Blue Scorpion And Red Aquarius
9 Capítulo 9 O QUE REALMENTE IMPORTA...
Saga entrou no quarto do hotel sem sequer dar-se ao trabalho de acender a luz. O desespero de lembrar as palavras de Camus e pior, saber que elas refletiam os sentimentos do francês, atravessou seu corpo e, mesmo assim, ele havia mantido sua máscara de invulnerabilidade e o deixara com um sorriso cínico nos lábios junto à promessa que tornariam a conversar quando aquela maldita convenção terminasse.
Nunca tinha se sentido tão só quanto agora...
Mentira! Sempre fora só e aprendera a agir de forma a mascarar essa condição e sentimento.
Filho de um importante advogado, ele crescera cercado de luxo, cultura e pouco afeto. Sua única companhia constante era o irmão gêmeo, Kanon e, mesmo ligado a ele, houve um momento em que a intimidade que se estabelecera entre os dois foi além do que ele podia suportar, então surgiu sua salvação, um novo interesse, uma nova paixão chamada Camus...
E mesmo assim, ele continuava totalmente solitário... Uma voz falou em sua mente.
Houvera época em que ele agora estaria planejando algo para dar a volta por cima, mas naquele exato momento, sentia uma pontada de dor. Uma dor verdadeira por saber que Camus jamais esquecera Milo e que, apesar de todo o seu empenho em apoiá-lo, em saber-se mais culto e preparado que o grego, ele era descartado como se fosse um nada!
Você nunca foi amado... Mesmo com toda a perspicácia e empenho, ele preferiu o grego pobre e fanfarrão!
— Uma ova! – ele grunhiu e deu-se conta que não estava só.
— Hummmm... Você demorou. Pensei que não ia vê-lo hoje. – disse uma voz sonolenta e rouca.
— Kanon! O que está fazendo aqui?
— Esperando você... Não o vi no jantar. Onde estava?
— Fui falar com Camus.
— Ah, e pelo jeito algo deu errado. – disse Kanon acendendo a luz do abajur e levantando-se da cama.
Saga notou que ele estava nu e estreitou os olhos. Ver o irmão em seu quarto e exposto, daquela forma, fez com que seus sentidos experimentassem um ligeiro tremor. A cena refletia o passado permeado de prazer, pecado e perigo, tudo ao mesmo tempo.
— Por que está desse jeito? – perguntou Saga.
— Porque acabei de tomar um banho e estava com saudades suas! Esse lugar me fez recordar certas coisas... – respondeu Kanon se aproximando de Saga.
O advogado olhou o corpo bem proporcionado do irmão, notando as diferenças de quando eram adolescentes. Kanon amava esporte e seu corpo era malhado, com a musculatura demarcada e a pele bronzeada, testemunhando o gosto do irmão pelo sol.
Ele se deteve na superfície dura do peito e os mamilos escuros que mostravam excitação e engoliu em seco ao se deparar com o súbito ímpeto de baixar a cabeça e sugá-los como fizera muito tempo atrás...
Como se lesse a mente do irmão, Kanon aproximou-se ainda mais e antes que Saga pudesse abrir a boca para protestar, ele o puxou para si e o beijou mordiscando o lábio inferior e instando-o a abrir a boca.
Afaste-se! Gritou uma voz no fundo da mente de Saga, porém seu corpo ansiava por consolo, por prazer e ele entreabriu os lábios e mergulhou fundo com a língua, misturando a sua à de Kanon. Entregando-se àquela boca tão conhecida e tão diferente, agora.
O beijo tornou-se voraz e profundo com Saga mergulhando os dedos nos cabelos sedosos de Kanon, enquanto ele apertava o corpo junto ao seu e roçava o falo túrgido em sua virilha.
As roupas de Saga iam sendo arrancadas sob o toque forte de Kanon que não deixava de envolvê-lo em seus braços fortes. Suas mãos passavam pela cintura, depois abarcavam as nádegas para levar Saga bem junto de sua ereção e provocá-lo.
Enquanto Saga fechava os olhos sob aquele ataque sensual e inesperado, Kanon sugava a curva do pescoço do irmão e depois descia até os mamilos enrijecidos, fazendo-o sentir o hálito quente em sua pele pulsante e varrendo qualquer tentativa de autocontrole do mais velho.
