Blurred lines.

12 Decisivas.


Notas iniciais
E aí, hoje é quinta-feira e cá estou eu com mais um capítulo. Fiquei feliz em saber que o capítulo fora de data deixou todos contentes e tristes pelo Naruto. Fiquei feliz por isso porque é sinal de que eu consigo conduzir as emoções de vocês com a minha escrita, e isso é extremamente bom para mim, me deixar realizada. Bom, aquele assunto de novo: eu já percebi que tenho leitores fieis, que sempre comentam e nunca me deixam desanimar, mas que tal os fantasmas aparecerem, hein? É sempre bom um ânimo a mais. E aliás: não me matem por esse capítulo. Ele é extremamente importante para o Sasuke, ambas as personalidades dele, e mais pra frente vocês vão entender o porquê. Aliás, no próximo capítulo as coisas vão começar a ficar realmente interessantes. Boa leitura!


Naruto.

O laboratório fora um sucesso, e agora eu tinha onde ir todos os dias antes de trabalhar no Bar. A Akatsuki Music 3 ficava perto da Uchiha Enterprises – Matriz, ou seja, em um bairro nobre, quase perto do centro de compras da cidade. Isso me chateava um pouco, considerando que agora eu tinha pouquíssimo tempo para fazer o que eu quisesse. Mas estava feliz, sim, parte do meu sonho estava se realizando.

Hoje, por exemplo, eu iria conhecer meu produtor, já que meu agente era Itachi, que havia se encarregado pessoalmente da minha carreira, ao invés de chamar um de seus empregados. Acho que esse é o lado bom de ser amigo e cunhado do V.P de uma empresa.

Estava em minha moto no caminho para a gravadora, e estava nervoso como nunca na vida. Era segunda-feira, mas eu ainda não tinha esquecido o suporte que Punk deu para mim no sábado. Acho que agora nosso namoro anda, embora ainda fosse algo contraditório. Quando eu estava com Punk, ficava feliz, mas não parava de sentir saudade de Sasuke, nem por um mísero segundo; quando estava com Sasuke, também ficava feliz, mas também não parava de sentir saudades de Punk.

Isso tudo era estranho, considerando que agora Punk e eu namoramos mesmo, bom, pelo menos para mim... Eu liguei para ele no domingo, e mesmo não podendo falar com ele por mais de três minutos, me deixou feliz, a voz dele me chamando de “doçura” aplacava um pouco a falta que ele me fazia. Mas, em uma coisa eu tinha me decidido: não ligaria para Sasuke hoje.

Cheguei até a Akatsuki Music 3, um prédio de uns cinco andares totalmente vermelho. Cumprimentei o porteiro e tomei o elevador até o segundo andar, onde Itachi estaria me esperando na recepção.

Dito e feito.

Lá estava ele, ao lado dele uma moça que parecia ser simpática e mais um homem.

– Bom dia, Naruto. — Itachi foi o primeiro a me cumprimentar, e eu correspondi. — Essa é Konan, — apontou para a moça, e logo após sussurrou em meu ouvido: — Ela é uma Ambu Nation. — Levantou o olhar para o homem e o apresentou. — E esse é Shisui Uchiha, acho que você está feliz em finalmente conhecê-lo.

Fiquei meio confuso, mas cumprimentei Konan e Shisui.

– Itachi não me apresenta direito, mas sou primo de primeiro grau dele. — Shisui, que parecia ser simpático como Itachi (e menos maníaco), me sorriu, estendendo a mão, que eu apertei com firmeza. — Aliás, é um grande prazer conhecer você, Naruto Uzumaki. Há anos ouço de você e não tinha visto nem a cor de teu cabelo.

– Anos? — Ergui as sobrancelhas. O laboratório foi há menos de cinco dias e ele falava em anos. Será que estava tirando uma com a minha cara?

