Blue Eyes

19 Capítulo 18 - Julie


Notas iniciais
Gente, eu acabei de ver que perdi 3 leitoras, isso me deixou realmente deprimida. Por que isso, gente? Minha escrita ta ruim? A história ta chata? To demorando de mais pra atualizar? Eu juro que to atualizando o mais rápido possível, minha vida ta uma loucura ultimamente, me desculpem se isso fez a qualidade da história cair. Eu prometo que vou tentar melhorar, mesmo esse sendo o anti-penúltimo capítulo da fic. Eu escrevi esse antes de ver isso, espero que tenha ficado bom. Prometo tentar atualizar mais rápido, se o problema for esse. Desculpem qualquer erro, ok?

É impressionante a capacidade da minha família de criticar tudo o que eu faço. É claro que eles não podiam deixar de falar do meu cabelo, do meu piercing na boca, da minha calça de duas cores, da faculdade que eu fiz, de tudo o que acontece na minha vida. Não sei nem pra que eu aceitei vir nesse almoço. Minha prima e seu noivo, Frank, já tinham falado um monte de coisas, já tinham oficializado o noivado e blábláblá e eu não via a hora de ir embora dali. Falei com os três pra me esperarem do lado que fora pra eu me despedir da minha mãe — como se eu quisesse mesmo fazer isso. — e fui procurá-la. Logo a encontrei, conversando com algumas pessoas de quem eu nem me lembro, mas que devem ser meus parentes.

- Ah, mãe... — falei, chamando a atenção não só dela, mas das outras pessoas também. — Eu to indo embora.

- Mas já? — uma das mulheres do grupinho perguntou.

- Já. Eu vou... ham... sair com meus amigos e meu namorado hoje.

- Ah, claro. Até qualquer dia, então, filha.

Sim, essa é a minha mãe falando. Virei as costas e já ia sair quando uma outra mulher falou:

- Espera, essa é a Julie? Ah, meu Deus, como cresceu!

Droga, por que as pessoas tem que me reconhecer mesmo? O cabelo preto não funcionou?

- É ela mesma. Vem falar com a sua tia, Juliette.

- Desculpa, mãe, eu to muito atrasada mesmo. Tchau, tia, outro dia a gente se fala.

Saí correndo em direção ao portão, sem nem deixá-la responder. Céus, como minha família é chata. Nate, Liam e Andy me esperavam no portão. O que nós vamos fazer agora? Ter diversão de verdade, ué. Tirado a Andy, todos nós conhecíamos Londres muito bem, então não foi difícil pensar em um lugar legal. Acabamos indo a um pub não muito longe dali, onde eu ia sempre quando morava ali. Eu e os garotos já inclusive tocamos umas cinco vezes ali. Sempre tinha música boa e era um ótimo lugar pra conversar. E, bem, ainda é. Os três adoraram o lugar, passamos um bom tempo lá, conversando, rindo e, no caso dos meninos, bebendo um pouco. Não, eu não bebo. A Andy de vez em quando, mas é muito raro. Depois de algumas horas que passamos lá, meu celular tocou. Atendi, sem nem olhar no visor.

- Alô?

- Julie? É o Haz. Olha, eu queria conversar com você...

- Pode dizer, ué.

- Não, eu preciso conversar cara a cara mesmo. Onde você ta?

- Lembra do pub em que a gente vinha quase toda semana?

- Aham. Eu to indo praí.

- Ta bem. Eu te espero do lado de fora.

- OK. Já to indo. Até mais.

Desliguei. Nate me encarava, curioso.

- Quem era?

- O Haz. Ele quer falar comigo. Provavelmente alguma coisa sobre a minha irmã; Ele ta vindo pra cá.

- Julie, você sabe que eu não vou com a cara desse menino, não sabe?

- Eu vou conversar com ele e voltar pra cá, Nate. Relaxa. Já volto, ta?

Ele bufou. Levantei da mesa e fui para o lado de fora do pub, onde fiquei esperando por alguns minutos até que ele chegasse, com um sorriso no rosto ao me ver.

- Oi — ele cumprimentou.

- Oi, Haz. E então, o que é tão importante? É sobre a Gio?

- Bem... sim. E sobre você.

- O que houve?

- É que... bem, eu devia ter te dito isso antes... seu namorado com certeza já percebeu e... eu me senti na obrigação de vir te dizer isso.

- O quê?