— K-Kanon... P-Pare... – gemeu Saga, buscando forças para interromper aquele vendaval de emoções e sentindo que as lembranças rodopiavam em sua mente, mesmo que tentasse negá-las.
— Você quer mesmo... que eu pare? – perguntou Kanon sugando e circundando com a língua um mamilo entre os lábios quentes e umedecidos.
Saga estremeceu dividido entre as lembranças de sua adolescência e a decisão de romper com aquele vínculo incestuoso que chegara a ser uma obsessão. Agora eram homens, ele repetia a si mesmo. Mas era tão bom senti-lo e fazia tanto tempo...
Tempo demais!
Ignorando a hesitação de Saga, Kanon deitou-o na cama macia, colocando-se sobre ele. Excitado, abriu as pernas do irmão deslizando os dedos na pele firme das coxas, acima e ao redor até que suas mãos fortes abarcaram as nádegas, trazendo-o para si.
Levantou uma das pernas dele e a colocou sobre seu ombro, lambendo-o intimamente e tomando seu falo inteiro dentro da boca. Exaurido de todas aquelas sensações de prazer, Saga jogou a cabeça para trás e arqueou as costas, arfando rouco e apertando os lençóis em desespero.
Kanon o acariciava sensualmente, deixando seus dedos longos deslizarem pela parte interna da virilha antes de introduzir um deles dentro de Saga, arrancando dele um gemido alto e longo. Então, como se estivesse liderando uma tortura prazerosa, substituiu o dedo pelos lábios e introduziu a língua, umedecendo-o e fazendo-o contrair-se de prazer.
Saga ainda pôs as mãos nos ombros de Kanon para afastá-lo, mas ele começou a sugá-lo e ele ficou com os joelhos trêmulos. Agarrou-se, então, à cabeça do mais novo e seus dedos se enroscaram nos cabelos escuros e sedosos, apertando-o junto a si, estimulando-o a continuar apesar de, em sua mente, gritar para que ele parasse.
Para que ele mesmo tivesse forças e impedisse.
Ele era o réu neste caso. Fraco. Entregue. Dominado. Ele já percorrera aquele caminho antes e, muitas vezes. O resultado era sempre o mesmo. Fome pelo corpo do irmão e um amor obsessivo que podia fazer cair a sua máscara de homem racional e lançá-lo no pântano dos sentimentos sem controle.
Sua ambição não permitia essa fraqueza, então surgiu... Camus. Alguém que lhe despertou uma paixão erótica, permitindo que ele rompesse aquele vínculo e construísse outra identidade.
Porém, Kanon jamais fora esquecido, apenas trancafiado dentro de si e agora, fragilizado, ele não tinha forças para impedi-lo de sair...
Vencido, ele abriu mais as pernas e trouxe Kanon ainda mais para junto de si.
Seu irmão provou e saboreou, golpeando sua boca com a língua e se enterrando fundo em seu corpo, deixando-o fora de si, envolto numa torrente de dor e prazer que parecia não ter começo, nem fim.
Kanon movia-se com força, mas também com cuidado. Diferente de Camus, ele amava o irmão com intenso e estranho fervor, demonstrando isso nas carícias ávidas e no conhecimento de cada zona de prazer do corpo que explorava com forte, mas delicada luxúria.
Tinha sido ele que, anos antes se entregara à Saga sem dúvidas ou pudores. Desejava-o e amava-o tanto que, mesmo ao ser repudiado, continuava ao lado do irmão, apoiando-o e suportando sua relação com Camus. Entretanto, intuindo que a relação entre os dois estava por um fio, era a vez dele dedicar-se ao prazer de reconquistar seu lugar...
— Feche os olhos... – Kanon murmurou. – E lembre-se de como era bom entre nós dois.
A ordem retumbou na cabeça de Saga e ele, finalmente, se entregou por completo, enquanto Kanon lançava a cabeça para trás gemendo alto e rouco ao sentir o irmão tão quente e apertado, pulsando ao redor de seu membro.
