Blue Neighbourhood
2 Fools
Notas iniciais
Havia se passado alguns anos desde o começo de namoro dos dois meninos e agora eles estavam com vinte e um anos cada e cursavam o terceiro ano das respectivas faculdades. Naruto estava cursando Serviços Sociais e Sasuke, Letras.
Durante esses anos que correram, algumas coisas haviam mudado drasticamente, como o casamento de Itachi e Hyuuga Hinata, uma moça muito bonita, de longos cabelos pretos e lisos e olhos claros como a lua cheia num dia de verão. Eles também tiveram uma menininha chamada Aiko, que nascera a cara da mãe e com uma bela personalidade Uchiha.
Mikoto havia aberto uma confeitaria na cidadezinha em que morava, arranjado um grupo de amigas festeiras e não parava mais em casa.
Já Sasuke e Naruto, assim que entraram na faculdade, garantiram de morar juntos num pequeno apartamento, a duas quadras do prédio de aulas, e cinco minutos do centro. Era pequeno, com dois quartos – que no caso, apenas um era utilizado para como quarto – uma sala, cozinha, banheiro e sacada, todos também de poucos metros quadrados, porém era o considerado aconchegante, barato e bem localizado. E os dois amavam aquele pequeno lugar.
Dentre esses anos em que estavam morando juntos, muitas vezes tinham saído brigas, que iam de vozes alteradas, xingamentos e até mesmo algumas decorações sendo jogadas pela parte do Uchiha.
O moreno não sabia lidar com brigas. Nunca soube. Mas quando ainda eram adolescentes, ele conseguia se acertar com o namorado, pelo simples fato de que assim que brigavam, um deles ia embora e podiam ficar dias sem se ver, mas agora, mesmo que um deles fosse caminhar, no mesmo dia, após algumas horas, eles tinham que se ver novamente e dividir tudo o que faziam, o que tornavam tudo mais difícil.
Muitas vezes, Sasuke tentava se isolar em algum cômodo da pequena casa, mas o Uzumaki ia e sentava-se com o namorado, aproveitando para coloca-lo entre as pernas e passar seus braços pela cintura do outro, aconchegando a cabeça na nuca do moreno. E assim ficavam horas a fio, apenas sentindo o calor um do outro, sem trocar nenhuma palavra.
Às vezes, um deles caia no sono daquele jeito e o outro ficava ali, embalando o sono do namorado, até acordarem no outro dia e ao se virarem de frente, não só lembrarem do por que discutiram, mas também o porque amavam um ao outro.
E tudo voltava ao normal.
Até ocorrer mais uma briga.
Mas todo casal briga, era o que pensava Sasuke. Pelo menos era o que ouvia e tinha passado na infância. Porém, ele tinha na cabeça que seria diferente dos pais com Naruto. Ele era bem mais feliz junto de Naruto do que os pais foram enquanto eram casados, e ele tinha certeza disso.
Não ia terminar todos esses cinco anos que passara com o loiro, por causa de uma briguinha sobre o tempo em que passavam juntos, ou quaisquer coisas fúteis além. Sabia que o Uzumaki precisava fazer trabalhos em ONGs variadas, que era o que o curso pedia, bem como o seu, que pedia milhões de atividades, transformando-se assim em praticamente integrais para ambos.
Ralara demais para agora jogar tudo pela janela.
— Bom dia – Sasuke ouviu, assim que acordou a voz arrastada do loiro ao seu lado sussurrar-lhe.
— Bom dia – respondeu no mesmo tom. Gostava tanto da voz de Naruto pela manhã, que todos os dias a vontade que lhe dava era de apenas continuar ali, agarradinho com o Uzumaki e deixar todas suas preocupações com a faculdade de lado.
— Está acordado faz tempo? – Naruto passou os dedos pelos cabelos escuros do Uchiha que sorriu de leve, sentindo o carinho.
— Não, faz alguns minutos só – disse e segurou a mão bronzeada que desceu até sua bochecha, fazendo ali um carinho também.
— Então – Naruto rolou na cama e deitou-se por cima do Uchiha que riu de leve, aquilo era uma mania que ele tinha pegado desde a adolescência – ‘Bora levantar – beijou o namorado, para em seguida rolar novamente e sair da cama.
Viu Naruto sair do quarto para o banheiro e ouviu a porta ser fechada. O loiro ficaria ali por uns bons vinte minutos, até ter acordado totalmente, então se resolveu levantar e ir à cozinha preparar o café deles, que nada mais seria que uma omelete, peixe e chá verde.
Não demorou, pois estava acostumado a fazer tais coisas para eles. Percebeu que Naruto ainda ia ficar mais alguns minutos dentro do banheiro e resolveu ir até a sacada, ver como o dia estava.
Era quase verão então o céu estava azul como nunca, sentia que iria vir chuva dali alguns dias – era muito bom com essas coisas – e sentia algo lhe incomodar o estômago com essa previsão. Ligaria para Itachi para ver se tudo estava ocorrendo bem com a nova casa.
Sentiu braços lhe rodearem e um beijo na cabeça. O calor que emanava de Naruto podia acender milhões de fogueiras, e o sorriso que ele dava podia iluminar a cidade toda. Sem dizer nada, o loiro pegou-lhe a mão e o levou para comer consigo o que não foi negado pelo moreno que sorriu pelo jeito infantil com que Naruto às vezes agia – principalmente antes de uma refeição.
