Notas iniciais
Espero que gostem da fic!!
Beijoooos,
Ju!

Havia algumas luzes passando por meus olhos, e pessoas estavam em cima de mim. Parecia que eu estava olhando tudo com os olhos fechados, e por mais que quisesse, não conseguia abri-los.

- Ela vai ficar bem? – perguntou um homem, grosso. – Não posso perder mais um deles.

A voz parecia estar longe e tão perto ao mesmo tempo.

- Ela só não morreu por causa de sua cicatrização rápida. Caso contrário, não estaríamos aqui, e sim no necrotério. – respondeu uma voz baixa e rouca pela idade. – Aconselho que o senhor fique longe dela quando Camila acordar.

- Por quê?

- Porque ela é única. Diferente de todos os outros. Tem uma força inimaginável e pode dilacerar um ser humano em segundos. – sussurrou a voz rouca.

Eu nunca machucaria alguém! Isso é um absurdo!

- Hoje iremos transferi-los para o castelo.

- Uhum. Daqui algumas horas ela acordará, então sugiro que você coloque as algemas, o colar de choque e o número de série.

O homem bufou baixo e senti uma pressão em meus braços e em meu pescoço. Abri os olhos vendo bolhas brancas vindo em minha direção, uma tontura atingiu-me, e um ponto de vertigem fez com que tudo voltasse ao normal. Da pior maneira, mas voltei.

- Para trás. – ordenou o médico, ou o homem armado, não pude distinguir.

- Onde está meu irmão? – perguntei com dificuldade.

- Ele está bem. – assegurou puxando meus braços para eu sentar na maca.

O homem vestia um jaleco e tinha cinco balas ensanguentadas nas mãos. Olhei feio para o baixinho que deu de ombros e descarregou a arma com desgosto.

Ainda estava desnorteada, e minha cabeça girava um pouco. Tudo parecia brilhante demais, e com um cheiro de formol, doença e morte.

- Você! – gritei apontando para o que carregava a arma. Percebi que meus punhos estavam presos em um tipo caixa, e minhas mãos ficavam de fora. – Posso saber por que atirou em mim? – perguntei grossa, tentando fazer com que minha voz saísse direito.

Ele carregou a arma novamente e apontou para mim.

- Mais respeito comigo, animal!

- O respeito tem que ser mútuo. Você me respeita, eu te respeito...

Não pude terminar de falar, pois ele me interrompeu.

- Ei, você é só mais um monstro que irá apodrecer naquele castelo imundo. E eu vou ficar aqui...

- Apodrecendo nesse emprego miserável. – rebati e senti-o mudar de pálido para um vermelho que denunciava sua raiva, em poucos segundo. – sem querer ser grossa, mas porque tanto ódio?

- Não é da sua conta. – gritou saindo da sala.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que o médico “barra” cientista bateu uma mão na outra e colocou o que parecia ser um rastreador, em meu tornozelo.

- Não ligue para Gordon, ele é rabugento assim, pois um transformador matou sua mãe. Ele vive aqui. A sua família está aqui.

Senti pena do homem por alguns segundos, mas depois me lembrei da dor das balas perfurando minha pele, e a dó se foi.

- Hmm... Vocês estavam conversando sobre um castelo. Sobre sermos transferidos...

- Vocês não podem ficar nos Estados Unidos. A não ser para proteger os humanos. – respondeu ele pegando um livro grosso. – Porque estavam se escondendo?

Revirei os olhos.

- Sério? – perguntei dando um sorriso extremamente ácido.

- Para evitar isso, é óbvio! – completei.

Ele suspirou.

- E se eu te contar um segredo?

- Hmm... O que? – perguntei entretida na maneira que ele falou.

- Eu sou um mutante também, mas por causa de minha inteligência avançada, deixaram que eu cuidasse dos mutantes que fogem. – ele se gabou.

Fiquei meio abobada, e depois irritada. Como ele tinha a ousadia de mentir para mim desse jeito?

- Mentiroso!

- Ok, não acredita em mim, não é?

- Não, não acredito.

Ele apertou a ponta do bigode grosso e preto, e sussurrou. Tão baixo, que de primeira vez pensei que ele estivesse falando com outra pessoa.

- Escolha um livro da prateleira.

- O que isso vai fazer você provar que é um mutante? – perguntei tentando coçar minha cabeça, mas estava inacessível no momento.

- Só escolha. – exigiu.

Eu apontei para um azul com capa de veludo e folhas emaranhadas e amarelas.

- Aquele.

Ele esticou a mão e, depois de algum tempo, o livro veio flutuando e tocou seus dedos.

- Hmm... Só isso?

- Eu não sou poderoso como você. – rebateu frustrado. – Meu pai era humano e minha mãe tinha o poder da telecinese.

- Uau! – menti. Odiava ver os outros tristes.

- Posso lhe pedir um favor? – perguntou.

- Claro.

- Camila, poderia abrir as asas? – perguntou formalmente.

- Por quê?

- Você é o primeiro mutante que contém asas, até alguns anos atrás, pensávamos que sua espécie estava em extinção. – sua voz parecia perdida no tempo. Muitas coisas pareciam passar descompassadas por seus olhos.

