Blue Jeans
1 O cara do 505
A noite surgia devagar no céu nublado. As pessoas andavam em passos apressados. Muitos estavam cansados e iam paras suas respectivas casas. Exceto uma pessoa, Ana Lua. Ela caminhava nas ruas perambulando. Desceu de um ônibus sem rumo. Carregava sua mochila jeans rabiscada com logos de banda costurados nela. Estava mais perdida em pensamentos do que em ruas. Resmungou um palavrão quando começou a chuviscar. Mas ainda andava devagar. Novata nas ruas da grande cidade quase como uma rata urbana. Escorregou uma das mãos no bolso, puxou um cigarro e seu isqueiro vermelho. Escorregou novamente a mão dentro do outro bolso da calça e tirou um pedaço de papel dobrado. Abriu-o e começou a ler as letras enroladas. Olhou pra cima como se procurava um endereço. Se arrastou pelas calçadas de cimento e parou em frente a um prédio de aparência desprezível. Jogou seu cigarro no chão e pisou até apagar. Abriu a porta do prédio e entrou depressa, se deparando com o porteiro. Ele a olhou de modo curioso e feio.
— Quem é você? — O porteiro perguntou, ainda lhe olhando de modo hostil.
— Ana Lua.
— Ah, sim. Posso ver sua identificação?
Novamente, ela mexeu nos bolsos da calça, tirando uma identidade. Ela estendeu a identidade pro porteiro e ele a puxou da mão dela. Conferiu os dados e foi pra trás do balcão de recepção do prédio, deixando o documento encima. Revirou algumas gavetas e tirou uma chave. Jogou-a no balcão onde estava a chave. Lua analisava o local com olhos curiosos.
— Pegue. Apartamento 504 no quinto andar.
Ela pegou a chave e o documento. Apertou o botão do elevador e aguardou alguns segundos. Quando ela entrou no elevador, o porteiro começou a ouvir algo barulhento, provavelmente um jogo de futebol, num rádio. Ela olhava os números passarem pelo visor do elevador. 1, 2, 3, 4 e finamente, 5. O corredor era sujo de aparência, não era largo mas nem muito comprido. Sua porta era a ultima à esquerda. Lua virou a chave na fechadura, abrindo a porta do apartamento de paredes brancas. A sala estava vazia de móveis e cheia de ar. Trancou a porta e ficou encarando o cômodo por algum tempo. Tirou os tênis, deixando-os próximo a porta. Abriu a porta da pequena varanda e se deparou com um céu escuro pobre de estrelas. O corrimão estava empoeirado, sujando um pouco sua roupa. Ela voltou ao cômodo vazio e começou andar pelos outros. No cômodo do quarto, havia um colchão no chão e algumas caixas de papelão. Uma parte do quarto tinha o teto mais baixo pois tinha um segundo andar. O Acesso era uma escada de madeira branca. Parecia uma beliche. Também havia no quarto um armário de alvenaria embutido na parede. Tinha um design charmoso. Lua pegou o colchão e o colocou no segundo andar, sobrando pouco espaço lá. Revirou algumas caixas até achar um travesseiro e um edredom. Os levou pra cima junto ao colchão. Jogou a blusa e a calça pra baixo. E dormiu assim mesmo.
Acordou antes do sol. Da janela, cumprimentou a lua no céu. Já debaixo do chuveiro, ficou alguns minutos parada deixando a água cair. Suspirou fundo. Ainda era difícil digerir tudo que tinha acontecido nos últimos meses. Depois de tantos bicos e empréstimos, não adiantou. Os médicos não haviam conseguido salvar o pai de Ana Lua. Faltando apenas duas semanas para seu décimo nono aniversário, esse foi seu presente. Largou toda aquela vida que tinha pra viver em um novo lugar. Ana Lua vestiu a calça do dia anterior junto a uma camisa que estava socada dentro da mochila. Parou e olhou seu reflexo por alguns minutos no espelho. Os cabelos ruivos estavam molhados e desarrumados. Os olhos tinham olheiras de uma insônia seguida de algumas noites. Tratou de arrumar o cabelo e disfarçar as olheiras. Saindo do apartamento, olhou pra trás e viu o número 505. Apertou o botão do velho elevador e o esperou. Se assustou ao ouvir o barulho da porta do 505 se abrindo. Olhou de canto de olho rapidamente, depois voltando a encarar o botão. Um homem bem mais alto que ela saiu do apartamento e esperava o elevador também. Era pálido e tinha aparência jovial. Os cabelos iam até a cintura num tom castanho. Usava blusa de banda e jeans preto. Sua expressão era de mau humor. Ficaram no elevador sem trocar uma palavra. Ana Lua ainda o investigava. Conseguia ouvir heavy metal que ele ouvia nos fones de ouvido. E por coincidência, ela conhecia a música. Ele saiu apressado na frente do elevador. Ela conhecia tão pouco a cidade, que mal sabia como chegaria no emprego que arrumou na cafeteria. Olhou o porteiro, que a olhava da mesma forma que no dia interior.
