Blurred lines.

31 O último, mas não o fim.


Notas iniciais
Oi gente! Bom, chegamos ao fim de BL e eu gostaria de agradecer. Chorei como uma criança escrevendo esse capítulo, e me despedir dessa fanfic vai ser mais difícil do que eu pensei. Junto com o último capítulo de BL, estou lançando minha nova fanfic, Kajra re, que não será um projeto semanal. Não tenho muito o que dizer, além de "obrigada" do fundo do meu coração. Valeu por cada comentário, cada opinião, cada recomendação... E agradeço até àqueles que nunca falaram comigo, mas acompanharam a história do início ao fim. Amo vocês! Quem me tem nos favoritos, vai receber nas atualizações o aviso de que postei uma nova história, e quem não tem é só ir até o meu perfil se quiser ler Kajra re. Boa leitura!

Naruto.

[Two is better than one. — Boys like girls feat. Taylor Swift].


I remember what you wore in our first date
You came into my life
And I thought "hey you know this could be something"
Eu lembro o que você usou no nosso primeiro encontro
Você entrou na minha vida
E eu pensei: "Ei, sabe, isso pode dar em alguma coisa"


Caminhava pela sala de minha casa, com uma xícara de café fumegante em minha mão. Os últimos dias haviam sido assim.

Desde o episódio na antiga mansão Rinavalius, Sasuke estava em coma devido aos tiros que tomou. Em coma, não morto, era o que eu tentava por em minha cabeça. Os médicos mais competentes do continente cuidavam de Sasuke no subsolo da mansão Ambu Nation, onde Itachi segurava todas as pontas, já que fui proibido de ficar perto de lá. Passei três dias ao lado de Sasuke, praticamente sem dormir, me recusava a deixá-lo sozinho.

Meu rosto estava inchado há exatos cinco dias, em que eu chorava a todo segundo. Os cinco dias que Sasuke permanecia em coma.

'Cause everything you do and words you say
You know that it all takes my breath away
And now I'm left with nothing
So maybe it's true that I can't live without you
And maybe two is better than one
There's so much time to figure out the rest of my life
And you've already got me coming undone
And I'm thinking two is better than one
Porque tudo o que você faz e as palavras que você diz
Você sabe tudo isso me deixa sem ar
E agora eu estou sem nada
Porque talvez seja verdade que eu não consiga viver sem você
Talvez dois seja melhor que um
Há tanto tempo para descobrir o resto da minha vida
E você já me fez ficar sem graça
E estou pensando que dois é melhor que um

Era impossível ver aquele rosto mais pálido do que o normal. Sasuke parecia tão quieto, tão sereno... E por isso parecia quase morto.

Eu queria, juro que queria, lembrar de Sasuke sorrindo, brincando comigo, ou até mesmo de nossas brigas... No momento, eu sentia falta de Sasuke, de Punk e Sasuke junto em uma pessoa só, entendem? Eu demorei tanto a escolher e agora praticamente perdi os dois...

E se Sasuke acordasse sem se lembrar de quem eu sou? E se somente Sasuke acordasse? E se somente Punk acordasse? E se nenhum dos dois acordasse?

Eu tinha medo e não conseguia dormir sozinho. Meus pais estavam aqui em casa comigo e tentavam ajudar em tudo que era possível, mesmo meu pai estando com um braço quebrado e minha mãe com o pulso luxado e o tornozelo torcido. É, é claro que eu não esperava que saíssemos todos inteiros de lá, não é?


I remember laughing looking upon your face
The way you roll your eyes, the way you taste
You make it hard for breathing
Cause when I close my eyes I drift away
I think of you and everything's ok
I'm finally now believing
Lembro-me de rir, olhando para seu rosto
O jeito que você vira os seus olhos, o seu sabor
Você faz com que seja difícil respirar
Porque quando eu fecho os olhos eu vôo para longe
Eu penso em você e tudo fica bem
Agora eu estou finalmente acreditando

Isso também me fazia lembrar de Suigetsu, de como ele havia entrado na frente dos tiros para me salvar, isso tudo porque amava Sasuke... Para vocês verem como o amor é uma coisa pura, não é mesmo? Suigetsu pensou rápido, e no que seriam os últimos segundos da sua vida me aceitou como parte do destino, vendo que Sasuke estava feliz... E simplesmente entrou na frente dos tiros.

Sasuke chorou naquele momento não porque ainda gostava de Suigetsu do jeito romântico, mas sim porque ele era uma pessoa mais que importante em sua vida e ele o viu morrer. Eu, bobo que só, achei que Suigetsu havia morrido quando ficou para trás, mas pelo visto, é claro que não foi assim.

E eu rezaria todos os dias por sua alma.

Maybe it's true that I can't live without you
Maybe two is better than one
There's so much time to figure out the rest of my life
And you've already got me coming undone
And I'm thinking two is better than one, Yeah, yeah
Porque talvez seja verdade que eu não consiga viver sem você
Talvez dois seja melhor que um
Há tanto tempo para descobrir o resto da minha vida
E você já me fez ficar sem graça
E estou pensando que dois é melhor que um, sim, sim

Mas não deu tempo, eu não pude fazer assim como Suigetsu e entrar na frente dos tiros. Eu queria ter salvado Sasuke, eu morreria no lugar dele se fosse necessário, tudo para não ter que estar vivendo esses momentos terríveis, de saber se voltarei a ver os olhos de quem eu mais amo no mundo abrirem outra vez.

I remember what you wore in our first date
You came into my life and I thought, Hey
Maybe it's true that I can't live without you
Maybe two is better than one
There's so much time to figure out the rest of my life
And you've already got me coming undone
And I'm thinking I, I can't live without you
Cause baby two is better than one
There's so much time to figure out the rest of my life
But I'll figure out we hold say done
Eu lembro o que você usou no nosso primeiro encontro
Você entrou na minha vida e eu pensei: "Ei..."
Porque talvez seja verdade que eu não consiga viver sem você
Talvez dois seja melhor que um
Há tanto tempo para descobrir o resto da minha vida
E você já me fez ficar sem graça
E eu estou pensando eu,
Oh, eu não posso viver sem você
Porque dois é melhor que um
Há tanto tempo para descobrir o resto da minha vida
Eu vou descobrir a gente se abraçando e dizendo: "feito"

– Você sabe que eu sempre estarei aqui, não é, querido? — Perguntou mamãe, passando um cobertor por meus ombros. Em todos os dias depois do incidente em Rinavalius havia feito frio, o céu nublado, e a chuva não parava de cair por um segundo sequer. Era o céu chorando por mim. — Sasuke vai ficar bem, meu filho. Ele é muito forte e não vai desistir.