Naruto como sempre, não fechava a boca nem enquanto comia então a refeição foi completa de conversas sobre eles mesmos, a faculdade, os trabalhos e tudo mais o que iriam fazer naquele dia. Assim que terminou, Sasuke foi ao banho sem muitas delongas, e quando enfim terminaram de se organizar, saíram os dois a caminho da faculdade.
Iam a pé todos os dias, até mesmo nos mais chuvosos. Naruto tinha escolhido o apartamento exatamente para aquela finalidade, o que também era um gasto a menos nas despesas dos dois. Era também algo que ele amava fazer, pois o local onde residiam tinha uma vizinhança muito bonita, cheio de comércios que exalavam cheiros muito bons em toda parte do dia. O sol ali, também parecia que tinha entrado no contrato, pois em todos os horários do dia, ele era presente nas janelas do apartamento.
Assim que chegaram ao prédio, trocaram um beijo e separaram-se, indo cada um por um corredor. Sasuke pegou o elevador até o quinto andar e Naruto as escadas para o terceiro.
Sasuke não gostava muito de ter que se separar do namorado a qualquer hora do dia. A todo o momento ele sentia como se faltasse algo, e sabia muito bem que era falta de Naruto. Queria poder estudar a mesma coisa que o namorado, pena que eram tão diferentes que nem o mesmo curso estavam prestando. Ele dependia de Naruto em toda a sua forma.
Chegou a sua sala e sentou-se a mesa de costume, ao lado das janelas e quase à frente. Só sentava-se na frente por causa da miopia, que lhe obrigava a usar os óculos que hastes finas, senão continuaria ao fundo, como sempre preferiu. Assim que Sai chegou e sentou-se ao seu lado, o moreno resolveu comentar sobre tudo o que lhe afligia, afinal ninguém melhor que Sai para conselhos.
— Preciso te contar uma coisa – o Uchiha começou.
— Bom dia para você também, Uchiha – o outro moreno riu-lhe. Era acostumado com a arrogância matinal do amigo e adorava ter o gostinho de poder brincar com ele naquelas horas.
— Vai se foder — respondeu rolando os olhos. Chega num ponto de uma amizade que um “bom dia” acaba apenas se tornando um belo xingamento, o que já era de praxe entre aqueles dois.
— Fala então, porra – o mais novo riu.
— Eu precisava de conselhos seus – Sasuke admitiu, baixando os olhos.
— Mais? – exclamou o amigo, que repreendido pelo olhar sério do outro, prontamente parou, percebendo que se tratava de coisas sérias – Desculpa... Mas o que queria me dizer?
— Eu estava pensando... Eu cansei dessa vida – suspirou cansado.
— O que? – Sai perguntou confuso – Como assim cansou? Está pensando em se matar? – o moreno perguntou exasperado.
— O que?! – dessa vez quem exclamou foi o Uchiha – Não! Nunca! Não deixaria Naruto com uma futilidade dessas!
Sasuke negou com a cabeça a ideia sórdida do amigo que suspirou aliviado com a mão no peito.
— E o que você quer dizer com isso então? – o amigo inclinou a cabeça, confuso.
— Eu cansei desse lugar. De tudo. Queria que as pessoas mudassem. Tenho vontade de jogar todos esses três anos de trabalhos, estudos e esforços no lixo. Não me sinto confortável com tudo o que esta acontecendo no momento na minha vida. Eu não tenho tempo para sair e refrescar a mente, sempre tem esses milhares de trabalhos infernais para serem feitos. Não tenho tempo para a minha família, e muito menos para Naruto. Ele também. Passa dias com pessoas diferentes, dentro de ONGs e instituições, desde crianças até idosos. Sinto como se meu mundo estivesse cada vez mais afundando.
— Sasuke – o outro suspirou – Cara, primeiro, você tá precisando de sexo. Depois, de uma bebida e por fim um psicólogo.
— Nossa, muito obrigado, Sai! – o Uchiha levantou os braços, irritado – Seu conselho foi de grande ajuda!
— Espera homem! – Sai bateu-lhe a mão nas costas – Estava pensando no que posso te dizer. E felizmente já sei – limpou a garganta e cruzou os dedos das mãos, enquanto olhava seriamente o outro – Sasuke, você está passando por uma fase que todo universitário passou ou ainda vai passar. Tudo está correndo muito rápido e você não está acompanhando. Todos temos nossos trabalhos científicos, nossas famílias, nossos relacionamentos e pouquíssimo tempo. Passei por isso no ano passado e sei como é. Você tem que se organizar melhor e pronto. Desistir de tudo agora seria imprudente e desnecessário.
— Isso é cansativo Sai – o moreno colocou as mãos na cabeça, agarrando os cabelos – Minha cabeça anda a mil e tudo o que eu queria agora era estar dormindo.
— Exatamente! – Sai colocou a mão no ombro do amigo – Sua cabeça anda a mil. Você precisa espairecer. Simples. Pegue um final de semana, e largue tudo. Todos os trabalhos, tudo. E saia com Naruto. Vá ver sua mãe, seu irmão e a família dele. Vá caminhar ou qualquer coisa do tipo. Comece a fazer algum tipo de exercício físico. E vá num psicólogo, por que daqui a pouco ou vou começar a te cobrar.
