Blurred lines.
30 Dia D.
Notas iniciais
Naruto.
– Essa foi a coisa mais linda que já ouvi. — Punk, em cima de sua cama branca, me elogiava. Ele estava apenas com uma calça de moletom preta, com o elástico folgado, fazendo que ela escorregasse por seus quadris e me dessem o começo de uma das minhas visões favoritas. — Você pode tocar mais pra mim? — Perguntou, espreguiçando-se, tal qual um gatinho.
Sasuke jamais seria feio, nem na mais remota das hipóteses. Nem por dentro e nem por fora.
E eu amava esse homem com todas as minhas forças.
– Já estou tocando para você nos últimos quarenta minutos, estou cansado. — Saí do piano de calda que Sasuke havia posto em seu quarto para mim. Bom, nosso quarto. — E mais uma vez, me desculpe por ter acordado você enquanto cantava.
Deitei-me ao seu lado.
Uma sensação que vinha do começo de minha espinha e descia até meu cóccix não me deixava esquecer de que dia era hoje, e minhas entranhas se contorciam só de pensar no que viria a seguir.
Ainda estava de manhã, bem cedo para dizer a verdade, afinal, eu mal consegui pegar no sono, enquanto Punk fez isso com a consciência leve.
– O que te aborrece tanto? — Fez a pergunta boba enquanto passava a mão em meus cabelos, num cafuné gostoso que me fez inclinar a cabeça em direção a sua mão.
– Você sabe muito bem o que é.
Não precisava de muitas explicações, Punk me conhecia tão bem quanto a si mesmo, e tinha plena noção do porquê de eu estar assim. Em poucas horas nós destruiríamos, massacraríamos, a organização Rinavalius. Sobraria apenas pedra sobre pedra.
– Eu sugeri à você que matasse alguém em alguma das pequenas missões que fizemos, você sabe disso. — Suas mãos acarinhavam meu corpo e eu apreciava esse toque como se minha vida dependesse disso. Em questão de um piscar de olhos tudo poderia desaparecer, todo o meu mundo poderia ruir, e por isso qualquer momento que eu pudesse passar ao lado de quem amo se tornava cada vez mais precioso. — Não pode ser tão coração mole, Naruto, tem que aprender a frieza do ato de matar. Sei que não é algo que quer fazer, mas é necessário. Hoje é um dia em que verá muitos corpos.
– É, eu sei. — Rolei para mais perto de Punk, começando a fazer carinho em seu braço com as pontas dos dedos. Era possível alguém ser tão quentinho, macio e cheiroso quanto Sasuke? Parecia devoção, e era mesmo, cada vez que eu tocava em sua pele.
Meus lábios foram tomados sem que ao menos eu me desse conta da aproximação de Punk. A boca macia, carnuda — porém pequena — massageava a minha sem pressa, aproveitando o contato gostoso. Estar com Punk era simplesmente assim: a perfeição.
Minhas mãos foram para a nuca de Sasuke, puxando de leve as mechas do cabelo negro como a noite da pessoa que eu tanto amava. Era inevitável estar assim hoje, era preciso estar assim hoje. Era preciso.
Fui virado na cama, com Sasuke ficando por cima de mim, segurando ambos os meus braços para cima, usando o colchão como apoio. A posição dava a impressão de estar sendo dominado, e era tudo que eu mais queria, que ele me possuísse do jeito que viesse a mente, pois tudo que eu mais precisava era estar conectado a ele de todas as formas existentes.
– Eu quero que você esqueça, Naruto. Esqueça do dia de hoje, das suas obrigações, de tudo que está acontecendo ao nosso redor. Apenas esqueça. Só por hoje, só agora, concentre-se em mim e me deixe te guiar, tudo bem?
Eu já havia fechado os olhos antes mesmo que Punk pudesse começar a falar, porque ele sabia o que eu queria e transmitia isso em forma de ações. Eu queria esquecer, queria ser conduzido, apenas sentir os toques de Punk relaxando, incitando, incendiando cada parte de meu corpo. Nem ao menos sentiria o tempo passar.
Fui beijado mais uma vez, agora a língua de Punk adentrava minha boca sem o mínimo pudor. Ele beijava assim como lutava: de maneira forte, com movimentos precisos ao mesmo tempo em que a graciosidade estava presente, sempre me levando a outro mundo, me fazendo amolecer em seus braços, perder a noção de tempo e espaço.
Aos poucos meus braços foram liberados e pude usá-los para abraçar as costas nuas de Punk, não permanecendo assim por muito tempo, pois eu queria tocá-lo. Queria sentir cada milímetro de pele que estava disponível no momento. Punk era meu e de mais ninguém, assim como Sasuke, e isso aquecia meu coração de uma maneira inexplicável, ainda mais quando esse tipo de sentimento era transmitido de maneira física.
– Eu amo você. — Sussurrou em meu ouvido, antes de tornar a me beijar.
Eu poderia beijá-lo pelo resto da minha vida, isso é uma certeza mais que absoluta. Os beijos de Sasuke eram vindos diretamente do céu para mim, pois encaixavam perfeitamente, eram deliciosamente únicos, cada um com um sabor e sensação característicos da pessoa que controlava o ósculo.
Meus dedos agora trabalhavam em marcar delicadamente as costas de Sasuke, com arranhões de leve e apertos carinhosos, mostrando perfeitamente como eu me sentia ao ser beijado e tocado.
Eu mal podia respirar sendo beijado com tamanho empenho, e era assim que eu gostava, desses amores de arrancar o coração.
Apesar de não ser um mestre na arte de beijar, sabia coisa ou outra pelas experiências ao longo da vida, e não pude ficar para trás. Minhas unhas agora arranhavam a nuca de Sasuke, bem de leve, apenas para arrepiá-lo, enquanto minha boca era dada o trabalho de sugar o lábio inferior de Punk devagar, e depois passar a língua pela área puxada.
Era delicioso ouvi-lo suspirar quando eu me tornava mais ativo.
Não sei exatamente quanto tempo ficamos entre beijos, pequenos gemidos, grunhidos de satisfação e até mesmo o princípio de algumas carícias mais profundas, mas sabia exatamente que Sasuke estava ficando excitado e mais necessitado, assim como eu.
– Eu preciso de você. — Murmurei, antes de beijá-lo mais uma vez, invertendo nossas posições e ficando em seu colo. Eu realmente precisava! A gostosa fricção entre a ereção de Sasuke, coberta apenas por uma calça de moletom, com minha bunda, que estava coberta pela cueca box branca, não era o que meu corpo queria agora, mas era suficiente para aguçar mais meu sentido de tato, que clamava por mais atenção de Sasuke em lugares bem específicos. — Eu preciso muito de você, Sasuke.