Two is better than one
Two is better than one
Dois é melhor que um
Dois é melhor que um

Eu andava descalço sobre o chão frio, não estava ligando muito para minha saúde. Só comia quando alguém me forçava, pois já não sentia fome. Na verdade, mal sentia alguma coisa além do desespero por Sasuke.

Eu o quero de volta.

E esse pensamento fez meu rosto se contorcer em uma careta de choro ao mesmo tempo em que eu sentia as lágrimas voltarem a rolar.

Mamãe me abraçou com toda sua força, afundando seu rosto em minhas costas, e eu somente ergui as mãos para acariciar seus braços que adornavam minha cintura e peito.

– Itachi disse que ele tem correspondido bem a tudo, as atividades cerebrais dele às vezes se agitam... Sabe, Naruto, é provável que ele acorde. — Papai, que comia um pão, dizia. Eu não sabia exatamente se isso era verdade, até porque não tinha encostado em meu celular e nem me comunicado com ninguém desde que tudo aconteceu.

Não queria esperanças falsas, não queria morrer esperando que ele voltasse para mim, que ele aparecesse na soleira da porta e me abraçasse.

Comecei a soluçar, o choro se intensificando mais... Não é possível que as coisas continuassem assim.

Eu o quero de volta! Eu o quero de volta!


Itachi.

– As coisas não estão nada fáceis sem você aqui, irmãozinho. — Apoiei minha mão sobre a mão de Sasuke, que jazia imóvel sobre a cama. — Rei chora todos os dias, o dia inteiro, Sakura já está de cabelos para cima. Parece que sua sobrinha sabe que há algo errado... E realmente há. Alguém como você não deveria estar aqui agora.

Ele não responderia. Eu sabia que não.

Então por que continuava a falar?

– Naruto está muito triste, sabe? Ele tem sentido a sua falta. Quer dizer, Sasuke e Punk, seja lá quem estiver aí no momento. Ele realmente ama muito os dois, sei que se ele pudesse ter feito algo para impedir isso, teria feito. — Lamentei. Embora fizesse cinco dias que meu irmão estava ali, eu não tinha derramado uma lágrima. Simplesmente não conseguia. — Naruto está sofrendo, ele sente sua falta. Eu sinto sua falta. Volta para cá, por favor... Vem ficar com a gente, Sasuke. Sai dessa. Eu já não sei mais o que fazer... Sem você parece que os dias perderam a graça, entende? Eu te vi crescer, aprender a falar, a andar... Eu vi você arranjando sua primeira namoradinha. Estivemos lado a lado durante quase trinta anos. Eu preciso de você, não posso viver sem você.

Sorri escancaradamente ao sentir um fraco aperto em minha mão.

– DOUTOR! — Gritei, e logo um médico estava dentro da sala.

– O que aconteceu? — Perguntou preocupado, mas eu não conseguia parar de sorrir. — Diga-me, senhor Uchiha, eu preciso saber o que aconteceu para poder ajudar da melhor forma possível.

Ele não entendia! Se eu estava sorrido era porque obviamente não foi algo ruim, certo? Sasuke apertou minha mão! Eu tenho certeza! Não foi alucinação.

– Eu senti Sasuke apertar minha mão. Foi de leve, algo quase imperceptível, mas eu senti. Tenho certeza disso! — Garanti, olhando para meu irmão, que parecia tão inerte como se jamais fosse acordar. Mas não adiantava mais! Agora, já era. Uma centelha de esperança havia ascendido dentro de mim, eu sentia nos ossos, Sasuke acordaria.

– Senhor Uchiha, o senhor está sobrecarregado, trabalhando há dias sem parar, vindo aqui sempre que possível e está muito deprimido... Há uma chance de Sasuke ter, sim, movido a mão, mas também há uma chance maior ainda do senhor ter imaginado isso, entende? — O médico tentava ser delicado, mas nada do que ele dissesse mudaria a minha certeza: Sasuke havia mexido a mão. Ele estava me escutando! — Sasuke está em coma há cinco dias, é um período de tempo curto para o estado e é claro que seria ótimo se ele acordasse, mas não vamos alimentar tanto as esperanças, ok? Seguiremos com o tratamento de seu irmão normalmente. É ótimo que o senhor converse com ele, então espero que continue.

O médico poderia (e talvez até devesse) tirar minhas esperanças, mas nada mudaria... Sasuke havia mexido a mão sim, e eu senti. Ele acordaria e voltaria para todos nós que o amamos tanto.

Meu irmãozinho.

– Você vai acordar, Sasuke... — Murmurei, voltando a sentar do lado de meu irmão. A alegria fora tanta que eu nem percebi que havia levantado. — Eu estou te esperando.

Não era algo de irmão, era maior que isso... Sasuke não era só meu irmão, ele era minha outra metade. Minha vida. Sasuke foi, e é, o raio de sol que iluminou meus dias, todo dia, depois que ele nasceu.

Era como se, antes dele, eu vivesse esperando por algo, uma espera que parecia eterna. Era olhar pela janela e imaginar quando esse algo viria, quando eu me sentiria completo. Foi quando, na maternidade, eu pude escutar o choro daquele que seria a maior benção que eu já tive na vida. A melhor coisa que eu poderia possuir.

Eu amava minha família, minha esposa, minha filha, amava meus amigos, mas nada se comparava ao meu amor por Sasuke. Eu nunca esqueceria a primeira vez que olhei para aquele rostinho que logo se tornaria tão parecido com o meu. Nunca imaginei que no meu peito coubesse um sentimento tão grande, tão puro... Era intocável.

Eu vi Sasuke mudar quando nossos pais morreram, vi Punk nascer... Eu vi tudo. Estava presente ao lado de Sasuke a todo segundo, o amando mais que tudo, e é por isso que nosso laço era indestrutível. Sasuke podia me amar do seu próprio jeito, que era bem torto por sinal, mas eu aguentaria o sarcasmo, o cinismo, aguentaria a frieza de meu irmão, tudo para estar do lado dele.

Ele simplesmente encantava a todos.

Hinata era louca por ele, Suigetsu deu a vida por ele e Naruto... Eu nem sei o que dizer sobre Naruto! Esses dois são o mais puro amor romântico, o melhor casal do mundo. Eles nasceram um para o outro, e não havia quem pudesse mudar isso, mesmo que ficassem separados por uma vida... Sempre que se vissem, eu tenho certeza que um turbilhão de sentimentos tomaria conta dos dois.

Meu peito doía como se tivessem enfiado a mão através de minha pele e ossos e levado meu coração. Estava oco, vazio, mas doía como se o buraco que ali estava sugasse toda minha alma.

Eu não posso lidar com a ausência de Sasuke, é algo impossível. E se ele morrer... Eu não sei o que faço. Simplesmente não sei.