- Julie, eu... Eu gosto de você. Sabe, gosto mesmo. Desde que nós éramos crianças. Eu acho que sempre gostei de você. Quer dizer, quando você se mudou pra Liverpool, isso meio que passou. Aí eu comecei a namorar a Gio, porque ela é uma garota legal, e gosta de mim, então eu achei que seria legal. Aí você volta de lá linda desse jeito e... confunde tudo dentro de mim outra vez. Eu não me sinto bem com isso, já pensei em terminar com a Gio várias vezes, mas... sei lá, ela ta tão feliz. E você ta tão feliz... com o Nathan. Eu só achei que você devia saber.

Fiquei paralisada. Sim, era muita informação pra eu assimilar de uma vez só. Como assim, o Haz gosta de mim? Como assim eu mexi com ele quando passei a vir pra cá com mais frequência? Como assim...? Foi então que eu me lembrei. Aconteceu há tanto tempo, e eu quis tanto esquecer isso, que acabei esquecendo mesmo. Mas, naquele instante, tudo voltou à memória.

Flashback

Nós tínhamos quinze anos, estávamos na minha casa, vendo um filme de terror. Eu estava deitada no colo dele e ele acariciava meus cabelos. Nenhum dos dois tinha medo algum do filme. Pelo contrário, às vezes até ríamos dos acontecimentos. Em algum instante, no meio do filme, Haz falou algo que não tinha nada a ver com o que estávamos assistindo.

- Sabe, acho que nós dois daríamos certo juntos.

- Nós já estamos juntos — falei.

- Eu não quero dizer como amigos. Eu acho que nós formaríamos um bom casal.

- Não sei — virei de frente pra ele. — Não te vejo como meu namorado.

- Por que não?

- Acho que porque a gente cresceu junto. Sabe, somos amigos desde criança.

- Mas você me namoraria, se não fosse por isso?

- Por que essa pergunta, Haz?

- Nada — ele disse, dando de ombros. Voltei minha atenção para o filme, mas não sem antes ouviu ele murmurar: — É que eu gosto de você

Flashback off

- Harry... eu... Meu Deus, eu não sei o que dizer, eu...

- Desculpa, eu só queria te contar, sabe... achei que você precisava saber.

- Haz, eu... eu sinto muito, mas... eu... sabe, eu to bem feliz com o Nathan e... não sei se daria certo entre nós dois e...

- Eu sei — ele riu, encarando o chão. — Serei só seu melhor amigo, pra sempre.

- Me desculpa.

- Não, ta tudo bem. Eu já sabia disso. Acho que já até me acostumei.

- Ah, Harry... — o abracei bem apertado. — Eu sinto muito, muito mesmo.

- Relaxa, Julie, eu to bem — ele sorriu e beijou minha testa. — Agora eu tenho que voltar pra festa. E aposto que você tem que voltar pro seu namorado.

- É — ri fraco. — Boa sorte lá na festa.

- Obrigado — ele sorriu, se soltando do abraço. — Se cuida, viu, baixinha? — e bagunçou meus cabelos antes de ir.

Voltei pra mesa onde todos estavam e não comentei nada. Acho que ninguém precisava saber disso, não é? Depois de mais algumas horas, nós voltamos pra Liverpool. Já era de noite quando chegamos. Deitei no sofá, relaxando de verdade pela primeira vez no dia. Até que meu celular tocou. Era a Giovanna.

- Oi, Gio — atendi.

- ISSO É TUDO CULPA SUA! — ela gritou, do outro lado da linha.

- O-o que houve? — perguntei, embora já soubesse a resposta.

- O HARRY TERMINOU O NAMORO COMIGO POR SUA CULPA! VOCÊ TINHA QUE VOLTAR E ESTRAGAR MINHA VIDA DE NOVO, NÃO É? — ela estava claramente chorando. — NÃO BASTAVA ROUBAR TUDO DE MIM COM SUA PERFEIÇÃO E POPULARIDADE QUANDO ESTAVA AQUI, MAS TINHA QUE VOLTAR E ROUBAR TUDO OUTRA VEZ!

Perfeição? Popularidade? Ela ta falando comigo mesmo?

- EU ODEIO VOCÊ! NÃO QUERO VER SUA CARA NUNCA MAIS!

- Gio...

Ela desligou na minha cara. Não faço a mínima ideia do que ela estava falando, ou por que ela falou aquelas coisas. Não é minha culpa se o Harry gosta de mim! Se eu pudesse escolher, ele não gostaria de mim. Por favor, o Haz é meu melhor amigo, eu nunca o vi como outra coisa! "Eu odeio você". Isso realmente doeu. A única pessoa que gostava de mim (ou eu pensava que gostava) na minha família agora me odeia. É, eu definitivamente nasci na família errada.