Blue bird
1 Sejam gafanhotos
Notas iniciais
Bem, é uma one-shot que pode ficar um pouco sem nexo quando você não conhece suas origens e etc. Mas, enfim, Ícaro Newerland é um semideus, filho de Eos a deusa do amanhecer. E também é vingador de Nêmesis. Esses poderes e nomeações veem de um rpg que eu jogo e tals.
Era um belo e tranquilo dia para Ícaro. Há muito o vingador não tirava um dia para si próprio, um dia sem missões ou confusões, um tempinho para ficar no chalé somente descansando. Entretanto, o descanso de Newerland não tardou até ficar tedioso dentro daquelas quatro paredes apertadas. O semideus suspirou. Ainda estava um pouco debilitado da última luta, mas já devia saber que seus instintos nunca o deixariam descansar por tempo o bastante.
Após vestir seu boné de pokémon e pegar uma de suas luvas — que ele não sabia distinguir qual de suas duas espadas era — o garoto pôs-se a passear pelo acampamento, procurando algo para se entreter. Descartou rapidamente hipismo, após lembrar se sua última e longa viagem até a Grécia pelos céus, e dirigiu-se — finalmente — à arena.O lugar onde semideuses e monstros se encontravam para se matar ainda estava do mesmo jeito desde a última vez que o vira. A conversa alta das pessoas que comentavam as lutas da arquibancada, os barulhos contínuos do tilintar de espadas e escudos, um grito ou outro de desespero quando os monstros acabavam por encontrar sua perdição. Estava tudo igual mesmo.Ao se aproximar do instrutor, este lhe veio com uma novidade.– Hey, Ícaro. Tenho algo novo para você. – Novo? — indagou o menino do alvorecer.– Sim, um monstro raro e meio perigoso, acho que vai gostar de enfrentá-lo. — falou o filho de Ares, assim que deixou uma garota lutando contra uma harpia numa das mini arenas do lugar.– Claro que sim. — sorriu. — Apenas me leve até ele então.Com um aceno de cabeça a prole da guerra guiou o outro semideus até um portão de ferro. Do outro lado do portão — por incrível que pareça -, o monstro oculto lá não se debatia ferozmente contra a porta, como era o costume da maioria dos outros.– Que monstro é esse, cara? — a prole do amanhecer falou enquanto observava o outro semideus armar as correntes em volta do portão, num círculo, para formar uma pequena arena só para o vingador e o monstro misterioso.– Só fique no centro da arena, seu medroso.Ícaro sorriu, pegando a luva e ativando-a, vendo Dusk tomar forma em sua mão e segurando-a — em guarda -, frente à porta.– Cuidado aí, okay? Ouvi dizer que as armas naturais dessa coisa são bem afiadas.Assim que o instrutor terminou de arrumar tudo, o mesmo se aproximou da porta e a abriu fazendo a luz entrar mais um pouco nela, entretanto ainda não era suficiente para iluminar o fundo da "cela" do monstro. O filho de Ares saiu calmamente de dentro do círculo, mas ficou por perto a observar.Alguns segundos se passaram e o vingador nada viu além daquele fundo negro a sua frente, chegou a cogitar que a criatura talvez tivesse morrido lá dentro. E foi então que um frio agudo lhe subiu pela espinha, era o conhecido frio de quando seus instintos lhe alertavam sobre o perigo. Newerland mal poderia distinguir a fina lâmina branca voando em direção a ele, se não fosse o ligeiro brilho que ela fez ao refletir a luz solar.Trash.Fez a lâmina de gelo ao se quebrar e espalhar um fino pó frio no rosto de Íca. Nesse momento, ele se amaldiçoou mais que tudo por não ter trago o escudo, olhou para trás por um segundo. Se não fosse o elmo rapidamente armado em sua cabeça, provavelmente um semideus iria se ferrar ali atrás.Outra lâmina.O porquê das armas não estarem hesitando contra o vingador ele não fazia ideia, mas sabia que aquilo poderia ser muito perigoso para os campistas logo atrás dele. O mais rápido que pôde, o seguidor da vingança fez suas asas surgirem e as jogou para frente em posição defensiva. A tal lâmina por pouco não ganhara da defesa de Ícaro em velocidade, na verdade, ganhou. A primeira asa só conseguiu bater no projetil de lado, desviando seu curso e dando a oportunidade para