– Ah é, esqueci de mencionar. — Itachi se meteu, rindo um pouco. — Ele é seu chefe, Naruto.

– Disso eu sei, assim como você também é, 'tachi bastardo. — Resmunguei, o que fez Shizui e Konan rirem.

– Já gostei desse garoto! — O primo de Itachi exclamou. — E não foi isso que ele quis dizer, Naruto. Mas, já que você parece ser lento como já me foi dito, vou me apresentar direito. Sou Shisui Uchiha, empresário, produtor musical e dono do Nove Ases.

Tive que me controlar muito para não desmaiar e cair de cara no chão.

Então quer dizer que nesses anos que eu trabalhei no Nove Ases eu estive dentro de mais um dos estabelecimentos que pertencem a família Uchiha? E que nesse tempo todo eu estive mais perto de Punk, Sasuke e Itachi do que eu jamais imaginei estar? Afinal, Shisui era primo deles.

– Naruto? Você está bem, mon cher? — Perguntou Konan. O que eu não sabia, é que ela tinha esse bonito sotaque francês.

– Oi? Eu? Estou ótimo. Só me senti um pouco surpreso. — Ri para disfarçar meu embasbacamento. — E você é francesa ou só faz por charme? — Direcionei a pergunta a Konan.

– Sou francesa. — Ela sorriu. — Não me tome pelo chefe com aquela mania dele de apelidos irritantes. Você tem que ver quando ele resolve fazer sotaque britânico. Simplesmente terriblé.

– Sem fofocas, Konan! — Itachi brincou, cutucando as costelas da moça. — Ele é o namoradinho do seu chefe, pode contar tudo a ele!

Nesse momento, Konan estacou em seu lugar e olhou para Itachi séria.

– É ele? Achei que ele fosse somente amigo da família.

– Sim, é ele. — Nessa hora, pude ver uma compaixão nos olhos da azulada que eu jamais vi em alguém, nem mesmo nos meus próprios pais. Seu lábio inferior tremeu, e eu dei um passo a frente para acudi-la, mas Itachi me impediu, pondo um braço na frente e saindo com Konan dali.

– Tenso, não é? — Shisui tentou quebrar o gelo. — Venha, vamos até a minha sala resolver algumas coisas e depois te levo diretamente para o estúdio. Vamos ensaiar!

A sala de Shisui era simples, devido ao fato dele ter uma em cada filial da Akatsuki Music, como ele mesmo me fez o favor de contar. Para o descanso dos meus olhos, a sala era branca, os móveis em preto para dar contraste. Sentei-me no sofá de couro que ele me indicou, e assisti Shisui pegar um puf gigante e trazer até mim, sentando-se a minha frente.

– Ok, vamos lá. — Estalou os dedos. — Você foi aprovado com unanimidade no laboratório. Eu vi o vídeo da sua apresentação e, cara, me amarrei na sua voz. — Impressionei-me com o jeito descontraído de Shisui. — Itachi me disse sobre você querer trabalhar com covers e eu achei genial, mas você sabe que quando for lançar um cd isso será complicado, não é?

– Sim, eu sei. — Respondi. — Mas achei que por enquanto a Akatsuki poderia abrir um canal de vídeos para mim, e irmos postando, ganhando dinheiro com downloads em sites legalizados e com as visualizações do vídeo.

– Além de astro também quer ser empresário? Porque, garoto, você vai longe assim. — Ele riu. — Itachi encontrou um tesouro. Mas tudo bem, gostei disso também. Com que tipo de música você vai trabalhar?

Não pensei muito antes de responder, sabia que Shisui captaria bem minha ideia.

– O Nove Ases é um bar de R&B, soul, blues, e eu adoro aquele lugar. Gostaria de me manter nesses ritmos também, mas não só eles, entende? Quero a liberdade de escolher minha música, quero cantar sobre o que o coração fala e o que todo mundo sente. Quero que, quando uma música minha, ou um cover meu, toque no rádio, uma pessoa escute e pense em usar para se declarar para seu amado, que uma jovem sinta que eu entendo como ela está com o término de seu namoro, ou até que quem ouça sinta saudades de quem já se foi.

