Blue Ocean! (2ª Temporada)

11 Um Amor Que Nasceu do Ódio.


Notas iniciais
Espero que gostem ^^

– Atena? – A voz de Poseidon falhou.

– Poseidon – ela disse.

Nenhum dos dois parecia confortável. Todos deram um passo atrás, exceto eu. Atena aproximou-se de Poseidon, os dois encararam-se por alguns segundos. Poseidon suspirou de forma prolongada e Atena quebrou o silêncio.

– O que aconteceu entre a gente – ela começou. – Foi devido ao encantamento de Mors. Não ache que aquilo muda alguma coisa.

– Não se preocupe – ele retrucou. Repentinamente, todo o amor que Poseidon havia demostrado por Atena nos últimos dias parecia ter evaporado. – Eu não achei, nem por um momento. Afinal, por que a grandiosa Atena se permitiria gostar de alguém, além de si própria?

– Cale a boca, Poseidon! Eu não lhe dou o direito de falar desta forma comigo – ela gritou.

– Eu não preciso de sua permissão. Eu sou um deus! Eu faço o que eu quero, quando eu quero – Poseidon retrucou.

Os dois se aproximavam cada vez mais. Os outros se afastavam, mas eu e Afrodite sabíamos muito bem como acabaria aquilo tudo.

– Ora, Lord Poseidon, o que o senhor quer fazer, agora? – Atena ironizou.

– Eu quero beija-la!

– Você não pode – Atena retrucou.

– Não? – Poseidon segurou-a. – Então me impeça.

– Poseidon, não ouse! – Zeus interveio.

– Calado, irmão – Hades puxou Zeus para trás. – Todos nós estamos esperando isso.

– Não ouse tocar esses lábios em mim – murmurou Atena.

Poseidon puxou-a para perto e envolveu-a em seus braços.

– Eu sou o Lord dos mares, e ninguém pode me impedir de ter o que eu quero.

Eu podia ouvir a respiração ofegante de Atena.

– Não – ela sussurrou.

Poseidon recebeu aquilo como um convite. Ele tirou o cabelo dela de seu rosto e beijou-a. Ficaram em um movimento intenso durante alguns segundos, até que os dois separaram-se ofegantes. Afrodite agarrou-se ao meu braço e sussurrou no meu ouvido.

– Eu sempre soube que isso ia acontecer.

– Imaginem a minha felicidade – disse Mors. A voz dele ecoou por toda rua, não conseguia vê-lo, mas os deuses pareciam senti-lo, pois olhavam todos para o mesmo lugar. –, ao notar que meu papai encontrou o amor. Eu estava aqui, pronto para ataca-los e mata-los de uma vez, mas ai, quando eu notei, estava encantado com esse lindo casal.

Mors apareceu ao meu lado e apoiou-se sobre meu ombro.

– Eles são tão lindos – disse. Ele passou para o lado de Afrodite. – Por favor, não fiquem constrangidos com minha presença. Esse beijo foi... fofo, é assim que dizem, não é? Vamos, quero ver mais um beijo. Dite, Caio, por que vocês não demonstram um pouco da paixão fervente que está dentro dos dois?

Zeus rugiu.

– Ah, Zeus? Nem notei que estava ai. – Mors deslizou pela rua e parou na frente de Zeus. – Como vão os ares, amigão?

Zeus fechou o punho e tentou socar Mors, mas o deus menor segurou a mão do rei e balançou a cabeça em negação.

– Não é assim que se cumprimenta velhos amigos. – Mors abaixou a mão de Zeus e o abraçou. – Boa noite.

Atena avançou contra ele com sua espada em mãos. A deusa tentou atingi-lo com a espada, mas Mors segurou-a com as duas mãos e bateu o cabo no peito de Atena, que cambaleou para trás. Zeus tentou ataca-lo com o raio, mas Mors chutou sua mão e o raio caiu no chão. Enquanto o rei tentava pegar o raio, Mors chutou sua barriga e ele voou contra a parede da minha casa e, por pouco, não a quebrou. Hades tentou ataca-lo com o garfo, mas Mors desviou e segurou o braço do deus dos mortos, depois o atirou até o outro lado da rua.

– Que imaturidade – ele disse. Ele olhou para Poseidon e Afrodite. – E vocês?

Entrei na frente dele. Mors encarou-me confuso. Saquei minha espada.