— Aonde eu pego o ônibus 349?
— No ponto da esquina — O porteiro resmungou.
— Obrigada.
Ana Lua foi andando até a esquina e resmungou um palavrão ao ver seu ônibus passando. Ficou sentada uns 15 minutos esperando o próximo no ponto. O dia começava a amanhecer. Ela acabou ouvindo música também em seus fones. Durante a viagem de ônibus, ela ouvia algumas músicas de suas bandas favoritas. Ela olhou o relógio central quando desceu ônibus. Ele marcava 7:10.
— Droga! Dez minutos atrasada.
Ana Lua começou a caminhar depressa até chegar na cafeteria. Entrou no lugar depressa e se deparou com uma funcionaria.
— Bom dia.. É Ana Lua, certo?
— Sim. Desculpe o atraso, eu ainda não estou acostumada com a cidade.
— Eu entendo seu atraso dessa vez, ok? Pegue seu avental e sua rede de cabelo nos fundos. Tenho algumas coisas pra te explicar.
Ela se apressou e fez o mandado. Ouviu as explicações e a ajudou arrumar as coisas na loja. As horas passaram e ela já havia feito alguns cafés. Ana Lua foi aos fundos da loja pegar algumas coisas que faltavam e quando ela voltou o cara do elevador estava lá. Ela olhou com cara de susto.
— O que você está esperando pra me atender? — ele disse ainda com expressão fria e mau humorada. Lua se aproximou do caixa, olhou para ele.
— O que vai querer?
— Um café amargo, sem açúcar. Duvido que faça como eu gosto, mas vai servir.
— Então porque mesmo você não faz? — Ana Lua respondeu irritada.
— Deve ser porque eu estou na rua, concorda?
— É, deve ser. Custa R$3,50.
Ele tirou alguma nota do bolso e lhe deu. Ela pegou e deu o troco. Começou a fazer o café e se empenhou pra fazer o melhor que podia. Caprichou no café. Havia ficado bem amargo e escuro. Ela o serviu com desdém. Ele pegou o café em suas mãos e tomou um gole. Olhou com curiosidade pra ela o que fez Lua pensar que acertou. Ele deu meia volta e estava prestes a sair quando ela gritou de um jeito debochado:
— Volte sempre!
O resto do dia foi entediante. Ela fez as mesmas coisas para várias pessoas diferentes. Mas estava sendo até um dia agradável. O sol estava tímido entre nuvens e batia uma leve brisa. Às 16h acabou seu turno, passando pra próxima funcionaria que acabava de chegar. Lua arrumou suas coisas e foi descobrir um pouco da cidade. Caminhou por uma rua movimentada. Na placa dizia seu nome: Av. Bento Gonçalves. Tinha algum comercio por ali, onde ela observava. Olhou o preço de alguns moveis que compraria com a venda dos moveis antigos. Passou num bar de esquina e comprou seu velho cigarro. Também passou num restaurante simples de comida caseira e comprou a janta. Voltou até o ponto de ônibus e pegou o mesmo de mais cedo. Voltou olhando a cidade na janela. Saltou um ponto depois, distraída. Voltou andando até chegar no prédio desprezível. E a mesma rotina com o velho elevador. Enquanto ela procurava as chaves do apartamento nas profundezas da sua mochila, o cara do 505 saiu do elevador com uma mulher. Ela tinha o cabelo preto enrolado, magra e um pouco mais baixa que ele. Eles entraram com pressa no apartamento. Quando ela finalmente achou as chaves, entrou em casa e começou a ouvir barulhos. Logo deduziu que seria no apartamento do cara. Ela sentou no chão da sala vazia e começou a comer sua janta junto a um refrigerante de uva. Ela ouvia batidas e gemidos. De inicio, ela não se importou mas com o tempo, começaram a irritá-la. Ela tentava se distrair, ler um livro ou rabiscar algumas palavras no caderno, mas aquilo a desconcentrava. Depois de um tempo, ela resolveu ir lá.