Shisui levantou e endireitou sua roupa.

– Então não temos mais nada para conversar aqui. Você é bem resolvido. Vamos para o estúdio agora, ele é seu durante uma hora, e você terá a honra de me ter como produtor musical. — Piscou para mim. — Mas por exigência da parte não tão correta da família, Konan estará aqui enquanto você estiver.

Revirei os olhos. Aposto que por “parte não tão correta da família” ele quis dizer Punk. Um dia eu ainda provaria a todos que Punk não é incorreto, nem as outras coisas ruins que dizem e pensam sobre ele.

O estúdio número 18, que era meu por uma hora, tinha como decoração nas paredes alguns quadros com discos de platina, posters de bandas que já passaram por ali, entre outras coisas. A mesa de mixagem estava entre uma parede com vidro, e a sala de gravação. Shisui e Konan, que entrara na sala há pouquíssimo tempo, sentaram-se em frente a mesa de mixagem, e eu entrei na sala de gravação, notando que ali haviam alguns instrumentos, um banco e um microfone, quase como no dia do laboratório.

– Bom, agora já pode me dizer que música você quer começar passando? Não iremos gravar nada hoje, só queremos exercitar sua voz e ver como fica na acústica da sala.

– Ah, para mim qualquer coisa tá legal! — Fui honesto. — Só, hm, não sei. O que vocês querem ouvir? Algo no violão, outro instrumento...?

– Quantos instrumentos você sabe tocar? — Shisui perguntou.

– Alguns. — Ri. — Acho que uns cinco, bem por aí.

Cocei a cabeça, sem jeito. Eu deveria estar soando exibicionista.

– Pode ser só sua voz, por enquanto, não precisa envolver instrumentos. Escolha algo, Naruto, só queremos te ouvir melhor e depois auxiliar com algumas aulas de canto, aprender a controlar o diafragma do jeito correto... O que acha? — Konan sugeriu. Eu não sabia que ele entendia de música, mas já que ela estava ali, era melhor não contrariar.

Suspirei.

– Então ok.

Sentei no banco que estava posicionado atrás do microfone, pensei um pouco no que cantaria e uma ideia me veio a mente. Escolhi um cantor com um timbre de voz próximo ao meu, então presumi que sairia até que bom, já que não teria que controlar tanto minha voz, apesar de saber que não escaparia das aulas de canto.

[Seen it All – Jake Bugg]

One Friday night I took a pill or maybe two
Down at the car park I saw everyone I knew
And before the night had started
We had planned to crash a party
Just a place that someone knew
A local house belonging to a gangster's crew
And at the door they shone a light into my face
Have to admit I felt a little out of place
But I made my way inside past a thousand crazy eyes
Then a friend took me aside said
Everyone here has a knife

I've seen it all
I've seen it all now
I swear to God I've seen it all
Nothing shocks me anymore after tonight

Those little doves
Had sent my mind and heart a-beating
To say I felt weird really doesn't need repeating
I could sense the mounting tension
The atmosphere of violence
And then they took a guy outside
And someone stabbed him with a knife

I've seen it all
I've seen it all now
I swear to God I've seen it all
Nothing shocks me anymore after tonight

I've seen it all
I've seen it all now
I've seen it all
I've seen it all now
I swear to God I've seen it all
Nothing shocks me anymore after tonight
I've seen the light but not the kind I would have liked

Quando acabei de cantar Konan estava com as duas mãos em frente da boca com os olhos arregalados, enquanto Shisui estava rindo, relaxado e inclinado em sua cadeira. Ele apertou o botão que dava para os auto falantes de dentro da sala acústica e eu pude ouvi-los:

– Konan simplesmente não acredita na sua voz! — Explicou. — E nem eu sei se acredito, você é realmente incrível garoto... Mais uns meses e você vai dominar o Nove Ases como há muito tempo ninguém faz.