— Idiota – Sasuke socou o braço do amigo e finalmente o professor entrou na sala de aula e eles pararam a conversa.
O Uchiha passou o dia pensando no que Sai tinha dito e ia conversar com Naruto quando lhe encontrasse. Também ia ligar para Itachi e já aproveitar e deixa.
Já era quase noite quando saiu do campus e foi para a ONG que o Uzumaki – que lhe informou por mensagens durante o almoço – estaria. Mal podia esperar para chegar ao tal local e finalmente ver seu namorado. Toda aquela conversa com Sai tinha lhe despertado um novo pressentimento dentro de si, que como o da manhã, ele não conseguia definir.
Andava com as mãos nos bolsos da calça. Como o verão estava quase chegando, não precisava usar nenhum tipo de casaco pesado à noite, no mínimo um cardigã leve e sem bolsos. Apesar das noites de verão serem gostosas, o Uchiha ainda preferia o inverno e a neve no país. Caminhou pouco mais de quatro quadras até o endereço que Naruto havia lhe mandado e assim que parou, na praça de frente a ONG, pegou o celular para ligar para o namorado.
Não chegou a ligar, pois ouviu a familiar risada escandalosa daquele Uzumaki menor e assim que levantou o olhar, o viu.
Naruto tinha o braço direito passado pelo ombro de ninguém menos que Sabaku no Gaara. Seu melhor amigo de escola, que mantinha até os dias atuais.
Mas segundo Naruto, Gaara não estava mais morando na cidade. Tinha pegado um intercambio para os Estados Unidos assim que completou o Médio, para jogar futebol americano – coisa que, diga-se de passagem, o ruivo era ótimo.
E seu namorado não havia dito nada que Sabaku estava de volta na cidade.
Ficou ali, observando a interação dos dois amigos, com o que provavelmente não era uma cara muito boa, até o ruivo se despedir do loiro com mais um abraço apertado que demonstrava total carinho e saudade – e pura amizade, coisa que o Uchiha não viu, cego pelos ciúmes.
Enquanto Gaara descia as escadas do edifício até o seu carro esportivo, Naruto pegou seu celular e ligou para o moreno. O mesmo levou um pequeno susto com o som da chamada, pois estava muito concentrado em seu ódio interno. Não acreditava que o Uzumaki não havia lhe contado que o ruivo estava de volta e muito menos que ia se encontrar com o mesmo naquele dia.
— Alô – atendeu a Naruto.
— Já chegou amor? – viu o loiro olhar para os lados, à sua procura.
— Sim – respondeu e começou a caminhar na direção do namorado – Estou te vendo. Fique onde está.
Chegou rapidamente até o namorado recebeu um beijo do mesmo. Um selar rápido de lábios e um sorriso aberto. Sasuke sorriu de canto, sem muita vontade.
— Como foi hoje? – perguntou ao loiro.
— Foi ótimo! – o Uzumaki exclamou e começou a andar, sendo seguido pelo moreno – Aquelas crianças são maravilhosas. Da até vontade de ser pedagogo!
— Se você diz – deu de ombros e levou um soquinho do namorado que ria dele – Não aconteceu nada demais então?
— Anh... Não, não aconteceu não – colocou a mão direita na nuca e sorriu.
Naruto estava mentindo.
Primeiro que aquele gesto – que Sasuke conhecia bem – demonstrava exatamente isso. Mentira. Segundo que foi um baque para o moreno. Naruto nunca lhe escondia nada. Confiava plenamente nele, e agora isso.
Naruto tinha passado o dia com o Sabaku e não ia contar aquilo para ele.
Naruto estava traído-o com o melhor amigo dele.
Não podia acreditar.
— Hm – foi o que respondeu.
Andaram de mãos dadas de volta até a vizinhança em que moravam, com um Naruto risonho e tagarela e um Sasuke pensativo.
Ele não poderia estar fazendo aquilo consigo.
Conhecia Naruto e Gaara. Eles eram melhores amigos e nunca que nenhum dos dois demonstrou outro sentimento pelo outro. Pelo menos não que ele tenha visto.
Mas Naruto estava com ele há cinco anos já. Será que tinha cansado de si? Seria ele tao canalha assim de nem conversar sobre o relacionamento e já estar o traindo? Naruto não podia ser assim. Não queria acreditar nisso.
— Ei, por que não comemos aqui hoje? – acordou de seus devaneios e olhou para onde o loiro apontava. Era um café que eles sempre iam quando queriam tomar café da manhã fora, mas não via o porquê do Uzumaki querer jantar ali.
— Ah... Claro, mas por que o Tabemashou há essa hora? – perguntou para o namorado.
— Me deu vontade – o maior sorriu abertamente e tudo que Sasuke fez foi sorriu amarelo enquanto concordava com a cabeça e era levado pela mão até o local.
