Blue Eyes

8 Capítulo 7 - Nathan


Notas iniciais
Pra compensar o atraso, aqui está mais um. Espero que gostem!

Julie estava demorando de mais no banheiro e eu não fui o único a perceber isso. Deixei Liam e Andy conversando na mesa e fui ver o que tinha acontecido. Logo que estava chegando no banheiro, vi uma garota sair de lá. Ela era bem gostosa, mas, pela roupa, era do tipo oferecida. E parecia ter se machucado seriamente.

– Ei — chamei-a. — Você viu a garota que cantou comigo?

– Vi. E diz pra ela que quando eu encontrá-la, ela está morta. — e saiu batendo os pés com força.

– Okay...

Depois de perguntar a um monte de gente, uma mulher loira falou que a viu sair da festa, então eu fui até lá fora procurá-la. E, realmente, ela havia saído. Estava sentada no chão, abraçada aos joelhos, nitidamente chorando. Me assustei com aquela visão. Ela não parecia ser do tipo que chorava à toa. Sentei ao seu lado. Não sabia o que fazer.

– Ah... Tudo bem? — perguntei. Uma pergunta idiota, eu sei. — Olha, você pode me contar o que aconteceu... ou não, se não quiser. Não precisa mesmo, só... sei lá, não fica assim.

Ela não disse nada, não se mexeu, nem deu nenhum sinal de vida. Passei meu braço ao redor de seus ombros, abraçando-a de lado. Ela não pareceu querer falar sobre nada, então simplesmente fiquei sentado ali, abraçado a ela, enquanto ela chorava. Não sei quanto tempo se passou, mas sei que foi bastante. Quando ela finalmente levantou a cabeça, vi que seu rosto estava vermelho e inchado, a maquiagem borrada lágrimas ainda escorriam de seus olhos.

– Você ta melhor? — perguntei.

– Por que você ainda ta aqui?

– Bem... eu fiquei preocupado. Você não me parece o tipo de garota que chora sem motivos sérios.

– Você ta certo — ela enxugou os olhos com as mãos.

– Eu posso saber o motivo disso?

– Eu nunca contei pra ninguém, nem pra Andy... o único que sabe é o Haz.

– Quem?

– O namorado da minha irmã... ele costumava ser meu melhor amigo.

– Costumava?

– É... não sei se é mais. Ta tudo muito... confuso. Eu fiquei mal quando soube que eles estavam namorando e a puta da Jennifer fez questão de me deixar pior ainda... — as lágrimas voltaram a descer por seu rosto. — Mas o que ela disse faz sentido. Eu... eu acabo afastando as pessoas que eu amo de mim. Primeiro o Joe, depois o Haz... minha mãe... Andy é a única pessoa que continua comigo e eu não sei por quanto tempo. Eu só... só percebi que em 23 anos, eu só consegui uma amiga que continua comigo.

– Julie, você não afasta ninguém de você. Não se deixe levar pelas coisas que os outros dizem. Eu não sei quem é esse tal de Joe e nem me interessa saber, a única coisa que eu sei é que ele foi muito idiota de se afastar de você, o mesmo com o Harry. Você é uma garota incrível, não importa o que eles digam. Você não vê o mal que isso ta fazendo a você? Olha só pra você agora. Sentada na calçada, chorando até não poder mais, tudo por causa de uma garota idiota que falou alguma besteira só pra te magoar. Você estar chorando aqui é exatamente o que ela queria. Você tem que voltar pra lá e exibir o melhor sorriso que você tiver, mostrar a ela que não importa o que ela diga, você continua por cima.

Ela parara de chorar e agora olhava para mim. Limpou o rosto com as mãos mais uma vez.

– Você tem razão. Muito... muito obrigada — ela me abraçou.

– De nada, ruiva. Sabe, se isso te deixar mais feliz... eu acho que vi a tal Jennifer. E ela estava horrível — ela sorriu de lado e levantou.

– Eu to muito ruim?

– Não... é só... — limpei a maquiagem que escorreu dos olhos dela e ela sorriu. — O que foi?

– Você deve ser um ótimo amigo.

– Você também. Pronto, agora você está apresentável. O olho ainda ta meio inchado, mas aqueles dois provavelmente vão estar bêbados de mais pra reparar.

Voltamos à festa e resolvemos não sentar junto com Andy e Liam que, como eu previ, estavam muito bêbados. Fomos pra pista de dança, mesmo sem a intenção de dançar. Lá estava cheio de gente, portanto menos pessoas reparariam nos olhos inchados de Julie, que logo foram desinchando. Ficamos algum tempo lá, até que uma mulher loira e alta, sua mãe, veio chamá-la. Pelo visto, estava na hora do parabéns e ela tinha que estar ao lado da irmã. Ela me chamou pra ir junto e é claro que eu aceitei.

A irmã dela estava de frente pro bolo, com seu namorado ao lado, os dois de mãos dadas. Como eu sabia que Julie não gostava disso, segurei sua mão também, como quem diz "não se preocupe, eu estou aqui". Ela ficou bem ao lado da irmã e eu ao seu lado. Ela me abraçou de lado e eu retribuí o abraço. O tal Harry olhou feio pra mim, olhar que ele recebeu de volta. Tiraram fotos de nós e cantamos o parabéns e, assim que terminamos, Julie me puxou pra longe de lá. Infelizmente, a irmã dela e o namorado vieram atrás de nós.

– Você nem me apresentou o seu amigo — ela sorriu.

– Ah, claro. Esse é o Nathan, ele é o melhor amigo do namorado da minha melhor amiga — Julie riu.

– Se deram bem, pelo visto — Harry falou. Qual é a desse cara? Deu pra ter ciúmes da Julie agora?

– Ah, sim. Com certeza — sorri e beijei a bochecha dela.

– Ele é bem bonito — a garota disse, sorrindo.

– Obrigado — respondi. — Você também é.

– Mamãe pediu pra perguntar se você vai dormir aqui, Julie.

– Não, eu vou dormir em um hotel. Você sabe que eu e a mamãe não nos damos muito bem...

– Você pode dormir com a gente, se quiser — falei.

– Seria ótimo. na verdade, eu já to morrendo de sono e acho melhor tirar aqueles dois daqui antes que fiquem piores.

– Certo. Bom, então... a festa foi ótima e parabéns mais uma vez. E felicidades pra vocês dois.

– Eu venho te visitar outra vez esse ano... eu acho — Julie falou. — Manda um beijo pra mamãe.

Nós dois fomos até a mesa em que os dois bêbados estavam e os levamos até o carro. O hotel em que havíamos feito a reserva não era longe dali, felizmente. Depois de carregar os dois até o quarto, tivemos um pequeno problema. Não eram quatro camas. Eram três, uma de casal. Colocamos os dois na de casal e Julie foi tomar banho. Não demorou muito pra ouvi-la dizendo "Droga, esqueci minha bolsa!".

– Eu te empresto a roupa que eu trouxe, se você quiser — ofereci.

– Você é um anjo, Nathan.

Peguei as roupas e passei pra ela de olhos fechados. Pouco tempo depois ela saiu do banheiro, com uma blusa e uma calça jeans duas vezes maiores que ela. Ela riu e eu também.

– Obrigada.

– Não foi nada. Você ficou um charme com essa roupa.

– Idiota — ela riu, deitando em uma das camas restantes.

Eu me deitei na cama ao lado. Nós ficamos conversando sobre a festa por alguns minutos, mas ela logo caiu no sono. E, bem... ela dorme feito um anjo.

Notas finais
E aí, ficou bom? Quero saber o que vocês acharam, hein!