Blurry Memories
9 Apologies To The Princess
Notas iniciais
Um clima de tensão pairava na sala de estar.Desde que Ruby saira para procurar Aqila,ninguém ousou pronunciar uma palavra.Henry brincava com os próprios dedos,o que expressava seu nervosismo,e volta e meia olhava para o relógio.Mary Margaret embalava o pequeno Neal em seu colo,enquanto o menino dormia,aéreo a tudo o que se passava.David havia saído,pois precisava fechar a delegacia.
Porém nada se comparava a situação de Emma e Regina.A xerife olhava para a esposa,que estava do outro lado da sala,claramente a ignorando.Sabia que tinha sido uma idiota mas não se sentia culpada por se preocupar com o bem estar da cidade caso o episódio de hoje voltasse a acontecer.Encarou Regina por mais de uma hora,esperando que a mesma viesse lhe falar alguma coisa.Nada.Nem um olhar ou um sorriso.Ao invés,Regina não parava quieta: às vezes se levantava e ia olhar a janela.Se sentava de novo e olhava o celular,para em seguida cruzar as pernas e descruzá-las,cruzando-as novamente para o lado oposto.Se assustava com qualquer barulho.Por vezes,levava as mãos às temporas e as apertava de leve,o qua fazia Emma questionar se ela ainda estaria sentindo a mesma dor de cabeça de mais cedo.
A xerife não conseguia entender porque Regina estava se comportando daquela maneira.Algo a incomodava desde a chegada da menina mas ela não sabia o que era e,se sabia,não deixava transparecer.Tudo o que a loira conseguia perceber,era o carinho e preocupação que a prefeita demonstrava para com Aqila.O jeito que a chamou de querida quando a viu suja,arranhada e toda esfarrapada em seu colo,a maneira como não hesitou em levá-la para a mansão,o modo como fez questão de preparar o quarto de hóspedes da melhor maneira possível para a menina,o modo como ela nem parecia se importar com o fato de que,há menos de 30 horas aquela mesma garota,era um dragão que ameaçava destruir a cidade.Tudo isso martelava na cabeça de Emma.
Porém as respostas para todas essas intermináveis perguntas,teriam que ser deixadas para depois,pois agora alguns risos podiam ser ouvidos do lado de fora da mansão,assim como alguns passos no pequeno caminho que levava à porta de entrada.
Regina que tinha os olhos fechados,abriu-os num susto e correu para a porta,abrindo a mesma em ânsia,como uma criança que abre os presentes na noite de Natal,e correu direção à Aqila.
– Aqila! — disse apertando os braços em volta da garota e fechando os olhos,soltando um suspiro — Você está bem?Onde você estava?Por que saiu daquela forma?Nos deixou procupados! — ela falava quase que sem respirar,segurando nos ombros da menina e analisando cada parte de seu rosto em busca de arranhões ou machucados
– O-olá...Prefeita... — Aqila disse.ainda um pouco assustada por causa da "recepção" — E-eu... — mas logo parou de falar quando viu que Emma vinha na direção das duas
Regina notou para onde a menina olhava e seu semblante se fechou.Se Emma queria confusão,ela não responderia por si.
– Regina...
– Escute,Emma. — ela a interrompeu — Se quer brigar de novo,está perdendo seu tempo.Eu não estou com cabeça para mais uma discussão.Todos tivemos um dia cheio de emoções,confusões,altos e baixos e muitas lágrimas. — Acredito que assim como eu,Aqila não precisa de mais um discurso ou mais palavras duras por parte sua.Então,por favor...
Emma a encarava com a boca semi aberta,sem saber direito o que falar.Só lembrou de ter visto a morena daquele jeito na época em que a maldição não havia sido quebrada e ela a tentava manter,a qualquer custo,longe de Henry.
– Por favor,deixe-a falar... — foi Aqila quem quebrou o silêncio para a surpresa das duas e sorriu para Emma,encorajando-a a falar
– Olha,Aqila...m-me desculpe por ter gritado com você hoje cedo.Quando se está acostumado a viver em uma cidade em que quase todos os forasteiros eram vilões ou mesmo ligados ao mal,é difícil confiar em alguém que já não esteja aqui dentro e mesmo confiando nos daqui de dentro é arriscado,às vezes. — Emma dizia tudo de uma vez só — E bem,digamos que vimos quando você chegou...a cidade inteira viu e você não estava em uma forma muito amigável — fez uma pausa para ver se a menina esboçava alguma reação porém ela continuou lhe olhando,prestando atenção em cada palavra do que dizia — Mesmo depois de te ver em forma humana,algo dentro de mim ainda não dizia que podia confiar totalmente.Por isso,eu fiz um escândalo no hospital quando vi você abraçada à Regina e não aceitei muito bem a idéia de você morar conosco. — Emma esfregava as mãos nervosa.Não sabia se estava fazendo sentido mas continuaria assim mesmo — Quando Regina conversou comigo,eu vi que podia confiar em você,pois se ela confiou,não havia problema algum...mas aí aquilo de hoje cedo aconteceu e não sei o que me deu.Eu fiquei assustada,desesperada por ver a cidade perto do perigo de novo,por ver minha família,meus amigos...meu filho perto do perigo de novo e eu não pensei.Reagi no primeiro impulso e eu não enxerguei você naquela hora,enxerguei o que você é...quer dizer,era... ah,não sei! — levantou os olhos e viu que a menina continuava séria mas seus olhos indicavam que queria rir dela,assim como Regina,que olhava para cima a fim de disfarçar a risada e como Emma imaginava,possíveis lágrimas também — O ponto é que,eu perdi a cabeça.Mais uma vez.Mas agora estou aqui,te pedindo desculpas e pronta pra te ajudar no que for preciso: a descobrir como veio parar aqui,como paramos esses efeitos colaterais da maldição..tudo o que você precisar. — soltou um longo e pesado suspiro e olhou a menina nos olhos de novo — Eu sinto muito,de verdade.
Ao final desse discurso,Ruby,Regina,Mary Margaret e até David que tinha chegado há pouco,sorriam e tinham lágrimas nos olhos.Henry correu e abraçou a mãe,lhe lançando um sorriso que dizia "Estou orgulhoso de você".Mas Aqila nada disse.Ela apenas sorriu e depositou sua mão na de Emma,apertando-a.
Ao sentir o toque da menina,a xerife paralisou e olhou para a mão da mesma.Já havia sentido aquilo antes.Aquele toque,o jeito que Aqila apertava sua mão,o jeito como ela sorria e os olhos castanhos sorriam junto,o modo como ela inclinou a cabeça.Emma conhecia aquele gesto.Mas antes que pudesse forçar mais sua mente,a ponto de fazê-la lembrar,uma voz interrompeu seus pensamentos.
– Está desculpada... — a voz suave de Aqila se fez ouvir — Eu entendo o seu lado e o de todos vocês — continou,se virando para os outros — Obrigada por confiarem em mim e me acolherem.Agora me sinto segura para me apresentar devidamente. — e ao ver o olhar confuso de todos,completou sua fala — Muito prazer,sou a princesa Aqila,do Norte de Agrabah.
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