Mordi o pescoço de Punk, lambendo e chupando a pele maculada por meus dentes. Deus! Era possível um gosto ser tão bom assim? Apesar de Sasuke ser melhor no jogo de palavras, era Punk que, mesmo sem falar nada, me dava as ideias mais pervertidas do mundo. Normalmente, eu não compartilharia dessas ideias, mas hoje eu simplesmente precisava.
Afastei-me de Sasuke, saindo da cama, e andando até a parede do quarto que eu dividia com ele.
– Vem. — Chamei, manhoso.
Punk sorriu como só ele, cheio de si, e andou até mim com passos desleixados. Virei-me de costas para ele, apoiando as mãos na parede e empinando-me para seu deleite, que sibilou em aprovação, enquanto uma mão circundava minha nádega direita, para depois desferir um tapa na mesma.
– Faremos assim hoje? — Perguntou, não conseguindo parar de olhar para o tecido branco começando a ficar transparente e colado devido ao suor causado pelo quarto totalmente fechado. Duvido muito que ele esteja pensando em ligar o ar condicionado.
– Começaremos assim hoje.
Punk grunhiu com minha frase e juntou sua outra mão ao trabalho que fazia em meu corpo. Enquanto sua mão direita castigava minha nádega, a outra subia por minha barriga, demorando-se no umbigo, até chegar a meu mamilo.
Graças a alguma entidade misteriosa, as unhas de Sasuke estavam longas, e ele usou isso a seu favor. Meus mamilos foram abusados, puxados, torcidos, apertados e eu respondia aos estímulos, empinando meu quadril para trás, no intuito de conseguir tocar o de Sasuke, mas ele segurava minha cintura firmemente.
– Agora, um agrado. — Anunciou, antes de escorregar as mãos por meu corpo conforme ia se abaixando. Virando um pouco a cabeça, eu acompanhava a cena do modo que podia estando naquela posição tão submissa e a mesmo tempo tão excitante.
Minha cueca foi retirada de meu corpo aos poucos, e se eu não estivesse apoiado na parede, com certeza cairia devido a minhas pernas bambas. Estar com Sasuke me fazia sentir assim.
Minhas nádegas foram afastadas, dando a Punk a visão que, mesmo tendo visto à noite passada, já estava com saudades. Eu sabia pois sentia o mesmo.
– Você é lindo, sabia? Em todos os lugares do seu corpo, por dentro e por fora, mas... Eu realmente amo muito esse lugar aqui. — Eu estava entendendo bem o que ele queria dizer com isso, estava jogando comigo, um jogo psicológico, e eu o deixaria vencer; Não por preguiça, mas por vontade de ser tomado.
O gemido alto foi inevitável quando Sasuke tocou com a língua o lugar que era a chave do meu maior prazer. Joguei a cabeça para trás, abrindo as pernas involuntariamente, apenas querendo sentir mais daquela carícia que eu tanto idolatrava.
As unhas de Sasuke me arranhavam enquanto sua língua me proporcionava uma sensação indescritível, ora apenas circundando minhas pregas, outras vezes pressionando minha entrada, me penetrando o pouco que conseguia. Era como ir ao céu e voltar em menos de um segundo.
– Ah, Sas-Sasuke... Hm. — Tive que verbalizar! Mesmo que sem muita coerência, sabia que ele me entenderia.
Ele me liberou por um nano segundo, o suficiente para virar de frente para ele e erguer uma perna, apoiando em seu ombro. Sem demora, Sasuke começou a sugar meu membro que, necessitado, latejava e pingava pré-gozo. Minhas mãos automaticamente foram para seu cabelo macio, ditando o ritmo que eu precisava.
Tampouco me preocupei em conter o sorriso de Cheshire¹ que tomou meu rosto quando senti o dedo de Sasuke tateando meu ânus. Esperto que só ele!
Fui penetrado com calma por um dedo longo, que eu presumi ser o médio de Sasuke. A fricção do dedo com minhas paredes internas foi o necessário para fazer minha entrada e minhas bolas se contraírem, indicando o prazer. Sasuke emitiu um som de satisfação enquanto continuava a me chupar.
Não deixei que isso se prolongasse por muito tempo. Abaixei minha perna e tirei o dedo de Sasuke de mim, deitando-o no chão comigo por cima. Virei-me ao contrário, dando uma bela visão de meu traseiro a Sasuke, e podendo — finalmente! — abaixar as calças de meu amante e amado.
– Que tal agora? — Perguntei, cínico, antes de apaziguar a vontade latente do meu âmago. Minha gana de ter Sasuke entre meus lábios já era maior que tudo.
Abaixei a calça de Sasuke, mas mesmo antes disso era claro como seu membro despontava no tecido grosso. Ele estava molhado, do jeito que eu gostava, e por pouco não cedi a tentação erguer os quadris e sentar com força em Sasuke.
Lambi a glande sem pressa, ouvindo Sasuke sibilar enquanto voltava a me preparar, agora com dois dedos. O gosto de Punk era salgado, um pouco amargo no final, mas ainda assim era delicioso. Lambi da base até a ponta, deliciando-me com o ato, pois sabia que proporcionava prazer a Sasuke, e meu ego era terrivelmente engrandecido ao saber que eu era o único a fazer isso.
Botei o membro de Sasuke na boca até onde pude, sugando com calma até a ponta, circulando extensão com a língua. Usei uma de minhas mãos para massagear as bolas de Sasuke, enquanto a outra masturbava a base, onde eu não alcançava com a boca. Eu estava com o peito apoiado no baixo ventre de Sasuke, e isso me deixava completamente exposto para que ele fizesse o que tanto desejava.
Gemi, ainda com a boca em seu pau, quando ele acertou minha próstata. Parei de chupar por um momento, apenas masturbando Sasuke com a mão, para poder gemer mais intensamente toda vez que a ponta dos dedos de Sasuke acertava aquele conjunto de nervos que me fazia ver estrelas.
– Eu quero você! — E Sasuke sabia que eu também queria ele. Por tanto, não me demorei, afastei-me um pouco para frente e guiei o membro de Punk para minha entrada. Não ligava de estar de costas para ele, apenas precisava tanto, mas tanto, que em qualquer posição me bastava.
