Dormir, dormir e dormir. Tem coisa melhor? Talvez comer. Comer dormindo. Agora sim não tem coisa melhor. Eu estava deitada toda esparramada, fingindo estar numa praia, até o gorila do meu pai arrebentar a porta no muro.

– Acorda desgraça, você tem que ir pra escola — juro que um dia eu faço uma macumba pra ele ficar sem os olhos.

– Já estou acordada babaca.

– Fala direito comigo sua peste, eu sou seu pai — preferia que meu pai fosse o Pateta da Disney.

– Foda-se, não presta pra porra nenhuma — só estou falando essas bodegas porque a porta está trancada, não sou louca.

– ABRE ESSA PORRA CLAIRE. EU VOU TE ENSINAR A FALAR DIREITO COMIGO — eita carai, me fodi.

– Agora eu vou tomar banho, tchau papai — corri pro banheiro e fui me banhar.

Tranquei a porta do banheiro também, não sou trouxa, vai que ele arromba a porta do meu quarto. Demorei no banho porque eu não queria descer. Coloquei a roupa da escola e peguei a mochila. Desci as escadas devagar, ele não estava na sala. Eu estava faminta, então fui devagar até a cozinha e peguei um maçã quando me virei dei de cara com o traveco do meu pai.

– Com licencinha, que eu preciso ir pra escola — tentei passar por ele mas ele segurou meu braço.

– Você não vai pra escola hoje — ele parecia ter ketchup nos olhos, ou sangue.

– Nem posso faltar papai, tenho prova então, tchauzinho — ele apertou mais ainda meu braço e doeu.

– Você não vai a lugar nenhum até eu te dar uma boa surra, sua vadia — senti o suor descer pela minha vertebra. Olhei pro lado e tinha uma panela de molho quente, peguei e joguei nele. Ele gritou igual mulherzinha e eu corri. Mas ele é rápido por demais. Correu atrás de mim e me puxou. Eu estava com medo, com muito medo — OLHA O QUE VOCÊ FEZ! — nem preciso falar que ele gritou né. Senti sua mão pesada no meu rosto e cai sentada no chão. Meu rosto começou a queimar, as lagrimas descia pela bochecha e ardia mais. Tentei levantar mas eu estava tonta — Eu vou acabar com a sua vida — ele tirou o cinto e eu ouvi alguém abrir a porta.

– Claire você está bem? — era o Ben. Oh Ben, meu amado veio me salvar. Corri e abracei ele.

– Me tira daqui por favor — eu implorei e vi meu pai vindo me bater de novo.

– Vem — ele me puxou e me jogou dentro de um carro. Meu Deus que carro em. Ele saiu fazendo fumaça e meu pai ficou gritando igual uma bixa louca. Sequei as lágrimas e fiquei quieta — O que aconteceu? Ele te bateu?

– A gente brigou mas ele não me bateu não.

– E porque você estava chorando quando eu cheguei, e essa marca no seu rosto? — porra fudeu.

– Eu não estava chorando, e isso foi o Kevin — não sou boa em mentir.

– Seu cachorro tem mão agora? Porque está a marca de uma mão — abaixei a cabeça, porque eu não queria falar — Não precisa falar se não quiser — continuei no meu estado depressivo — Mas você não pode ir para escola assim, está ficando roxo. Eu vou te levar pra cuidar disso — continuei quieta e ele foi manobrando aquela máquina linda.

Chegamos numa casa linda, bem grande e com gramado impecável, estava até com dó de pisar nele. Ele estacionou e entramos.

– Fica ai que eu já volto — ele saiu pra algum canto daquela casa enorme e eu me sentei naquele sofá que mais parecia uma cama de tão macia, tirei meus tênis e me acomodei.

– Seu sofá é melhor que a minha cama — falei quando vi ele cruzar a sala com uma caixinha com uma cruz vermelha. Bem gay. Me sentei e ele começou a mexer na caixa me deixando impaciente.

– Achei — ele pegou um algodão e passou num liquido bonitinho e passou no meu rosto.

– Ai porra, isso arde — o tapa doeu menos que isso.

– Tenho que passar pra sair esse vermelho/roxo, tanto faz — toda vez que ele encostava o algodão eu dava um gritinho de dor — Para de gemer porra.

– Mas está doendo — falei manhosa.

– Desculpa, vou passar devagar — rapaz, num é que se fazer de songa da certo?! Tenho que fazer mais vezes.

– Ben? — vou dar uma de songa de novo — Será que eu posso ficar aqui uns dias, só até minha mãe chegar de viagem. Se eu ficar em casa com o meu pai ele vai me matar — inventei que minha mãe viajou só para ficar uns dias naquela mansão. O mais longe que minha mãe viaja é pro centro da cidade. Fingi que ia chorar de novo pra comover ele.

