Blue Velvet
1 Capítulo Único
Notas iniciais
A fic ficou meio "blah", mas espero que gostem mesmo assim!
Suas costas estão curvadas enquanto ele observa o céu. Deve estar com frio. O vento é gelado e cortante contra nossa pele. Constante.
A noite é escura quando as nuvens cobrem o luar, como hoje. Entretanto elas não podem cobrir tantas estrelas, e o brilho delas basta.
Não sei por que o estou observando. Não sei por que me importo. Mas já estou com um cobertor fino em minhas mãos, meus passos descuidados já devem tê-lo alertado de que há alguém por perto.
Tarde demais para voltar atrás.
Sento-me ao seu lado sem cerimônias e lhe estendo o cobertor. Ele deixa a surpresa perpassar seu rosto, mas apenas por uma pequena fração de segundo. Já estou me indagando se não foi minha imaginação.
Ele pega o cobertor sem dizer uma palavra sequer.
Também olho para o céu, em silêncio. Não quero ouvir agradecimentos, não dele. Pergunto-me o que ele está pensando. Parecia concentrado.
Ele suspira.
— Por que veio aqui? — ele finalmente rompe o silêncio, e por algum motivo fico desapontada.
Sempre que conversamos acabamos brigando, e por algum motivo quero estar ao seu lado, sem ter de brigar.
Dou de ombros.
O silêncio preenche o espaço novamente.
Sinto seus olhos sobre mim, mas não quero me mover. Sinto como se fosse uma escultura sendo observada, mas quero que ele me observe. Quero que ele goste do que está sendo observado.
Ele ri de repente, mesmo sem haver um motivo aparente.
— Nunca pensei que fosse dizer isso logo para você, mas... — ele respira fundo e olha novamente para o céu, e não para mim, quando diz — Me desculpe.
As palavras ecoam pelos meus ouvidos. Me desculpe, me desculpe, me desculpe. Por que ele está pedindo desculpas?
Estou perplexa, tentando encontrar respostas em minha mente, que parece nesse momento, uma caixa vazia.
Eu reviro cada canto, procurando por algo a ser dito, mas cada vez mais o espaço parece aumentar. O vazio aumenta.
Estou abandonada por minha mente, então apenas balbucio, como uma criança que está aprendendo as primeiras palavras.
Peter ainda não me olha, o que me deixa preocupada. Será que não estava pedindo desculpas para mim? Mas estamos sozinhos.
— Você não precisa dizer nada, se não quiser. Não acho que seja sua obrigação me desculpar, por mais que eu queira. Eu não mereço.
— O quê? — pergunto, achando que perdi alguma parte da conversa. Nada faz sentido.
Ele balança a cabeça e sorri.
— Não repetiria nem mesmo se você estivesse apontando uma arma na minha cabeça.
— Eu nunca apontaria uma arma para sua cabeça — eu penso, mas tarde demais percebo que falei.
Finalmente Peter me olha. Segundo seus olhos, ele está se divertindo.
— Talvez não para minha cabeça, mas o meu braço não pode dizer o mesmo.
Ele começa a mexer o braço enquanto toca no ombro, fazendo uma careta, como se estivesse sentindo dor. Eu ri de sua gracinha, então me dei conta de que nunca pensei que poderia estar rindo com Peter.
— Me desculpe — murmuro de repente, antes que possa me impedir de dizer as palavras.
Ele me olha surpreso, e dessa vez a expressão permanece em seu rosto.
— Você não me deve desculpas.
— Talvez eu realmente não deva, mas eu quero pedir. Eu não tinha o direito de atirar em você.
Nenhum de nós diz nada. Sinto minhas bochechas esquentarem violentamente.
— Olhe as estrelas — ele pede e eu obedeço.
Ele não me diz mais nada por um momento, então não sei o que fazer.
— Costumava observá-las todas as noites da janela do meu quarto quando era menor. Minha mãe me dizia que as estrelas nos guardavam, e que poderíamos pedir qualquer coisa a elas. Se o pedido valesse a pena, elas nos atenderiam.
Não sei se nesse momento ele faz um pedido, mas eu faço. Ajudem Peter. Não sei do que Peter precisa, mas ele decididamente precisa de algo, e eu não sei como ajudá-lo, talvez as estrelas saibam.
Aproximo-me dele minimamente, sem perceber. Estar perto dele me envolve em um prazer obscuro. Ele me humilhou e me machucou, mas eu também o humilhei e o machuquei. Como ele diria, estamos quites.
Não acho que as ações de Peter tenham sido por distúrbios. Peter não é inconsequente. Estávamos competindo, ele estava tentando ganhar vantagem. Eu o entendo.
Posso estar me diminuindo, ou algo do tipo. Mas não me importo. Me importo com Peter, e em estar ao seu lado. Não sei desde quando sinto isso, mas agora tenho certeza.
Olho para ele e percebo que ainda há mais a ser dito.
— Eu tinha uma irmãzinha, ela estava doente. Todas as noites eu pedia para que ela fosse curada, mas ela não foi. Morreu com apenas seis anos. Eu não entendia. Achava que o pedido era bondoso e importante o suficiente para ser realizado, então me revoltei. Percebi que todos morrerão, de qualquer forma, com pedido ou sem, então nada mais importava. Enquanto eu durasse por mim tudo bem, os outros que fossem se danar.
Ele começou a chorar. Eu não esperava por isso, então não sabia como reagir.
Passei um braço ao redor de seu ombro, incerta. Quando Peter encaixou sua cabeça em meu pescoço percebi que talvez ele me quisesse tão desesperadamente quanto eu o queria.
O apertei mais forte contra mim mesma. Ele cheira a sabonete caseiro, e hortelã, talvez.
Quando olhou para mim percebi que ele se sentia fraco, envergonhado.
— Por que não faz outro pedido? — pergunto.
Ele observa as estrelas. Fico chateada por um momento, não queria que ele tirasse seus olhos de mim.
Sinto correntes elétricas passando pelos meus dedos conforme os passeio por seus músculos. Minha outra mão já está em seus cabelos, tão macios.
Peter fecha os olhos. Um longo suspiro escapa de seus lábios. Sua mão pousa em minha coxa. Sinto meu sangue ferver, e meus batimentos cardíacos irem a loucura.
Seus dedos me apertam de leve. Seus olhos se abrem.
— O que pediu? — sussurro com a voz fraca e xingo a mim mesma por deixar transparecer tão facilmente minha fraqueza.
— Você — ele sussurra enquanto se ajeita. Seus olhos já estão na mesma altura dos meus.
Mesmo na escuridão percebo. Seus olhos estão tão azuis quanto veludo. Olhos encantadores, chamativos. Só não tão chamativos quanto seus lábios, nos quais meus dedos tocam. Ele fez um pedido muito simples que não iria precisar da interferência das estrelas. Eu serei dele.
Seus olhos estavam azuis como veludo quando me beijou pela primeira vez.
Notas finais
Bom, obrigada para quem leu, de qualquer forma :3
Beijos ♥
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