Sentei de uma vez só, apesar de lentamente. Não parei de abaixar meu corpo até que senti os quadris de Sasuke tocando minha bunda. Gemi, extasiado pela sensação, e rebolei um pouco quando senti as unhas de Sasuke arranharem minhas coxas, para depois apertá-las.
Doía, claro que doía, mas era perfeitamente suportável, porque, mesmo apesar da dor, o prazer já estava presente e só ficaria melhor conforme o tempo fosse passando.
Subi os quadris e investi contra Sasuke, sentindo-o bem fundo em mim. Joguei a cabeça para trás, tamanho fora o prazer da primeira investida. E assim sucedeu-se, com as mãos de Sasuke em minha cintura, ajudando nos movimentos.
Eu rebolava como podia, com as mãos apoiadas nas coxas de Sasuke, subindo e descendo em seu membro com toda minha excitação. O calor começava a subir de verdade, causando uma sensação de frisson mais intensa.
Antes que eu gozasse, pois não queria isso agora, saí de cima de Sasuke, apoiando os cotovelos no chão e o chamando com um rebolar nada discreto.
Punk mais que entendeu o recado, pois em pouco tempo já voltava a me penetrar, firme e forte, do jeito que eu e ele gostávamos tanto.
– Diga meu nome, Naruto... Eu quero ouvir você dizer o nome da pessoa que você ama, da única pessoa no mundo capaz de te satisfazer e te fazer sentir completo.
Quem resistiria a isso?
Gemi sim, quase gritei o nome de Sasuke, conforme as investidas também aumentavam a velocidade. Era incrível, não importa quantas vezes fizéssemos.
Fui masturbado por uma das mãos de Sasuke. A penetração e a masturbação em sincronia faziam meu corpo começar a convulsionar, e com isso eu sabia que estava perto de gozar.
– Sasuke! — Chamei, necessitado.
– Eu sei, eu também estou quase lá... Só mais um pouco Naruto, assim... Vai, rebola pra mim. — E ele soltou meu membro. Antes que pensem, não, isso não diminuiu nem um pouco minha vontade de gozar. Tanto que comecei a mover os quadris em movimentos circulares, empinando-me, deixando Sasuke livre para acertar minha próstata várias vezes seguidas, até que... Até que, nossa!
Ah!
Era perfeita a sensação do mundo desparecendo, de meu corpo entorpecido por um prazer imenso, quase inumano, mas, melhor que tudo isso, era sensação de Sasuke se desmanchando dentro de mim enquanto eu ainda gozava.
Perfeito era pouco, aliás.
Era divino.
Hinata.
Observava enquanto minha irmã se arrumava em frente ao espelho. Hoje ela iria trabalhar comigo, ver como andavam as coisas em Rinavalius e isso significava: ver Neji.
Estava ficando desesperada com o ritmo que a situação havia tomado. E ela tinha a ousadia de achar que eu não sabia! Sob o meu teto, bem de baixo do meu nariz, e aqueles dois ficavam de agarramento por aí... Eu sabia que Hanabi não era nenhuma santa, mas jamais imaginei que ela fosse capaz de virar a cabeça de Neji de tal modo que ele simplesmente esquecesse qualquer tipo de limite imposto pela sociedade, por mim, ou por sua esposa.
– Não acha que está se arrumando de mais, Hanabi? — Perguntei, encostada na porta do quarto de minha irmã, que se arrumava toda para um dia de trabalho. — É bom que essa produção toda não tenha motivos.
– Apenas gosto de me sentir bonita. — Replicou, enquanto atarraxava os pesados brincos em suas orelhas. Peças extravagantes demais para uma menina tão nova que queria logo ser mulher... Mal ela sabia as complicações da vida. Ou melhor, sabia sim, e encarava de peito aberto. Essa era uma das razões de eu ter orgulho de minha irmãzinha. Por mais que eu tentasse poupá-la dessa vida, ela sempre quis participar, seguir a família e honrar seu nome.
Em seu exagerado vestido longo, parecido com um dos meus, uma fenda começava a partir de pouco antes da metade de sua coxa, e ali, sem nenhum pudor, estava um canivete, preso em uma liga. O vestido era vinho em estilo chinês, e eu não podia negar que minha irmãzinha estava linda. Só não aprovava.
Neji e Hanabi andavam de amasso pelos cantos da casa sempre que tinham oportunidade, e os olhares na hora do jantar denunciavam isso claramente, apenas meu pai que não percebia.
Tenten, como a mulher que era, permanecia quieta, resumindo-se apenas a olhares raivosos e dentes trincados sempre que estava sobre a presença dos dois. Apenas algo me cheirava estranho nisso tudo: o fato de minha concunhada não ter feito nada para acabar com o casinho desses dois, e alguma coisa me dizia que isso ainda daria muito, muito errado.
– Não me olhe desse jeito irmã, você também se arruma para ir trabalhar.
Isso é verdade, eu também me arrumava para trabalhar, e de um jeito nada discreto. Hanabi seguia meus passos.
Estava em polvorosa para ver meu menino, que estava longe de mim desde o baile das organizações. Eu precisava vê-lo urgentemente, matar a saudade, e abstrair um pouco de meus problemas.
– Eu sou eu, Hanabi. Não copie alguém cujo você não almeja se tornar. — Aconselhei, antes de virar-me de costas para minha irmã e abrir a porta do quarto.
Surpresa mesmo foi encontrar meu pai ali.
– O que está fazendo aqui, papai? Não deveria estar cuidado dos outros negócios da família? — Perguntei delicadamente, afinal, se ele estava aqui, havia um bom motivo. E eu nem queria imaginar o que ele faria se tivesse descoberto sobre Hanabi...
– Vou para Rinavalius hoje. Algo me diz que não será um bom dia, e mal presságio não se ignora.
Resignada, fiz um sinal de cabeça para que minha irmã seguisse a mim e meu pai pelos corredores da mansão Hyuuga, até chegar em nosso blindado, que nos esperava na calçada, pronto para partir rumo ao QG.
Eu concordava com meu pai, algo no dia de hoje parecia muito, muito errado... E acho que eu não queria ficar para descobrir o que era.
(...)
– Você veio mesmo... — Sussurrei, ao entrar em meu escritório, junto com Hanabi. Papai havia ficado em outra sala. — Achei que fugiria de mim mais uma vez.
– Não estava fugindo. — Meu menino sorriu e após esse ato eu já podia sentir o dia ficando mais ensolarado. — Apenas estava muito ocupado, você sabe, que dentre tudo que eu faço mal sobra tempo para descansar.
Andei até ele, passando os braços por seu pescoço e depositando um selo em sua bochecha.