– Meu bebê... — Acariciei o rosto de Sasuke como mamãe costumava fazer. — Volta pra mim. Eu preciso de você. Naruto precisa de você. Não posso suportar mais tempo sem ver seus olhos Sasuke, sem ver seu sorriso, mesmo que seja pequeno... Você é, e sempre foi, o motivo de meu coração estar batendo, ainda mais depois da morte dos nossos pais. Eu não aguentaria viver num mundo onde você não existisse. Por favor, volta. Eu não sei quanto tempo posso suportar.

– Ele vai voltar. Ele é forte, você sabe disso. — Karin apareceu na porta do quarto onde Sasuke estava. Eu jamais o deixaria em um hospital, nem que fosse o melhor do mundo. O dinheiro Uchiha poderia comprar qualquer coisa que ele precisasse. Eu o queria perto, de baixo de minhas asas. — Sasuke nunca desistiria, eu tenho certeza.

As mãos de minha amiga agora faziam carinho em minhas costas, enquanto eu continuava a segurar a mão de Sasuke. Ele podia nos ouvir?! Ele podia sentir minha mão segurando a sua sempre que dava?

Eu queria saber.

– Precisa voltar ao seu trabalho, chefe. — Eu não podia deixar de reparar como Karin ainda continuava bonita. Seu cabelo estava fortemente amarrado em um rabo de cavalo no alto da cabeça, e ela só usava roupas pretas desde o Dia D em Rinnavalius... Eu não queria admitir, mas usar roupas pretas significa luto, e Karin sempre fora muito perceptiva. Não sei se ela está de luto pelos que foram, ou pelos que ainda podem ir.

E isso eu não queria saber, definitivamente.

– Não quero voltar ao trabalho, Karin. — Ajeitei meus cabelos com uma mão. Estavam muito longos, chegavam ao meu quadril e eu jamais os cortaria, Sasuke gostava assim e brigava comigo só de eu aparar as pontas.

Minha vida gira ao redor dele mais do que qualquer pessoa possa imaginar.

– Eu não disse que você iria para o escritório. — Forçou-me a levantar, e eu olhei a última vez para o rosto de Sasuke antes de sair daquela sala. — Ambu Nation te espera.

(...)


– Em memória de todos os homens e mulheres que morreram em batalha, mas especialmente Gaara e Suigetsu, dois grandes amigos, funcionários e principalmente, grandes homens. — Konan discursava para toda Ambu Nation escutar. — Sei que estamos todos tristes, alguns de vocês perderam irmãos, companheiros e amigos, outros não perderam ninguém, mas nunca esquecerão os horrores vistos... O que eu quero pedir é que comecemos a nos reerguer. Nosso chefe, nosso maior motivador, não está aqui no momento para nos ajudar. Na verdade, acho que além da tristeza pelos mortos, estamos todos deprimidos por Sasuke também.

Um longo momento de silêncio se estendeu, até Konan voltar a falar.

– Quero que façam o que puder para Sasuke voltar... Se você crê e em algo, por favor reze, por favor peça para Sasuke voltar e para cuidarem das almas dos que já se foram. Está difícil, mas nós vamos passar por cima disso. — Limpou a garganta, possivelmente estava segurando o choro. Pain foi para o lado de Konan, segurando sua mão e afagando com carinho. Estou feliz que esses dois tenham sobrevivido. — O que importa é que a vida continua, não importa o que aconteça, temos que seguir em frente, e é o que quero transmitir a vocês. Vamos manter esse lugar de pé, essa organização unida, para que tudo volte ao normal. Muito obrigada por me escutarem.

– Na verdade. — Pain interrompeu. — Nós temos algo a mais para dizer. — "Temos?!" escutei Konan sussurrar, surpresa.

O burburinho dos funcionários começou, e logo o barulho já estava alto. Pain era um homem calado, raramente se pronunciava, preferia ficar na sua, apenas fazendo o que era mandado.

– Silêncio. — Bradei, e fui acatado.

– Há um tempo atrás, antes da missão, eu havia dito a Konan que se nós dois sobrevivêssemos, casaríamos. — Os olhos de minha amiga se arregalaram. — Ela pode ter esquecido disso, ou fingido que esqueceu, mas eu não. Konan, eu quero te pedir agora, na frente de todos, em casamento. Sei que parece não ser o melhor momento, mas eu não vejo momento melhor que esse. Vocês me deram tudo que eu poderia pedir, uma família, e até mesmo sem querer, me deram alguém para partilhar o resto da minha vida. Eu quero a benção de todos vocês, para que nos casemos mês que vem, aqui no salão da Ambu Nation.

Por um momento, a tristeza e o luto foram esquecidos, e tudo que havia era parabenizações e desejos de felicidade para o casal, até mesmo de minha parte. Eu gostava dos dois juntos e acho que não havia ninguém melhor que Pain para cuidar de Konan, e vice-versa. Eu via nos olhos de Konan que ela amava Pain de um jeito que eu não conseguia entender, e que ter a confirmação de que ele seria seu pro resto da vida a fazia mais feliz que tudo.

De um jeito ou outro, nos reergueríamos.

(...)

Sakura.

– Rei, não chore mais, por favor... — Eu pedia.

Nada acalmava minha pequena nos últimos tempos. Já havia quase um mês desde que tudo acontecera, mas Rei continuava a chorar todos os dias como se ainda fosse aquela madrugada.

Eu lembro perfeitamente do momento em que Rei começou a chorar, era como se ela sentisse... Já era tarde, e eu sabia que a batalha entre Rinnavalius e Ambu Nation já estava acabada. Não sabia quem havia ganhado e quem havia perdido, apertava a aliança de meu casamento com Itachi contra o peito como se fosse a última coisa que eu faria nessa vida.

Naquela noite, eu não dormi nem por um segundo, e Rei estava do meu lado, de olhos bem abertos, encarando o teto. Foi no momento em que meu celular vibrou e eu li a mensagem de meu marido. Naquele momento, parece que minha filha sentiu a notícia sobre seu tio, e desde então não me dava folga por um segundo.

Seu choro já não era mais estridente como antes, agora já estava meio rouco, e eu ficava preocupada sobre isso. A saúde de minha pequena... E não podia culpar a ninguém, era algo dela. Parecia ser sensitiva como Karin. Algo estava errado, Rei chorava a todo segundo e nunca parava de chover.

Eu tinha calafrios ao andar pela casa, a sensação de algo que eu não conseguia saber o que, mas tinha muito medo.

– Se ao menos você já pudesse falar, filha... — Comentei tristemente, tentando ninar Rei, que agora parara de chorar. — Graças a Deus. — Agradeci, e continuei a tentar fazer minha filha dormir. — Seu pai logo estará em casa, espero eu. Pelo menos quando ele está aqui você fica mais calma. Seu tio também voltará e virá aqui te trazer presentes, que tal?! Só quero que você pare de chorar todos os dias... A mamãe também chora, mas não adianta ficar triste o tempo todo.