– E eu vou te dar aulas de canto! — Konan berrou. — Você vai segurar um agudo melhor do que qualquer um. Isso eu garanto!

Sorri feliz.

Durante anos eu guardei para mim que tinha um talento. Eu sabia que tinha, mas assim como tantas pessoas, minha voz poderia ser boa, porém comum, o que não chamaria a atenção de ninguém, mas não é assim. E isso me deixa muito contente. Saber que eu posso deixar pessoas estupefatas só por cantar uma simples música, ou tocar o coração de alguém em poucas notas... É tudo um grande sonho se tornando realidade.

Meu único medo é acordar.

Sasuke.

Estava escuro. Muito escuro.

Mas eu me lembro da última vez em que estive aqui.

Esse lugar continua o mesmo. Um breu, mal posso ver minhas próprias mãos, se é que elas existem aqui. Tentei tocar meu rosto, e suspirei aliviado ao notar que eu podia fazer isso. O silêncio também era o mesmo, absoluto. Nenhuma palavra voando, nenhuma música tocando ao fundo.

Eu ainda odeio esse lugar.

Queria saber o que estava acontecendo, queria muito. Fiz muita força, quase toda que eu tenho, mas nada adiantou.

Deitei-me, desistindo por hora. Só não sabia o porquê de estar aqui. Nunca mais tinha voltado a esse lugar! E desejava nunca mais voltar. Aqui era como uma solitária em uma prisão. Só que infinita. Não sei exatamente há quanto tempo estou aqui, e como disse anteriormente, muito menos o porquê. Sei que estou. E que quero sair. Há mais de dez anos eu não via esse lugar, às vezes ainda o vislumbrava em meus pesadelos, mas nada era comparado a sensação de estar aqui de verdade.

Algum tempo depois, não sei exatamente quanto tempo — e parei de contar depois que atingi a marca de dez minutos, que poderia estar errada -, escutei barulhos de gemidos femininos. Gemidos que eu já havia escutado, anos atrás, mais precisamente na faculdade. Conhecia esses gemidos, e sinceramente, agora só sentia nojo deles.

Mais tempo depois, escutei um barulho de rachadura. Mas não era qualquer rachadura. Eram daquelas que estalam, que você escuta cada pedacinho rachando. Era como um aquário gigante cheio até a borda, com muitas baleias e tubarões dentro, e eu tivesse sido a criança infeliz a conseguir abrir uma rachadura naquele aquário. O barulho soou mais forte, e eu olhei para cima — bem, para a minha concepção de “para cima” -, aos poucos, o “céu” desse lugar todo preto foi abrindo em uma rachadura irregular, dando espaço para uma fraquíssima luz branca entrar. A rachadura era de uma finura mínima, se eu, por acaso, conseguisse alcançá-la, nem meu dedo mindinho passaria por ali.

Mas, como eu já havia dito, eu sabia onde estava, só não sabia o porquê estava.

Eu estava na mente de Punk, e, aos poucos, ela estava enfraquecendo.

Naruto.

(...)

O tempo passou que eu nem vi, logo eu encontraria Punk para comemorarmos e minha vida estava de vento em poupa.

Todos os dias durante a parte da manhã eu ia para a Akatsuki Music 3, e já tinha visitado a 2, que era um prédio maior e mais bonito. Minhas aulas de canto com Konan eram sempre divertidas, ainda mais quando ela esquecia-se de como se pronunciava alguma palavra e começava a falar em francês, e, com tudo isso, ganhei uma nova amiga com quem sabia que poderia contar até o fim da vida. Konan era tão minha confidente que eu resolvi lhe dar esse crédito e passar por cima de Punk, lhe contar todas as minhas inseguranças, e ela entendia bem. Me disse que o amor de sua vida era da Akatsuki, mas que jamais olharia para ela do mesmo jeito que ela olha pra ele...