Ainda amava Sasuke até meu último fio de cabelo, mas não podia dizer que ele também não estava tomando um lugar em meu coração, pouco a pouco, cuidando de mim, sendo fiel e estando sempre ao meu lado.
– Com licença, tenho alguns assuntos para tratar. — Educada como fora ensinada a ser, minha irmã pediu licença, deu as costas para nós e deixou meu escritório. Agora, restava apenas eu e meu amor.
O levei até minha mesa, deixando-o sentar minha poltrona para eu poder me acomodar em seu colo. Sempre me sentia bem quando estávamos assim, seu colo era o lugar que fazia minhas inseguranças desaparecem.
– Algo está estranho no dia de hoje. — Comentei. — Não sei porque, é como se o tempo fosse fechar e uma grande tempestade cair, a qualquer momento.
– Se uma chuva tiver que cair, só cairá ao anoitecer, por enquanto o tempo está muito bonito. — Meu menino acariciava meus cabelos enquanto eu descansava minha cabeça na curva de seu pescoço.
Quem sabe, se a vida fosse outra, eu poderia amá-lo como amo Sasuke? Seria o paraíso... Pena que, na realidade que vivo, não existe esse lugar tão mágico. Todos sabemos muito bem para onde iremos depois que morrermos.
Continuamos assim, apenas conversando abraçados, um aproveitando o calor do outro.
Se eu soubesse antes o que ele queria me dizer com isso de que a chuva só cairia ao anoitecer...
Itachi.
– Escute bem o que estou te dizendo, Kakashi, pegue essa chave e essa passagem. Está tudo combinado já. — Meu tio Obito tentava explicar para Kakashi, seu marido, o que fazer. — Pode ir calmo no avião, quando você chegar ao Japão, haverá um motorista com uma placa com seu nome na linguagem ocidental, esperando para levá-lo a minha casa lá.
– Essa parte eu já entendi, mas o que quero saber é: por que você não pode ir comigo? Ou melhor, por que eu não posso ficar aqui com você? — Era meio difícil dizer "não" para um homem como Kakashi, pelo que eu havia percebido.
Eles estavam nessa melação de cueca há algum tempo, e o Hatake simplesmente se recusava a viajar para o Japão sem que Obito estivesse ao seu lado.
Era até compreensível, porque, se eu estivesse no lugar de Kakashi, também gostaria de manter a pessoa que amo longe do perigo.
– Ficar aqui não vai te render em nada, Kashi. Apenas estou fazendo o que acredito ser melhor para você. — Se tem uma coisa que eu jamais me acostumaria, era ver o quão doce meu tio se tornava perto de Kakashi. Era quase como se fosse outra pessoa em seu lugar. — Vá para o Japão, eu juro que se eu sobreviver, não hesitarei um segundo antes de comprar uma passagem e me juntar a você.
Resignado, Kakashi deu o último beijo em meu tio, antes de virar-se de costas e partir, sem bagagem nem nada.
Quando o marido de meu tio tinha tomado uma distância razoável de nós, escutei Obito dizer:
– Essa foi difícil! Será que esse cabeça dura não entende que estou apenas tentando protegê-lo?
– Você não sabe o quanto foi difícil manter Sakura longe dessa missão. Ela mal acabou de ter o bebê e já quer lutar! — Passei a mão pelo cabelo, lembrando da insanidade de minha mulher. — Ela teimava em dizer o quanto queria dar uma surra bem dada no traseiro de Hinata Rinavalius.
– Pode deixar sua esposa tranquila que isso é algo que eu farei por nós duas. — Comentou Karin, chegando perto de mim e de meu tio. Para variar, ela estava estonteante.
No melhor estilo Tomb Raider², Karin estava com uma calça de sarja preta colada ao corpo, com várias e várias ligas prendendo as mais diversas pistolas de mão. Em seu peito, cruzados em x, dois cintos de balas para abastecer as armas de tambor, e para as armas de pente, um cinto preso a sua cintura. Atrás, em suas costas, preso por fitas, um nunchaku³.
– Uau, isso tudo é pra Rinavalius? — Assoviei para Karin, que deu uma voltinha, como se apresentasse sua roupa para ir a um encontro. — Pelo visto, você quer pegar ela de jeito.
– É porque você ainda não a minha Vulcan minigun[4]. — Respondeu a Uzumaki. — Não me incomodo com as cicatrizes, mas isso não quer dizer que não terá volta. Rinavalius se arrependerá no dia em que me escolheu como alvo de sua mira.
– Palavras bonitas, agora se me dão licença, tenho que ficar bonito também.
Obito se retirou logo após essa frase, e ele estava certo, deveria ficar pronto logo.
Partiríamos de todas as regiões da cidade, para não soar muito alarde com 200 carros chegando da mesma direção. Depois do anoitecer, Naruto nos daria o sinal, e assim partiríamos.
Contando com o ataque surpresa, Rinavalius não tinha a menor chance contra a Ambu Nation.
Naruto.
Eu estava nervoso. Na verdade, nervoso era pouco para dizer como eu estava.
Ainda no quarto de Sasuke, eu me arrumava em frente ao espelho.
Todo de preto, com quatro facas presas em minhas pernas por uma liga apertada, duas em cada lado. Em um cinto, duas humildes desert eagles e em minhas mãos, uma AK-47, o fuzil mais clássico da história.
Em minha mente se passavam os momentos que nem ao menos havia acontecido. Muito desespero, muitos gritos, cheiro de sangue... É claro que na hora deveria ser muito pior.
– No que está pensando? — Sasuke me fitava através do espelho enquanto terminava de amarrar suas ligas.
Mesmo vestido para matar — literalmente — Sasuke continuava com a aparência serena de sempre. Assim como eu, estava vestido de preto da cabeça aos pés. Embainhada em suas costas, estava sua amada katana, a arma favorita de Sasuke. O cinto que pendia displicente em sua cintura carregava três 9mm com silenciador, discreto que só ele.
Sasuke havia me garantido que estava bem carregando isso, e que tinha uma granada guardada. "Nada que minha katana não resolva", me assegurou.
– Em como hoje será. — Fui honesto. A essa altura do campeonato de nada me adiantaria mentir. — Estou apavorado.
Sasuke riu pelo nariz, chegando mais perto de mim e depositando um beijo em minha bochecha.