Eu já havia levado minha filha em todos os médicos possíveis, e nenhum deles encontrava a causa para o choro quase constante de Rei. Mas, como mãe, eu sentia no fundo do meu coração que minha filha chorava pelo mesmo motivo de todos nós: tristeza.

(...)

Naruto.

Me olhava no espelho, ajeitando a gravata borboleta rosa bebê que minha melhor amiga escolhera para mim. Rosa não é minha cor favorita, mas é o dia mais feliz da vida de Konan, se ela quisesse que eu me vestisse de palhaço, eu já estaria até pintando o rosto.

Eu gostaria de dizer que não emagreci, que meu reflexo não estava abatido e que não havia profundas olheiras de baixo dos meus olhos, mas isso seria mentir.

Eu não sei exatamente como isso aconteceu, quando vi já estava nessa estado.

Arrumei meu cabelo com as mãos, ele estava bem curto devido ao corte recente que dei nele. Aos poucos, eu tentava levar minha vida.

Esperar Sasuke estava sendo uma tarefa árdua, pois não me deixavam chegar perto dele, e tampouco me davam notícias sobre seu estado. Era como viver num quarto branco a prova de som, eu não sabia o que estava acontecendo "do lado de fora".

– Querido, vamos? — Chamou mamãe, que estava charmosa em um vestido de verão vinho. Apesar do clima não ter estado bom nos últimos tempos, o tempo resolveu abrir. O casamento seria na parte de trás da mansão Ambu Nation, num lindo e grande jardim decorado especialmente para a ocasião. — O padrinho não pode se atrasar.

– Está certa, mamãe.

Saí da frente do espelho determinado a aparentar um pouco de felicidade hoje. Eu não estragaria as fotos do casamento de Konan, nunca.

(...)

A festa estava regada a vinho, o que combinava muito com a decoração branca do local.

Eu estava de pé no altar, e Pain suava como um porco ao meu lado, limpando o rosto a todo momento com o lenço que carregava no paletó.

– Fique calmo homem, ela não vai te abandonar no altar.- Aconselhei. Karin estava de braços dados comigo, era seria a madrinha da noiva. Do outro lado Itachi e Sakura também tentavam acalmar Pain, que parecia que ia enfartar a qualquer momento.

A orquestra contratada pela organização começou a tocar, e lá longe, no final do tapete vermelho estendido sobre a grama, Konan entrava, de braços dados com meu pai, cujo o outro braço teria o gesso removido amanhã.

A entrada da noiva pareceu demorar uma eternidade, e pela primeira vez em tempos, consegui sentir felicidade. Minha melhor amiga estava linda, mais do que eu poderia imaginar. Seu cabelo havia crescido um pouco, e estava solto, ao invés do usual coque que ela usava. Seu arranjo de cabelo era composto por várias flores de papel, assim como seu buquê. Pouco tradicional, mas representava minha amiga como nada no mundo faria.

Meu pai a deixou ao lado de Pain, murmurando um "cuide bem dela, ou eu vou atrás de você", fazendo minha amiga rir baixinho. Pain era sobrinho do meu pai, mas ele se referia a Konan quase como uma filha. Bom, ela vivia lá em casa praticamente, era de se esperar que meus pais se afeiçoassem a ela.

Os dois se viraram para o juiz de paz, que apoiara os documentos e o livro do cartório em cima de um altar de frente para os dois.

Claro que esse juiz de paz era relacionado a Ambu Nation, nós jamais deixaríamos um desconhecido entrar em nossa casa.

– Todos podem se sentar. — O juíz se dirigiu aos convidados, que sentaram em seus respectivos lugares. — Hoje, estamos reunidos para celebrar a união de um jovem casal, Pain e Konan. Em meio a um tempo de tristeza, um tempo de resguarde, nós viemos aqui para festejar o amor e oficializar um relacionamento sério em frente a todas as pessoas que testemunharam a trajetória desse casal. Pain e Konan deixam hoje suas vidas de solteiro para trás, começando a vida de casal. Uma nova jornada para os dois, que será cheia de cumplicidade, carinho, amor, fidelidade e amizade, trazendo paz para o lar. É em meio dos amigos que eles gostariam que esse momento acontecesse, e assim está sendo. Eu gostaria que agora, os dois jovens recitassem seus votos um para o outro, em alto e bom som.

No altar, ao nosso lado, Kakashi e Obito, que haviam voltado especialmente para o casamento, se aproximaram com a almofada onde a caixinha de alianças descansava.

Pain pegou a aliança menor e segurou a mão esquerda de Konan.

– Hoje estou casando com a mulher mais linda do mundo, a mulher que é perfeita para mim. Afinal, eu não poderia casar com uma mulher que não aguentasse segurar uma metralhadora. — Os convidados riram com a piadinha fora de hora. — A partir de agora, Konan, seremos inseparáveis, estaremos ligados por um laço antigo, que hoje foi fortalecido e blindado contra o tempo. Eu amo você.

Os olhos de minha amiga brilhavam, mas eu sabia que ela não iria chorar. Konan é uma fortaleza.

Minha amiga imitou os passos do homem que em poucos segundos seria seu marido oficialmente, pegou a outra aliança que estava na caixa e segurou a mão esquerda de Pain, que tremia.

– Eu nunca imaginei que em questão de meses eu estaria em um altar, me casando com o homem da minha vida, mas, como dissemos a algum tempo atrás, não há o que esperar, nossa vida passa rápido diante dos nossos olhos e em um piscar de olhos podemos não estar mais vivos. Apesar de tudo, não foi isso que me fez ter certeza de que eu estava pronta para subir aqui e casar com você, amor. — Minha amiga riu nervosa, prendendo as lágrimas de emoção. — A todo segundo você me prova que eu posso ser uma pessoa melhor, que podemos viver como um casal normal, apesar de sermos como somos. Me mostra que seremos felizes a todo momento, porque eu te completo e você me completa. Eu quero que esse hoje vire um para sempre, porque eu te amo mais do que posso descrever.

– Antes de declará-los marido e mulher, peço que assinem os documentos. — O juiz instruiu e assim aconteceu. Primeiro Konan, abaixou-se e assinou todos os documentos do casamento; Pain fez o mesmo que minha amiga, com o olhar apaixonado direcionado a ela a todo segundo.

Por um momento, eu desejei que Sasuke e eu também estivéssemos assinando tais papéis, mas ele nem ao menos estava acordado.

– Estão oficialmente casados. Pode beijar a noiva.

A euforia foi total, pois Konan virou Pain em seu colo, como num filme de contos de fada ao contrário, e o beijou com todo seu amor. Era quase palpável a energia dos dois, me dava até um frio na barriga.

Era muita felicidade inundando àquele local, e eu nunca me senti tão realizado na vida. Minha amiga estava casando com quem amava, numa vida onde era praticamente impossível arranjar um amor sem perdê-lo logo em seguida, ou você mesmo ter que matá-lo.