– Claro que pode eu vou falar com o meu pai e ele vai deixar com certeza — ah cara eu estou adorando isso, acho que vou ser songa pra sempre, posso ficar rica assim.

– Obrigado Ben — falei e dei um beijo na sua bochecha bem perto da sua boca e ele ficou todo sem graça, e eu ri. Que bobão.

– Vou pegar alguma coisa pra gente comer — já estou vendo que vou adorar ficar aqui.

Ele logo voltou com um monte de guloseimas e eu me fartei de tanto comer.
Comemos e ele colocou um filme chato lá na tv e eu dormi o filme todo.
Acordei e não vi o Ben me levantei e senti que não estava mais no sofá olhei para os lados e vi um espelho enorme, chega me assustei. Fui até o banheiro do quarto e lavei o rosto. Lá fora ainda tinha sol, então era cedo. Desci as escadas cambaleando e acabei rolando a metade da escada. Me levantei com dor na bunda e fui procurar a Susie.

– Susieeeeee — gritei no meio da sala e nada do palmito. Fui até a cozinha e tinha comida na mesa, comi um pouco e deixei a sujeira lá.

Já estava me sentindo suja. Fui até o quarto do Ben e procurei uma camiseta grande dele, e todas eram grandes. Peguei uma vermelha e entrei no banheiro. Tomei um banho de 30 minutos, água boa da peste.
Sai do banho e coloquei a blusa dele e uma cueca de bob esponja que achei, acho que era dele quando criança. Vou zoar ele pra caramba. Até que ficou bonitinha em mim, coube direitinho. Desci e ele chegou com sacolas de compras.

– Benzinhoooo, que saudades! — abracei ele que estranhou.

– Porque está carinhosa de repente? E porque está com a minha camiseta?

– Já que estou na sua casa tenho que ser legal, e você me salvou lá. E eu estava querendo tomar banho e não tenho roupa, aí eu peguei isso — apontei pra blusa.

– Você tomou banho pelada no meu quarto?

– É normal as pessoas tomarem banho peladas sabia?

– Porra, e eu não tava aqui pra ver — tarado.

– O que você trouxe? — peguei as sacolas e só tinha verduras — Eca.

– Meu pai mandou eu comprar — que bom.

– Falando nele. Que horas ele chega?

– Lá pra noite — acenti e peguei meu celular. Digitei uma mensagem para minha mãe falando que eu não ia para casa enquanto o papai ainda estivesse nela. E disse que ficaria bem.
Ela não respondeu. Ótimo, eu amo vácuos mesmo.

– Tá fazendo o que? — Susie curiosa.

– Conversando com um gatinho aqui — mordia o dedo tentando parecer sensual.

– Não faz essa cara, se não eu vou ser obrigado a fazer coisas que você não vai gostar — ele se aproximou de me prensou contra a parede com aquele peitoral másculo. Ele deve fazer umas 500 abdominais por dia, não é possível.

– Tem certeza que eu não vou gostar? — definitivamente não me reconheço mais.
Ele me prensou mais e eu olhei para seu peito e ele sorriu convencido. Segurou em meu pescoço e puxou minha cabeça, para um beijo incrivelmente incrível. Ele fazia movimentos sinistros com a língua na minha boca e isso era muito bom. Ele sugou meu lábio inferior e o mordeu, e eu arfei sem querer. Ele me pegou no colo e me colocou deitada no sofá. Ele desceu os beijos para o meu pescoço e eu me arrepiei igual uma ostra.

– Ben... — falava em meio aos suspiros — Para Ben... — tentava falar mas ele estava me tirando suspiros longos. Consegui ficar por cima dele e continuei a beija-lo, o beijo dele era tão bom, era difícil resistir. Ele passou as mãos na minha bunda, que ficou a mostra com sua cueca do bob esponja. Ele deu um tapa estalado e eu gemi no meio do beijo. Porque eu estou fazendo isso? Ele apertou minha bunda e eu me esfreguei nele. Beijei seu pescoço e ele tentava tirar minha camiseta pra ver meus seios. Eu só posso estar louca, o que eu estou fazendo? Me dei conta da estupidez que eu estava prestes a fazer e me levantei tonta pela excitação que ele me fez sentir.

– Preciso mijar — falei e fui andando para cozinha.

– Ah Claire. Eu sei que você quer, volta aqui — ele veio atrás com as sacolas.

– Quer o que moleque? Ir no banheiro? Eu quero mesmo.

– Você sabe do que eu estou falando. E aliás o banheiro não é pra cá.

– Não quero ir mais no banheiro. Quero que você me leve em casa pra eu pegar umas roupas.

– Eu ainda te mato — falou pegando a chave da sua máquina do outro mundo.

– Não se eu te matar antes.