– Você pode ser bom o bastante para destruir um reino – eu disse. Girei a espada na mão direita. –, mas eu não tenho medo de tsunamis.

– Você é irritante – Mors murmurou.

Ele avançou contra mim. Tentei atingi-lo com minha espada, mas seu joelho atingiu minha barriga e a espada caiu no chão. Curvei-me no chão e Mors ergueu-me pelo pescoço. Eu tentava lutar, mas não conseguia. O deus apertava meu pescoço e sorria friamente.

Eu estava preparado para morrer, quando uma rosa passou pelo lado do meu ouvido direito e explodiu contra o peito de Mors, que voou para trás e bateu contra minha porta, parando no meio da sala.

– Você é incrível, Dite. – Mors limpou o ombro. – Sempre protegendo os mais fracos.

– Nem todos. – Afrodite segurou minha mão. – Apenas os que eu gosto.

– Parem com isso. Estou quase chorando. – Mors limpou os olhos. – De qualquer forma, não vim até aqui para lutar. Pelo contrário, vim oferecer ajuda.

Olhei confuso para Afrodite e ela deu de ombros.

– Embora eu odeie todos os deuses profundamente – ele disse. – Esse ataque estúpido de meu primo, Athos, está acabando com meus planos.

– Athos? – perguntei.

– O segundo dos deuses orientais – respondeu Afrodite.

– Exatamente – Mors interrompeu. – E, por ser o segundo, eu e ele temos uma rivalidade eterna.

– Imagino que você seja o primeiro, certo? – deduzi.

Mors assentiu com a cabeça.

– Aceitamos sua ajuda – Afrodite disse. Todos nós a encaramos. – Eu também não gosto do Mors, mas ele será útil. Vamos.

– Como sempre, Afrodite está certa – declarou Hades. – Mors será de grande ajuda.

Os deuses foram na frente, eu olhei para Mirella. Ela esteve quieta demais recentemente, embora eu não a conheça bem o bastante para julgar isso.

– Tudo bem? – perguntei.

Mirella me olhou e ficou quieta por alguns segundos.

– Não confio no Mors. – Ela apontou para ele. – Deuses orientais são perigosos.

– Eu também não confio nele – eu disse. –, mas confio no julgamento de Afrodite.

– Julgamento de Afrodite? – Mirella soou tão irônica quanto podia. – Confiar no amor é a pior das tolices.

– Talvez você tenha confiado nas pessoas erradas. – Sorri para ela. – Ou talvez, as pessoas certas fizeram coisas erradas.

– E ainda não notaram o que fizeram – ela interrompeu.

– Ou talvez você esteja preocupada demais com os erros dos outros, e tenha esquecido que você também é feita de carne e osso, e que pode errar.

Mirella me encarou confusa.

– Não se preocupe – eu disse. – Não tem nada demais nisso.

– Mirella – Poseidon interrompeu a conversa. –, posso falar com meu filho um instante?

Mirella assentiu e apressou o passo.

– Sinto-me disputado essa noite – comentei. Poseidon sorriu.

Seu sorriso desapareceu um segundo depois.

– Filho, preciso que vá para Atlântida – ele disse. Soou preocupado.

– Mas Zeus...

– Dane-se Zeus – Poseidon disse. Espero que Zeus não tenha ouvido. – Eu estou preocupado. Você está mais preparado que a sua irmã, preciso que faça isso.

– Tudo bem – concordei. Poseidon assentiu e sorriu. Apressou o passo, mas eu segurei o braço dele. – Que fique bem claro, é só pela minha irmã.

– Claro. Não esperava que fosse diferente.

Soltei-o.

– Caio – Afrodite disse. Olhei-a. – Há algo que você não faça pela sua irmã?

– Não – respondi.

– Até abriria mão de mim? – ela perguntou.

– Pela minha irmã, eu abriria mão de qualquer coisa. – Parei de andar e Zeus me encarou confuso. – Qualquer coisa.

– Poseidon, não ouse! – Zeus berrou lá da frente. Meu pai segurou minha mão.

– Isso está além de suas escolhas, irmão. – Poseidon e eu aparatamos.

Eu apareci no escritório dele, ao lado de Marcie, Bia e um garoto de cabelos escuros e olhos verdes, que até então, eu não conhecia.

– Caio? – Bia abriu os olhos.

– Percy, seu reforço chegou. – Poseidon sorriu e desapareceu.

Notas finais
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