Blue Rose
1 Prólogo
Notas iniciais
Mutação: 1: mudança, transformação; 2: alteração súbita de características genéticas, sem relação com os ascendentes, mas que pode ser herdada pelos descendentes ~ mutabilidade, mutatório, mutável.
Mutagênese: Processo que gera uma mutação.
Mutante: organismo, célula ou gene que sofreu uma mutação.
Sim, haviam várias definições para a palavra mutante. Muitas delas, não se encaixavam em nosso estilo de vida. Não sofremos mutações por meio de radiação ou algo assim. Bem, alguns de nós sim, mas isso não vem ao caso agora.
Desde que o governo – por meio de algum dedo duro – ficou sabendo de nossa existência, fomos caçados como animais que fugiram do zoológico. E então, mutantes foram considerados como alienígenas no país. Éramos uma forma de vida totalmente fora dos padrões humanos.
Alguns diziam que nos alimentávamos de pessoas inocentes, sangue humano, carne humana e que – praticamente – éramos canibais. O que era totalmente sem fundamento, já que parecíamos e agíamos como pessoas normais.
Como saber reconhecer um mutante? Você pode pensar que é fácil e que nós nos expomos assim, facilmente. Bom, fique claro que isso não passa de uma ladainha! Acontece que, por causa do sangue diferente e do DNA modificado, nosso cheiro é bem... incomum do humano. Temos o cheiro doce, amargo ou até mesmo com “sabores” dependendo da espécie.
Minha espécie? Não faço a mínima ideia, e nem quero saber tão cedo. A vida sempre fora justa com minha família. Antes, sentávamos a mesa, rezávamos, jantávamos e íamos dormir. Era simples e fácil. Tínhamos amigos, e uma família completa.
De que adianta ser feliz, se pode correr o risco de ir ao supermercado, e ser caçado por causa do cheiro?
Em uma época – devo acrescentar que distante da que estamos – de sofrimento para nossa espécie, vivíamos fugindo. Deixamos tudo para trás, e começamos a viver uma nova vida, mas o que não sabíamos, era que a coisa estava muito pior do que pensávamos.
As guerras aconteciam nas ruas mesmo. Os humanos tinham uma marca registrada nas janelas. Um símbolo específico e só deles. Eles – os humanos – mantinham-nas fechadas e o símbolo bem aparente.
Então, um dos nossos, resolveu enganar os oficiais, se passando por um humano. Comeu a mesma comida, riu da mesma piada, e dormiu no mesmo teto que eles, e então, os oficiais começaram a desconfiar.
O especial foi sentenciado à morte dois dias depois, e muitos dizem que ele ainda está por ai. Que não morreu.
Somos quase um Wolverine. Poderes extremamente letais a qualquer pedaço de carne que se enfiar em nosso caminho, e também tem o poder de “cura”. Não podemos morrer tão fácil assim. Sentimos dor como eles? Sim, e bota dor nisso, mas não quer dizer que o que foi ferido não se cure.
É quase como cortar um pedaço de bife duro com uma faca ruim. Você tenta, tenta e tenta, e depois de muito esforço e suor, cortou só um pouco. Somos assim. Um pedaço de carne letal.
O que mais me irritava nos humanos, era de que eles insistiam em pensar que sua inteligência era soberana, e a capacidade de nos exibir como monstros gigantescamente assustadores que caminhavam pela cidade sem serem vistos, e até mesmo camuflados.
Eu escolhi o caminho da paz, mas até os melhores acabam se dando mal, não é mesmo?
Quando tudo isso começou, eu levava um perfume na bolsa, e dava a desculpa que havíamos passado esse tal perfume feminino e extremamente adocicado. Funcionou por um bom tempo, até colocarem vários guardas nas lojas, e um bom punhado de placas dizendo: “mutantes não são permitidos aqui.” ou “mutantes não podem comprar as coisas nesta loja.” Isso era preconceito.
Tudo bem, nós podemos agir, por ora, como um bando de perdedores e fracotes nos escondendo, mas vai ter volta.
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