A hora de jogar o buquê havia chegado, e uma horda de mulheres furiosas praticamente se estapeavam para ficar no meio. Até minha prima estava lá, empurrando as outras mulheres.

Pelo visto, Karin havia cansado de ficar sozinha.

Eu estava sentado ao lado delas, observando-as e achando muita graça na situação. Uma surpertição antiga dizia que quem pegasse o buquê da noiva, seria a próxima a se casar.

– Vou jogar, hein?! — Avisou Konan. — É um... É dois... É três e... Vai! — O buquê voara alto, num ângulo que atingia a visão que tínhamos do sol, cegando-nos por um momento.

Minha surpresa foi que quando consegui recuperar a visão, o buquê havia caído em meu colo.

Mulheres furiosas voaram para cima de mim, tentando pegar o buquê, e de reflexo agarrei as rosas de papel embrulhadas num enfeite branco, me jogando no chão e sentindo minha prima me socar nas costas.

– Argh! Não acredito que você conseguiu o buquê, Naruto! Nem ao menos estava tentando pegá-lo!

Olhei para minha amiga esperando ver incredulidade no rosto de Konan, mas pelo contrário, ela sorria matreira... Não sei como, mas ela havia feito de propósito.

Ri um pouco e levantei-me do chão, erguendo o buquê.

– Estou vivo, estou vivo. — Anunciei, brincando. — O buquê é meu, larguem de inveja.

Itachi veio me abraçar, murmurando palavras de conforto, dizendo que logo logo esse buquê faria sentido e que a tradição seguiria.

Eu queria acreditar nele.


(...)

Sasuke.

Eu estava num carro, e ele estava capotando. O cinto de segurança ameaçava a querer me enforcar, mas eu não podia soltá-lo, era a única coisa que me impedia de voar pelo vidro da frente. Com uma batida mais forte, senti meu braço quebrar em três, em uma fratura exposta, e a dor era tanta que eu mal conseguia ficar acordado.

Olhei para o lado, para o banco do motorista, e meu coração quase parou ao me ver tentando segurar no volante, para impedir tantos solavancos com o capotamento. Meu outro eu estava com a testa sangrando, o rosto já estava banhado em vermelho, manchando sua jaqueta de couro conforte escorria... Espera! Jaqueta de couro?!

Olhei para baixo, sentindo uma pontada atrás da cabeça assim que fiz o movimento. Eu estava com um dos meus ternos que normalmente usava no escritório na Uchiha's Enterprises.

Então estava explicado: aquele do meu lado não era eu, e sim Punk, mas... Como?!

Quando o carro deu sua última volta e parou, caindo com toda a força no chão, pude sentir um ferro da aparelhagem do carro perfurar minha barriga, me fazendo cuspir sangue imediatamente. Pelo menos não estávamos de cabeça para baixo.

– P-punk... — Tentei chamar, para ter certeza de que ele ainda estava vivo. — Punk.

– Garoto... — Ele abriu um dos olhos, virando a cabeça um pouco para me encarar. Sorriu. — Então finalmente nos encontramos, não é? Pena que eu esteja com tanta dor, se não te daria um cascudo.

Forcei minha capacidade de visão, que estava um pouco debilitada, e pude olhá-lo melhor. Só agora percebi o ângulo estranho que as pernas de Punk estavam.

– O que está acontecendo...? Como viemos parar aqui?

– Eu sempre fui o mais esperto... — Riu, mas logo após cospiu uma bola de sangue, enquanto tossia. — É fácil saber a resposta, garoto, apenas respire fundo.

E eu respirei.

Senti imediatamente muitos furos em minhas costas, um até perigosamente perto do pescoço. Cospi sangue também.

– Por que eu tenho buracos de bala em minhas costas? O que aconteceu naquela missão? EU QUERO SABER AGORA! — Exigi, sentindo meu corpo reclamar e as pontadas e minha cabeça ficarem mais fortes.

Punk sorriu ternamente, e eu pude ver como ele seria se não fossemos uma pessoa só. Seu rosto era um pouco mais cansado que o meu, carregando o peso de ser mais velho alguns anos, e por trás de seus olhos, eu não via nada a não ser morte.

– Eu estava de colete, se quer saber, mas ele estourou em alguns pontos, já que tomamos uns belos tiros a queima roupa. — Estalou a língua. — Agradeça a essa merda de colete, se não nem aqui estaríamos, as balas teriam nos atravessado como se fossemos feitos de papel.

– Eu... E por que estamos assim? Aqui?! Eu quero sair daqui! — Usei meu braço bom para quebrar o vidro da janela do carro, mas isso só me rendeu alguns cortes. Eu não conseguiria sair daqui.

– Porque você está desistindo. Sua consciência está deixando seu corpo, assim como a minha. — Punk fechou os olhos, descansando a cabeça para trás. — Não tem jeito, garoto. Possivelmente um de nós não irá sair dessa, temos que ser fortes. Se você quiser acordar, sair dessa merda, eu dou minha vida pela sua.

– Não! De jeito nenhum! — Me desesperei, me machucando mais ao me debater. — Eu não aguentaria voltar sem você, jamais... Eu não sei ser um bom líder de gangue, não sou destemido e tampouco tenho sangue frio e... E Naruto?! Você acha que ele vai ficar feliz só tendo a mim? Claro que não! Você não pode me deixar!

Punk riu, virando milimetricamente o rosto para me olhar. Seus olhos, iguais aos meus, agora se abriram novamente, mas eu podia ver que ele estava desistindo para dar lugar a mim. Segurei sua mão que estava apoiada na marcha do carro e apertei meus dedos contra ela.

– Ele sempre te amou, Sasuke. Sempre.

– E sempre te amou também, até mesmo antes de me amar. Ele só não sabia disso. — Admiti. — Eu não vou sair daqui sem você.

– Então façamos o seguinte? — Sugeriu. — Desistimos os dois.

(...)

Naruto.

Dois meses após o casamento de Konan, eu decidi que era hora de seguir com a vida. Deixei que Shisui marcasse um show para mim, e ele me surpreendeu ao contar que a maior arena de shows da cidade estava atrás do meu contato feito louca, e ele estava segurando por respeitar minha tristeza.

Todos os dias eu tentava convencer Itachi a me deixar ver Sasuke, mas tudo que ele me dizia era "ele ainda não acordou, não quero te deprimir mais", mas eu sabia... Algo estava estranho. Algo havia acontecido e eles não queriam me contar.

De qualquer jeito, não era como se meus dias estivessem sendo ruins, nem bons... Era como se o tempo tivesse parado, os ponteiros do relógio não se movesse mais, e eu andasse por um mundo onde todos estavam congelados. Não ouvia ninguém, não reparava em ninguém, apenas continuava seguindo.