– Ele é durão, sabe? Como o chefe. — Começou ela, em uma de nossas conversas. — Mas lá todos me respeitam demais. Sou praticamente a irmãzinha de Sasuke, e isso traz problemas, tirando o fato de que bem, sou uma assassina profissional. — Deu de ombros. — Todos ali tem um passado, não sei porque me levam tão a serio, apesar de respeito ser bom. Mas parece que é tanto, tanto respeito, que passar de uma relação profissional com ele é impossível. Na Ambu Nation todos se tratam como família, mas me sinto excluída.

– Qual o nome dele? — Quis saber.

– É Nagato, mas ele prefere Pain.


Nunca cheguei a conhecer o tal Pain, mas com certeza ajudaria Konan a conquistá-lo. Contei a Punk que enchi minha boca para dizer a Hinata que agora eu era um Ambu Nation, e agora sou um “membro temporário” da gangue, para todos os efeitos. Não tenho uma função lá, tampouco visitei o “QG”, até porque não acho que meus talentos sejam úteis nesse tipo de coisa, mas faço o possível para botar luz na cabeça de meu namorado em toda decisão que ele tem que tomar. Nos afastamos consideravelmente nesse tempo, mas eu sei que é coisa de momento, até nos organizarmos como casal.

Durante os dias úteis da semana eu tenho o estúdio e o Bar, e às vezes almoço com Sasuke quando posso. Aos fins de semana eu tenho folga apenas no domingo, e Punk está trabalhando como nunca. Sempre nos falamos por telefone, às vezes saímos para um cinema juntos, ou alguma coisa assim, mas confesso que ando sentindo falta dos nossos momentos de intimidade.

Com Sasuke as coisas andam complicadas. Eu não sei como segurar meus sentimentos perto dele, e acho que nem ele perto de mim. O casamento dele com Hinata agora tem data marcada, e ele parece ter entrado em algum tipo de depressão. Deve estar pelo menos cinco quilos mais magro, tem olheiras escuras e anda muito esquecido. Sei que parte desse sofrimento é por minha causa, e sofro junto, porque sei que eu simplesmente não posso dizer “não case! Fique comigo”. Eu tenho namorado e tenho que honrar isso. Sakura estava certa, eu estava me magoando e magoando Sasuke, mas não tinha para onde correr, e não queria dar um ponto final em minha história com Punk.

Em falar em Punk, hoje é o dia de nosso um mês de namoro, e eu pensei em fazer uma surpresa para ele. Pedi para Konan o endereço do QG, o qual ela relutou um pouco mas acabou me dando. Estava tudo pronto. Sei que é piegas, mas comprei flores para Sasuke. Um buquê de rosas negras artificiais, com uma carta dentro. Iria entregar para ele pessoalmente, e já que a maioria da Ambu Nation me conhece, acho que eu não teria problema em entrar ali sem que Sasuke soubesse.

No momento eu descia de minha moto em frente ao QG, que nada mais é do que uma mansão branca enorme no melhor estilo Casa Branca possível. Nos portões maiores tinham dois seguranças parrudos de terno, dos quais não tive dificuldade de passar após mostrar o meu papel de parede do celular: Punk e eu deitados em minha cama, rindo.

Andei pelo gramado extenso até chegar a porta da mansão, onde mais dois seguranças estavam ali. Óbvio que por esses eu não tive a mesma sorte, eles tiveram que usar os walk-talkies para se comunicar com alguém que estava dentro da mansão, e que eu implorei para não ser o próprio Sasuke.

– Pain. — Um deles chamou e meu coração falhou uma batida. Eu escutaria a voz de Pain, a paixão secreta de Konan.

– Fala. — A voz respondeu. Voz essa que me era muito familiar.