Naruto fez os pedidos de ambos e eles ficaram ali, conversando sobre seu dia e tudo mais. Sasuke não estava ouvindo nem metade do que o outro dizia. Sua cabeça estava girando nos pensamentos mais estúpidos de o porquê Naruto poderia estar o traindo. Não estava sendo um namorado ruim. Tanto ele quanto Naruto não tinham mais tanto tempo assim no dia para ficarem juntos e o próprio Sasuke estava sentindo-se um tanto solitário nesses tempos. Será que era a falta de sexo? Será que era isso que Naruto tinha achado de melhor no ruivo? Mas o loiro mesmo chegava a casa e nunca dava indícios de que queria aquilo, tanto por estar cansado ou qualquer outra coisa. Mas Sai mesmo não tinha dito que ele precisava de sexo por que andava muito estressado? E se Naruto também estava no mesmo estado e precisou de Sabaku para aquilo? Não podia deixar aquilo acontecer!
Então era isso que ia fazer quando chegassem a casa. Independentemente ao cansaço de ambos, teriam uma noite de amor. E Naruto iria se arrepender de ter procurado o ruivo e perceber que era Sasuke quem ele realmente queria para sempre. Isso!
Terminaram de comer e Sasuke já se disse cansado e que queria voltar para casa, o que não foi negado pelo loiro que pagou a conta. Andaram novamente de mãos dadas até o apartamento de ambos e assim que Naruto abriu a porta, foi atacado pelo moreno que não podia mais esperar um segundo. Queria mostrar que era melhor que qualquer um que Naruto um dia pudesse se relacionar.
O Uzumaki por sua vez caiu sentado no sofá um tanto assustado e admirado pela atitude do namorado. Sempre era ele quem tomava as iniciativas para algo mais carnal e ver o Uchiha ali, sentado em seu colo o beijando ferozmente, era algo tinha que acontecido poucas vezes nesses anos de namoro e que sempre lhe surpreendia.
Assim então, eles fizeram amor durante boa parte da noite. Provavelmente não iriam para a faculdade no outro dia e não se importavam.
Por fim, Naruto pegou o moreno no colo e levou-o até a cama deles depois de limpos, e o aconchegou em seus braços. Sentiu a respiração dele em seu pescoço e pôs-se a acariciar seus cabelos.
— O que deu em você hoje? – riu e olhou para Sasuke que tinha os olhos fechados.
— Nada – ele abriu os olhos e também olhou para o namorado.
— Aham, e todo aquele fogo foi por que você comeu camarão no almoço – riu mais e levou um tapinha no outro.
— Não fale assim – Sasuke mudou de posição, agora tinha seus braços cruzados no peito do loiro e podia olha-lo melhor – Só me deu vontade – sorriu.
— Okay então meu gatinho manhoso – o Uzumaki sorriu e beijou-lhe – Se você diz.
Sasuke rolou os olhos e descansou a cabeça na mão. Gostava tanto de ficar ali com Naruto. Era como se só existissem eles dois no mundo naquele momento. Gostava até de imaginar um dia, criancinhas entrando no quarto de manhã para acorda-los e deixar tudo mais alegre e riu levemente com aquilo.
— O que foi? – Naruto perguntou.
— Estava pensando em bobeiras – disse negando com a cabeça.
— Me diz – o loiro pediu sorrindo.
Sasuke relutou um pouco, mas ao ver a curiosidade no olhar do namorado, não conseguiu negar.
— Estava pensando na nossa vida pós-faculdade – confessou.
— Hm... O que imaginou? – Naruto tirou os cabelos negros que tinham caído na frente dos olhos do namorado e sorriu. Não sabia que Sasuke os imaginava casados.
— Bem... – o moreno suspirou – Estava pensando que podíamos nos mudar para uma casinha, um pouco afastada da cidade, sem barulhos de aviões e carros, numa colina, quem sabe? Sabe que gosto de lugares calmos, e seria uma ótima opção para eu poder escrever meus livros.
— Hm – Naruto o incentivou a prosseguir.
— Um lugar com piscina. Gosto de piscinas. Uma sala de estar grande, com vários livros. Sim, vários livros nas paredes. Nós dois, sozinhos, você vindo até a cidade, resolver seus trabalhos enquanto eu me sinto sozinho e depois quando você voltasse nós teríamos mais uma noite como essa. Nevaria e você não poderia ir trabalhar por dias e eu amaria ficar aqueles dias com você. Beberíamos Tanqueray e ficaríamos aconchegados um no outro durante a noite, em total silêncio. Até o dia de você aparecer com a ideia de adotar crianças. Iríamos brigar pelos nomes delas e por fim, eu ganharia por que os nomes que você propôs iam ser muito ruins – riu e Naruto exclamou um “Ei!” – Passaríamos anos tentando e por fim adotaríamos gêmeos lindos e você babaria neles até não poder mais. E nossa vida seria os ver crescerem e nos acordar de manhã e depois leva-los para a escola, até envelhecermos e fim.
— Pensou em tudo pelo visto – sorriu admirado para o moreno.
— Só um pouquinho – ele baixou os olhos e sentiu as bochechas esquentarem.
— Estou feliz que tenha me contado o que imagina para o nosso futuro – o loiro abraçou-lhe mais forte e eles ficaram ali, até Naruto adormecer.
Sasuke levantou o olhar novamente para encarar a face bronzeada do namorado e aquela sensação horrível voltou.