a segunda se fechar por debaixo da primeira asa.Com a elas ainda por cima do corpo, o filho do amanhecer pôs-se a correr às cegas em direção à cela escura. Mal deu dois passos e já foi atingido por mais três projeteis certeiros nas duas partes das asas onde cobriam-lhe o peito. Se continuasse daquele jeito... E então o som de gelo batendo em gelo soou perto do ouvido esquerdo do garoto. O frio da lâmina no ombro do garoto se misturou com o calor do sangue a escorrer, e — claro — a velha e conhecida dor.Desgraçada!O vingador xingou mentalmente. Se não ia sair dali por bem, então, iria sair por mal. Abriu as asas e encarou a escuridão do outro lado, a coisa provavelmente o encarava também.Morra.O barulho de metal ecoou de dentro daquele pequeno cômodo escuro. As armas que surgiam do chão vieram aparecer até mesmo no portal do quartinho, mas antes que elas subissem o suficiente, um vulto branco voou para fora. O corpo branco azulado encarou o semideus, segurando partes do que pareciam ser seu próprio corpo.– Deixe de covardia e lute como um... — e parou para pensar na besteira que ia falar. — Lute com honra.
Talvez a coisa tivesse mesmo honra, ou talvez estivesse só desafiando Íca a ganhar dela num corpo à corpo. A questão é que ela largou os cacos de cristal no chão, e estendeu a mão, congelando até mesmo a umidade do ar em volta, formando uma foice alva e brilhante.A prole do alvorecer fechou os olhos e se concentrou por um segundo, procurando energias positivas. Não era hora para se irritar, afinal, tinha uma boa luta pela frente. Num longo salto para frente, o semideus disparou para cima do monstro, menos de meio segundo por passo e — quase que instantaneamente — ele já estava a centímetros do elemental.O gume de Dusk chocou-se fortemente contra a arma do oponente, o garoto empurrava a espada para testar a força do adversário enquanto observava que não havia ponto algum sem fio de corte, não só no equipamento, como no corpo inteiro do monstro. Bem, ele tinha força, e inteligência, com um giro de mão fez a ponta da arma apontar para o pescoço do vingador. E então, deixou que a espada avançasse para cima do corpo sólido e gelado, de modo que ela lhe atingiria bem no meio do peito, mas a lâmina dele também viria contra a lateral do pescoço de Íca.Dusk quicou duas vezes antes de parar aos pés do monstro de gelo, e a arma do mesmo passou direto pelo espaço onde Ícaro estava, somente tocando o nada. O vingador ofegou atrás do elemental, limpando o sangue que lhe escorria do corte no ombro. Era obvio que a arma do vingador causaria menos danos ao oponente do que o contrário. Mas então, como derrotar aquela coisa?"Vou lhe mostrar o meu calor então." falou mentalmente o filho de Eos, enquanto estirava a mão contra o monstro e tentava fazer com que a temperatura em volta dele oscilasse o máximo possível. A criatura pareceu se incomodar com o calor em excesso, virou para o filho da manhã e pôs-se a correr em sua direção.Cof.Tossiu Newerland por cima da palma da mão. Um liquido rubro lhe corria pelos dedos, estava machucado e usando poderes perigosos demais. "Me ajude, mãe." fechou os olhos se inspirando nas aves aliadas do alvorecer, aquilo lhe proporcionou — de certa forma — um pequeno conforto. Era uma maneira que os filhos de Eos tinham de se curar, o ferimento no ombro pareceu doer um pouco menos e do sentimento agradável sentido, fez o meio-sangue esquecer um pouco a desvantagem em batalha.O monstro estava perto demais, Ícaro era ágil e extremamente rápido, mas ainda não podia prever os movimentos do adversário... Ainda.O líder dos Vingadores nunca fora alguém — no geral — feliz na sorte, entretanto, naquele momento ele não poderia abrir a boca para falar de Nique. A conveniência na qual as esquivas contra os golpes do elemental passaram a ser antecipadas provavelmente lhe salvou a vida naqueles instantes. Um passo recuando e quase quebrar a costela a arqueando para trás, funcionou para impedir a lâmina da foice de rasgar-lhe a garganta. Um novo golpe — agora de cima para