Ambos arquearam o corpo, fundindo-se num erotismo veemente e inexorável. Todos os músculos do corpo de Kanon ficaram tensos e ele estocou várias vezes, usufruindo do delicioso prazer de mergulhar dentro do corpo ardente do irmão até tocá-lo tão fundo que os gemidos de prazer se tornaram sólidos e palpáveis como o suor vertendo pelas peles em brasa...
Alucinado, Kanon saiu de dentro de Saga para preenchê-lo uma vez mais e estremecer, quase convulso ao ser acolhido pelo gozo. A mente dele se esvaziou num branco tão brilhante como a neve dançando nas primeiras horas da manhã e ele explodiu, derramando-se dentro de Saga e sentindo o sêmen quente do irmão banhá-lo no abdome, ao mesmo tempo.
Ficaram agarrados um ao outro por um longo momento, tocando, beijando até desabarem exaustos, lado a lado.
Kanon sorriu e tocou, suavemente, o rosto de Saga:
— Senti saudades... — disse ele rente aos lábios inchados do irmão.
— Eu também. – respondeu Saga fechando os olhos e usufruindo da sensação prazerosa de ser amado.
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O sol brilhava no céu de um azul profundo, fazendo o gelo brilhar como pequenos diamantes e dando uma aparência de glacê às árvores e arbustos. À distância, os montes cobertos de neve, cercados de montanhas mais altas, completavam o cenário que acolhia os executivos, naquela manhã.
Shaka e Milo estavam dividindo os grupos de trabalho e foi o grego que orientou a distribuição nos grupos.
— Bem, bom dia a todos! Espero que tenham tido uma boa noite de sono. – disse ele sorrindo, embora ele mesmo não tivesse dormido mais que algumas poucas horas e nem estivesse com disposição para sorrir. – A pauta de hoje é: Cooperação e partilha de experiências no mundo dos negócios. Bem, nós os avisamos para vestirem roupas confortáveis e agora vamos dividi-los em dois grupos. Um vai comigo, Ikki e Shun e o outro vai com Shaka, Seiya e Shiryu. Cada grupo vai vivenciar um tipo de experiência e depois partilhá-la. Após o término do tempo em cada atividade, trocamos e o outro grupo vivenciará a experiência que foi partilhada, até todos terem vivido as mesmas experiências. Por enquanto, só o que ambos os grupos saberão é que as atividades se dividem em: repouso ativo e atividade ao ar livre.
— E como os grupos serão divididos? – perguntou uma voz grave que Milo, imediatamente reconheceu.
Camus estava atrás de Aldebaran e, ao ouvir a proposta de Milo, revelou-se. Estava vestido de maneira informal com um abrigo folgado e botas para andar na neve. Perto dele, além de Aldebaran estavam Saori, Jamian, Saga, Kanon e Guilty.
Milo olhou-o dentro dos olhos de forma direta, porém sem demonstrar emoção. Explicou que a divisão tinha sido feita observando-se os perfis de cada um e suas experiências profissionais.
— Aldebaran, Saga e Jamian vem comigo. Kanon, Guilty, Saori e você... quer dizer, o senhor, vão com Shaka. – respondeu Milo, sério.
Com um movimento bem natural, após responder a Camus, Milo chamou Aldebaran e apontou para o sudeste.
— Rapazes, o Deba aqui vai ser o primeiro a desbravar a surpresa que preparamos para esse grupo. Sei que ele possui experiência em escalada, então lá vamos nós.
Jamian sorriu e Saga franziu o cenho, embora se pudesse notar certa tranquilidade nele em estar afastado de Camus, depois do que ele lhe dissera. O francês mostrou-se tranquilo, embora por dentro ficasse incomodado em ter sido chamado de “senhor”, enquanto Aldebaran era chamado de forma íntima.
Shaka organizou seu grupo em torno de uma grande área aberta e indicou a atividade que fariam: passeio de teleférico com o simples objetivo de apreciar a paisagem e gravá-la em suas mentes. Era preciso que cada um observasse os detalhes mais diminutos ou insignificantes e, ao mesmo tempo, desfrutassem do passeio.
Com os olhos fixos em Milo, Camus observou-o juntar-se ao seu grupo e ignorá-lo por completo. A expressão do ruivo não entregava nada, porém sentiu-se abalado com a atitude que lhe era peculiar, mas que jamais vira em Milo: frieza e indiferença.
— Vamos, Camus? – falou Shaka tirando-o de seu devaneio.