– Um cara loiro, olhos azuis, aparentando ter no máximo 23 anos está aqui na porta querendo entrar alegando querer fazer uma surpresa para o chefe. Deixa passar?

– É o Uzumaki. Manda entrar, e se algum de vocês avisar ao chefe, perde as bolas! — Ótimo! Pain autorizou minha entrada. Mesmo não querendo ser convencido, sorri triunfante para os seguranças e passei com o nariz em pé.

Dentro da mansão a decoração não me surpreendeu muito. O chão era preto e branco, lembrando um tabuleiro de xadrez, vários corredores estavam a minha vista, assim como várias portas também brancas. Achei estranho porque branco não é lá a cor de Sasuke, mas concordo que era tudo muito bonito. Quadros aparentemente caros adornavam as paredes, juntos com cortinas grossas que tampavam a maioria das janelas. Uma mesa de madeira brilhante estava ao meu lado, e em cima dessa mesa um par de coturnos estava apoiado, revelando seu dono sentado em uma cadeira de aparência confortável.

– Ora ora Naruto, nos encontramos de novo. — O ruivo que fora ao Bar uma vez disse. — Pelo visto não se lembra de mim.

– Lembro sim, você foi ao bar uma vez e me pediu um saquê, até me zoou por eu ser a “princesa do chefe”.

– Oh, pelo visto tem memória boa. — Ele tirou os pés da mesa e levantou-se, indo até mim e estendendo a mão, que eu apertei com firmeza. — Sou Pain.

Não pude evitar de sorrir malicioso. Mal eu sabia que já conhecia a paixão secreta de Konan, e agora estava tendo contato com ele pessoalmente. Não custava nada tentar ajudar minha amiga, certo?

– Ah, você é Pain? Me falaram tão bem de você. Nem suspeitava que já te conhecia. — Soltei, como quem nada quer. — Pode me levar até a sala de Sasuke? Hoje é nosso aniversário de um mês, gostaria de fazer uma surpresa para ele. — Estendi as rosas negras, mostrando-as.

Pain sorriu.

– Claro, acho que não tem problema. – Cavalheiro, ele me ofereceu o braço e eu aceitei, andamos por um longo corredor. — Não sabia que eu era famoso assim, quem falou de mim?

– Ah, acho que você não conhece... — Fingi pensar. — Konan, uma amiga minha que trabalha aqui.

Com satisfação, pude ver Pain trancar o maxilar e ficar vermelho.

– Konan, é? — Ele riu. — Achei que ela nem soubesse quem eu sou...

Oh meu Deus! E ela diz que ele não repara nela. Acho que esses dois são os dois maiores lesados desse mundo.

– Por quê? — Juntar os dois seria mais fácil do que eu pensei.

– Ah cara, ela é muito importante aqui na Ambu Nation, e eu sou uma espécie de pau para toda obra. Sou “porteiro” como você pôde ver, sou capanga, sou guarda costas, melhor amigo, e por aí vai. Mas ela não. Ela raramente está aqui na mansão, sempre está fora em alguma missão, fazendo dossiês de pessoas que o chefe precisa conhecer, matando pessoas descartáveis... Essa mulher é um show!

Joguei a cabeça para trás em uma gargalhada.

– Vou te falar uma coisa, mas não diga para ela jamais que eu te contei. — Pain assentiu. — Ela te acha o máximo. Me dá seu celular. — Ele enfiou a mão no bolso da calça e me entregou o aparelho. Salvei o número de Konan. — Ligue para ela e a convide para tomar um café, garanto que ela vai aceitar sem pensar duas vezes.

Subíamos uma escada que parecia não ter fim, pelas minhas contas já estávamos no terceiro e último andar da mansão quando os degraus acabaram. Portas duplas de madeira, assim como as do escritório de Sasuke na Uchiha Enterprises, me aguardavam no fim de um corredor.