baixo — tão rápido, que Newerland conseguiu esquivar-se para o lado por muito pouco.Ao menos a foice se chocou fortemente contra o chão, fazendo a ponta se quebrar em mil pedaços. Com um único pedaço deformado de cristal na mão, o elemental viu o semideus dar um longo salto para trás começar a assoviar alto.Num instante, aves de tamanho considerável invadiram por cima dos muros da arena e voaram — ferozes — para cima do guerreiro de gelo. O monstro se abaixou e começou a coletar os pedaços de lâmina no chão. Ícaro se dobrou por cima do joelho em posição de corrida, observando os movimentos do adversário por um instante, e depois fechando os olhos, concentrado.O elemental pegou os cacos de cristal e os lançou rápidos e certeiro nas aves, causando uma chuva de pobre criaturas. A raiva era um sentimento mais que tentador a Newerland, enquanto ouvia suas invocações sofrerem, contudo ele não podia se descontrolar. Seu objetivo estava quase que terminado...A prole do amanhecer abriu os olhos — finalmente -, para ver sua última ave azul correr em sua direção, com Dusk entre as garras e o brilho de um projetil atrás. Outro forte pulo para frente, e Íca conseguiu tocar a ave levemente — por sorte, antes da lâmina.Até mesmo a pequena e assustada ave azulada, se surpreendeu quando apareceu aos pés do elemental de repente. Ícaro já tinha a espada em mãos, onde seu gume brilhava cintilava forte com fogo.Surpreendido, o monstro deu um pulo para longe, e Newerland — obviamente — tentou segui-lo, mas foi impedido pelos pés, que estavam incrivelmente congelados no chão. Num movimento impulsivo, o menino dos olhos âmbar lançou seu gladio inteiro, girando para cima do monstro ainda no ar. Em anos treinando com espada, e Ícaro nunca vira ninguém arremessar uma espada como ele próprio fizera ali. A arma girou forte e afiada como nunca, fazendo parecer que era um grande disco de fogo, um pequeno sol até.E o golpe acabou sendo efetivo. Atingindo fortemente a perna do oponente, algo que não fora feita para suportar o fio giratório de uma espada em chamas. O corpo da coisa já estava afetado devido ao poder de insolação de outrora, e por isso quando foi atingido, o "disco" por pouco não lhe conseguiu decepar o tornozelo.O inimigo pousou destrambelhadamente no chão com uma perna só, uma vez que a outra mal conseguia apoia-lo em pé sem trincar-se toda. "Agora você me paga." pensou Íca antes de começar a gritar alto, tão alto e fino que todo o gelo que lhe prendia o pé, começou a quebrar pela proximidade, e — para sorte do vingador — o tornozelo de seu adversário também.O guerreiro glacial cambaleou, enquanto o protegido de Nêmesis avançava rápido contra ele. O elemental ainda tentou criar alguns cristais na palma da mão, mas Ícaro foi mais rápido, fazendo uma intensa rajada de vento o atingir, tão forte que o mesmo foi arremessado no ar por metros até se chocar contra a parede de lado da porta de onde o monstro saíra anteriormente.A criatura tentava se levantar, a essa hora cada pedaço de seu corpo já devia estar cheio de rachaduras. Já o semideus, foi até onde sua espada estava largada no chão e empunhou-a — ainda brilhante — contra a o oponente. O pobre monstro ainda tentava se escorar na parede, quando o vingador chegou correndo para cima dele. A espada cintilante se chocou contra o seu pescoço num impacto devastador. Foi tão rápido e fervoroso o golpe, que conseguiu lhe deslocar quase metade da cabeça para fora do corpo. O elemental então, finalmente caiu. Estava acabado.O barulho compassado de uma palma solitária pode ser ouvido um pouco atrás do vingador, antes mesmo que ele terminasse sua luta. Alex — o instrutor — invadira a mini arena e esboçava um largo sorriso na direção do vingador.– E... É assim que se faz, pessoal. — falou para ninguém.– Desgraçado. — Íca soltou a respiração de uma vez. — De onde caralhos você vem me achar uma coisa dessas?
Notas finais
Obrigado pela leitura. :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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