– Tudo ficará bem, raposinha, de um jeito ou de outro. Na hora seus instintos lhe dirão o que fazer para evitar ser baleado. Você treinou com Itachi e a akatsuki, eles são os melhores. — É claro que ele estava tentando me tranquilizar, e até que deu um pouco certo. O próprio Itachi Uchiha em pessoa e sua equipe de elite haviam me treinado, eu não seria morto hoje. — Não precisa matar ninguém, se não quiser, só, por favor, se mantenha vivo o máximo que conseguir. Estarei cuidando para isso também.
Virei-me para ele, de supetão, deixando a AK cair no chão com um baque surdo (aliás, nem preciso dizer que fiquei com medo de que disparasse né?). Até mesmo Punk se assustou com minha movimentação brusca.
– Eu quero que me prometa que não vai tentar me proteger, Sasuke. — Falei sério, olhando diretamente em seus olhos. — Prometa, por tudo que é mais sagrado, que não vai arriscar a sua vida para salvar a minha. Você vai cuidar de você mesmo, proteja-se e eu me protegerei. Nos encontraremos no final disso tudo. — Fiquei na ponta dos pés e beijei meu Punk com gosto, como se fosse a última coisa que faria na vida, e, agora, eu não estava muito certo se seria ou não.
Batidas na porta nos fizeram apartar o ósculo, mas não soltei Sasuke nem por um segundo, continuei abraçado com ele, mesmo com todos os objetos entre nós.
Vi Konan entrar no quarto acompanhada de Pain, e pude ver a aliança de noivado de minha amiga reluzir devido a luz do quarto. Ela havia me contado sobre o noivado deles, que era como uma promessa: se os dois sobrevivessem, se casariam. Não passariam mais um dia que fosse separados.
– Está começando a escurecer agora, chefe. — Ela não precisava me chamar assim, mas acho que seu reflexo a impulsionou a ser profissional. O clima estava tenso pela mansão inteira. — Ao seu sinal, partiremos.
– E qual será a posição, Konan? — Perguntou Sasuke, já que eu havia me negado a dar essa posição para ele. Ele surtaria.
Visto que Konan também não responderia, Pain tomou a frente de sua noiva e falou por ela:
– Linha de frente.
Rapidamente Sasuke virou-se para mim com os olhos arregalados, a face ficando avermelhada de raiva.
– VOCÊ ESTÁ LOUCO? Você é a merda de um dos comandantes dessa maldita gangue! NÃO PODE SIMPLESMENTE IR NA LINHA DE FRENTE E NÃO ESPERAR SER RECEBIDO COM CINQUENTA TIROS NO PEITO!
– Eu tenho um plano. — Com a voz firme, tentei botar luz na cabeça de Sasuke. Ele não mudaria minha estratégia, eu precisava estar na linha de frente junto a ele, Konan, Pain, Karin, Suigetsu e Itachi. — Eu não vou ser recebido com tiros no peito, e se for, estou de colete.
Por um momento, o olhar de Sasuke fixou-se em meu peitoral, notando o colete ali. Riu torto e assentiu, retirando-se do quarto sem se importar em esbarrar em Pain e Konan.
Abaixei-me e peguei minha AK-47 com cuidado, sentindo o peso da arma em minhas mãos e pensando se alguém morreria pelas balas que ali estavam... Só isso bastava para espalhar um calafrio por todo o meu corpo.
Mal percebi quando Konan pediu para que Pain se retirasse, entrou totalmente no quarto e fechou a porta atrás de si. É claro que ela queria conversar.
– Não fique nervoso, vai dar tudo certo. — Minha melhor amiga tentou a mesma abordagem de Punk, mas isso não bastaria.
– Não pode me dizer para não ficar nervoso quando minha primeira missão importante é uma guerra, Konan. — Simplifiquei o motivo. — Sasuke me disse que eu não preciso matar ninguém, só me manter vivo, mas é aí que está: eu não me sentirei vingado se não ver os corpos de todos os integrantes de Rinavalius no chão.
– Sanguinário você, hein? — Tentou abstrair, arrancando de mim uma curta gargalhada. — Não tem jeito, Naruto. Você pode, sim, tentar não matar ninguém, mas seus instintos vão acabar falando mais alto quando seu cérebro processar que você está correndo perigo de vida. Não há como mudar, é quem você é agora.
Sim, agora eu percebo... É quem eu sou agora. Mas, ao mesmo tempo, quero mudar quem sou. Se eu pudesse voltar aos primórdios do tempo, tudo aconteceria diferente, mas se voltasse, nada seria como é hoje. Entendem?
Continuei calado, apenas concentrado na companhia de Konan perto de mim, perguntando-me se tornaria a ver minha melhor amiga.
(...)
– Estão prontos? — Perguntei para quem iria no carro blindado comigo. Em um SUV, iríamos eu, Konan, Pain, Karin, Suigetsu, Itachi e Sasuke.
– Sim. — Responderam em uníssono.
Bom, era agora ou nunca.
Sasuke foi dirigindo, até porque estava calmo como uma roxa, e eu, que estava com os nervos a flor da pele, fui no banco do carona.
Os minutos pareceram horas até chegarmos no começo da rua de frente do QG de Rinavalius.
Ficava numa espécie de bairro fechado, só que sem as grades. Ao invés disso, era cercado por uma espécie de floresta (algum daqueles projetos de reflorestamento de áreas importantes). Nos escondemos pelo meio das árvores e começamos a caminhar.
Claro que não havíamos sido burros de ir de carro até a boca do negócio, deixamos o blindado no começo da rua.
Junto conosco, no mato, deveria haver algo em torno de cento e cinquenta funcionários da Ambu Nation, e eu sabia que em breve chegariam bem mais. Seria uma invasão digna de filme.
Silenciosamente caminhávamos pela mata. O único barulho audível era quando alguém pisava em algum galho pequeno, mas isso não anunciaria nossa chegada assim tão fácil.
Pelas laterais do QG de Rinavalius, Sasori e Deidara iam sozinhos, ambos carregando seu novo experimento: uma bolinha de 10cm de diâmetro, com poder destrutivo de três bombas caseiras. Assim que minha equipe de linha de frente desse o primeiro sinal de distração, eles escalariam as laterais da mansão para invadir e depositar os explosivos em lugares estratégicos.
Quando chegamos a mais ou menos 10 metros do fim da pequena floresta, fiz sinal para que todos parassem e abrissem na formação que havíamos combinado. Eram mais ou menos 160 pessoas em formação de seta, e Itachi partia a minha frente com uma RPG[5] apoiada em seu ombro.
Viram? Eu tenho um plano.
– Itachi. — Sussurrei, enquanto fazia o sinal de mão, indicando que todos ainda deviam esperar. — Vá.
