinto muito. — ela mexia freneticamente na aliança de casamento e encarava seus próprios pés,enquanto esperava uma resposta da loira,que continuava olhando para frente. — Não vai falar nada?
Silêncio.Por mais que Emma estivesse chocada pelo repentino pedido de desculpas da prefeita,pois a mesma quase nunca baixava sua guarda com relação a nada,sabia o quanto o silêncio irritava Regina e optou por não olhar para a morena,nem se pronunciar.
– Emma,por favor,eu vim aqui pedir desculpas.Não estou querendo de maneira nenhuma brigar de novo com você. Por favor... — pediu,inspirando profundamente e fechando os olhos.
Mas a loira não cedeu.Apenas expirou e apertou ainda mais os braços que estavam cruzados.
– Certo,não vai falar.Eu nem sei porque ainda perco meu tempo tentando lidar com uma criança como você,nem o Henry era assim quando menor,graças aos céus ele não puxou esse seu lado. — e se virou,começando a andar em direção à casa.
– Regina,espere... — a xerife finalmente se pronunciou,soltando um grande suspiro — Me desculpe.Eu fui errada.Não deveria ter feito uma tempestade num copo d'água por conta de um algo tão pequeno...eu é que te peço desculpas.
A morena se virou lentamente e a encarou por alguns segundos,antes de chegar mais perto e tomar as mãos da loira nas suas.
– Eu entendo.Como eu disse antes,não deveria ter ido sozinha falar com ela. — e,sorrindo,completou — Eu só... não sei explicar o que estou sentindo no momento...- vendo a confusão e até uma ponta de raiva no rosto da esposa,ela completou rindo — Não,não é um amor à primeira vista,se é o que está pensando.Não vai se livrar tão fácil de mim assim.Eu só...não sei.Quando ela me abraçou eu senti algo tão familiar...algo que não sentia há anos.
– Consegue descrever isso? — Emma perguntou,vendo as perguntas estampadas no rosto de Regina
– O pior de tudo é que não. — e suspirando,enquanto esboçava um sorriso e apertava carinhosamente as mãos da loira,diz — Deve ser coisa da minha cabeça,ainda devo estar abalada por conta dos acontecimentos de hoje
– Wow! A Rainha?!Abalada?!ISSO sim é um sentimento totalmente novo — disse,em um tom de deboche,passando o braço pelos ombros da prefeita
– Emma!Muito engraçadinha você! — disse rindo e lhe dando uma cotovelada de leve na barriga — Vamos entrar logo.Estou congelando e está ficando tarde para que eu comece a preparar a janta.
– Como quiser,"Rainha Inabalável" — a loira disse rindo e apertando ainda mais seu abraço na morena
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– E aqui,é o escritório da minha mãe! — disse Henry,animadamente,abrindo a porta do cômodo — Ela não gosta muito que as pessoas entrem aqui mas às vezes eu venho para jogar video game escondido quando ela não está.
– Ah,claro... — disse Aqila olhando o lugar,boquiaberta com quantas coisas haviam em um espaço tão..pequeno e não prestando muita atenção no que o menino dizia
– Está mesmo prestando atenção no que eu falo?
– Han? — a pergunta a pegou de surpresa — É claro que estou.Me desculpe se pareci que não,eu...
– Ah,tudo bem.Não precisa mentir só pra que eu me sinta melhor — disse Henry,soltando um grande suspiro e se sentando em uma das poltronas do escritório
– Henry... — disse Aqila se sentindo mal com a situação — Me desculpe.Eu só estou um pouco cansada e confusa ainda... — e se encostou na janela,suspirando
– Eu entendo.Não deve ser fácil ser um dragão.
E quando ela olhou pra ele,franzindo o cenho,Henry desejou nunca ter dito aquelas palavras.
– Ah,me desculpe... e-eu... — disse tentando desesperadamente sair da situação — Eu não queria..sabe,saiu sem querer e...
– Tudo bem — disse Aqila soltando uma gargalhada — Não era fácil mesmo.Principalmente a parte de cuspir fogo quase toda hora. — e,fazendo uma careta,arrancou uma gargalhada do menino,aliviando a tensão rapidamente
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– Emma,espere. — disse Regina segurando a mão da loira rapidamente,antes que esta abrisse a porta — Prometa que não vai tratá-la mal e nem mandar indiretas.
A loira assentiu,apertando a mão da morena,ganhando um sorriso de gratidão da mesma.
Regina se virou para abrir a porta,enquanto uma expressão brincalhona surgia no rosto de Emma e ela abria a boca para falar algo.Mas quando ia começar a falar,a prefeita lhe cortou:
– E não,sem brincadeiras ou piadinhas e muito menos,jogar aquele... como é mesmo o nome? — fez uma pausa antes de girar a maçaneta — Ah sim,'Dungeons and Dragons' na frente dela. — disse reprimindo uma risada quando entrou em casa,pois já sabia qual seria a reação de Emma
– Ah,Regina,qual é!Seria tão real! — e choramingando,fechou a porta
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– Ei,acho que elas já estão em casa! — disse Aqila num salto,se afastando da janela rapidamente e olhando para Henry
– Ah,droga! Não temos tempo suficiente pra sair daqui sem que elas nos vejam!