— Claro. Perdoe-me, eu estava distraído. – respondeu o francês.
Os grupos partiram com seus líderes e a maratona começou.
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O tempo voou e tinha se passado três horas quando a natureza resolveu pregar uma peça... O céu, antes claro tornou-se cinza escuro e Shaka, imediatamente, organizou o grupo para voltarem para o hotel. Ao chegarem, notaram o movimento dos proprietários que pareciam um tanto apavorados.
— Essa tempestade não estava prevista! Tínhamos confirmação da previsão por satélite que o tempo ficaria bom todo o dia! – falou Marin preparando-se para enviar mensagens através do rádio
Preocupado, Shaka tratou de reunir o seu grupo e propor uma roda de meditação para acalmar oa ânimos, enquanto Bowan e Marin tentavam comunicar-se com estações de guardas-florestais próximas ao local onde Milo fora com seu grupo.
Enquanto o grupo de Shaka estava seguro e aquecido, buscando uma postura mais calma, Marin exibia uma expressão tensa e preocupada. Quando ela colocou o telefone de volta no gancho, Camus adiantou-se perguntando:
— O que há de errado? Não conseguiram avisar Milo?
— Ele foi avisado, mas...
— Mas o quê? – falou Camus.
— Eles estavam voltando para cá, mas houve um acidente...- disse ela séria e pálida.
— Acidente? Mas como?
— Pelo que eu entendi, Milo deu-se conta que algo estava errado e estava retornando quando alguém perdeu o equilíbrio em um trecho íngreme em Scoran e caiu em uma fissura. Quando não obtiveram respostas aos gritos, Milo decidiu descer atrás dele com uma corda e um colete. O homem que caiu estava inconsciente e Milo ajustou o colete e a corda para que Adebaran e Ikki pudessem içá-lo. Mas as pedras soltas sob a neve e o gelo tornam esse tipo de operação particularmente perigosa e Milo decidiu subir junto. Eles já estavam quase no topo quando o vento deslocou um grande pedaço de neve e o gelo se soltou e caiu levando algumas pedras junto. Milo conseguiu proteger o homem ferido, mas foi atingido e caiu.
— Caiu? Alguém viu se ele caiu... em alguma saliência ou ficou preso pela corda?– perguntou Camus com a voz firme, mas trêmulo por dentro.
— Isso eu não sei dizer, mas Ikki e Aldebaran estão chegando com Jamian e o homem que se feriu. Eles poderão contar direito como foi. – disse Marin.
Fazendo a contagem dos que integravam o grupo de Milo, quem se ferira só podia ser...Saga!
Imediatamente e sem dizer uma palavra, Camus foi até uma sala onde eram guardados os materiais básicos para escalada. Shaka o seguiu com o semblante tenso.
— O que pretende fazer? – perguntou o indiano vendo o francês armar-se com uma mochila, cordas, cordeletes e outros materiais, incluindo um kit de primeiros socorros.
— Trazê-lo de volta! – respondeu Camus.
— Sozinho? É temerário fazer isso sem o apoio de uma equipe de busca e salvamento, Camus. Você não pode ir lá assim, você vai...
— Não Shaka, eu não vou morrer. Eu tenho experiência em alpinismo e escalada em montanhas bem mais altas que estas. A temperatura vai baixar muito mais e se Milo está exposto, eu preciso achá-lo rapidamente.
— Você acha que ele vai resistir? E se ele estiver ferido? — falou Shaka tomado por uma angústia que só não era tão evidente, porque ele estava se controlando.
— Se tem alguém capaz de resistir... esse alguém é Milo. Agora preciso ir, cada minuto é precioso e devo encontrar Ikki e Aldebaran no caminho. Mantenha o pessoal unido e...reze por nós. Dê apoio ao Kanon, ele está muito silencioso e provavelmente aflito pelo irmão. – pediu Camus.
Mesmo sob os pedidos de Bowan e Marin para que esperasse a equipe de resgate, Camus embrenhou-se na neve e enfrentou a tempestade. Em seu íntimo, uma outra tempestade se formava em seu coração e em sua alma. A despeito de tudo que acontecera no passado, Camus, agora, sentia medo de perder o que realmente importava em sua vida...
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