Blurry Memories
13 "I do" but not really
Notas iniciais
Tudo estava dormente à sua volta,nada parecia ser capaz de tirar Aqila daquela dormência.Até que ela sentiu uma dor,um desconforto enorme que vinha de seu peito e pode distinguir sons como "Regina,não!" ou "Regina,o que está fazendo?!".Então,ela se atreveu a olhar.E quando o fez,o desconforto só aumentou,fazendo-a gritar.
– M-mada...me pr-prefei...ta... — pronunciava as palavra com dificuldade,pois de alguma forma,a prefeita tinha a mão dentro de seu peito,bem no lugar de seu coração e puxava a mesma com força — O que...es-está...fazendo?
Regina tinha lágrimas nos olhos quando puxou a mão de dentro do peito de Aqila.Ela olhou para os demais e de volta para a própria mão.Não sabia como aquilo era possível.
– Regina? — Emma chamou,preocupação era evidente em sua voz — Está tudo bem?
– Ela não tem coração. — a morena disse,estática e recolocando sua luva
– O que quer dizer com isso,Regina? — Sidney,que amparava Aqila,se manifestou — Como isso é possível?!
– ELA NÃO TEM UM CORAÇÃO DENTRO DO PEITO! — gritou — Vocês querem que eu desenhe?Eu posso encantar a mão de um vocês para que tentem e tirem suas próprias conclusões.
Regina não entendia porque estava se sentindo daquela maneira.Era como se fosse ela quem não tivesse seu coração dento de si.Uma angústia lhe subiu pelo peito."E se Mohammed já estiver com o coração dela?",aquele pensamento lhe causou um arrepio.
– Belle,existe alguma possibilidade do tio dela já ter o coração em mãos? — Emma perguntou como se lesse os pensamentos da esposa.
– Acredito que não,pois ela sentiria. — a morena hesitou mas resolveu continuar — A não ser que o coração dela já estivesse fora do corpo antes mesmo da maldição ser lançada.
– Isso explicaria e muito a escolha dele na hora de lançar a maldição. — Mary Magaret completou.
Todos se entreolharam e mais uma vez o silêncio pairou na sala.De repente,a porta da biblioteca se abriu e apenas uma voz suave foi escutada.
– Aqila?
A menina,que estava abraçada a Sidney,se virou e seus olhos,ainda vermelhos e úmidos pelas lágrimas,se arregalaram.O Gênio também teve praticamente a mesma reação e soltou Aqila de seu abraço.A mesma começou a caminhar lentamente na direção do rapaz que ainda estava parado na porta.
– Rafi? — ela disse se aproximando,com a voz embargada — É realmente você? — ao ouvir essa pergunta,o rapaz que também tinha os olhos marejados,assentiu e Aqila,chorando,o abraçou apertado.
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A princesa dormia tranquila em seu quarto quando seu sono foi perturbado por um barulho persistente que parecia vir da janela.Ela coçou os olhos e se levantou,indo abrir as cortinas e percebeu que já era dia.
– Por quanto tempo dormi?Se ammi descobre vai ficar furiosa! — resmungou e coçou a cabeça — Preciso me livrar dessas roupas de dormir. — disse,indo em direção ao armário.Quando puxou a porta,a menina deu um grito e caiu sentada no chão
– Bom dia,Aqila! — um menino sorridente saiu de dentro do móvel — Ainda em roupas de dormir?O que será que tia Munira vai dizer quando a vir assim? — ele rodeava a menina enquanto comia uma manga
– Rafi... — Aqila resmungou e revirou os olhos — Ela não vai dizer nada porque simplesmente não me verá assim! — disse com um sorriso torto no rosto e já se levantando, quando ouviu algumas batidas na porta.
"Aqila,querida,está aí dentro?Posso entrar?" a voz de sua mãe fez a menina gelar.Ela olhou para Rafi que reprimia um risada enquanto sentava no parapeito da janela.
– Eu te disse. — ele sussurrou — Ela não vai gostar nenhum pouco. — e deu uma risada baixa,que fez a princesa avançar sobre ele e atirar sua manga em um dos arbustos — Minha manga!
"Aqila,está me ouvindo?Eu vou entrar" Munira chamou mais uma vez.
– Dá próxima vez,será você e não a manga. — a menina rosnou — Vou trocar de roupa,não olhe e você tem exatamente um segundo para sair por onde veio — e se retirou para atrás do biombo.
Aqila pegou uma roupa qualquer e antes de se trocar,espiou e,vendo que o primo não estava mais lá,se vestiu correndo pois sua mãe insistia cada vez mais nas batidas.A menina prendeu o cabelo em uma trança e calçava um dos sapatos,quando a rainha entrou no quarto.
– Aqila!Por que não abriu a porta quando te chamei? — Munira a repreendeu em um tom suave
– Desculpe,mãe,eu não escutei. — respondeu sem jeito,terminando de ajeitar seu véu
– Por que está vestida assim? — a rainha perguntou — Não sabe que hoje é um dia importante? — e andou até o armário da filha,abrindo o mesmo e escolhendo uma outra roupa
– Mas ammi,o que tem de errado com a minha roupa?E que dia é hoje? — a princesa estava visivelmente confusa,o que fez a rainha dar uma risada
– Nada,meu amor.É só que hoje,temos um grande compromisso a ser firmado com os pais de Rafi. — ela disse,segurando o queixo da filha entre o polegar e o indicador — A próposito,eles já chegaram. — completou,entregando à menina um vestido azul claro,bordado com pedras,um véu de mesma cor,um conjunto de colar e brincos de diamantes delicado e uma tikka¹ prateada que terminava em uma linda pedra em forma de gota,da mesma cor que as costuradas ao vestido da menina. — Tome,vista isso e as jóias,eu ajudarei você a colocá-las.