– Bem, já que é uma surpresa, não vou te anunciar para não estragar nada. — Pain virou-se de frente para mim e segurou minha mão. — Cara, valeu mesmo pelo negócio da Konan... Ela está aqui há pouco mais de um ano e eu nunca tive coragem de trocar mais que algumas palavras com ela. Sem você eu jamais saberia que ela também é a fim de mim.

– Que isso, cara, não precisa disso tudo. — Fiquei sem jeito. — Estou fazendo isso tanto por ela quanto por você. Se os dois se gostam, por que não ficarem juntos? Liga para ela, mas se mencionar meu nome, você é um homem morto! — Brinquei e ele riu, parecendo ainda não acreditar que Konan gostava dele.

– Vou ligar sim... Pode crer que essa chance eu não vou desperdiçar. — Apontou a porta no fim do corredor. — Bem, é aquela porta ali, e agora é com você. Parabéns pelo namoro! — Disse, antes de voltar a descer as escadas.

Meu coração batia forte, parecendo que ia sair pela boca. Minhas mãos suavam, e o buquê parecia pesar uma tonelada. Eu sabia que Punk jamais me rejeitaria, mas tinha medo de estar sendo meloso demais, afinal, estávamos juntos só há um mês... Engoli meu medo. O que tivesse de ser, seria. Eu estava demonstrando meu amor por Punk, minha carta dizia tudo que eu tinha medo de falar e me engasgar em lágrimas de emoção, e se meu namorado me ama como eu o amo, ele acharia lindo, e gostaria muito das rosas, só porque fui eu quem dei.

Suspirei e comecei a andar pelo corredor. Meus passos estavam vacilantes, embora eu estivesse tentando me manter firme. Meu coração parecia bater tão alto que cheguei a pensar que a mansão inteira estivesse escutando, mas sabia que era só impressão minha. O sangue corria feito louco por minhas veias e eu achava que ia morrer de adrenalina a qualquer momento. A cada passo que eu dava em direção a porta, ficava mais convencido de que iria vomitar tudo que já comi na minha vida.

Quando encostei a mão na maçaneta algo me fez parar.

Um som.

Um som que eu conhecia bem, mas não queria acreditar que estava escutando. Nesse momento parei de tremer, meu coração se acalmou e a sensação de enjoo passou, mas em compensação meus olhos arderam, minhas pernas ficarem moles e eu quase caí de joelhos.

Meu coração se estraçalhou em milhões de pedaços. Minha mão ainda estava na maçaneta, a outra mão ainda segurava o buquê e eu ainda abriria aquela porta. Isso tinha que ser só um sonho ruim, isso tinha que ser só a minha imaginação.

Girei a mão levemente, não queria fazer barulho. Senti o mecanismo de tranca se abrir. Empurrei a maçaneta, abrindo totalmente a porta, ainda sem fazer barulho. Olhando para o chão andei dois passos para dentro da sala e levantei a cabeça.

Meus olhos não queriam acreditar no que viam.

Ino Yamanaka, secretaria de Sasuke nos dias de semana, cavalgava no colo de meu namorado que tinha a cabeça jogada para trás em puro prazer e uma garrafa de uísque pendurada em uma das mãos, a outra ajudava Ino a subir e descer em seu colo.

Deixei o buquê cair.

Pigarreei. Os dois viraram para trás imediatamente. Os olhos de Sasuke ficaram com o dobro do tamanho normal.

– N-Naruto?

– Feliz um mês de namoro, Sasuke. — Dei meia volta e saí dali correndo. Não podia dar chance para ele conseguir me alcançar, se é que ele se levantaria daquela cadeira.

Mas óbvio que tentar sair correndo de uma mansão de uma gangue enorme e perigosa demoraria um pouco. Desci as escadas o mais rápido possível que conseguia sem cair, e já no final do lance do segundo andar escutei a porta da sala de Sasuke batendo. Ele estava vindo atrás de mim.