Independentemente, Naruto estava o traindo.
— Bom dia otouto, não devia estar na faculdade uma hora dessas? – Itachi disse assim que atendeu o celular que tocava loucamente em seu criado mudo.
— Deveria, mas não estava afim então não fui – Sasuke deu de ombros enquanto levava as louças do café da manhã até a pia.
— Bonito... – Itachi riu e abriu a porta do quarto da filha para confirmar se estava tudo bem com o sono dela – Está ficando rebelde.
— Pare de graça Itachi – Sasuke riu e foi até a sacada. Naruto havia aproveitado o dia de folga da faculdade que ele mesmo tirara e tinha ido ao mercado para reabastecer a dispensa, deixando assim o moreno sozinho – Como anda as coisas aí? Aiko está bem?
— Depois que ela nasceu só sabe perguntar sobre ela né? – riu Itachi – Sim está tudo bem por aqui, e aí?
— Ahn... Tudo também – suspirou.
— Quantas vezes vou ter que dizer... – o mais velho começou.
— Que não sei mentir para você – Sasuke rolou os olhos e sorriu minimamente – Eu sei Itachi, eu sei.
— Então por que continua tentado? – perguntou enquanto descia as escadas e chagava na cozinha, encontrando ali, Hinata fazendo o café. Deu-lhe um beijo na testa e sentou-se no balcão, observando-a.
— Posso ir direto ao assunto? – ouviu Sasuke perguntar e sorriu. Sasuke nunca guardava nada de si, era impressionante.
— Claro otouto – respondeu.
— É difícil dizer isso, pois eu ainda acho que não pode ser verdade, mas... – respirou fundo – EuachoqueNarutoestámetraindo – jorrou as palavras.
— O que? – Itachi perguntou confuso, sem ter entendido uma palavra sequer do que o irmão tinha dito.
— Eu... — era tão dificil diszer o que só tinha se passado pela sua mente até agora, que doía ao extremo o peito de Sasuke — E-eu acho que... que Naruto está m-me traindo.
— Ele... O que? – Itachi perguntou tenso, e Hinata até parou o que fazia para olha-lo – Tem certeza disso Sasuke?
— Não Ita, ainda não – o mais novo começou a chorar e preocupou ainda mais o irmão.
— Não pode fazer uma acusação dessas a Naruto sem ao menos ter certeza otouto – o moreno disse do outro lado da linha, enquanto acenava à mulher que esperasse para que lhe contasse tudo depois.
— Eu o vi, ontem – Sasuke fungou, enxugando as lágrimas com as costas da mão que não segurava o celular – Com Gaara.
— Mas Gaara é...
— O melhor amigo dele, eu sei – cortou o mais velho – Mas ele não me disse que ele estava de volta à cidade e nem me contou que passou o dia com ele também.
— E ele precisa contar tudo sobre o dia dele Sasuke? – o moreno mais velho perguntou.
— Ele sempre me conta tudo Itachi – Sasuke agora chorava tanto que não reprimia mais as lágrimas e muito menos os soluços.
— Calma Sasuke, – Itachi respirou fundo e Hinata já nem mais ligava para o que estava fazendo, a tensão do marido era tanta que a preocupava três vezes mais – ele pode só não ter se importado em lhe contar. Sair com Gaara pode ter sido para ele como apenas ir almoçar com o pessoal do trabalho.
— Mas até quando ele sai com o pessoal do trabalho ele me conta nii-san – Sasuke retrucou.
— Eu não acredito que Naruto possa estar te traindo otouto – com essa frase, a Hyuuga do outro lado do balcão, arregalou os olhos para o marido que suspirou de volta para ela – Nós o conhecemos há anos e sabemos que ele te ama tanto quanto você o ama. Conhecemos o caráter dele também. Naruto não seria capaz Sasuke.
— Mas e se ele se cansou de mim? – cansado, o Uchiha mais novo deixou-se cair sentado numa das cadeiras que ali estavam.
— E por que ele se cansaria de você? – Itachi já não sabia mais o que responder ao irmão. Sabia que ele era teimoso e com todo seu trauma de criança com os pais, poderia causar o pior nele se aquilo continuasse em sua cabeça.
— Por que eu já não tenho mais tempo para ele – Sasuke se encolheu – Eu não sou mais o suficiente para ele Itachi.
— E acha que Gaara é?
Sasuke parou e ficou com aquele pergunta na cabeça. Gaara era melhor que ele? Ele tinha o que Naruto queria, e ele não. Gaara conhecia Naruto tão bem quanto ele próprio. Gaara era o melhor amigo de Naruto, assim como ele. Gaara o conhecia desde pequeno, assim como ele. Gaara o amava, assim como ele. Mas Gaara não era quebrado por dentro, assim como ele. Gaara era melhor que ele.
Não deu uma resposta para o irmão, pois ouviu a porta sendo destrancada, então só sussurrou um “Ele chegou” e desligou, levantando-se rapidamente e secando o rosto, ainda fungando.
— Você é o melhor Gaara, eu te amo cara – Sasuke ouviu o loiro dizer e rir ao abrir a porta carregando algumas sacolas e falando ao telefone.