- Ok. – sussurrei meio desconfortável em reação aquilo. Não seria muito excitante ficar mostrando o que eu tinha nas costas para todos. Senti as penas rasgando o tecido da roupa que eu vestia, e percebi que me senti livre. Suas pontas chegavam a tocar de canto a canto a sala grande. – Se você contar a alguém cortarei sua língua fora, e doarei para quem precisa. – ameacei estreitando os olhos.

- Nem um pio.

O cientista estava paralisado e olhava para elas como se fossem a coisa mais bonita do mundo. Ele exclamou algo baixo e tocou minhas penas. Elas eram pontudas, quase como as de um pássaro, e eram tingidas com preto, marrom, cinza e branco em certas partes. Elas se encolheram por vontade própria e depois se esticaram mais ainda, como se estivessem orgulhosas da própria imagem.

- Ela é linda!

Ouvi a porta bater e pensei que fosse o vento, mas havia me enganado.

- O que diabos... – gritou um homem jovial apontando o dedo para mim.

- Experimentos, Joshua.

- Ah. O chefe não vai gostar nada, nada disso. – sussurrou ele fechando as cortinas e a porta. O tal de Joshua caminhou até mim e perguntou: — Que bicho você é?

Já estava pronto para xingá-lo, mas alguém me cortou:

- Da raça mais distinta de alados. Os magnolos. – respondeu o cientista por mim.

- Uhum. Seu irmão está na ala das crianças. Ele disse que se você não fosse para lá agora, iria explodir o prédio todo. – bufou Joshua.

Dei um salto e coloquei as asas de volta nas costas. Ele iria fazer um grande estrago!

- Onde fica isso? – perguntei gritando e apertando o colarinho do cientista que tremia por causa do choque.

Eu não o estava ameaçando, mas as circunstâncias não eram muito favoráveis para eu manter a calma.

- Segundo corredor, direita, esquerda, escadas do fundo! – respondeu sem ar.

- Obrigada... – soltei-o;

- King. Barnabé King – terminou o cientista sufocado.

Saí correndo pelo caminho que Barnabé me indicou e percebi que as luzes piscavam um pouco. Estava perto dali e precisava agir rápido. Rubens deveria estar assustado ou bravo.

Abri a única porta que havia ali e entrei. Crianças-mutantes brincavam, caiam, gritavam, atiravam umas as outras na parede – literalmente –, e no meio daquilo tudo, vi Rubens tremendo. Caminhei até ele e puxei seu braço, ele pulou e seu susto fez com que ele explodisse uma fileira de lâmpadas caras. Ficou silêncio e todos olharam para ele por um segundo, e começaram a rir logo após.

- Vamos embora logo, Mila! – sussurrou ele puxando minha mão bruscamente.

Corremos novamente pelo corredor e parei quando trombei com Barnabé.

- Você é louca? Os ônibus saem dentro de dois minutos e vocês ainda estão ai! – gritou ele.

- Dá pra se acalmar? – perguntei estressada.

Ele respirou fundo.

- Hey, King? – gritou uma voz fina vindo do corredor. – Esses são os mais novos hospedeiros? – perguntou ela aparecendo na luz fraca da lâmpada que piscava furiosamente.

Ela era loira e de estatura mediana, com os olhos cor ônix, e a raiz do cabelo preta, o que denunciava ele não era verdadeiro. O nariz pontiagudo e clarinho, o corpo escondido por trás de uma malha espessa e a faixa da arma que se posicionava pesadamente em cima de seus ombros, e caia mais pesada ainda em suas costas pequenas.

Ela bufou e mexeu o pescoço de um lado para o outro, fazendo um grande barulho de estralo. Uma agonia descomunal percorreu minha espinha dorsal, e eu fiz um barulho parecido com o de uma pessoa engasgando e começando a chorar ou... Algo assim.

- Sim, são os mutantes. Estava pedindo para que alguém lhes mostrasse o ônibus e onde eles irão sentar. – disse ríspido.

- Ok. Pode deixar comigo! Vamos lá? – perguntou doce. Sabia que por detrás da máscara de pessoa rude, todos tinham alguma compaixão por nós. Mesmo que fosse um ínfimo dessa compaixão.

Meu irmão pegou em minha mão e andou grudado em minha perna. Chegamos a um túnel interno e ouvi uma buzina lá de dentro.

- Vamos logo, Grayce! – gritou alguém.

- Já vai, Billy! – respondeu. Ela se abaixou para olhar para meu irmão e disse mirando dentro de meus olhos: — São horas de viagem, não tem comida ou água potável, vocês não podem fugir. As tornozeleiras têm um radar e qualquer lugar que vocês forem, estarão sendo vigiados. As armas têm um tipo de veneno que lhe deixa paralisado! Aconteça o que acontecer, sua espécie vem em primeiro lugar!

Fiquei sem entender.

- Só... Se cuidem, ouviram? – disse ela levantando.

- Obrigada Grayce. – sussurrou Rubens dando lhe um abraço na cintura.

- Vão logo. – murmurou ela apontando com a arma para o túnel.

Notas finais
Continua??
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.