Escutei os coturnos de Sasuke batendo no chão e me apressei em continuar descendo. Quase caí, mas dei graças a Deus a um corrimão que me deu apoio. Eu sabia que Sasuke estava cada vez mais perto, mas eu não podia – eu não queria! — olhar para ele, não podia escutar sua voz, não queria sentir sua presença perto de mim. Estava com nojo, estava assustado e magoado. Ele não esperou nem um mês direito... E sabe-se lá há quanto tempo isso está acontecendo.

Cheguei ao primeiro andar, onde Pain levantou-se assim que me viu correndo.

– NARUTO! Onde você vai, cara?

– Eu preciso ir embora daqui. Juro que preciso. Por favor, eu não posso ficar aqui. — Parei de correr por alguns segundos para poder falar. — Por favor, abre a porta e manda os seguranças me liberarem, todos eles.

Pain assentiu e abriu ele mesmo a porta para mim, escutei um “deixem o garoto passar. Todos vocês, DEIXEM O GAROTO PASSAR!”. E então corri com toda a energia que ainda me restava, o que era pouco.

Quando já estava na metade do gramado algo me levou ao chão. Algo que não me deteve por muito tempo, uma descarga de adrenalina me deu forças para jogar esse algo para o lado, rolar e me por de pé, enquanto esse algo fazia o mesmo. O algo era Sasuke.

– ME ESCUTA!

– EU NÃO QUERO! — Gritei mais forte do que imaginei que conseguiria. — Você... Eu não... Eu confiava em você. Eu vim te fazer uma surpresa. Meu Deus como eu te odeio.

– Você não me odeia. — Sasuke segurou meu braço, eu me remexi até conseguir sair do aperto. — Você não me odeia Naruto Uzumaki, você não pode me odiar! Não tem esse direito!

– EU NÃO TENHO DIREITO DE TE ODIAR? VOCÊ ME TRAI E EU NÃO TENHO O DIREITO DE TE ODIAR?

– Você acha que eu não vi todas as noites em que você dormiu com Sasuke? Acha que eu não escutei todas aquelas declarações de amor implícitas? Acha, hein? E todo esse tempo, você na mesma cama que ele, e ainda tinha a coragem de ficar me negando sexo. Eu sou homem, eu tenho necessidades!

– Vá à merda com esse discurso! — Vociferei. — Necessidades é o caralho. Eu não dei para nenhum dos dois e não deixo de ser homem, porra! — Essa foi a primeira vez que xinguei com Punk. — Você é um imundo. Eu posso sim gostar de Sasuke, afinal, por mais que você e ele não queiram, acabam sendo a mesma pessoa. Sasuke me quer de um jeito que você jamais vai querer, dá para ver nos olhos dele, mas ele é cauteloso, paciente, e sabe que eu posso vir a nunca ser dele. Mas agora vejo que isso pode perfeitamente mudar. — Cuspi no chão. — Eu tenho nojo de você.

E então ele avançou contra mim.

– VOCÊ NÃO PODE TER NOJO DE MIM! VOCÊ É MEU NAMORADO!

– EX! EU SOU SEU EX NAMORADO. — O derrubei com uma rasteira. Punk poderia ter cara de brigão, mas em combate corporal não era isso tudo. — Eu não quero nunca mais ver a sua cara. Nunca.

– Vai ser meio difícil quando estiver dando para o Sasuke e pensar em mim. — Sorriu em escárnio. — Porque no final, Naruto, você é só uma puta frígida e indecisa.

Olhei para ele incrédulo, antes de soltar o ar pela boca e dar meia volta, indo em direção aos portões, agora sem pressa.

Eu desisto.

Notas finais
Não me matem! Não me matem! Especificamente não me matem pelas últimas palavras de Punk. Ele não é tão ruim assim :/, mas isso só será explicado no próximo capítulo. Tirando isso, vocês gostaram? Vejo vocês nos comentários!