– Bem,pense em alguma coisa,você foi o meu guia pela casa até agora! — disse,nervosa
– Eiii!!Não me culpe por minha mãe mandar que mostrasse a casa pra voc...
"Henry,já estamos em casa! — disse Regina enquanto ela e Emma colocavam seus casacos no cabideiro"
– Droga,não vamos conseguir!Ela vai ficar tão brava! — Henry agora,quase chorava
– Calma!Não vamos nos desesperar,vamos pensar em alguma coisa! — Aqila andava de um lado para o outro do cômodo,esfregando as mãos — Uma saída alternativa?Será que não tem nada desse tipo por aqui? — disse,olhando em volta
– Por que minha mãe teria uma saída escondida no próprio escritório,dentro da própria casa?
– Eu não sei!Ela tem magia,não tem?Deve ter pensado em algo assim!
"Henry? — a voz da prefeita se fez ouvir novamente — Henry,onde está você?"
Os dois cúmplices se entreolharam,nervosos.
– E agora? — disse o menino sussurrando
– E agora me diga você!Você nos meteu aqui,agora nos tire! — disse Aqila nervosa
"Henry,vocês estão aí em cima? — disse Regina,já perdendo a paciência — Se eu não tiver uma resposta em 3 minutos,vou subir e é bom que você não esteja quietinho"
– Bom trabalho,garoto!Agora eu vou receber algum castigo no meu primeiro dia aqui e por algo que eu não fiz!
– Ei!Você não me parou quando entramos e,mesmo eu dizendo que ela não gosta que entrem aqui você ficou!Não me culpe!
"Um..."
– Por favor,me ajude a pensar em alguma coisa!
"Já se passaram dois minutos,Henry..."
– Por favor,Aqila,por favor!
– Eu não sei o que fazer!
"Três!..."
– Por favor,e-eu faço qualquer coisa que quiser! — disse,nervoso
– Mas eu não...
"Já chega! — disse Regina,impaciente e começou a subir as escadas"
– Aqila!
– Eu já disse que não sei! — disse a menina cerrando os punhos,nervosa e frustrada.Nunca havia se metido em confusão quando pequena em sua própria casa,não era agora que isso iria acontecer — Eu nã...
Mas antes que pudesse completar a frase,uma nuvem púrpura claro surgiu no quarto,envolvendo os dois e,antes que Regina pudesse alcançar a maçaneta,Henry e Aqila apareceram na cozinha com um barulho,perto da bancada.
– Mas o que... — Emma correu para o cômodo,seguida por Regina que já havia descido as escadas
– Oi,mãe! — disse Henry sorrindo — Nós..hum...estávamos...
– Estávamos decidindo o que fazer para o jantar! — disse Aqila rapidamente,pegando um pote de molho qualquer em cima da bancada
– Ah... sim... — Emma e Regina se entreolharam
– Mas vocês estavam tão quietos... — Emma disse,tentando entender
– Ah,isso é porque Aqila me disse que cozinhar sem falar é melhor,ajuda a inspiração a vir! — disse o garoto,esboçando um sorriso
– Uau,que interessante! — disse a prefeita,cruzando os braços
– É sim...muito! — o menino quase suava frio
– Henry... — Emma se aproximou do filho — da próxima vez que quiser escapar de alguma coisa,lembre-se de dois fatos: 1 — não envolva outras pessoas e 2 — não se esqueça que o meu super poder nunca falha e garoto,infelizmente,você é um péssimo mentiroso — ela disse rindo e colocando uma mão no ombro do garoto
– Desculpe... — ele disse sem graça
– Tudo bem.- disse a prefeita saindo de seu silêncio — Mas que isso não se repita,pois você já está bem grandinho para essas coisas e sabe que se quiser alguma coisa,é só me pedir. — e sorrindo,foi para a bancada pegar seu avental — Agora vá lavar as mãos e leve Aqila para ver um pouco de televisão.Eu aviso quando o jantar estiver pronto.
– Ok mãe. — ele sorriu e se retirou da sala,seguido pela menina
Quando já estavam fora do alcance das vistas e dos ouvidos das duas mulheres,Henry segura o pulso de Aqila e lhe pergunta num sussurro:
– Como fez aquilo?Eu não sabia que dragões podiam se transportar assim — disse o garoto,boquiaberto e ignorando o fato de ter usado a palavra "dragão" de novo
Ela o olhou,soando tão ou mais incrédula do que o menino.
– Eu também não,garoto... — disse,se jogando no sofá e olhando para as próprias mãos — Eu também não...
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