Agora, depois de três meses, quase quatro, eu notava a falta que Sasuke fazia no meu dia a dia, como ele mesmo e como Punk.

Eu já havia pensado em me matar, mas assim que a ideia passava por minha cabeça, logo eu lembrava que Sasuke podia acordar, e eu não queria que ele acordasse sem eu estar aqui para recebê-lo. Queria ser a primeira pessoa que ele visse quando abrisse os olhos, a primeira que falasse quando conseguisse se comunicar, a primeira que abraçasse quando levasse alta do hospital.

Eu queria ser o tudo dele, já que ele era o meu.

Não importa quem acordasse, eu só queria que acordasse.

– Vamos? — Shisui e Konan me chamavam, esperando para fechar a porta do meu apartamento. — Temos que ir Naruto, o carro está nos esperando para irmos para a arena.

Eu participaria de um festival de música, seria a terceira atração e tinha que ir logo, afinal, a primeira banda deveria estar acabando de tocar.

– Vamos.

O caminho para arena foi calmo, meus amigos estavam com medo de que eu desabasse, mas eu havia garantido que o show seria tranquilo e que tudo daria certo. Eu não decepcionaria aos fãs que eu mal havia conquistado, e já abandonara. Eu reconquistaria tudo, se eles me queriam, teriam muito Naruto.

Admito que fiquei nervoso na concentração do show, mas depois de de três músicas, eu já estava à vontade no palco, já havia tirado fotos com celulares de fãs, chamado uma menina para vir ao palco, e até segurado na mão das primeiras pessoas da platéia.

No palco era como se nada estivesse errado, como se o chão daquele lugar me prendesse na Terra, e tudo pelo que estou passando fizesse sentido, eu amava todos aqueles que estavam me olhando naquele palco, até os que não gostavam de mim. Meu coração batia forte no peito e eu sentia a imensidão do amor que era ter um fã, alguém que admira seu trabalho e se sente curioso para saber como você é quando não está cantando.

– Sabe, — comecei, pegando o banco que alguém da produção me passara pelo lado do palco. Peguei um violão também e levei ao centro do palco. Meu microfone eu pendurei no pedestal. — Eu andei sumido por alguns meses, vocês sabem. A vida está difícil, eu estou longe de uma pessoa que amo muito, e sem ela parece que meus dias são vazios, que o tempo não passa mais... E que vai demorar muito, mas muito mesmo para essa pessoa voltar. Estou esperando há quase quatro meses pelo amor da minha vida, e eu não queria ter saudades de alguém que não se foi, apenas está distante. Sei que essa pessoa pode não me escutar, mas... Eu realmente queria dedicar uma música a ela.

A arena gritou, gritos estéricos, querendo saber quem era a pessoa, sentindo felicidade por mim, sentindo raiva da pessoa... Pena que nem aqui ele estava.

– Essa música... — Parei para enxugar uma lágrima teimosa que insistia em rolar por meu rosto. — Essa música nem é minha, mas eu sei que a dona dela vai me emprestar por um segundinho, e espero que todos apreciem esse cover.

Antes que eu pudesse terminar a música, enquanto eu ainda cantava e meu coro fazia os ecos da música, o som foi interrompido e eu gelei ao escutar a voz que eu sonhei em ouvir durante todos esses meses.

Era isso, eu estava definitivamente louco, e esse show fora o estopim para que minha sanidade fosse para o ralo.

– I don't know if this makes sense, but you're my "hallelujah". Give me a time and place I'll rendezvous it, I'll fly you to it. I'll beat you there, boy, you know I got you. Us, trust, a couple thing I can't spell without u (Não sei se isso faz sentido, mas você é minha "aleluia".Me dê a hora e o lugar, eu vou encontrar você. Vou voar até lá e vou encontrar você lá. Garoto, você sabe que eu o tenho. Nós, confiança, um par de coisas que não posso soletrar sem você)– Não, eu não estava maluco. Tive certeza disso quando a multidão gritou e eu olhei para o lado esquerdo do palco, e via o amor da minha vida entrando ali. De calça jeans justa, jaqueta de couro e camisa branca, nos pés, no lugar nos pesados coturnos de sempre, um par de all stars tradicionais. Mas isso não importava agora, o que importava era Sasuke com os cabelos na altura dos ombros, o rosto sério, parecendo mais velho, porém com o mesmo brilho no olhar, enquanto vinha em minha direção, rimando de um jeito que eu não sabia que ele poderia fazer. — Now we on top of the world, 'Cause that's just how we do, used to tell me sky's the limit, now the sky's our point of view. Man, we stepping out like "woa", cameras point and shoow, ask me "what's my best side?" I stand back and point at you (Agora nós estamos no topo do mundo, pois é assim que nós fazemos. Costumavam me dizer que o céu é o limite, agora o céu é o nosso ponto de vista. Cara, nós estamos saindo tipo "nossa", câmeras apontam e clicam, me pergunte "qual é o meu melhor ângulo?", afasto-me e aponto para você)

Eu ainda não podia acreditar, estava chorando como uma criança. O violão já havia caído no chão, eu já havia derrubado o banco e pedestal e agora andava em passos apressados em direção da única coisa que me dava paz.

– You the one that I argue with, feel ike I need a new boy to be bothered with, but the green ain't always greener on the ohter side, it's greener where you water, so I know we got issues, baby, true, true, true, but a rather work on this with you than go ahead and start with someone new (Você é aquela com quem discuto, sinto que preciso de um novo garoto com quem me preocupar, mas a grama não é sempre mais verde do outro lado, é verde onde você a rega, então, eu sei. Nós temos problemas, baby, é verdade... Mas prefiro continuar trabalhando nisso com você, do que seguir em frente e começar com um novo alguém)

Me joguei nos braços de Sasuke, afundando meu nariz no pescoço dele, chorando como nunca chorei na minha vida. Meu peito tremia a ponto de parecer que eu iria ter uma convulsão.

– Como?! — Perguntei assim que consegui falar. — Me disseram que você ainda não estava acordado, como isso está acontecendo?

– Eu acordei faz um mês e meio, mais ou menos, mas não queria que te contassem antes de eu levar alta e poder ir até você. Eu queria estar cem por cento para poder te abraçar. — Escutei a explicação da voz tão calma de Sasuke.

– E então... — fiquei com vergonha de perguntar. Não havia soltado meu namorado ainda, na verdade, estava agarrado a ele com todas as minhas forças. Tinha medo de soltá-lo e ver que tudo não passava de um sonho.

Eu tinha plena consciência que a plateia deveria estar em euforia, mas eu não conseguia ouvir nem um só grito. Tudo que eu conseguia escutar era o batimento do meu coração e a voz de Sasuke.

– Sasuke... — Eu sabia que era ele. — Só você voltou?