Ele desligou assim que viu o namorado parado na sacada e sorriu ainda mais, sem perceber os olhos vermelhos dele.
— Olá – disse e foi em direção dele ainda com as compras nas mãos, mas Sasuke pegou sua carteira na mesinha de centro da sala e apenas disse:
— Estou indo na Sakura, ela me ligou – passou pelo namorado o deixando confuso dentro de casa.
Assim que entrou no elevador do prédio, escorregou ao chão e chorou. Chorou com toda a sua dor.
Naruto realmente estava lhe trocando pelo amigo.
Naquele dia, passou a tarde toda com a amiga no apartamento dela. Contou tudo que havia acontecido, e assim como Itachi, a rosada não acreditou muito que Naruto pudesse estar o traindo.
Naruto ligou centenas de vezes, mas foi ignorado todas elas.
Assim que voltou para casa, estava tudo escuro lá dentro, então imaginou que o Uzumaki estava já dormindo. Quando chegou à porta do quarto, pode ouvir vozes e tampou a boca num ato incrédulo. Gaara não podia estar ali. Seria o cúmulo.
— Ele não desconfia de nada né? – ouviu a voz do ruivo, um tanto mais baixa.
— Não – riu de leve Naruto – Quando quero, sei guardar segredo.
— Que bom loiro – Sabaku riu levemente também, o moreno percebeu que eles estavam em chamada pelo Skipe – Do jeito que é espalhafatoso, achei que já tinha dado na telha sobre tudo.
Passou direto pelo quarto e foi tomar um banho na pequena banheira que o apartamento possuía.
Quando voltou, Naruto ainda tinha notebook sobre o colo, já não mais falava com o ruivo e possuía seus óculos no rosto. Provavelmente fazia algum trabalho da faculdade.
— Ah, olá sumido – o loiro disse assim que viu o namorado entrar no quarto, só de toalha.
— Hm – respondeu o Uchiha, indo ao guarda-roupa a procura de algo para se vestir.
— O que você tem Sasuke? – o Uzumaki perguntou, abaixando a tela do notebook e retirando os óculos – Sumiu o dia todo e agora nem me responder direito, respondeu.
Sasuke parou entre as portas abertas do guarda-roupa e pensou em tudo que ocorrera naquele dia e nos outros. Como o loiro podia estar o traindo e sem tão cara de pau em nem ao menos terminar consigo. A raiva que lhe subiu do peito fora extrema, mas apenas suspirou e quando se virou disse:
— Nada amor – respondeu com um sorriso de canto – É só a faculdade. Não estou tendo tempo para viver mais. Desculpe por ter agido assim com você hoje.
— Ah Sasuke – o loiro se levantou da cama e veio abraça-lo pela cintura – Não precisa ficar assim e nem se desculpar. Sei como é e também estou passando por isso, amor. Mas vamos ficar bem, certo? – disse levantando o queixo do namorado com o indicador.
Sasuke concordou e recebeu um beijo rápido do mesmo.
— Agora coloque um pijama e vamos deitar – Naruto largou-o e voltou para a cama, agora deixando o computador de lado e ficando a espera do namorado.
Assim que se vestiu, também foi à cama e nela, foi abraçado pelas costas por Naruto, que ficou assim até pegarem no sono.
Semanas se passaram daquela dolorosa relação – por parte do Uchiha – e ele nada fez. Não sabia o que podia fazer para reverter tal situação.
Mas surgiu um dia em que ele resolveu pegar o celular do namorado, coisa que não fazia, pois não achava necessidade, nunca achou. Até aquele dia. E talvez se não tivesse feito aquilo e tivesse atendido as ligações de Itachi a tempo, tudo estaria diferente entre eles.
Então, Sasuke que sabia a senha do loiro, abriu suas mensagens e claro, a primeira pessoal em seu chat era Gaara. Abriu a conversa e nem se prolongou muito, pois Naruto estava no banho e logo sairia. Viu que ambos tinham marcado de se encontrar hoje para comprar “o presente” e já jogou o celular de lado, deixando-o no lugar em que tinha encontrado.
— Naruto? – chamou.
— Sim? – respondeu o namorado, saindo do banheiro.
— Vamos almoçar juntos hoje? – perguntou inocentemente.
— Ahn... – o Uzumaki levou a mão à nuca e Sasuke sabia que ia vir uma desculpa – Hoje eu não vou... Não vou poder sair da ONG Sasuke. Desculpe.
O moreno ficou o encarando por vários segundos o que acabou deixando Naruto preocupado, fazendo-o tentar se explicar.
— Me desculpe mesmo é que...
— Não – o Uchiha sorriu – Tudo bem. Eu entendo.
Já aliviado e um pouco desconfiado, o loiro assentiu com a cabeça e foi se trocar. Não queria e nem podia deixar Sasuke saber do que estava fazendo, então pegou o celular e mandou uma mensagem para Gaara, antecipando o que planejavam para já de manhã.
Sasuke por sua vez, também se trocou, mas deixou com que Naruto saísse primeiro e não lhe esperasse. O Uzumaki assim o fez.
O Uchiha deixou o apartamento pouco tempo depois. Resolveu que seguiria o namorado naquele dia.
