Blue Ocean! (2ª Temporada)
12 Imortalidade.
Notas iniciais
Quando se luta pelo que ama, o preço a se pagar não importa.
A batalha em Atlântida era incrível. Minha irmã e eu lutávamos juntos. Clivia estava liderando o ataque ao inimigo. O terceiro Oriental: Shitou. O único oriental que, de fato, nasceu no oriente. Ela lutava muito bem, matou sete leões marinhos gigantes e malignos com um único ataque. Espada eficaz.
Eu e Bia lutávamos contra um monstro marinho desconhecido. Ele tinha cabeça de tubarão, tronco de baleia, braços e pernas azuis, barbatana de ouro puro e usava uma armadura de diamante. Muito difícil de matar. Bia nadou por cima de mim e atingiu a criatura em uma brecha da armadura. Ele uivou de dor – sim, uivou. E abriu a boca. Seus milhares de dentes dourados me assustaram, mas eu tive que atacar. Saquei minha espada e cravei-a na boca dele, cruzando-a. O animal se desfez em pó e Bia me abraçou.
– Conseguimos! – ela vibrou.
– Conseguimos – sorri.
– Que fofura – uma voz feminina ecoou ao meu redor e todos os monstros evaporaram. Os tritões gritaram e correram para longe. Uma mulher de mais ou menos vinte e dois anos de idade estava parada, como se flutuasse na água, me encarando com um sorriso perverso no rosto. – Eu sou Hécate, a deusa da magia e da noite, mas é claro que vocês já sabiam disso.
– Obrigado, senhora Hécate – eu disse. Curvei-me.
– Não me agradeça – ela murmurou. – Não pretendo ajuda-los.
– Então o que...
Hécate ergueu a mão e Bia flutuou até ela.
– Solte minha irmã! – gritei.
– É claro – ela disse. – Com uma condição.
– Qual? – perguntei.
– Sua vida – ela abriu a mão. – Bem, pelo menos, parte dela.
– Não toque no meu irmão, sua vadia – Bia murmurou.
– Caladinha, semideusa – Hécate disse.
– O que devo fazer? – perguntei.
– Caio, não! – Bia gritou. – Nem pense em se entregar por minha causa!
– Entregue-me sua imortalidade. E eu lhe devolverei sua irmã – Hécate disse.
– Nem pense nisso! – Bia berrou novamente.
– Cale a boca garota, antes que eu desista desse acordo e te mate de uma vez – ela murmurou.
– Pare! – gritei. Nadei até Hécate. – O que eu preciso fazer?
Ela esticou a mão na minha direção.
– Basta apertar.
– Caio, não! – Bia disse novamente.
Apertei a mão de Hécate e senti algo sair de dentro de mim. Minha cabeça doeu, minhas pernas balançavam, eu não conseguia controla-las. Um minuto depois, eu senti que estava mortal.
– O seu juramento à Atena foi removido – Hécate disse. – Você, agora, não passa de um semideus.
– Minha irmã – eu disse.
– Ah, claro. Uma deusa cumpre suas promessas.
Hécate me entregou Bia e desapareceu.
– Por que fez aquilo?! – ela gritou. – Podia ter lutado!
– Ela é uma deusa, eu seria massacrado.
Bia socou meu peito.
– Seu idiota! – ela berrou. – Você é mortal agora. Os monstros vão mata-lo!
– Ei, tá tudo bem – sorri.
– Por que fez aquilo? Você deveria ter me escutado!
– Eu precisava provar uma coisa.
– Provar o que?
– Provar que eu abriria mão de qualquer coisa pela minha irmãzinha – sorri e apertei a bochecha dela. Bia me encarou irritada. – Até de mim mesmo.
Clivia se aproximou nadando.
– Vocês estão bem? – ela perguntou.
– Sim, estamos – respondi.
– Ótimo – Clivia assentiu. – Atena vai ficar furiosa por ter abdicado o juramento.
– Eu posso não ser mais um imortal – eu disse. –, mas eu nunca deixarei de proteger minha família.
– Exceto quando sua vida acabar – Clivia disse. – Entendo o que fez, mas sua irmã tem razão. Você deveria ter lutado.
– Para? – perguntei.
– Para continuar vivendo – Clivia respondeu.
– Talvez – dei de ombros. – Ninguém deveria viver para sempre. Nem mesmo eu.
– Isso é estúpido – Bia murmurou.
– Isso é verdade – Percy parou ao meu lado. – Bem-vindo ao mundo mortal, irmão.
– Sinto muito por sua perda – uma voz feminina rodeou a água e ela apareceu na minha frente. Uma linda garota loira, de olhos cinzentos e cabelos cacheados. – Annabeth Chase.
– Deuses ocidentais, orientais, marcianos. – O que seria o lugar abaixo do lugar abaixo do Submundo? Não sei, mas meu queixo sabe.
– Você é bem indeciso – ela disse. Virou-se para Percy. – A aparição de Hécate afastou o exército de Shitou, e ele foi derrotado. Mors e os olimpianos conseguiram derrotar Athos. Eles mandaram uma mensagem de Íris. Querem falar com você e com o seu irmão. Ah, e a Clivia também.
Ela apontou para mim e para Clivia.
Todos voltamos para o castelo. A imagem de meu pai estava parada na sala sorrindo para nós.
– Então meus filhos estão vivos – ele sorriu. – Fico feliz.
– Como foram as coisas ai? – perguntei.
– Por incrível que pareça, Mors realmente nos ajudou – Poseidon disse. Deu de ombros. – Atena foi ferida, mas já cuidamos dela.
– Cuidamos? – Annabeth interrompeu.
– Sim, eu e Apolo – ele disse. Annabeth encarou Percy e eu sorri. – Por fim, Mors declarou guerra e disse que nossos tempos de paz estavam esgotados. O de sempre. Zeus está delirando.
– Por que Hades os deuses têm tanto medo de Mors? – resmunguei. – Vocês são imortais. Lembram?
Poseidon me encarou tristonho.
– Há muitos séculos, Mors fez um acordo com as almas do Estige – Poseidon contou.
– A lâmina da espada dele é capaz de remover a imortalidade de um deus – completou Annabeth. – Minha mãe me contou isso.
– Sim, é verdade – Poseidon assentiu. – Mors é capaz de matar um deus, um titã. Ele é capaz de matar qualquer um.
– Mas – Clivia interrompeu. –, toda benção tem um preço. Toda vez que Mors usa o poder da espada, ele fica fraco, muito fraco, e mortal.
– Ou seja – eu disse. –, ele se torna vulnerável.
– Exatamente – Annabeth assentiu.
– E é ai que atacamos – Clivia completou.
– E quem vamos sacrificar? – perguntei.
– Eu sei – Carol entrou na sala.
– Quem? – Poseidon perguntou.
– O deus mais irritante de todo mundo. – Carol murmurou. – O culpado pela minha infelicidade conjugal, provavelmente, eterna.
– Eros? – deduzi.
– Eros – ela confirmou.
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