Mas foi quando eu vi aquele sorrisinho presunçoso, aquela jogada de cabelo e aquela postura, que minhas pernas cederam e se não fosse por Sasuke me segurando, eu teria ido ao chão.

– Desistimos os dois, benzinho. — Voltei a chorar copiosamente quando escutei aquela leve entonação diferente na voz, que significava que meu punk ainda estava ali. MEU! MEU! Os dois estavam ali o mesmo tempo, para mim. — Desistimos de tentar tomar o controle, de lutar um contra o outro e nos aceitamos... Antes eramos duas faces de uma mesma moeda, agora somos todo o banco nacional. E amamos você.

Não me importei com a produção, nem com aquele show estar sendo transmitido para meio mundo, muito menos com a multidão eufórica com aquela cena no palco.

Beijei Sasuke.

Beijei como se minha vida dependesse disso, e eu não sei, parecia que meu coração ia explodir. Eu tremia feito uma colegial, as lágrimas ainda pulavam de meus olhos e escorriam por meu rosto. Meus dedos se emaranharam naquele cabelo que eu tanto e amava e eu respirei fundo pelo nariz, sentindo o melhor cheiro do mundo.

Ele voltou! Ou melhor, eles voltaram! E estavam aqui comigo... Não havia mais necessidade de escolhas, não havia nada. Apenas Sasuke e Punk, bem na minha frente, como uma só pessoa.

Minha língua acariciava a de Sasuke mostrando toda a saudade que senti nesse tempo em que nem ao menos pude ver seu rosto. Os lábios de Sasuke capturaram meu lábio inferior, sugando, enquanto o mesmo apertava minha cintura com força, demonstrando que sentia minha falta também.

Nos separamos quando o ar faltou, e eu peguei o microfone que Sasuke havia deixado cair.

– Essa é a pessoa por quem eu esperei uma vida sem saber, e esperei meses que pareceram outra vida sem ele. — Sorri. — Não sei o que vocês esperavam de mim, mas esse é o homem da minha vida e eu deixo isso bem claro para o mundo. Amo Sasuke mais do que amo a mim mesmo, e eu espero que vocês entendam que eu tenho que ir agora... Nunca mais sumirei da mídia, é uma promessa. Eu amo vocês!


(...)


Não vou dizer que notei quando minhas costas bateram com força na porta do meu apartamento, enquanto eu pegava a chave no meu bolso e virava o corpo desajeitadamente para abrir a porta. Nem vou dizer que Sasuke não deixou de me beijar um segundo enquanto eu fazia isso, nem que nós caímos dentro do meu apartamento.

Nem vou dizer que acho que não tranquei a porta.

Não é necessário dizer nada disso, porque nada é mais relevante do que Sasuke me beijando com fervor, e eu retribuindo com a mesma intensidade. Por um momento, eu achava que até já tinha desaprendido a beijar, mas agora... Tinha certeza que eu só beijaria uma boca pelo resto da minha vida, não importa quantas vezes eu esquecesse, Sasuke me ensinaria de novo.

Fui içado por Sasuke, que segurou na parte interna de minhas coxas e levantou-me, prensando-me contra a parede. Puxei seus cabelos com a mão, deixando seu pescoço livre para eu poder beijar, morder e chupar a pele branquinha do amor da minha vida.

Estava ciente que ele não podia fazer muito esforço físico, mas não dava para segurar... Não queria que Sasuke abrisse nenhum ponto ou coisa do tipo, mas já havia quatro meses desde que ele fora internado e cuidado, então acho que nada aconteceria, certo?

– Eu amo você... — Sussurrei, antes de morder o lóbulo da orelha de meu namorado. — Eu te amo mais do que a vida permite, Sasuke, você é o homem da minha vida e eu não poderia viver num mundo onde você não existisse.

– Eu te amo mais. — Me beijou na boca, tirando-me da parede e andando comigo em seu colo até o quarto. Esbarramos em diversos objetos, mas eu tenho certeza de que nenhum dos dois abriria os olhos e desperdiçaria esse momento tão único. — Eu te amo tão mais que não poderia te deixar sozinho nesse mundo, Naruto. Eu vou te amar pra sempre, cada dia mais que o anterior, até meu coração parar de bater.

Com uma mão eu acariciava o rosto de Sasuke, e com a outra eu tentava, sem sucesso, arrancar sua jaqueta de couro. A jaqueta de couro do meu Punk, que também estava aqui, fazendo amor comigo.

Fui botado na cama com delicadeza, e pude assistir Sasuke tirando a jaqueta sem pressa, assim como sua camisa. Observei aquele corpo tão perfeito, que parecia que não havia levado um arranhão sequer.

Desde o primeiro momento, eu amei Sasuke.

Fiquei de joelhos, tirei minha camisa, e beijei Sasuke devagar. Senti com prazer o gosto de sua boca, sua língua se movendo contra a minha e suas mãos acarinhando minhas costas nuas.

Desci minha boca pelo tronco de Sasuke, beijando todas as áreas que eu conseguia enquanto continha minha empolgação. Abri a calça de Sasuke sem pressa, abaixando o zíper e forçando a peça de roupa para baixo logo depois. Agora eu contemplava toda a glória de meu namorado, apenas de cueca.

Beijei o tecido branco da cueca, sentindo a ereção de Sasuke se formar em contato com minha boca, e meu interior vibrou com isso. Ah, que saudade!

Mordi de leve o volume que se escondia atrás da cueca, escutando Sasuke sibilar e segurar meus cabelos com uma mão. A outra abaixava a cueca desesperadamente, até a ereção estar liberta e de frente para meu rosto.

Olhei pra cima, e vi os olhos de Sasuke em súplica. Eu sabia o que ele queria.

Abocanhei o membro de Sasuke sem cerimônias, assim como sabia que ele gostava. Chupei com gosto toda extensão, para depois dar mais atenção a cabeça, chupando de leve e passando a língua.

Os suspiros de Sasuke indicavam o quanto ele apreciava aquele tipo de agrado. Minha respiração já estava irregular e eu quase gemia, apenas de saber que estava dando prazer para a pessoa que eu amo.

– Naruto... Naruto, pode parar. — Pediu, e eu não obedeci, continuei a chupar seu pau. — Hm... Ah, Naruto... Sério, para, eu te quero de outro jeito. Eu preciso de você de outro jeito.

Logo entendi o que ele tanto precisava, afinal, eu também estava assim.

Parei de chupar Sasuke, mas antes de me afastar, dei um beijinho na glande de seu membro, vendo o pré-gozo escorrer.

Tirei minhas calças na pressa, assim como minha cueca. Me arrastei em direção a cabeceira da cama e esperei por Sasuke que veio sem demoras, deitando no meio de minhas pernas.