Aqila novamente foi para trás do biombo e trocou de roupa.Inalou a essência suave presente no vestido e sorriu ao ajeitar o cabelo em duas tranças pequenas ao longo da cabeça,que repartiam o cabelo no meio,que por sua vez estava levemente ondulado e caía sobre os ombros e costas.Então,tomou a tikka em suas mãos e posicionou-a no meio do cabelo,prendendo a jóia e deixando que a pedra caísse em sua testa.
– Estou pronta,mamãe! — disse saindo de trás do biombo,em um salto,e sorrindo de orelha a orelha — a rainha riu quando a tikka se desprendeu e a pedra caiu no olho da filha
– Querida,acho que não é bem assim. — disse se aproximando e ajeitando a jóia novamente — Protinho!Agora vire-se para que eu coloque o colar e os brincos.
– Ammi,eu tenho nove anos!Já sei fazer as coisas sozinha! — a menina reclamou enquanto a mãe terminava de arrumá-la
Quando haviam terminado,as duas saíram do quarto e seguiram em direção a salão principal.Os convidados eram tantos que Aqila se assustou.Ela olhava tudo e todos com olhos arreglados,nunca tinha visto uma festa tão linda e pomposa.Estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu que Rafi,que se encontrava comendo aos montes junto com os pais,quase se queimou ao enfiar um kebab inteiro na boca ao vê-la passar."Aqila?Não,não,devo estar maluco...ela nunca foi tão bonita assim.Ela é como eu,não se importa com essas coisas..." e então,prestou atenção nas próprias roupas: um sherwani² bege,com detalhes dourados,uma echarpe vermelha jogada frouxa em volta do pescoço e um turbante de mesma cor,com uma pedra verde encrustada em um adorno prata,terminando em uma pena branca "O que estou dizendo?Olha como estou vestido.Isso é tão apertado,não posso nem comer direito.E este turbante",pensou levando uma das mãos à cabeça,"fica caindo,não aguento mais." e bufou.
Seus olhos se arregalaram quando viu os pais de Aqila e a menina se aproximando.Ele rapidamente jogou o prato com o restante dos kebabs para debaixo de sua cadeira e ajeitou o turbante e a echarpe.
– Olha só que lindo que está o nosso pequeno príncipe! — disse Munira,ajeitando a pena no turbante do sobrinho,e então se retirou junto com o marido,a irmão e a cunhada,reis de sua cidade natal,Lahore,o norte do Paquistão.
– Eu vi esses kebabs aí debaixo — Aqila murmurou,grudando-se ao primo — Ande,passe-me um!Não consegui tomar café e estou morrendo de fome. — e estendeu a mão por trás do corpo
Quando o primo ia lhe dar a comida,os pais lhes chamaram para que fossem até um espécie de altar no centro do salão.Todos os covidados pararam o que estavam fazendo e prestaram atenção.
– Sentem-se aqui os dois — o pai de Rafi,indicou dua almofadas vermelhas postas lado a lado.Quando os dois se sentaram,ele começou — Rafi e Aqila,todos nós estamos reunidos hoje aqui para o noivado de vocês dois — ao ver que o filho engoliu em seco e a sobrinha arregalou os olhos,o rei riu e se explicou — Não vamos casá-los agora,podem respirar aliviados.Isto é apenas simbólico e para planos futuros. — continuou — Vejam,não queremos que a cultura de Lahore morra quando eu e Munira partirmos dessa vida.Então,uniremos vocês dois nesta espécie de laço e quando forem mais velhos,realizaremos o casamento e então,se que vocês dois,tomarão conta de nossos reinos. — e sorrindo,pegou uma caixa da mão da esposa e se abaixou para ficr da altura das crianças — Estas são as pulseiras que vão simbolizar isto — e deu uma a cada — Rafi,filho pode colocá-la em sua prima.
Rafi hesitou e olhou para Aqila,como que pedisse permissão,e ficou triste quando a menina lhe deu um sorrriso forçado e assentiu.Ela então fez o mesmo com ele,de maneira autómatica e o menino jurou que pode ver uma lágrima lentamente escorrer pela bochecha da prima.
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Regina automaticamente,separou os dois daquele abraço e se pôs à frente de Aqila.
– Quem é você?O que quer? — perguntou seca. "Wow,ela levou esse papo de família a sério mesmo.Parece até que é mãe dela",pensou Henry ao ver atitude da mãe e sorriu,desejando realmente saber como seria ter Aqila como irmã mais velha.
– Madame Prefeita,está tudo bem. — Aqila disse se colocando entre os dois e segurando a mão de Regina
– Você tem certeza?Eu nunca o vi por aqui antes. — a morena respondeu desconfiada e alternando o olhar entre o rapaz e a menina
– É porque ele não é daqui. — disse sem jeito — Pessoal,este é Rafi,príncipe de Lahore,um reino vizinho à Agrabah e...bem... — como ela gostaria de não ter que dizer estas últimas palavras — meu noivo.
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