— Oi, boa noite. Eu vim lhe pedir um simples favor. Você pode transar a vontade, em qualquer lugar na sua casa, mas... EU ADORARIA SE VOCÊ PARASSE DE FUDER NA MINHA PAREDE! — Ana Lua gritou com o cara, irritada. Ele simplesmente a olhou com indiferença e bateu a porta. Ela deu um chute em sua porta e voltou pro seu apartamento, onde colocou o um vinil de Iron Maiden pra tocar nas ultimas alturas em sua velha vitrola. Ela ouviu batidas na sua porta, abriu com raiva pensando ser o vizinho mas era o porteiro.
— Alguns vizinhos estão reclamando do som alto.
— Alguns deles não reclamaram do barulho do 505? Porque se não reclamaram, eu estou reclamando agora. E eu só vou abaixar quando esse maldito parar com esse barulho infernal! Boa noite.
Ana Lua fechou a porta sem querer saber. Com o tempo, o barulho parou. E ela abaixou o som. Ela ficou em sua varanda fumando por um tempo. Não estava com sono, mas tentou se obrigar a dormir pois no dia seguinte, ela sairia mais cedo de casa, só pra não se encontrar com o vizinho.
Dois meses haviam passado desde o acontecido. Ana Lua havia feito alguns amigos e sua casa estava sendo mobilhada. Durante todo esse tempo, ela conseguiu evitar o vizinho. Às vezes o via na cafeteria, mas pedia para sua colega de trabalho atende-lo. Lua voltava de mais um dia de trabalho, nesse dia ela voltava um pouco mais tarde. Apertou o botão e esperou o elevador. Quando as portas estavam fechando, o porteiro as segurou e para sua surpresa, o cara do 505 entrou. Ela arregalou os olhos. Depois desviou o olhar e bufou. Ao ver a reação dela, o cara riu.
— Do que está rindo?
— Ri da sua frustração ao ver que seu plano de me evitar não funcionou.
— E quem disse que eu estou evitando você?
— Precisa dizer? É tão obvio — ele disse dando uma leve risada, deixando-a mais irritada.
As luzes do elevador começaram a piscar. O coração de Ana Lua disparou. Aos poucos o elevador ia ficando mais devagar até parar totalmente e as luzes se apagarem definitivamente. Lua olhou pro teto e pensou que isso só podia ser uma pegadinha divina. Ela começou a apertar desesperadamente o botão de emergência até o porteiro atender.
— Qual o problema?
— Qual o problema?! O elevador parou e está todo apagado. Eu estou presa aqui com esse cara do 505. Quero sair daqui agora!!
— Olha, agora não vai dar. Eu vou chamar a assistência técnica mas pode demorar um pouco.
— O que?! Demorar um pouco?! — o cara puxou Ana Lua e respondeu o porteiro.
— Tudo bem, vamos esperar.
Ana Lua ficou irada e começou a gritar.
— Você ficou maluco?! Com tantas pessoas no prédio eu fui ficar presa justo com você! Eu não quero ficar aqui.
— Ainda não entendo porque tanta implicância comigo. Foi pelo que aconteceu naquele dia? Fique feliz por eu não ter ido arrancar sua porta depois do chute.
— Viu? É por isso! Você não consegue falar uma frase sem ser um ogro!
O cara soltou uma gargalhada na cara de Ana Lua. Ela bufou e sentou no chão do elevador, com o rosto no joelho, nervosa.
— O que foi? Por que está tão nervosa? Se for por minha culpa, não vou fazer nada com você.
Ana Lua continua encolhida e com medo. Sentia as paredes se apertando. Ela começava a ficar sem voz e sem ar.
— Você tá bem?
Essa foi as ultimas palavras que ouviu até ficar em pleno breu e sem consciência. Quando acordou, sentiu-se aliviada ao ver que não estava dentro do elevador. Mas não reconhecia o local onde estava. Levantou aos poucos vendo uma sala bem organizada e arrumada.
— Devia ter me contado que era claustrofóbica.
Ana Lua logo reconheceu a voz. Era do seu vizinho. E ela estava na casa dele.
— O que aconteceu?
— Você desmaiou dentro do elevador. Levou uns 15 minutos pra nos ajudarem. Verificaram você e disseram que estava bem, só que tinha desmaiado. Logo, deduzi que é claustrofóbica.
Ana Lua suspirou fundo e sentou ao sofá. Ainda não conseguia se levantar.
— Não se levante ainda, fique tranquila — ele a encarava enquanto tomava café — Seu nome sempre foi Ana Lua?
— Por que da pergunta?
— Vi duas identidades na sua mochila. Precisei pegar pros caras da assistência.