Encontrou-o na frente da faculdade, mas não parecia ter intenções de entrar. Poucos minutos se passaram e ele viu Gaara – felizmente sem seu carro esportivo – chegando com as mãos nos bolsos. Naruto abraçou-o e foram em direção ao centro.
Sasuke continuou seguindo os amigos. Os viu entrar numa cafeteria, tomar café da manhã, passarem na ONG que Naruto estagiava saírem poucos minutos depois, e por fim, chegarem ao real lugar que tinham combinado. Uma joalheira. Atravessou a rua e parou de frente ao vidro da vitrine cheia de joias.
Naruto estava olhando anéis. Vários anéis de diferentes tamanhos e desenhos que percebeu serem alianças. Provou um, retirou-o, provou outro e retirou novamente. Ate que apontou a um disse alguma coisa e Gaara concordou com a cabeça. E nessa hora seu chão se dissipou. Naruto pegou a que tinha gostado e colocou no dedo anelar de Sabaku.
Correu para casa novamente e no portão de seu prédio, encontrou Sakura que ia trabalhar, mas passou ali para entregar ao porteiro uma caixinha embrulhada a presente.
— Sasuke? – chamou a amiga – Sasuke!
— Desculpe Sakura, eu não posso conversar agora eu... – disse com a cabeça baixa, não podia deixar a amiga vê-lo naquele estado.
— Você esta chorando? – ela o cortou, e pôs a mão em seu ombro, o impedindo de sair correndo.
— N-não – soluçou e na hora a rosada entrou em desespero.
— O que aconteceu Sasuke? – ela perguntou aflita.
— Nada, não aconteceu nada Sakura – respondeu abraçando a si mesmo.
— Então por que está...
— Olha eu vou subir Sakura, depois eu te falo tudo – dessa vez Sasuke a cortou e já foi entrando no prédio.
— Sasuke! – ela chamou novamente – Pelo menos pegue isso – ofereceu a caixinha que tinha não mão – Abra e leia antes de fazer qualquer coisa.
O moreno a olhou por vários segundos e depois concordou e pegou a caixinha. Sabia que seria pior se negasse. Virou-se e foi ao elevador, deixando a amiga para trás.
Sakura apenas o viu indo embora e no mesmo momento em que as portas de metal se fecharam, ela pegou o celular e digitou o numero já tão conhecido.
— Naruto? – exclamou assim que ouviu a voz do amigo do outro lado – Naruto, eu acabei de ver o Sasuke.
— Como assim o viu? Ele deveria estar na faculdade – o loiro disse confuso.
— Sim devia! – a rosada concordou aflita — Vim entregar a caixa assim como você pediu, mas acabei por encontrar ele.
— Ma-mas... – o loiro sentiu seu coração acelerar. Algo de errado estava acontecendo. Mas tinha que ser bem naquele dia? – Como ele estava?
— Estava chorando e parecia desesperado. Acho melhor você vir agora para cá – a mulher disse olhando para a janela do apartamento deles, que tinha acabado de ter as cortinas fechadas.
— Okay, só vou pagar pelas alianças e já estou indo! – ele disse e desligou.
Sakura não pode entrar e seguir o amigo para dentro do prédio, pois iria se atrasar mais uma vez ao trabalho, e se isso acontecesse, seria demitida. Saiu dali com o coração apertado e totalmente preocupada.
Naruto tinha trabalhado tanto para aquele dia e não queria que acabasse dando errado.
Dentro do apartamento, Sasuke chorava e andava de um lado ao outro sem saber o que fazer. Ouviu o celular tocando, mas não quis atender. Deixou chamar até cansar e assim que parou, outra chamada começou. Viu que as três primeiras eram de Naruto e a ultima de Itachi. Jogou o celular no sofá e recomeçou a andar.
Por que Naruto estava fazendo aquilo consigo? Por quê?
Amara tanto aquele dobe maldito por todos esses anos para agora terminar assim?
O celular recomeçou a tocar e dessa vez ele o pegou e tacou na parede, fazendo assim, parar definitivamente.
Parou por um momento e decidiu que ia sair dali. Iria para um hotel ou qualquer outro lugar, mas não passaria mais nenhum segundo naquele apartamento.
Foi ao quarto e puxou do fundo do guarda-roupa a mala que usava para viajar. Abriu-a e começou a jogar de qualquer jeito suas roupas ali. Foi ao banheiro e pegou sua escova de dente e algumas outras coisas que utilizava diariamente.
Mal tinha fechado a mala quando ouviu a voz de Naruto.
— Sasuke? Sasuke! – o Uzumaki tinha entrado no apartamento correndo, tinha até batido a porta.
— O que quer Uzumaki? – perguntou ao se virar e dar de cara com o loiro ao batente da porta do quarto.
— O que esta fazendo? – o outro perguntou, olhando para o namorado e para a mala e de volta ao namorado.
— Estou indo embora – disse e usou toda sua força para levantar a mala da cama.
— Indo embora para onde? – Naruto perguntou e se aproximou dele – E por quê?
— Eu não sei – respondeu – Um hotel talvez. E o por quê? – disse irônico – Bem, talvez para deixar você e Gaara melhor acomodados.
— Sasuke... O que você tá dizendo? – o loiro agora tinha estava mais confuso do que quando chegou.