Itachi, como um verdadeiro homem-bomba, caminhou sozinho, com a perigosa RPG apoiada em si, em passos corajosos até o meio do jardim de Rinavalius.
Francamente? A essa altura eu já teria esperado uma enxurrada de balas, mas, pelo visto, eles estão desprevenidos mesmo.
Foi com o estrondo mais sonoro que já ouvi em minha vida, que o começo do fim aconteceu.
Os portões duplos de cinco metros da mansão de Rinavalius foram simplesmente reduzidos a cinzas e fumaças, ao mesmo tempo em que eu abria a mão e os Ambu Nation começavam a marchar de forma rápida para dentro da mansão.
Com Konan, Pain, Karin, Suigetsu e Sasuke ao meu lado, eu também tomei coragem e fui a guerra. Agora, seja o que Deus quiser!
Demorou menos de oito segundos — e, sim, eu estava contando — quando ouvi a primeira rajada de tiros. Logo também ouvi barulho de freios de carro cantando pneu na rua e soube: os reforços já haviam chegado.
Meus funcionários atiravam em tudo que viam na frente, e eu desviava dos estilhaços das coisas que eram estouradas no caminho.
Um homem, com mais ou menos dois metros de altura, apareceu no topo do primeiro lance da escada central, com uma metralhadora em mãos, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, Punk já havia dado um tiro certeiro em sua testa.
Olhei para o lado, chocado de ver meu namorado matando alguém, mas não pude segurar essa reação por mais tempo, pois logo tive que me jogar no chão para não ser atingido por balas que vinham do corredor a direita.
Ainda agachado, pude ver Karin, em toda sua bravura, levantar, tomar sua Vulcan minigun em mãos de forma apropriada, e começar a disparar.
Era coisa de louco, meus pelos estavam todos arrepiados e o medo possuía minhas entranhas de um modo que eu jamais havia sentido.
Minha prima girava o corpo, liquidando homens e mais homens com a arma mais letal que eu já havia visto. A munição parecia ser eterna, e eu só ouvia o barulho que as balas faziam ao sair do mini canhão de guerra nas mãos de minha prima.
– VAMOS! À FRENTE! — Foi o que ela gritou antes de sair correndo, dando a cara a tapa e o peito a tiros.
Corremos atrás dela, e não demorou muito para que um homem, que até então estava no chão, levantar-se com a mão na costela.
Ah, que azar, ele havia sido baleado apenas uma vez.
O cheiro de sangue literalmente impregnava o lugar, devido as poças e mais poças produzidas pelos corpos no chão. E mais pessoas não paravam de chegar, apesar de ser fácil diferir quem era da Ambu Nation e quem não.
O desespero estava dando lugar a vontade de sobreviver a esse inferno, e com essa gana foi com que segurei a AK em uma mão só, enquanto transferia o peso para minha perna de mesmo lado da arma. Com um chute alto da perna livre, acertei o maxilar do homem de terno que havia se levantado, fazendo-o cair para trás.
Pain não perdeu tempo, não deixou o homem cair, escorregando por trás dele e ficando de joelhos no chão. Assim que o corpo do Rinavalius chegou até si, ele torceu o pescoço do homem, causando a morte instantânea do desconhecido.
Continuamos nosso percurso, e até agora eu não havia tido coragem de atirar nenhuma vez, apesar de ter acabado de contribuir com a morte de um desconhecido.
Quando vi cinco pessoas descendo as escadas correndo, em direção a nós com armas em uma mão e porretes na outra, foi automático. Eu basicamente pude ver em câmera lenta.
Todos os membros de minha equipe pegaram a arma mais rápida que tinham, apoiando o peso nas pernas flexionadas e soltaram uma rajada de tiros para cima daqueles que vinham nos atacar pela frente.
Itachi, sádico que só, foi o único a virar para o outro lado, atrás de nós, onde a escada principal ia para a esquerda, atirando com sua RPG em direção a quem viesse por aquele lado, causando fogo no carpete da mansão, impedindo que alguém descesse sem se queimar.
E sim, até eu atirei em quem estava descendo, e eu vi o efeito tipo The Walking Dead que aquilo causava.
As pessoas descendo a escada, foram atingidas em todos os lugares possíveis. Vi um homem ser atingido no joelho, e cair, rolando escada abaixo, mas já estava morto por sei lá quantos tiros na barriga.
Vi uma mulher começando a cair, seu olho havia sido acertado por uma bala que possivelmente havia saído por trás de sua cabeça, afinal, o homem que vinha em sua retaguarda estava todo sujo de sangue, mas logo caiu morto também.
Eu só dei graças a Deus de não saber a quem minhas balas atingiram.
Não pude negar meu nojo irremediável e uma vontade imensa de vomitar ao ter que pisar em partes dos corpos para poder subir a escada.
Prendi a respiração, ignorando a ânsia e a vontade de desmaiar, pois sabia que tinha que continuar, para então poder viver (ou morrer) em paz.
Ainda faltavam mais dois andares, e isso seria complicado.
Dois grupos de mais ou menos 50 pessoas vinham de cada lado no segundo andar, tentando nos cercar. Haviam homens da Ambu Nation em combate corpo a corpo, atirando, mas conforme eles matavam, também morriam.
Essa foi a deixa para Punk abaixar e pegar uma de suas granadas, guardada em uma bolsinha amarrada na coxa de meu namorado. Ele tirou o pino com o dente, e jogou o projétil longe, enquanto fazia sinal para abaixarmos.
Konan tomou minha AK de minhas mãos, ficando com as costas coladas na de Karin, enquanto as duas giravam e atiravam.
O poder de fogo da Vulcan de Karin era praticamente de destruição de massa, em segundos metade dos homens haviam sido eliminados.
– VAMOS, SUBAM! — Gritou outro grupo de Ambu Nation que vinha logo atrás de nós, e corremos por entre os tiros.
Pain foi atingido no braço por um homem com uma pistola, que estava escorado da parede, mas esse não teve a chance de atirar de novo, pois Konan simplesmente amassou o crânio do Rinavalius com seu coturno com solado de travas de aço.
– NÃO TOQUE NO MEU MARIDO! — Gritou minha amiga, antes de dar um último pisão na cara do homem, que já estava desfigurado.
Só nesse instante fui perceber: Suigetsu havia ficado para trás.
Subimos mais um lance de escada, e com minha visão periférica pude ver algo bem discreto, mas perceptível: um sniper.
Mais do que de pressa, tirei seu alvo da mira: Sasuke.