Beijou-me a boca, o rosto, mordeu-me o pescoço... E eu só gemia enquanto arranhava suas costas. Depois de tanto tempo, qualquer toque de Sasuke era capaz de me incendiar.

Meus mamilos foram chupados com devoção, um de cada vez, enquanto o outro era torturado pelos dedos habilidosos de Sasuke. Ele trilhou um caminho de beijos por minha barriga, me fazendo contrair os músculos pelo nervoso, e não me decepcionou quando começou a me sugar.

Ansioso, peguei uma mão de Sasuke e levei até minha boca, chupando três dedos até julgar que estavam bem melados.

Meu namorado, obviamente, sabia usar bem aqueles dedos.

Abri as pernas e esperei pelo que tanto ansiava. Fui penetrado sem pressa por um dedo de Sasuke, enquanto ele me chupava. Ardeu, claro que ardeu, mas eu sabia que tudo iria compensar depois.

Quando a sensação do dedo de Sasuke entrando e sando de mim se tornou confortável, rebolei um pouco, para ele captar que já poderia continuar.

Mais um dedo fora adicionado e eu gemi alto, eu queria logo Sasuke dentro de mim! Eu precisava, mas sabia que esse processo era necessário. Gemi o nome de meu namorado e ele enfiou o tão esperado terceiro dedo, acertando minha próstata de modo certeiro e me fazendo ver estrelas.

Moveu mais um pouco os dedos dentro de mim, sem parar com a felação. Só parou quando eu segurei em seus ombros e o fiz se afastar.

Nos girei na cama, fazendo Sasuke ficar deitado abaixo de mim. Passei uma perna para o outro lado de seu corpo, posicionando seu membro em minha entrada e começando a descer.

Meus músculos resistiam, querendo interromper a invasão de Sasuke, mas era inevitável. Eu queria e usava o peso do meu corpo para alcançar meu desejo.

As unhas de Sasuke cravaram em minhas coxas e ele jogou sua cabeça para trás, assim como eu, quando fiz força o suficiente para descer até o fim.

Estava doendo como o inferno, mas a ardência era a certeza de que Sasuke estava ali, de que aquilo era real e de que ele nunca mais iria embora. Eu nunca mais ficaria sozinho.

– Você é meu e eu sou seu, pra sempre. — Sasuke sussurrou, antes de pegar em minhas ancas e forçar-me para cima e para baixo.

Gemi alto, a dor já era só uma lembrança e agora eu era consumido pelo prazer ardente que era fazer sexo com Sasuke.

Naquela noite, fizemos sexo em todas as posições possíveis e tentamos até as impossíveis. Naquela noite Sasuke me fez seu de mil maneiras diferentes, consumamos o nosso amor até o sol raiar e eu não me importei com os vizinhos, queria mais é que eles se danassem... Eu estava com o amor da minha vida, e nada mais importava.

Eu amo você.

(...)

Sasuke e eu saíamos do carro em frente a mansão da Ambu Nation.

Depois de cinco anos juntos, nós tínhamos uma surpresa para todos da organização. Chamamos até Obito e Kakashi para cá... Isso era realmente importante!

Já dentro da mansão, demos de cara com a pequena Yue, filha de Konan e Pain. A garota havia puxado o gênio do pai e isso me preocupava seriamente.

– Oi tio Sasuke, oi tio Naruto! — Abraçou-nos. — O que é isso no colo do tio Sasuke?

– Você já vai saber, querida. Agora eu preciso que você faça o que faz de melhor e saia por aí gritando que nós chegamos e estamos esperando todos no salão principal.

Aquele lugar estava calmo, do jeitinho que ficou depois do Dia D contra Rinavalius. Dava para ouvir o barulho de uma mosca voando.

Claro que ainda tratávamos dos mesmos negócios de sempre, sejam eles ilegais ou não, e agora e eu já havia acostumado com isso, era a minha vida, vida essa que eu amava, mesmo de um jeito torto.

– GENTE! GENTE, O TIO SASUKE E O TIO NARUTO ESTÃO AQUI! — A pequena saiu gritando em direção as escadas. — TIO TACHI, VEM CÁ, DESCE!

Em poucos minutos o salão principal estava cheio, e eu estava desacompanhado. Havia pedido para Sasuke ficar na portaria.

Fui abraçado por Itachi, por Sakura e pela pequena Rei, que era melhor amiga de Yue. Konan mal conseguiu me abraçar, por conta do barrigão de sete meses... É, ela e Pain gostavam de praticar atividades físicas seríssimas.

– Bom, pessoal, Sasuke e eu estivemos sumidos por um tempo, mas foi por uma boa causa. — Comecei. — Depois de pesquisar, pesquisar e pesquisar mais ainda, depois de muitos planos, de desistências, de retomadas e discussões, chegamos a conclusão de que precisávamos de um novo membro na Ambu Nation, e não havia como pedir autorização a Itachi ou a mais ninguém. Era uma decisão nossa. O tempo passou e tudo deu certo, conseguimos trazer esse novo membro. Então, eu quero que todos vocês conheçam o Menma.

Assim que terminei de falar, Sasuke entrou com o pequeno embrulho branco nos braços. Os curiosos deram alguns passos a frente, inclusive Itachi, até notar que dentro do pequeno embrulho, havia um bebezinho recém nascido.

– Esse é o Menma, pessoal. — Sasuke continuou. — Ele tem dois meses, e eu achei que seria justo vocês o conheçam.

– Mas... Como? — Perguntou Sakura. — Ele tem os olhos azuis de Naruto, é lindo... E esse cabelo escuro também é perfeito. É uma criança linda.

– Fertilização in vitro. — Respondi. — Tanto Sasuke quanto eu doamos nossos materiais e achamos uma mulher disposta a nos servir de barriga de aluguel.

– Ele é maravilhoso. — Itachi, o tio babão, estava a solta. Pegou Menma do colo de Sasuke como se meu pequeno fosse quebrar, e aninhou em seu colo. — Depois de Sasuke e Rei, ele é a coisa mais bonita que já vi.

Sorri.

É, o futuro nos aguardava.

Notas finais
Antes de tudo, alguns esclarecimentos: Sasuke saiu do coma algum tempo depois do casamento de Konan e Pain, ou seja, ele ficou quatro meses sem ver o Naruto. O trecho de rap que Sasuke canta para Naruto é da música as long as you love me, e eu sempre quis por esse trecho na fanfic. Então, pimpolhos, desculpem-me por não ter escrito o lemon até o fim, mas achei que desse jeito ficaria bem melhor. Esse foi o último capítulo de BL, a história terminou, e eu estou muito orgulhosa de tudo até aqui. Vocês são os melhores leitores que um autor poderia pedir, e eu amo vocês, de todo o coração. Espero ver vocês de novo em Kajra re, realmente espero que isso não seja um "adeus". Enfim... Comentários?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!