— O que estou dizendo? – exclamou o moreno – Não se faça de desentendido.
— Mas eu realmente não estou entendendo nada Sasuke – Naruto dizia enquanto passava a mão pelo rosto.
— Ah, então vai me dizer que não está me traindo? Que você está vendo Gaara diariamente e que só conversam o dia inteiro? Que hoje, vocês não estavam comprando alianças juntos?
— Você... Você me seguiu hoje? – Naruto parou e olhou sério para o namorado. Não acreditava que o Uchiha tinha chego e esse ponto.
— Segui – concordou – Segui sim, e foi só para comprovar o que tinha em mente. Você me dá nojo Uzumaki! – exclamou.
— Nojo? – o loiro exclamou de volta – Eu quem ficou seguindo os outros por ai por causa de uma paranoia? Fui eu Uchiha?
— Paranoia? – agora Sasuke gritava – Não fui eu quem traiu o próprio namorado com o melhor amigo, que mentiu para ele que estava na faculdade e estava comprando joias para o amante! Eu esperava mais de você Uzumaki. Depois de anos junto e você me faz uma coisa dessas!
— Ah é? É isso que você acha de mim? – Naruto também gritou e se aproximou ainda mais do namorado – Como você mesmo disse, acha que depois de anos eu iria fazer uma coisa dessas com você? E mesmo se não tivéssemos há anos juntos acha realmente que sou uma pessoa que faz isso com os outros?
Sasuke parou e deixo a mala cair aos seus pés.
— Pois não só acho como eu sei e descobri! – exclamou e socou o peito do outro.
— Descobriu então – Naruto segurou-o pelos ombros – E sabe o que eu descobri? Que você é doido Sasuke! Que você é possessivo e paranoico! Que eu não posso nem sair com meu amigo ou tentar planejar uma surpresa que você acha que estou fazendo coisas erradas pelas suas costas! – o loiro o largou, fazendo o moreno dar alguns passos para trás.
— S-surpresa? – sussurrou.
— Pois é né! – Naruto por sua vez, ainda mantinha sua voz exaltada – Sabe aquela bosta daquela joia que você me viu comprando “para o Gaara”? – fez aspas com a mão – Então Sasuke, – procurou algo nos bolsos da calça e por fim retirou uma caixinha vermelha e mostrou ao moreno – Sabe o que tem dentro disso aqui? A porcaria da aliança. E sabe para quem era? Você seu imbecil!
O Uchiha já tinha sua raiva esquecida e pela segunda vez no dia abraçou a si mesmo e começou a chorar, mas Naruto estava cego pelo ódio e não mediu as palavras assim que as atirou contra o namorado.
— Eu ia te pedir em casamento. Hoje! – exclamava com a voz ainda alta – Sabe aquela caixinha que Sakura te deu e que esta jogada no sofá? – apontou para a sala – Tinha bilhetes que era para você seguir. Mas não, você tinha que estragar tudo Sasuke. Tudo! – gesticulava euforicamente com as mãos.
Sasuke já não conseguia olhar para o namorado. Sentia vergonha de si mesmo.
Tinha estragado tudo.
— Eu estou farto disso. Estou farto de você! –gritou o Uzumaki, e o moreno finalmente levantou a cabeça para encara-lo. Isso com certeza o feriu mais do que qualquer coisa que já lhe tinham dito.
— Não é a primeira vez que você dá uma dessas Sasuke – ele apontou para si – E não é a primeira vez que eu te perdoei. Mas dessa vez chega. Chega! Acabou para a gente.
E com essa frase, Sasuke finalmente resolveu falar.
— Então saia – disse baixinho e Naruto que tinha uma das mãos na cintura e a outra na testa não ouviu, perguntou:
— O que?
— Então SAIA! – gritou e apontou para a porta do quarto.
Naruto concordou com a cabeça e apenas se virou, mas antes disse:
— Só idiotas se apaixonam por você mesmo – e saiu deixando o sozinho. Pode ouvir a porta bater assim que ele saiu e abaixou para pegar a caixinha vermelha de veludo que estava aos seus pés.
Tinha estragado tudo.
Ele era um imbecil.
Naruto estava farto de si.
Naruto não o merecia.
Ninguém o merecia.
O mundo não o merecia.
Por um segundo uma ideia se passou pela sua cabeça. Uma ideia idiota, que na hora, pareceu ser a solução. E ele nem pensou duas vezes.
Abriu a caixinha que tinha na mão e colocou a aliança no dedo anelar, depois com passos lentos foi à cozinha, abriu uma das gavetas do balcão de achou o que queria.
Voltou pelo corredor, até o banheiro da casa e abriu as torneiras para encher a banheira e ainda vestido, deitou-se na mesma. Demorou um pouco, mas assim que a água chegou ao seu peito, fechou as torneiras e respirou fundo.
Faria aquilo, pois era o melhor. Era o melhor para ele, para Naruto e para todos.
Ele era apenas um peso nas costas de todos ao seu redor.
Sempre foi.
E convencido disso, pegou a pequena faca que estava deixada no chão ao lado da banheira e fez.
Um belo corte em cada um de seus pulsos.
“But everything is shattering and it’s my mistake”
(Mas tudo está estilhaçando e esse é meu erro)
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