Pulei com todo impulso que conseguia tomar, e prendi as duas pernas perto do pescoço de Sasuke, usando o meu peso para puxar-nos para baixo e longe da mira. Era um golpe de kung fu que certamente havia o machucado, mas era melhor do que morrer, e ele soube disso quando um tiro acertou o chão, exatamente a uns 30cm de distância de nós, onde Sasuke estava antes.
– Podia ter matado a nós dois! — Me deu um esporro, enquanto levantava-se e tirava a katana das costas. Pain, mesmo com um tiro no braço, conseguiu dar cabo do sniper.
Konan me jogou minha AK, enquanto Itachi dava para ela sua RPG e pegava sua ninja-to que estava embainhada. Pelo visto, os irmãos Uchiha gostam de lutar a moda antiga.
Eles partiram na frente, correndo como loucos, enquanto nós seguíamos como podíamos, ainda mais com um baleado entre nós.
Finalmente, o último andar. Agora só precisávamos ir para a sala de Hinata.
Joguei minha AK no chão quando vi que a munição tinha acabado. É claro que eu poderia recarregar, mas não seria tão rápido quanto tirar as duas eagles de meu cinto e atirar freneticamente nos dois homens que vinham em nossa direção.
Admito, me senti satisfeito em matá-los.
Escorreguei no chão apoiado em uma perna, dando graças a Deus pela calça de sarja impedir do carpete queimar minha coxa. E em falar em coxa, foi com uma chave delas que consegui imobilizar um dos soldadinhos de chumbo de Hinata antes de torcer seu pescoço.
Minha prima de se divertia, tal qual criança, com seu pequeno canhão de guerra, atirando em tudo que via pela frente. Mesmo com um sorriso maníaco, ela continuava sendo parte da família.
Aos trancos e barrancos, chegamos a porta de Rinavalius, que teve a tranca estourada com uma rajada de tiros vinda de mim, Konan e Pain.
Itachi chutou a porta, e no mesmo momento tomou um tiro na barriga, vindo de ninguém mais de Hiashi Hyuuga, que segurava uma pistola customizada a ouro branco.
Meu cunhado cambaleou para trás, com a mão na barriga, parecendo sentir dor, e nesse momento, o mundo pareceu congelar.
Itachi chegou bem perto do corrimão do corredor suspenso, que o faria cair os três andares que subimos, em uma morte certeira. Quando ele parecia estar prestes a cair, curvou-se para frente, ainda com a mão da barriga e então...
... E então levantou a cabeça, rindo como um verdadeiro Uchiha psicótico e mostrou a capsula da bala na frente dos olhos de todo mundo, logo após levantando a blusa com a mão que segurava a ninja-to e mostrando o grosso colete.
– Bela tentativa, agora é minha vez. — Isso foi tudo que ele disse antes de partir como um maluco, descrevendo um arco sobre a cabeça com a espada longa e, com sucesso, decepar a mão do patriarca Hyuuga.
– PAI! — Gritou Hanabi, a irmã mais nova de Hinata.
Como um foguete, a pequena garota num vestido chinês vinho, correu em direção a nós, mas foi repelida com um forte chute no estômago, que fez Hanabi bater na parede de gesso esculpido branca, caindo no chão logo em seguida.
– Hoje não, vadiazinha. — Konan ia erguer a arma para matá-la, mas um forte estrondo que tremeu a estrutura da mansão inteira nos fez parar por um segundo.
A primeira bomba de Sasori e Deidara havia sido explodida. E pelo visto, era um sucesso!
Infelizmente, esse foi o tempo necessário para que Hanabi se erguesse, pegasse uma faca na fenda de seu vestido e cravasse na coxa de Konan, fazendo minha amiga soltar o grito mais pavoroso e agoniante que eu já tive o desprazer de ouvir.
– Pirralha... — Pain rosnou, antes de descarregar o pente de sua arma para cima de Hanabi, e infelizmente, a fedelha só tomou um tiro no pé, pois foi esperta o suficiente para entrar na sala a tempo.
– Muito bem, Hyuuga, podemos fazer isso do jeito fácil ou difícil. — Anunciou Karin. — Eu só quero uma coisa: a sua filha mais velha. Vamos! Eu não tenho seu tempo! Eu quero Hinata aqui!
E lentamente Hinata saiu de dentro da sala, mas logo atrás dela vinha alguém, sendo puxado pela mão, porém a fumaça do local não me permitia ver muita coisa.
O segundo estouro foi escutado, a segunda bomba de Sasori e Deidara havia sido estourada, ou seja: tínhamos pouco tempo para sair daqui.
– Estava com saudades? — Perguntou Hinata, debochada, com as mãos no quadril, enquanto aos poucos a pessoa atrás de si se revelava.
Não pude prestar atenção em muita coisa, porque quando vi, Itachi havia pegado uma pistola e disparado cinco vezes contra Hiashi Hyuuga.
– Mas o que está acontecendo aqui?! — Neji, primo de Hinata, vinha no corredor acompanhado de sua esposa. Neji carregava duas pistolas e Tenten carregava duas Katanas, uma em cada mão.
Antes que o Hyuuga pudesse chegar até nós, Karin jogou seu nuntchaku para Konan que correu de encontro a eles e finalizou Neji, o deixando desacordado. Quando partiu para atacar Tenten, a mesma bloqueou seu ataque com apenas uma katana, enquanto com a outra, utilizando a graciosidade de uma gueixa, cortou o braço de Konan que segurava o nuntchaku.
– Minha luta não é com você, Ambu Nation, eu tenho apenas um alvo aqui. — A voz de Tenten era feminina, agradável aos ouvidos, mas também era muito autoritária. — Não me ataque de novo, não quero ter que matar você.
Tenten veio correndo em nossa direção, com os braços para trás para que as katanas não atrapalhassem seus movimentos. Seu vestido com duas fendas, uma em cada lateral, fazia seus movimentos parecerem ainda mais belos. Graciosamente mortal.
Tenten Misashi entrou na sala dos Hyuuga tal qual um touro bufando. Algo me dizia que uma morte muito, muito feia sairia dali.
A próxima a não hesitar foi Karin, que com toda a sua delicadeza, cravou uma faca no braço de Hinata e desceu a arma, abrindo o ferimento mais feio que eu já tinha visto. Certamente Hinata morreria de hemorragia em questão de minutos, mas não se deixou abalar, chutando Karin da altura do rosto.
