Blue Eyes
10 Capítulo 9 - Nathan
Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo!
Duas semanas já haviam se passado desde a final da Champions League, mas Julie continuava a me lembrar (lê-se: jogar na minha cara) que o time dela tinha derrotado o meu. Tirando os momentos em que me dava vontade de matar aquela anã de jardim insuportável, nós nos dávamos muito bem. Ela aparentemente já esqueceu o dia em que nos vimos pela primeira vez, quando eu a atropelei, e até me disse que me considerava seu melhor amigo, o que já é um enorme progresso.
Eu estava no apartamento dela, vendo televisão enquanto o mundo desabava lá fora. A chuva era tanta que mal dava para ver o prédio da frente. E, definitivamente, era impossível sair. Liam estava na casa de Andy, lugar que ele passou a frequentar bastante desde que eles se conheceram, então não podia subir pra ficar com a gente. Não estava passando nada de interessante na TV e Julie estava trancada no quarto, acho que foi tomar banho ou algo assim. Ia desligar a TV e ver se ela já tinha acabado, mas antes que apertasse o botão, tudo apagou. "Ah, que ótimo", pensei. "Trancado em um apartamento e sem energia". Mal as luzes se apagaram e eu ouvi um grito. Obviamente vindo do quarto da Julie.
- Tudo bem? — perguntei.
- Ta escuro! — ela respondeu. Parecia estar morrendo de medo.
- A energia caiu... abre a porta, assim você não fica sozinha.
- Não posso.
- Por quê?
- Por que eu acabei de sair do banho, seu idiota!
- Ah, sim... Bem, ta escuro, eu não vou ver nada mesmo!
- Hahaha, engraçadinho. E quando a energia voltar?
- Eu fecho os olhos, eu prometo.
- Promete mesmo?
- Prometo.
- Se você não fechar os olhos, eu juro que quebro seu nariz.
- Tudo bem, estressadinha. Abre logo a porta antes que uma aranha te devore.
Ela não demorou nem um segundo para abrir a porta e sair correndo de lá. Quer que Juliette Cooper faça alguma coisa? Diga a palavra "aranha" e pronto, ela faz o que você quiser.
- Nate... — ela disse, baixinho. — Eu to com medo.
- Além de medo de aranhas tem medo de escuro também?
- A culpa é toda sua que me fez assistir àquele filme idiota. Seu idiota.
- Ainda aquele filme? Faça-me o favor, são só aranhas com o triplo da sua altura que devoram humanos, nada de mais. Elas não estariam aqui no seu quarto, relaxa. A não ser que... Oops, eu acho que vi uma coisa se mexendo ali — falei, contendo uma risada. Não é que eu seja mau, é só que... ta bem, talvez eu seja mau mesmo.
- P-para com isso, não tem nada aqui — ela falou, mais pra ela mesma do que pra mim.
Como ela não podia me ver, fui até ela silenciosamente e encostei uma mão em seu braço. Ela gritou e se encolheu, estava tremendo muito e provavelmente tinha começado a chorar.
- Nathan... — ela falou, tão baixo que eu mal consegui ouvir. — Nathan, para.
Dei alguns passos para trás antes de responder: — Parar com o quê?
- Nathan... eu sei que é você — a voz dela estava mais aguda do que o normal, o que deixava bem claro que ela estava chorando. — É você, não é?
- Não, eu estou bem aqui.
Um raio cortou o céu, iluminando a sala por uma fração de segundo. Ela estava olhando fixo para frente, tremendo e chorando. Tudo bem, acho que fui um pouco longe demais. Fui até ela outra vez, dessa vez para dar-lhe um abraço apertado, que ela não retribuiu, pois estava paralisada de medo.
- Calma — falei baixo. — Não tem aranha nenhuma, fui eu mesmo. Não chora, ta? — mas ela não respondeu. Afastei-a um pouco de mim, tentando observá-la, o que (obviamente) não foi possível, já que eu não enxergava nada. — Julie?
As luzes de repente voltaram a acender e pude enxergá-la com clareza. Ela parecia estar em transe, o olhar fixo no nada. Ainda tremia, mas não estava chorando. Chamei-a outra vez, sacudindo-a de leve e ela acordou do transe.
- Céus, eu consegui deixar a menina em pânico — murmurei pra mim mesmo.
Desviei meus olhos dos dela, reparando pela primeira vez no que a menina vestia. Nada mais que uma toalha que não chegava à metade de suas coxas, deixando as pernas (e que pernas!) totalmente à mostra. Acho que fiquei olhando para ela tempo de mais, porque ela, infelizmente, se lembrou da minha promessa e me deu um soco tão forte que poderia realmente ter quebrado meu nariz, se o tivesse acertado.
- Sua maluca! — gritei.
- Você prometeu que ia fechar os olhos, seu desgraçado, quase me matou do coração, eu devia arrancar sua cabeça fora, me assustando desse jeito — ela falava tão rápido que mal dava para entender.
- HEY! — gritei, fazendo com que ela parasse de falar. — Desculpa, OK? Eu já sei que exagerei, não precisa ficar gritando comigo!
- Onde é que você estava com a cabeça? Você sabe que eu morro de medo de aranhas, por que fez aquilo, hein? — ela parecia que ia voltar a chorar.
- Mil desculpas, você sabe que eu adoro implicar com você, só não achei que você levaria a sério o que eu estava falando. Desculpa.
- Você é... você é tão... — ela me olhava como se fosse agarrar meu pescoço a qualquer momento e apertá-lo até me sufocar.
- Desculpa — encarei o chão, incapaz de continuar a olhar em seus olhos.
- Você é o garoto mais irritante, idiota e insensível pelo qual eu já me apaixonei em toda a minha vida!
Por alguns segundos, eu pensei ter me confundido. Não, ela não poderia ter dito aquilo, com certeza eu me enganara. Olhei para ela, cujo rosto estava tão vermelho e os olhos que encaravam o chão estampavam tanta vergonha que não tive dúvidas. Eu ouvira direito. Juliette Cooper acabara de dizer que estava apaixonada por mim.
Fale com o autor