— Não. Nem sempre. Meu nome era Luana mas meu pai me chamava de Ana Lua. É só inverter os nomes.
— Entendi. É um nome legal.
— Obrigada. E o seu nome? Eu não sei.
— Daniel.
— Também é um nome legal, eu acho.
— Eu sei. Sou um dos poucos caras do mundo que gostam do próprio nome! — Ana Lua deu um leve sorriso e se levantou — Você já vai?
— Não quero incomodar.
— Relaxe, Lua. Não está incomodando — ela sentou novamente no sofá e observou o apartamento – Gosto do que escreve.
— Como sabe o que eu escrevo?
— Vejo o saco de papel que deixa na porta de casa pra jogar fora. Uma vez fui curioso e olhei. Acabei gostando do que pensa.
— Você sempre é tão curioso?
— Só com o que me interessa — Daniel deu um sorriso de canto.
— Então, escrita e papel te interessa?
— Não. Você me interessa.
Ana Lua se sentiu corar. Sorriu sem graça. Dessa vez ela levantou e estava saindo pela porta.
— Eu sei que também te interesso, de alguma forma. Não precisa ficar de birra.
Ela fechou a porta e ficou encostada nela do lado de fora. Respirou fundo e viu que estava vermelha. Ela sabia que de certa forma, ele mexia com ela. Mesmo com o jeito ogro, rude e grosso. Ela tentava o evitar para evitar ela mesma de sentir isso. Todos os dias na cafeteria quando ela espiava ele, ele lançava um leve sorriso pra direção dela. Como se soubesse que ela estava lá. Ela sentia queimar por dentro. E bateu na porta. Quando ele abriu ela foi direta, puxou o corpo dele pra ela e o beijou ardentemente sem medo de se arrepender. Ele estava com uma cerveja na mão que acabou derramando um pouco nela. Daniel a puxou pra dentro, fechando a porta e a encostando nela. Com sua mão livre, acariciava cintura dela subindo com alguns apertões em seu corpo. Ela colocou as pernas envolta da cintura dele enquanto ele a pressionava contra a porta. Com Lua no colo, a colocou sentada na mesa onde deixou a cerveja. Ela escorregava a mão pelas costas dele deixando marcas fortes de arranhões na pele pálida. Daniel explorava o corpo dela com as mãos sem medo e cheio de vontade. Por cima do sutiã, apertava seus seios enquanto a beijava ferozmente. Levemente, ela levou uma das suas mãos ao membro dele. Estava rígido e ereto como ao cabo de uma arma. Ele a levou em seu colo para a cama. Por cima de Lua, ele tirava-a camisa e após o sutiã. Começou a se deliciar e se fazer em seus seios enquanto ela mordia os lábios e soltava alguns gemidos entre as mordidas. A sensação de senti-lo em seu corpo era indescritível. Após as chupadas em seu seio, Lua tirou a roupa dele, deixando-o apenas de cueca cuja tirou com a boca. Com a língua começou a brincar com o membro dele em seguida de longas chupadas enquanto ele segurava seu cabelo com força. Ele revirava os olhos de puro prazer. Ela era cuidadosa e firme. Fazia os movimentos com vontade e desejo. Depois inverteram os papéis. Ele dava algumas mordidas em suas coxas enquanto se lambuzava nela com movimentos com a língua. Ana Lua soltava gemidos altos.
— Você me quer? — Daniel perguntou de jeito malicioso. Ela respondeu balançando a cabeça — Então me peça...
Ana Lua o puxou pra perto, mordiscou sua orelha e sussurrou ao pé do seu ouvido.
— Vem pra mim. Eu estou aqui só pra você, Daniel. Só pra você. Vem.
Daniel continuou sorrindo de forma maliciosa e começou a escorregar os dedos em seu clitóris, fazendo-a se remexer de prazer. Fazia movimentos levianos.
— Acho que ainda não entendi...
Ana Lua soltava cada vez mais gemidos prazerosos. Entre os gemidos, ela implorava por ele. Soavam como música aos ouvidos de Daniel, mexendo com todos os seus sentidos entre eles, os mais sacanas. Daniel segurou os pulsos dela com uma das mãos e com a outra, segurou seu quadril. Começou a dar leves estocadas nela, enquanto acelerava o ritmo e dava mais força. Ela gemia com vontade e chamava por seu nome. O prazer era infinito e retribuído. A sensação era de eternidade e satisfação. Marcas comprovavam as loucuras que aconteceram. E assim, pelo resto na noite até o amanhecer, eles permaneceram.
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