Minha prima agarrou a perna suspensa de Hinata, rolando no chão e levando a Hyuuga junto. Hinata, com o braço bom, tentou pegar uma pistola que estava no cinto de minha prima, com sucesso, e atirou na costela da mesma.
Me desesperei, minha prima seria morta também. E... Ok, eu estava muito a fim de matar Hinata Rinavalius com minhas próprias mãos.
Corri até as duas, usando meu peso como impulso. Deixei-me cair, escorregando no carpete, até meus pés baterem nas costelas de Hinata, dando o troco pelo ferimento de Karin.
Com o impacto da batida, a arma que estava nas mãos de Hinata voou longe, e pelo barulho, tive orgulho de saber que ela havia quebrado pelo menos duas costelas.
Mas a Hyuuga era dura na queda, não havia nem desmaiado, apesar de toda a dor que deveria estar sentindo, mas foi aí que eu ouvi:
– GAARA! ME AJUDE! — Meu pescoço virou quase 360º em automático. Eu não poderia estar ouvindo esse nome.
Meu amigo de anos, estava parado ali, aquele tempo todo, apenas observando.
– Gaara? O que...?
Não pude terminar a frase, pois com um olhar psicopata, Gaara correu até nós, me derrubando com uma voadora, e torcendo o pescoço de minha prima com as pernas, assim que caiu no chão.
Karin não estava morta, eu sabia, apenas desacordada, mas agora a questão é: Gaara?!
Com rapidez, meu amigo (ou ex amigo?) pegou Rinavalius no braço, tal qual uma noiva e correu de volta para a sala, fechando as portas e segurando com algo por dentro, pois quando cheguei lá e tentei chutá-las, elas não abriram.
– O QUE ESTÃO FAZENDO? HEIN? POR QUE NÃO FAZEM NADA? — Gritei desesperado, sem ainda entender o que estava acontecendo. — TIREM A HINATA DALI E MATEM ELA! MATEM!
– Calma Naruto, nós temos que sair daqui e... — Itachi tentava dizer.
As lágrimas borravam minha visão, e eu não conseguia entender. O que Gaara estava fazendo ali? Por que ele ajudou Hinata? Como ele sabia disso tudo?
– NÃO! NÓS TEMOS QUE MATÁ-LOS! MATÁ-LOS TODOS!
Quando notei, já estava no chão. Punk havia me dado um soco.
– Gaara trabalha para Ambu Nation desde seus dezoito anos, a família dele é amiga dos Uchiha desde que o mundo é mundo, e ele vem te protegendo para nós desde que você saiu de casa, filho. — Eu não pude acreditar quando escutei a voz de minha mãe.
Virei o rosto para encarar a escada, e lá estavam os dois maiores suicidas que eu conhecia: meus pais.
Minha mãe usava um gorro preto, seu rosto estava cortado e sujo de sangue e poeira. Meu pai estava com um braço pendurado, possivelmente quebrado, mas sorria gentil.
– O que...?
– Agora temos que ir. — Meu pai tomou as rédeas da situação. — Gaara tem enganado Hinata desde que você começou a tomar conhecimento sobre as gangues. Ganhou a confiança da família Hyuuga, e agora dará a vida para nos salvar. Nós temos exatos 3 minutos, a partir de agora, para sair daqui, pois ele é um homem bomba e explodirá tudo com ele.
– Mas... — Tentei insistir mais uma vez, mas Sasuke me pegou no colo, me içando com facilidade devido ao meu estado de choque. Itachi seguiu logo atrás, segurando Karin nos braços.
Konan e Pain vieram atrás, descendo as escadas.
Tudo parecia rolar completamente em câmera lenta, a fumaça do local, o fogo subindo pelas paredes e as pessoas, algumas ainda lutando, morreriam ali sem saber.
Corremos o quanto podíamos, comigo ainda no colo de Sasuke, e eu mal pude acreditar quando saímos da mansão e conseguimos chegar no começo da pequena floresta.
A mansão inteira explodiu, com chamas imensas, em direção aos céus. E como eu havia previsto, só sobrou pedra sobre pedra.
A fumaça era intensa, me proibida de ver várias coisas, mas pude ver um último Rinavalius vindo com uma metralhadora em minha direção. Sim, em minha direção, e não deu tempo de reagir.
Eu ouvi os tiros, de olhos fechados, e esperei a dor, esperei a morte. Mais tiros foram ouvidos, de uma arma diferente agora, mas... Nada aconteceu comigo.
Abri os olhos.
Olhei para o lado, para Sasuke, que estava lívido, empunhando uma pistola. Olhei para frente, e vi o Rinavalius da metralhadora em questão, no chão, morto. Então... Como eu não havia sido atingido?
Foi aí que olhei para o chão ao meu lado, e fiquei traumatizado ao ver o rosto sorridente de Suigetsu, que agora cuspia sangue devido aos vários tiros em seu peito e barriga.
– Suigetsu...
– Valeu, chefe. — Foi a última coisa que ele disse antes de parar de tremer e seu sorriso ser desfeito.
Sasuke agora soluçava ao meu lado, enquanto Itachi deixou o corpo inerte de Karin cair. Acho que ninguém estava acreditando no que havia acontecido.
Suigetsu se sacrificou... Por mim?! Eu sou a pessoa que ele supostamente mais odiava no mundo, mas ele se sacrificou por mim, por quê?!
– Foi um sacrifício de amor. — Konan, ao meu lado, mesmo ferida explicou. — Ele entrou na frente das balas por você, porque sabe que você é a coisa que Sasuke mais ama no mundo.
– Temos que ir agora. — Deidara e Sasori surgiam do meio da fumaça. — Daqui a pouco os agentes estarão aqui para limpar essa bagunça, e nós não queremos ser encontrados.
Começamos a andar, e eu finalmente pude sentir o peso do mundo saindo dos meus ombros. Era a melhor sensação do mundo, havíamos vencido.
Já estávamos quase na metade da rua, a caminho de nossos blindados, e eu me permiti rir. Na verdade, eu gargalhei histericamente.
– Estamos VIVOS! — Gritei, mas instantaneamente me arrependi, pois foram disparados três tiros.
Todos eles nas costas de Sasuke, que caiu no chão bem ao meu lado.
Foi o tempo de eu virar para trás e ver a raivosa Hanabi Hyuuga segurando um rifle. Quis revidar, quis sentir raiva, quis chorar, mas não deu tempo! Não deu tempo, porque atrás dela apareceu Tenten Misashi, com suas duas Katanas, que foram cruzadas em formato de x, antes de decepar a cabeça de Hanabi.
Aí eu vomitei.
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